FIEL AOS SEUS HEROIS


A VISITA DA VELHA SENHORA
Os dominicanos são mestiços, mulatos e mulatóides, como nós. Pretos retintos, afirmam os próprios dominicanos, são os haitianos, que vieram de outras regiões da África. Arianos, são os turistas, algumas vêzes. O presidente Leonel, como FHC, tem um “pé na cozinha”, ou como dizem por aqui, um “negro atrás da orelha”. Lionel está mais para mulatóide claro. E todos têm orgulho da cor.
Quando estávamos jantando no Palácio, o presidente recebeu um aviso importante. Disse-nos que sua mãe estava no Palácio, em visita. Pediu licença, bem na hora do Melro, e levantou-se ao encontro da mãe, dizendo: Ela não vem quase nunca me visitar, vou convidá-la para jantar conosco.
Depois de alguns minutos entrou com a mãe. Magra, com uma pele muito lisa, mais escura que a do filho, o cabelo, com fios brancos, impecavelmente penteado. Mulher muito segura, naquela circunstância protocolar. Não uma segurança política, mas uma segurança de raça. Não ficou para jantar pois estava com umas amigas.
No dia seguinte, soubemos que a velha senhora estava de fato passeando com uma amigas e umas voluntárias. Quando passaram pelo Palácio do Governo, ela afirmou :- Meu filho trabalha aqui. – O que ele faz aí nesse lugar, perguntou uma voluntária. – Ele é presidente, respondeu a senhora. Surpresas , então, perguntaram: -Será que não poderiamos visitar esse palácio? – Creio que sim, meu filho não se incomodará.
Foi assim que conhecemos a velha senhora, mãe do presidente da República Dominicana.
A VISITA DA VELHA SENHORA
Os dominicanos são mestiços, mulatos e mulatóides, como nós. Pretos retintos, afirmam os próprios dominicanos, são os haitianos, que vieram de outras regiões da África. Arianos, são os turistas, algumas vêzes. O presidente Leonel, como FHC, tem um “pé na cozinha”, ou como dizem por aqui, um “negro atrás da orelha”. Lionel está mais para mulatóide claro. E todos têm orgulho da cor.
Quando estávamos jantando no Palácio, o presidente recebeu um aviso importante. Disse-nos que sua mãe estava no Palácio, em visita. Pediu licença, bem na hora do Melro, e levantou-se ao encontro da mãe, dizendo: Ela não vem quase nunca me visitar, vou convidá-la para jantar conosco.
Depois de alguns minutos entrou com a mãe. Magra, com uma pele muito lisa, mais escura que a do filho, o cabelo, com fios brancos, impecavelmente penteado. Mulher muito segura, naquela circunstância protocolar. Não uma segurança política, mas uma segurança de raça. Não ficou para jantar pois estava com umas amigas.
No dia seguinte, soubemos que a velha senhora estava de fato passeando com uma amigas e umas voluntárias. Quando passaram pelo Palácio do Governo, ela afirmou :- Meu filho trabalha aqui. – O que ele faz aí nesse lugar, perguntou uma voluntária. – Ele é presidente, respondeu a senhora. Surpresas , então, perguntaram: -Será que não poderiamos visitar esse palácio? – Creio que sim, meu filho não se incomodará.
Foi assim que conhecemos a velha senhora, mãe do presidente da República Dominicana.
FIM DE SEMANA SEM VIOLÊNCIA
Na sexta feira, dia 7, ninguém foi assassinado no Estado de São Paulo. Data para ser gravada e relembrada por todos os que têm o sagrado direito à vida.
No domingo, dia 10, não houve nenhum assassinato na Cidade de São Paulo. Outro dia de graças.
Num jantar onde o grande acontecimento foi comentado, ouvi coisas muito diversas sobre o ocorrido.
Uns, cerca de 20%, afirmam que a polícia agora aprendeu a lidar com bandido. Ouvi pessoalmente está pérola: -Agora sim, eles batem, prendem e matam.
Outros, mais de 40%, acreditam que a polícia ganhou em qualidade e experiência. Afirmam que o nível dos policiais militares melhorou muito pois o Barro Branco faz rigorosa seleção, antes de matricular qualquer pretendente a uma carreira na PM.
Afirmaram ainda que a polícia tem um serviço de inteligência que localiza melhor os bandidos e até mesmo se antecipa às suas ações. Alguns disseram, por fim, que o fato se deve a terem fechado os bares da periferia, depois das 8hs. da noite.
Mas uma boa parte dos presentes não tinha qualquer explicação, apenas afirmava que ainda sente muito medo de viver em São Paulo.
Acontece que o Brasil tem um total de 350 mil presos. Não sei se é muito ou pouco. Os Estados Unidos tem 4 milhões e 500 mil presos. 1 de cada 10 americanos já foi preso um dia.
Se tivéssemos um número de presos no Brasil, proporcional ao dos EUA, quanto à população, todo o dinheiro da CPMF não daria para pagar um décimo de sua hospedagem.

FIGURA HUMANA DO PRESIDENTE LEONEL FERNANDEZ
Insisto em falar do presidente da República Dominicana. Não porque ele nos recebeu fidalgamente, mas para tentar revelar um novo estilo de presidentes latino americanos surgido neste período democrático, pós-ditaduras-militares e depois que os EUA nos deixaram em paz. Bush anda mais preocupado com o Oriente Médio e o petróleo.
Leonel é um intelectual, que tem fascínio pelos livros. Criou a FUNDGLODE, Fundação Global para o Desenvolvimento, em cuja sede, passa os sábados e domingos, em contato com os seus livros e intelectuais que o ajudam a tocar a fundação.
Para se ter uma idéia, passou toda a manhã de sábado passado, com Gabriel Ferrer, presidente da ATEI (Associação de Televisões Interamericanas), com José Manoel Perez Tornero, grande teórico em comunicações, titular da cadeira na Universidade Autônoma de Barcelona, com o mexicano Manoel Quintero, presidente da
.Ilce, o maior instituto de formação de recursos humanos para comunicação da América Latina, comigo, presidente do Conselho da Cultura, com Maria Eugenia Mosquero, diretora da fundação e presidente da TV VALE, da Venezuela, Peter Tinoco da Classe, tv educativa da Venevision, Eva Villareal, diretora de programação do Canal 22 e Dr. Gunther, da Unesco. Discutimos a fundo a questão da televisão pública, sua missão, suas características. O presidente convenceu-se de que um conselho independente é fundamental e de que o recurso estável, garante a autonomia. Gostou da divisão brasileira de televisão publica, estatal e comercial. O mundo não aceita mais nichos exclusivos, afirmou ele.
Incrível que um presidente da república participe por quatro horas de um seminário sobre comunicação e que ao fim, pessoalmente, tenha feito a síntese de todos os pronunciamentos.
Resultado: criou-se o grupo de Sto Domingo, com os membros acima anunciados, que irá reunir-se habitualmente para conferir uma série de ações programadas com ajuda daquela Fundação. Criou-se uma Escuela Internacional de Comunicaciones, com um caráter virtual e itinerante, patrocinado inicialmente pela FUNGLODE, sobretudo para a formação de quadros de alto nível, voltados para a tecnologia e os conteúdos de uma nova televisão que se pretende necessária em todo o mundo.
GIGANTE
Nem bem desembarquei em São Paulo, já fui para o Cine Bombril assistir a pré estréia de GIGANTE. Gigante é um filme sobre o Internacional, Colorado, para a intimidade de milhões de adeptos. É um filme sobre a vitória sobre o Barcelona no campeonato do mundo de 2006. É a elegia de uma luta apaixonada que começa na orgulhosa torcida do centro e da periferia de Porto Alegre, se estende aos cartolas conscientes, se amarra aos protagonistas paralelos, que não entram no campo mas constróem os jogadores, antes mesmo deles construirem as vitórias. É uma história de centenas e milhares de personagens, nutricionistas, médicos, administradores, encarregados dos uniformes, massagistas, barbeiros, professores de ginástica, psicólogos, motoristas, etc.etc.
Gigante faz um zoom sobre todos eles. Até chegar em cada um dos jogadores. Os do campo e os do banco. A única posição é a da paixão, a única lógica é a da paixão. A única solução, sempre, é a vitória do time amado.
Gustavo Ioschpe fez uma produção esmerada. Gustavo Spolidore dirigiu com emoção e muita sensiblidade. O close da torcida é empolgante. O close dos cartolas, convincente. O close dos jogadores nos faz chorar. Tudo fica no limite da mais completa emoção. O montador, Assis Brasil, merece todos os prêmios imagináveis. A sequência do gool produz um suspense inacreditável para uma crônica já anunciada, vista e revista pelo espectador dezenas de vezes. Assis Brasil consegue isso. Até eu, um sampaulino, berrei, durante o filme, assitido aos brados por centenas de gauchos do consulado sulriograndense de São Paulo.
O cine Bombril, na ante estréia, parecia a Geral do Corinthians, mas uma Geral vitoriosa. Todos sabiam o fim do filme e como o Inter conquistou o mundo.

FOTO JCL
LIONEL FERNANDEZ – UM INTELECTUAL DENTRO DA HISTÓRIA
O PALÁCIO
Aqui neste ugar, nesta mesma sala onde o ditador Trujillo governou por mais de 30 anos, o Presidente Lionel Fernandez recebeu para jantar um pequeno grupo da televisão pública da Espanha, do México, da Venezuela e do Brasil.
O palácio tem três estilos: um capitólio gigantesco que lembra as pompas do terceiro mundo; uma dimensão fascista, que lembra Mussolini e um interior relativamente austero, com enormes corredores dando para um páteo interno, que lembra a arquitetura jesuítica. Trujillo conseguiu uma síntese do país no momento em que o construiu, há mais de 50 anos. Da sala de despacho , com quadros antigos dos ex-governantes, e heróis da pátria e quadros modernos retratando o povo dominicano, fomos para a sala de jantar. Impecável salão de estilo clássico. Uma toalha de linho bordado, louças francesas com o brasão da República, copos de cristal, para água, vinho e champagne.
Lionel Fernandez recebe artístas e intelectuais com a mesma qualidade com que recebe chefes de estado.
OS DOIS CARDÁPIOS
Um papel pergaminho, com margem dourada, indicava o cardápio e os vinhos. Uma entrada de saladas com temperos locais, um melro de não se esquecer e mousse de morangos. Chateux Latour 2000, Chablis 1996 e Champagne Perrier -Gran Cru, 2002.
Tudo muito calmo, o presidente concedendo a palavra, mas sobretudo, expondo seus pensamentos sobre a política e si mesmo.
Falou de Lula, com admiração e lembrou-se de um soneto de Vinicius que Fernando Henrique lhe havia apresentado.
Foi o melhor cardápio da noite essa fala do presidente, que resumo, para o blogueiro eventual e para minha própria memória:
“A base da atitude política é entender o sentido histórico do que se está fazendo. Hospitais e pontes, qualquer um pode fazer, corresponder às expectativas históricas, não.
Todo governante aprende com os conflitos. A partir disso deve realizar um programa de consolidação e de transformação.
Infra e educação devem ser integrados à economia global, mas na direção da democracia social.”
O presidente da Cl@sse, uma televisão educativa da Venezuela, lhe perguntou: – Presidente, como o senhor quer ser recordado? Lionel foi respondendo, até chegar o Melro:
“Quero estar dentro da história. Vivemos, desde a morte de Trujillo, um processo de transição para a democracia. Mais de 50 anos, com Balaguer dentro. Penso em consolidar um estado democrático, que é algo mais profundo do que simples eleições. Num grande sentido, democracia é praticar a tolerância, a diversidade e um pouco de generosidade, o que implica em superar os próprios defeitos.
No país precisamos substituir o trabalho intensivo pelo capital intensivo, com alta orientação tecnológica.
Nos parecemos muito com a Espanha que também teve um longa ditadura. Temos que nos integrar com a América Latina. Mas concluo lhes dizendo: QUEM APOSTAR NA DEMOCRACIA SERÁ RECORDADO”.
Falamos de televisão. Contei-lhe sobre a evolução do debate sobre Tv. Pública no Brasil e a diferença entre tv estatal, pública e privada, de nossa constituição. Percebi que ele tomou nota, porque me afirmaram depois ele é um grande legalista. Nada fora da lei.
Quando falamos de conteúdo. Contou-nos que mandou mais de 4 mil estudantes para diversos países, com passagem de ida e volta. Criticou acerbamente essa história de se oferecer computadores de segunda classe para o povo. O povo tem que estar na vanguarda teconológica. Sobre a imprensa disse que a imprensa atrapalha mas também ajuda, em igual proporção. Por fim concluiu que há um instinto inteligente na sociedade.
LIONEL FERNANDEZ – UM INTELECTUAL DENTRO DA HISTÓRIA
O PALÁCIO
Aqui neste ugar, nesta mesma sala onde o ditador Trujillo governou por mais de 30 anos, o Presidente Lionel Fernandez recebeu para jantar um pequeno grupo da televisão pública da Espanha, do México, da Venezuela e do Brasil.
O palácio tem três estilos: um capitólio gigantesco que lembra as pompas do terceiro mundo; uma dimensão fascista, que lembra Mussolini e um interior relativamente austero, com enormes corredores dando para um páteo interno, que lembra a arquitetura jesuítica. Trujillo conseguiu uma síntese do país no momento em que o construiu, há mais de 50 anos. Da sala de despacho , com quadros antigos dos ex-governantes, e heróis da pátria e quadros modernos retratando o povo dominicano, fomos para a sala de jantar. Impecável salão de estilo clássico. Uma toalha de linho bordado, louças francesas com o brasão da República, copos de cristal, para água, vinho e champagne.
Lionel Fernandez recebe artístas e intelectuais com a mesma qualidade com que recebe chefes de estado.
OS DOIS CARDÁPIOS
Um papel pergaminho, com margem dourada, indicava o cardápio e os vinhos. Uma entrada de saladas com temperos locais, um melro de não se esquecer e mousse de morangos. Chateux Latour 2000, Chablis 1996 e Champagne Perrier -Gran Cru, 2002.
Tudo muito calmo, o presidente concedendo a palavra, mas sobretudo, expondo seus pensamentos sobre a política e si mesmo.
Falou de Lula, com admiração e lembrou-se de um soneto de Vinicius que Fernando Henrique lhe havia apresentado.
Foi o melhor cardápio da noite essa fala do presidente, que resumo, para o blogueiro eventual e para minha própria memória:
“A base da atitude política é entender o sentido histórico do que se está fazendo. Hospitais e pontes, qualquer um pode fazer, corresponder às expectativas históricas, não.
Todo governante aprende com os conflitos. A partir disso deve realizar um programa de consolidação e de transformação.
Infra e educação devem ser integrados à economia global, mas na direção da democracia social.”
O presidente da Cl@sse, uma televisão educativa da Venezuela, lhe perguntou: – Presidente, como o senhor quer ser recordado? Lionel foi respondendo, até chegar o Melro:
“Quero estar dentro da história. Vivemos, desde a morte de Trujillo, um processo de transição para a democracia. Mais de 50 anos, com Balaguer dentro. Penso em consolidar um estado democrático, que é algo mais profundo do que simples eleições. Num grande sentido, democracia é praticar a tolerância, a diversidade e um pouco de generosidade, o que implica em superar os próprios defeitos.
No país precisamos substituir o trabalho intensivo pelo capital intensivo, com alta orientação tecnológica.
Nos parecemos muito com a Espanha que também teve um longa ditadura. Temos que nos integrar com a América Latina. Mas concluo lhes dizendo: QUEM APOSTAR NA DEMOCRACIA SERÁ RECORDADO”.
Falamos de televisão. Contei-lhe sobre a evolução do debate sobre Tv. Pública no Brasil e a diferença entre tv estatal, pública e privada, de nossa constituição. Percebi que ele tomou nota, porque me afirmaram depois ele é um grande legalista. Nada fora da lei.
Quando falamos de conteúdo. Contou-nos que mandou mais de 4 mil estudantes para diversos países, com passagem de ida e volta. Criticou acerbamente essa história de se oferecer computadores de segunda classe para o povo. O povo tem que estar na vanguarda teconológica. Sobre a imprensa disse que a imprensa atrapalha mas também ajuda, em igual proporção. Por fim concluiu que há um instinto inteligente na sociedade.