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Arquivo de janeiro, 2008

31/01/2008 - 23:49

GRANDE ESCRITOR ESSE MC EWAN

DESEJOS E REPARAÇÕES

Devia haver uma classificação especial alguns filmes. Desejo e Reparação, filme inglês de Joe Wright é um desses filmes. Tem a atmosfera, a elegância e a falsa frieza dos ambientes aristocráticos ingleses. Cada personagem é inteiramente marcado pelo seu status e pela sua loquacidade. O inglês não é apenas uma lingua , mas a expressão de uma classe. Claro que o japonês e o chinês também distinguem as castas pela lingua, mas o inglês além disso coloca as molduras no seu pretenso lugar. Assim, o filho do caseiro é o fiho do caseiro, por mais belo e educado que seja, por mais operas que escute na solidão do quarto, por mais médico que deseje ser. Mas o filho do caseiro, o eterno jardineiro de lady Chaterley, desperta paixões em todas as filhas da aristocracia.
Dai, não vou contar o filme, tudo decorre com uma violência contida, como se a injustiça da acusação e o horror da guerra sempre estivessem entre aspas. Mesmo o adocicado da narrativa não esvazia o significado dos personagens.
Bom do filme é o que conta uma história. Esta, escrita por McEwan, faz isso. Depois do pós modernismo, quando não se precisa contar mais nada, bastando a decoração externa das emoções, Desejo e Reparação traz de volta a narração..
A história bate fundo, porque ninguém resiste a um grande amor, impedido pela moral inglesa.
Além do mais, o contraponto da guerra é admirável. Uma das cenas mais belas, a retirada de Dunquerke, parece um quadro renascentista, não tivesse data precisa na história.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/01/2008 - 18:51

A VIDA DOS OUTROS

A VIDA DOS OUTROS

Uma das funções da obra de arte sempre foi nos tornar maiores. Uma grande obra nos faz sentir o privilégio que é a oportunidade da vida. “A VIDA DOS OUTROS” é um filme extraordinário, nem mais nem menos. Situado nos horrores do lado de lá do Muro de Berlim desperta um certo heroísmo, o que significa essa oportunidade de sermos mais que as circunstâncias. Mais do que isso o filme desperta uma consciência do que somos hoje, na calmaria democrática do século XXI, e nos cobra alguma coisa que não percebemos nesta sociedade de consumo, filosoficamente atrofiada pelo “iluminismo”do FMI.
Como todas as utopias andam perdidas, o que há de melhor em nossas agendas ainda são as manifestações artísticas. O cinema dá de dez em todas as outras. Sinto pena das artes plásticas que se deblateram no “non sense” das instalações e se distanciaram por longo tempo da humanidade. O romance vai bem, sobretudo na geografia anglo-saxã e no mundo árabe. Algumas séries da televisão remontam a Dickens e Balzac, no mundo da alta tecnologia.
Mas “Vida dos Outros” tem atmosfera e desempenho, sem qualquer vislumbre de melodrama. Tudo se passa como deve ser e se supera como não deve ser. Sobretudo os comportamentos políticos e morais. A caça surprende os caçadores, tornando-os cúmplices da liberdade. O alemão sempre será uma contradição: uns trogloditas políticos, seduzidos pela música e pela filosofia.
Cada ator tem a contenção que recomenda aquele período no qual a contenção era condição de sobrevivência. Sebastian Koch lembra fisicamente o Antonio Banderas mas com anos de sofrimento e de teatro nas costas. Ulrich Muehe faz o papel impressionante do agente seduzido pelo outro enredo da vida.
As premiações já concedidas constituem um pálido reconhecimento da grandeza deste filme.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/01/2008 - 20:10

AMAZÔNIA – TOLERÂNCIA ZERO II

CUIDADO: VÃO QUERER TOMAR CONTA DA AMAZÔNIA ABANDONADA

Alguns idiotas me afirmam que sempre foi assim: que os Estados Unidos para crescer também destruiram suas florestas, a Europa idem e até a Grécia, que no tempo de Péricles era bem arborizada, também cortou suas árvores para fazer embarcações de guerra.
Hoje, porém, a coisa mudou. Não se trata do progresso, mas da própria destruição da humanidade. É certo que a emissão de carbono produz mais efeitos lesivos para a atmosfera do que a devastação da Amazônia, mas a médio prazo a desertificação do mundo pode trazer consequências irrecuperáveis.
Tolerância zero, sim senhor. Só que os depredadores são homens interessados no que fazem e os governos têm apenas homens interessados no que dizem.
Depois, não venham reclamar da onda de internacionalização da Amazônia. Se o FMI já quer controlar o desleixo financeiro dos Estados Unidos, imaginem a excitação que uma Amazônia abadonada pode causar.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/01/2008 - 20:10

AMAZÔNIA – TOLERÂNCIA ZERO II

CUIDADO: VÃO QUERER TOMAR CONTA DA AMAZÔNIA ABANDONADA

Alguns idiotas me afirmam que sempre foi assim: que os Estados Unidos para crescer também destruiram suas florestas, a Europa idem e até a Grécia, que no tempo de Péricles era bem arborizada, também cortou suas árvores para fazer embarcações de guerra.
Hoje, porém, a coisa mudou. Não se trata do progresso, mas da própria destruição da humanidade. É certo que a emissão de carbono produz mais efeitos lesivos para a atmosfera do que a devastação da Amazônia, mas a médio prazo a desertificação do mundo pode trazer consequências irrecuperáveis.
Tolerância zero, sim senhor. Só que os depredadores são homens interessados no que fazem e os governos têm apenas homens interessados no que dizem.
Depois, não venham reclamar da onda de internacionalização da Amazônia. Se o FMI já quer controlar o desleixo financeiro dos Estados Unidos, imaginem a excitação que uma Amazônia abadonada pode causar.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
25/01/2008 - 16:36

SIGNO DA CIDADE COMEMORA OS 454 ANOS

O SIGNO DA CIDADE

Bruna Lombardi e Carlos Alberto Ricelli sempre foram artistas militantes. Não apenas na política, mas na vida artística. Não se cansaram nunca de procurar, aqui e fora do Brasil, os melhores caminhos para suas realizações como autores, atores e agora, produtores. Além do mais são muito queridos, por uma delicadeza que se esconde atrás da beleza.
A pré-estréia de SIGNO DA CIDADE, primeiro filme dirigido por Ricelli e protagonizado pela Bruna, lotou seis salas de convidados, ontem no Shopping Iguatemi. O filme foi muito aplaudido. Pela sua qualidade.
Ricelli conseguiu algumas proezas. Conciliar o drama, que é o pano de fundo de uma cidade, quase trágica, que é São Paulo, com um certo humor, até mesmo uma alegria. A cidade é sempre bela, qualquer que seja a muralha de pedra dos edifícios de classe média. Até a morte é alegre, ou pelo menos precedida de muita vida. Nem os piores momentos da realidade nos conduzem para baixo. E mais: os protagonistas são muito simpáticos. Todos os jovens, pirados, responsáveis, desesperados, travestidos, são de uma enorme simpatia e ótimo desempenho. Caricatos, só os burguezinhos assassinos, que queimam o travesti com whiskey roubado da adega paterna. Juca está genial no leito de morte. Contemplando a enfermeira pelada consegue sublimar todos os Viagra que se tomam por aí. Bruna supera a beleza em favor de um semblante humano que comove tanto os clientes do Tarô quanto nós, pobres espectadores. Sua colega de trabalho é um personagem fascinante e Eva Wilma é a própria maturidade.
Ricelli poderia ter feito dez filmes com o Signo da Cidade, mas São Paulo também é isso: um universo condensado.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
23/01/2008 - 19:23

FOTOGRAFIA: MESTRES AMERICANOS NOPAÇO DAS ARTES

O OLHO DE FORA

Nessia Leonzini já realizou cerca de 70 exposições de fotografia, sobretudo de fotógrafos norte americanos.Tornou-se nestes últimos anos um embaixador da fotografia no Norte em nosso país.
Ontem, no Paço das Artes realizou, em parceria com Paulo Herkenhoff, a curadoria do BRASILDESFOCOS, exposição de 26 fotógrafos americanos ou radicados nos EUA , considerados “top” nas galerias de Nova York.
A exposição, aberta para o público desde óntem, 21 de janeiro, no Paço das Artes, (entrada da Cidade Universitária), foi precedida de uma visita guiada pelo próprio Herkenhoff.
De Adam Fuss até Tseng Kuong Chi, passando por andy Wharhol penetramos nesse “olhar de fora” sobre o Brasil.
Não mais o futebol, o carnaval e as mulatas, como única ilustração simbólica do Brasil, mas um Brasil com paisagens, pessoas, artquitetura e alguns sofrimentos. Claro que Pelé está lá, no sincretismo cromático de Andy Warholl, com a bola na mão, como se estivesse jogando futebol americano. A grande presença, contudo, é de Niemayer, com suas linhas e curvas, com toda a oportunidade que êle oferece a esses “dependentes”da luz e da forma. Luiza Lambri e Todd Eberle fazem uma leitura diversa da famosa escada do arquiteto no Palácio do Itamaraty, em Brasília. A escada é a mesma, mas torna-se uma obra de arte autônoma na obra de cada um dos fotógrafos. E não será esse o destino de toda grande obra de arte: desdobrar-se em múltiplos, unidos apenas no DNA.
Seria dificil particularizar cada leitura desses fotógrafos. Mas há uma fotografia horizontal de sete metros, paradoxalmente de 360o, do Pantanal despido. Clifford Ross chegou a construir uma câmara capaz de registro em diorama, mas fez a foto com outra, convencional. O resultado é o horizonte reto do infinito e o horizonte curvo do rio. Proeza de mestre.
Enfim. A exposição está lá, à sua espera. No Paço das Artes.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
22/01/2008 - 13:40

TRÂNSITO MATA MAIS QUE ENFARTE

SEM PUNIÇÃO A MATANÇA CONTINUA

No Brasil, em apenas dois dias, já lí dez jornais e assistí todos os noticiários da televisão. Assunto número um: morte nas estradas e no trânsito. Clovis Rossi informa que temos a lei mais branda de trânsito: não pune ninguém. Apenas deixa matar.
Pois a Espanha acaba de resolver o assunto. Primeira punição por excesso de velocidade: um ano de cadeia, em juizo sumário. Segunda punição: dois anos de cadeia e perda da carta de motorista. Conduzir bêbado, com ou sem acidente: dois anos de cadeia. Reincidência acarreta perda total da carteira e assento na cadeia por vários anos.
Resultado alcançado desde a primeira aplicação da norma: diminuição de 80% nos acidentes de trânsito na Espanha.
Essa estatística mostra o efeito da punição e o quanto os acidentes se devem à imprudência e falta de educação cívica.
A mudança das leis de trânsito é urgente. Incluindo medidas nacionais que protejam os motoqueiros, maiores vítimas da violência no trânsito.
Não bastam normas de circulação, mas normas que controlem as empresas usuárias de serviços de motoboys que exigem prazos de entrega imposíveis de serem alcançados, sem risco de vida do entregador.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
20/01/2008 - 21:55

SÃO PAULO: PRIMEIRO TEMPO DO PLANALTO

PREFEITURA: A BRIGA APENAS COMEÇOU

Cheguei a São Paulo depois de minhas férias. Percebi o piscinão que São Pedro armou e os tremores de terra promovidos no Estadão pelo ex-presidente FHC. Natural a luta interna nos partidos, sobretudo quando se tem uma eleição municipal da importância da escolha do prefeito de São Paulo.
Além do imenso orçamento, São Paulo é o retrato do Brasil, suas misérias e sua grandeza. Tudo aqui repercute, até mesmo porque aqui se expressam os fazedores de opinião.
O governante em Brasília, primeiro é percebido pelos seus pares e pelos diretamente interessados. Aqui em São Paulo, a opinião pública é que traduz o prefeito. O eleitorado vai ou não vai com a cara do político; percebe se ele faz ou se ele enrola; sendo o síndico da cidade, o eleitor lhe cobra presença. Não é apenas uma presença fiscal, mas uma presença humana.Quem não estiver atento ao sofrimento do povo, ou pelo menos não der a impressão de que está atento, será escanteado.
Os atuais candidatos a prefeito são todas pessoas que sensibilizaram parte do eleitorado. Porisso mesmo a disputa será feroz. Marta, a candidata do PT, além de controlar boa parte da máquina partidária, tem força, por ser mulher, por ter feito os Céus e por estar constantemente na midia.
O PSDB já tem dois candidatos, embora um deles seja do DEM. Alckmin tem a visibilidade de ex-candidato à presidência, tem uma esplendida folha corrida de administrador e é o candidato natural do partido. Kassab tem surprendido a população. A limpeza da cidade foi um ato corajoso que deixou marcas positivas em vez de cicatrizes. O prefeito está sempre presente às alegrias e às tristezas da cidade. Tem a visibilidade de ser prefeito. Mas não é um candidato natural do partido. É um candidato adequado às composições, que começam aqui e terminam alí – no Planalto.
Por enquanto, declarações, intenções, desmentidos, movimentações nas bases e na cúpola. Mas as camadas geológicas do PSDB são frágeis, porque se apoiam inteiramente nos caciques.
Hoje, o maior problema está na escolha do candidato. E essa escolha depende de dois fatores: Primeiro, ter cacife eleitoral, isto é , estar bem nas pesquisas eleitorais. Segundo, ter cacife financeiro, isto é, com quem o candidato conta para fazer o seu caixa.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
18/01/2008 - 13:46

ECONOMIA – 0 CENTRO DAS ELEIÇÕES AMERICANAS

ECONOMIA SUPLANTA O IRAQUE NO DEBATE ELEITORAL AMERICANO

Do alto de sua sabedoria e distância, o editorialista do Monde, pontifica: “Sem ser uma ciência exata, a economia obedece a alguns principios muito simples. A primeira é que entre uma empresa que procura crédito e uma instituição disposta a concedê-lo, a relação não é equilibrada. A segunda é que uma empresa cotada na Bolsa não escolhe os seus acionistas”.
A Europa olha com bastante apreensão a recessão econômica americana, prevista por economistas das grandes instituições de crédito dos Estados Unidos. A crise americana é basicamente imobiliária e de desemprêgo, mas acaba por tornar-se sempre uma crise bancaria, pois os bancos concedem empréstimos, sem muita precaução às pessoas empregadas. O desemprego e a desvalorização imobiliária minam o sistema. O Bank of America aborveu 14 biliões dos compromissos de um banco em dificuldades. O City anda atrás de outros 14 biliões.
Por essa razão, a imprensa e os comentaristas europeus acreditam que o núcleo da campanha presidencial americana sofrerá um desvio acentuado. O Irã, o Iraque e o Afganistão, sairão de cena, como o infortunado Bush. Entra a economia. Obama, Hillary e Mc Cain se comportarão diante das despesas militares e da baixa tributação das classes mais ricas. Como poderão garantir pleno emprego, ao menos aos cidadãos norte americanos?
E se isso é fundamental para os candidatos americanos, não será outro o julgamento dos dirigentes europeus. Sarkosy, apesar de sua capacidade de produzir despistamentos, como o nosso bravo Collor, será julgado pelo poder de compra do francês, que está diminuindo sensivelmente. Porisso mesmo sua popularidade baixou dez pontos no último mês.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
17/01/2008 - 15:36

O CIGARRO SE APAGA NA FRANÇA – TRANQUILAMENTE

FRANÇA: É PROIBIDO FUMAR

Certa vez, uma amiga brasileira, muito elegante, entrou no Ambroisie, um dos melhores restaurantes de Paris, e perguntou ao maitre se podia fumar. Com um ar bem esnobe o maitre respondeu: – Certamente, madame, estamos num país civilizado.
Pois hoje, depois da proibição de cigarros em ambientes fechados, não sei se a França está menos civilizada. Só sei que os franceses absorveram a lei com uma tranquilidade impensável, para a população mais fumante do mundo. Agora fumam ao ar livre e o consumo não baixou.
Entrei no TABAC, café de esquina onde se toma café com leite e baguete com manteiga, e fiquei encantado. Ninguém fumando. O único vício é fazer uma fézinha na EuroMillions, que já chegou a acumular um prêmio de 300 milhões de euros. E a maior virtude é ler o Le Monde, tranquilamente, durante meia hora.

FRANÇA: PROIBIDO MILHO TRANSGÊNICO

O milho transgênico da Montsanto MON 810, não pode mais ser plantado na França, seguindo decisão já adotada pela Grécia, Bélgica e Hungria. O governo tomou essa decisão em função dos estudos sobre fatos científicos novos, apresentados pela “Alta Autoridade sobre os OGM”, que trata da polinização cruzada entre as culturas e seus efeitos sobre a fauna. A Agência Européia de Segurança ainda não se manifestou sobre a decisão francesa, pois foi dado à Monsanto o prazo de 15 dias para se defender, desde anteontem. Jose Bové, lider ambientalista, interrompeu sua greve de fome. Interessante que, da mesma forma que o cigarro, a medida está sendo aceita com tranquilidade pelos aguerridos agricultores franceses. É evidente que há uma aceleração da consciência ecológica em todo o mundo. Não sei de nenhuma repercussão oficial brasileira sobre o assunto.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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