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25/01/2008 - 16:36

SIGNO DA CIDADE COMEMORA OS 454 ANOS

O SIGNO DA CIDADE

Bruna Lombardi e Carlos Alberto Ricelli sempre foram artistas militantes. Não apenas na política, mas na vida artística. Não se cansaram nunca de procurar, aqui e fora do Brasil, os melhores caminhos para suas realizações como autores, atores e agora, produtores. Além do mais são muito queridos, por uma delicadeza que se esconde atrás da beleza.
A pré-estréia de SIGNO DA CIDADE, primeiro filme dirigido por Ricelli e protagonizado pela Bruna, lotou seis salas de convidados, ontem no Shopping Iguatemi. O filme foi muito aplaudido. Pela sua qualidade.
Ricelli conseguiu algumas proezas. Conciliar o drama, que é o pano de fundo de uma cidade, quase trágica, que é São Paulo, com um certo humor, até mesmo uma alegria. A cidade é sempre bela, qualquer que seja a muralha de pedra dos edifícios de classe média. Até a morte é alegre, ou pelo menos precedida de muita vida. Nem os piores momentos da realidade nos conduzem para baixo. E mais: os protagonistas são muito simpáticos. Todos os jovens, pirados, responsáveis, desesperados, travestidos, são de uma enorme simpatia e ótimo desempenho. Caricatos, só os burguezinhos assassinos, que queimam o travesti com whiskey roubado da adega paterna. Juca está genial no leito de morte. Contemplando a enfermeira pelada consegue sublimar todos os Viagra que se tomam por aí. Bruna supera a beleza em favor de um semblante humano que comove tanto os clientes do Tarô quanto nós, pobres espectadores. Sua colega de trabalho é um personagem fascinante e Eva Wilma é a própria maturidade.
Ricelli poderia ter feito dez filmes com o Signo da Cidade, mas São Paulo também é isso: um universo condensado.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:

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