A VIRADA NA IGREJA CATÓLICA
Meu POST sobre o assunto recebeu 35 comentários, a maioria absoluta contra a Igreja e a maioria simples contra o meu artigo.
Mas, fora dos comentários, em meu e-mail jorgeclima@uol.com.br, recebi uma importante correspondência de meu amigo, o grande teólogo Francisco Catão, que preciso ter a coragem de publicar aqui:
Jorge, cheguei a seu blog via página do IG. Lamento a repercussão que teve, pelos comentários que li. Na verdade o que me aborreceu foi sua impropriedade dos termos. Há qualquer coisa no ar, v. farejou, mas errou barbaramente o tiro. Sem querer ensinar o pai nosso ao vigário, diria que a “virada” está se fazendo há muito. Num certo sentido é a característica da vida da Igreja desde o início do pontificado de Leão XIII, em 1878. Estudamos, o Magno Vilela e eu mesmo, num livrinho publicado há tempos pela Best Seller (O monopólio sagrado). Atualmente assume novos perfís. Acredito que o que a caracteriza hoje, mais do que a compreensão do papel do leigo no seio da Igreja, é o esforço, nem sempre confessado, mesmo da hierarquia, de adotar a secularidade como estilo de vida da comunidade cristã inserida no mundo secularizado. Bento XVI caminha nesse sentido, por incrível que pareça e, sob esse ângulo, é muito mais avançado do que seu predecessor. Em Aparecida se fizeram sentir alguns acordes dessa fase atual da virada, como tive ocasião de escrever num artigo, A teologia subjacente em Aparecida, na Revista de Catequese do Instituto Pio XI e publicado também na Ciberciência, revista eletrônica das Paulinas.
Estou à sua disposição para um encontro, se lhe interessar aprofundar esse tema.
No Espírito de Jesus, Francisco Catão.
Em seguida respondi ao amigo Catão, da seguinte forma:
Caro Catão. Meu tiro destinava-se a um alvo bem mais restrito. Essa atitude que começou com a ação católica e se dissolveu com algumas pastorais e atrapalhou bastante a secularização a que vc se refere. Vc tem razão em criticar meu texto. Talvez eu não tenha assimilado o que o Congar me falou pessoalmente: “-Le Christ vient de naitre”, quando externei alguma pressa sobre os atrasos da Igreja. De fato, não há que ser afoito, nem avaliar no tempo político, a trajetória da Igreja. Contudo, a secularização talvez exija uma permeabilidade maior, sobretudo quando há uma total ignorância na avaliação ética dos rumos que a ciência está tomando aceleradamente. Nesse sentido, o conhecimento do homem comum e mesmo do homem douto (chamemo-los ou não de leigos) pode ser importante para uma re-leitura do dogma. “Amo a emoção que corrige a razão”, dizia Georges Bracque, e isso deve fazer parte do mundo secularizado e inserido na mundo secularizado. Vamos conversar sim. Entro com meu faro de cristão, mas não tenho cacife para digerir tantas teologias.
