TODOS VESTIDOS DE NOIVA NO ITAU CULTURAL
VESTIDO DE NOIVA
Quando a peça termina, no teatro do Itaú Cultural, o pai, a mãe, os repórteres, as mortas, os vivos, os meninos e a gloriosa madame Clessi (Norma Benguel), estão todos vestidos de noiva. De branco, com buquês de rosas vermelhas. O insólito final de Nelson Rodrigues recebe aplausos calorosos do público jovem.
Não podemos, não devemos e não precisamos fazer comparações. Vestido de Noiva, encenado por Ziembinski nos anos 40, foi uma revolução no teatro, antecipou o “roll” e a montagem midiática, modernizou o teatro no mundo inteiro. A história e os delírios oníricos de Alaíde, dirigida por Rodolfo Garcia Vasquez, não vão mudar o teatro, mas apresentam um ótimo teatro, com humor, imaginação e boa pontuação dramática. Os atores estão excelentes e Norma Benguel é a prova cabal de que a metamorfose do corpo não atinge o espirito que permanece inteiro, em sua condição de atriz. O que mais me encanta nesse Nelson Rodrigues é a compreensão genial desse momento que medra entre a vida e a morte, no qual o quase morte é capaz de sintetizar a vida, despojado de qualquer pudor. Alaíde não é verdadeira, ela é a própria verdade. Clessi carrega todo o realismo da “belle époque”. ” – De dia ele veste roupa caqui, de noite não” , referindo-se ao amor de 17 anos que acabaria assassinando-a. E a irmã? Que só queria transar com o cunhado enquanto a Alaíde estivesse viva. Nem Tchecov.esse Vestido de Noiva se descola do rio de Janeiro e do tempo, torna-se universal.
O Itaú cultural valorizou-se muito ao tranformar seu auditório num bom teatro de câmara. Encontrou um veio novo para sua intensa programação.
Onde: Itaú cultural. Av. Paulista 149.
Quando: Até domingo (duas sessões).
Com quem: Com os Satyros


