LAMENTO SOBRE UM JOVEM ASSASSINADO
EDITOR MORTO NA PORTA DO TRABALHO – A TV CULTURA
Ontem um editor de 27 anos da TV Cultura foi assassinado em frente da emissora por um bando de três jovens marginais. Tinha orgulho do trabalho e era arrimo da mãe, que ajudava a sustentar. Era pobre e de manhã trabalhava na Record para aumentar a renda.
A Cenno Sbrigui é uma bela rua arborizada, com uma praça em frente, em torno da qual os funcionários da Cultura e da Gerdau estacionam seus carros. Abriga por vezes algumas barracas de cerveja e cachorro quente. Uma banca diurna de jornais.
De dia parece segura, mas três funcionários sofreram mini sequestros e inúmeros carros já foram roubados.
De noite é um espaço de ninguém. Aliás, por lá circulam garotos de programa, que tanto aumentam como sofrem os riscos de tal atividade. Não há policiamento visível nem regular. Não há boa iluminação. Pegar um carro ou ir atrás de um ónibus é risco consentido. É roleta russa.
Aliás, nesta cidade, ou estamos dentro das prisões das casas, dos apartamentos e das instituições ou estamos no território livre dos delinquentes. Não há mais espaço público. Há espaços condenados. Nós somos os prisioneiros. Só os bandidos têm hábeas corpus.
As vítimas são tantas que nós devemos ser culpados. Culpados por não acender mais uma lâmpada, por não colocar mais um vigia, por não espalhar um alarme em cada poste. Mas sobretudo somos culpados por não gritar , por não cobrar do estado brasileiro, que arrecadou em janeiro o sangue e a nossa alma, uma proteção para todos os meninos de 27 anos que morrem assassinados nesta cidade.
Alexandre Martins de Paula era eleitor e pagava impostos. Mas nunca recebeu em troca a educação gratuita, o seguro saúde. Por fim, não recebeu o direito que tinha, de viver.
Estamos de luto, em cada centímetro quadrado do prédio da TV CULTURA.
