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29/01/2008 - 18:51

A VIDA DOS OUTROS

A VIDA DOS OUTROS

Uma das funções da obra de arte sempre foi nos tornar maiores. Uma grande obra nos faz sentir o privilégio que é a oportunidade da vida. “A VIDA DOS OUTROS” é um filme extraordinário, nem mais nem menos. Situado nos horrores do lado de lá do Muro de Berlim desperta um certo heroísmo, o que significa essa oportunidade de sermos mais que as circunstâncias. Mais do que isso o filme desperta uma consciência do que somos hoje, na calmaria democrática do século XXI, e nos cobra alguma coisa que não percebemos nesta sociedade de consumo, filosoficamente atrofiada pelo “iluminismo”do FMI.
Como todas as utopias andam perdidas, o que há de melhor em nossas agendas ainda são as manifestações artísticas. O cinema dá de dez em todas as outras. Sinto pena das artes plásticas que se deblateram no “non sense” das instalações e se distanciaram por longo tempo da humanidade. O romance vai bem, sobretudo na geografia anglo-saxã e no mundo árabe. Algumas séries da televisão remontam a Dickens e Balzac, no mundo da alta tecnologia.
Mas “Vida dos Outros” tem atmosfera e desempenho, sem qualquer vislumbre de melodrama. Tudo se passa como deve ser e se supera como não deve ser. Sobretudo os comportamentos políticos e morais. A caça surprende os caçadores, tornando-os cúmplices da liberdade. O alemão sempre será uma contradição: uns trogloditas políticos, seduzidos pela música e pela filosofia.
Cada ator tem a contenção que recomenda aquele período no qual a contenção era condição de sobrevivência. Sebastian Koch lembra fisicamente o Antonio Banderas mas com anos de sofrimento e de teatro nas costas. Ulrich Muehe faz o papel impressionante do agente seduzido pelo outro enredo da vida.
As premiações já concedidas constituem um pálido reconhecimento da grandeza deste filme.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:

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1 comentário para “A VIDA DOS OUTROS

  1. Dalva Alves Paixao disse:

    Jorge, que análise da cultura… que interessante saber que… perdemos, essa a sensação que tenho, após trabalhar 12 deliciosos anos em galeria de arte em goiania… agora tudo mudou

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