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28/02/2008 - 13:21

SEAN PENN E A SOLIDÃO DA NATUREZA

NATUREZA SELVAGEM

A natureza, em sua beleza, sempre me pareceu neutra. Ao contrário, o homem, em sua constante excitação, sempre nos pareceu selvagem.
“Natureza Selvagem”, o filme de Sean Penn, parece demonstrar o inverso. A natureza contem o maior dos venenos: a solidão. Além disso, esconde animais ferozes e plantas venenosas.
Alex, o jovem brilhante, sai de casa com tudo o que possa caber na mochila da esperança. A generosidade, pois desprende-se da poupança, que doa; desprende-se do carro, que abandona no meio fio; desprende-se da família, murada pela discórdia e, por fim, da segurança em favor da aventura, única utopia que náo abandona jamais um jovem com os olhos iluminados. Alex carrega também o combustível inflamável da retórica: insurge-se contra os preconceitos, a sociedade, a estabilidade, enfim, todos esses “valores” que adornam o universo da acumulação de bens.
Sean Penn participou de tantos filmes , como ator, que deve conhecer o duplo percurso de um homem na estrada e da estrada no homem.
O filme tem duas texturas paradoxais. A decisão com que o personagem se atira no horizonte, desapegado do mundo e dos outros e a doçura dos encontros que contradizem todo o seu uivo contra o mundo. No percorrer, Alex percebe isso, mas não passa recibo ao conforto do afeto. Deixa todos para trás e persegue sua utopia pessoal no encalço do mais distante dos estados americanos: o Alasca.
Não pode haver geografia, nem distância mais adequada a essa moradia cósmica da solidão.
Em cada parágrafo de suas memórias (o personagem de fato existiu) ele assinala esse desejo existencial da contemplação. Só no fim, quando o fim é o fim, descobre em tempo, porque um átimo de vida ainda é tempo, que a felicidade é a partilha, o convivio e o outro.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:

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