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28/12/2007 - 10:33

UMA BOA SOLUÇÃO PARA OS IDOSOS

THE VILLAGE

Existe, entre Orlando e Gainsville, na Flórida, uma quase cidade, chamada “The Village”, maior do que Alphaville, com uma característica única. Foi feita para pessoas idosas. Ninguém com menos de cinquenta anos pode comprar uma propriedade no bairro. Aliás, são diversos bairros, uma verdadeira Disneylandia da Terceira Idade.
É talvez uma das primeiras experiëncias urbanas temáticas em todo o mundo. E mais, é uma tentativa de vida comunitária. Cada bairro possui casas relativamente pequenas, pois que para casais velhos, mas todas de grande conforto e até mesmo luxo. Há clubes especializados, com assistência de médicos e treinadores. Torneios adequados à idade são realizados, sempre com grandes cerimônias de premiação. Os parques e áreas de passeios são de uma beleza cinematográfica. Tods os velhinhos tem um carrinho de golfe, mas são carros de golfe de todas as marcas: Mercedes, Porsche, Jaguar etc. Há mesmo uns carrinhos de golfe, bossa limousine, para quando as famílias vêm visitar os parentes mais velhos. Interessante que quase ninguém se hospeda na casa dos mesmos, pois há um belo hotel para que os convidados sintam-se a vontade e mantenham um bom relacionamento durante a visita.
Tudo o que se possa imaginar, torneios de tranca, de bridge, de ping pong, de snooker, bilhar, são realizados habitualmente ao lado das competições esportivas.
A solução, que consitutui, além do mais, o maior sucesso imobiliário, visa substituir o envio dos parentes para casas de velhinhos, quando estão completamente sós. Lá não há a menor solidão. Há vida, com todos os seus problemas: ciume, inveja, alegria, colaboração, crítica, perdão, etc.Contudo, constitui uma solução para ricos, pois as propriedades variam de 400 mildólares até 1 milhão, além do custeio de um condomínio repleto de serviços.
Essa vida comunitária contrasta com o isolamento das pessoas nos outros tipos de condomínios de Orlando, Gaisnville e mesmo de Jacksonville. Vizinho é uma realidade apenas para efeitos de considerações de padrão: metragem da casa, tipo de automóvel, tratamento do jardim. As pessoas se cumprimentam mas não se conhecem, e nem se interessam muito. As crianças quebram um pouco a frieza, mas sempre dentro de um padrão elevado de preconceitos.
Por isso mesmo, e pelo contraste, o Village dos velhinhos, é uma lição de solidariedade e convivência.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:

8 comentários para “UMA BOA SOLUÇÃO PARA OS IDOSOS

  1. Ricardo Gomes disse:

    Professor Jorge da Cunha Lima, li sua matéria mas não vejo essa como uma boa solução para os idosos, como é indicado no título da mesma. Construir cidades, abrigos ou vilas que recebam os idosos de certa forma não proporcionaria a eles a mesma convivência do que se estivessem dentro de suas casas, transmitindo conhecimento às gerações seguintes. Para mim aumentariam ainda mais as barreiras existentes entre as gerações. É verdade que as visitas poderiam suprir de certa forma esses momentos de troca do saber. Contudo poderia ser um estímulo maior àqueles que visam deixar seus parentes de lado quando esses se tornarem velhinhos. Porém se o que vc pretendeu mencionar nisso tudo é uma solução para essa relação de desapego existente, ainda sim eu discordo. Abraços.

  2. Liliane Melo disse:

    Olá, professor!
    Eu venho estudando o universo das pessoas idosas há algum tempo, e aprendi que o envelhecimento pode ser compreendido como um processo que ocorre ao longo da vida.
    Ninguém amanhece com os cabelos brancos e o corpo frágil de um dia para o outro.
    Do mesmo modo, envelhecer cercado pelo cuidado da família é algo que reflete uma relação que se deu ao longo do tempo, construída tendo como base amor, respeito e proximidade.
    Alguém que não soube estabelecer vínculos estreitos e positivos com seus entes familiares ao longo da vida, muito dificilmente poderá contar com eles na idade avançada.
    Há também os casos de síndromes geriátricas na família, como os estados demenciais, onde o desconhecimento quanto às nuances do problema tendem a dificultar a convivência e favorecer o abandono e/ou maus-tratos.
    O Estatuto do Idoso, bem como a Pólítica Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, estabelecem como modalidade assistencial a chamada casa-lar, estruturada nos moldes dos equipamentos sociais já em funcionamento em vários países europeus e norte-americanos, onde o processo de transição demográfica encontra-se muito à frente do caso brasileiro.
    A legislação nacional e a internacional preconizam a convivência familiar e comunitária como condição maior para a manutenção do bem-estar e melhoria da qualidade de vida dos idosos, porém também busca adaptar esse ideal aos idosos e idosas que não possuem familiares ou optem pelo direito de morarem sozinhos.
    Discutir as questões pertinentes à velhice demanda conhecimento, em especial, das garantias oferecidas pelo Estado em prol dos cidadãos maiores de 60 anos. Entretanto, no caso descrito em sua matéria, penso que, criar uma cidade somente para idosos talvez represente uma forma velada de perpetuar um certo distanciamento, entre jovens e velhos.
    As casas-lares configuram uma assistência mais coerente com o lema da II Assembléia Mundial sobre o Envelhecimento realizada em Madrid no ano de 2002, segundo o qual o desafio é construir uma sociedade para todas as idades, evitando toda e qualquer forma de discriminação.
    Uma cidade exclusiva para idosos, por outro lado, pode dificultar ações intergeracionais e fortalecer a crença de que a velhice é uma condição que não diz respeito à todos nós.

  3. Afectatrice disse:

    Aqui no Brasil também é assim…

  4. EDWARD CHADDAD disse:

    É sempre bom mostrar experiências. A verdade, acompanhando o entendimento dos demais bloguistas, que é a família o melhor lugar para o idoso. Entretanto, já estou na terceira idade e o que já presenciei já foi demais, principalmente, nestes novos tempos da ética monetarista, materialista, consumista e tudo o mais que termina em “ista” ( não veja nisso vício de linguagem, pois foi pura força de expressão). Embora, graças a Deus ainda não sejam a maioria, as pessoas estão abandonando seus velhos. Para elas, atrapalham a sua vida. Querem ir ao baile, à praia, ao show, aos shoppings, querem se divertir, consumir e seus velhos pais ou avós atrapalham, com seu andar vagaroso, com seu esquecimento, com suas doenças degenerativas. Nem se fale ainda nos casos de Alzheimer e de Parkisson. Um dia, vi um velho padre fazer um sermão, quando ainda frequentava a Igreja, que nunca esqueci. Dizia o padre, como um alerta, que o amor não sobe, o amor só desce, ao se dirigir aos nubentes na cerimônia de casamento. E é verdade: muito dificilmente os filhos se importam com os pais, mas estes podem dar a vida pelos seus filhos. Essa é a regra, o resto é exceção. Morei em frente ao Asilo São Vicente de Paula, na pequena e pacata cidade de Dois Córregos SP. Presenciei cenas chocantes, com familiares abandonando seus idosos em frente ao lar santo, depois de apressadamente apertarem a campainha e sumirem, como chegaram. Conversei com muitos velhos asilados que choraram a falta de seus filhos e netos, que gostariam de ver pelo menos uma vez ao ano. Muitos nunca receberam a visita. Olha, apenas um visita. Uma crueldade de matar de dó. Foram literalmente abandonados. Pobres coitados. A idéia, assim, “The Village”, talvez ainda inapropriada para nosso país, pela frágil economia, não deve ser deixada de lado. Hoje, infelizmente, vale mais um carro novo na garagem do que a honra, a verdade, a honestidade, a solidariedade, o amor ao próximo, a amizade, os laços familiares, a dignidade, enfim todos os valores humanos que nos tornam humanos. Parece que, nessa nova ética, realmente estão nos tornando lobos para o próprio homem. Sei que ainda existe amor e solidariedade, mas está faltando Deus no coração a muito seres humanos. O progresso, bem disse, o filósofo, é uma ilusão, sem a ética, mas a ética que dos velhos tempos de nossos avós.

  5. Jorge da Cunha Lima disse:

    Para todos.

    A profundidade dos comentários mostra a importância da questão. Estou de pleno acordo de que não podemos criar mundos separados, nos quais velhos e jovens se isolem uns dos outros. Apenas mostrei que para uma situação americana, na qual os jovens separam-se da família muito cedo e só se encontram no Dia da Graça, a solução me pareceu engenhosa. Não creio que se adapte ao Brasil.
    Estu de acordo com a idéia que nós construimos nossa relação com os jovens, mas isso é possível quando mantemos uma certa liderança intelectual ou financeira. Na decadência é muito difícil manter os jovens por perto. Mas está aberta um grande debate. Os comentários enviados são da maior importância para esclarecimento da questão. obrigado. jorge da Cunha Lima

  6. Eli Conceição Soares disse:

    O preconceito é a maior causa do desamor. Nos velhos tempos a Bíblia já nos fala a respeito do isolamento de pessoas que já não podem mais contribuir fisicamente para o estado e ou, família, então é descartado. Se não, vejamos:
    Os leprosos eram descartados, assim como os velhos são descartados nos dias de hoje, mas isoladamente, quantas vezes é mudado o rumo dfas coisas, partindo de onde jamais se poderia imaginar.
    “QUATRO HOMENS LEPROSOS ESTAVAM À ENTRADA DA PORTA, OS QUAIS DISSERAM UNS AOS OUTROS: PARA QUE ESTAREMOS NÓS AQUI SENTADOS ATÉ MORRERMOS? SE DISSERMOS: ENTREMOS NA CIDADE, MORREREMOS LÁ; SE FICARMOS SENTADOS AQUI, TAMBÉM MORREREMOS. VAMOS, POIS, AGORA, E DEMOS CONOSCO NO ARRAIAL DOS SIROS; SE NOS DEIXAREM VIVER, VIVEREMOS; SE NOS MATAREM, TÃO SOMENTE MORREREMOS. LEVANTARAM-SE AO ANOITECER PARA SE DIRIGIREM AO ARRAIAL DOS SIROS; E, TENDO CHEGADO À ENTRADA DO ARRAIAL, EIS QUE NÃO HAVIA LÁ NINGUÉM. PORQUE O SENHOR FIZERA OUVIR NO ARRAIAL DOS SIROS RUÍDO DE CARROS E DE CAVALOS E O RUÍDO DE UM GRANDE EXÉCITO; DE MANEIRA QUE DISSERAM UNS AOS OUTROS: EIS QUE O REI DE ISRAEL ALUGOU CONTRA NÓS OS REIS HETEUS E OS REIS DOS EGÍPCIOS, PARA VIREM CONTRA NÓS. PELO QUE SE LEVANTARAM, E, FUGINDO AO ANOITECER, DEIXARAM AS SUAS TENDAS, OS SEUS CAVALOS, E OS SEUS JUMENTOS, E O ARRAIAL COMO ESTAVA; E FUGIRAM PARA SALVAR A SUA VIDA. CHEGANDO, POIS, AQUELES LEPROSOS À ENTRADA DO ARRAIAL, ENTRARAM NUMA TENDA, E COMERAM, E BEBERAM, E TOMARAM DALI PRATA, E OURO, E VESTES, E SE FORAM, E OS ESCONDERAM; VOLTARAM, E ENTRARAM EM OUTRA TENDA , E DALI TAMBÉM TOMARAM ALGUMA COISA, E A ESCONDERAM. ENTÃO, DISSERAM UNS PARA OS OUTROS: NÃO FAZEMOS BEM; ESTE DIA É DIA DE BOAS NOVAS, E NÓS NOS CALAMOS; SE ESPERARMOS ATÉ À LUZ DA MANHÃ, SEREMOS TIDOS POR CULPADOS; AGORA, POIS, VAMOS E O ANUNCIEMOS À CASA DO REI”. [2 Reis 7: 3, 9].
    Todos temos que dar o primeiro passo, desde que nascemos até o último dia de nossas vidas, depende de nós a casa que queremos. Não se constroe felicidade com pedras ou areia, mas se constroe um lar, quando colocamos nas quatro paredes, em primeiro lugar o amor. Não são os asilos que fazem o velho, mas o velho que faz os asilos. Todos temos as nossas vidas, e colhemos o que plantamos nela. Nada acontece sem que haja uma razão, toda ação provoca a reação..
    Ensine o seu filho no caminho que deve andar, e, ainda quando forem velhos, não se desviarão dele.
    AINDA QUE EU FALE AS LÍGUAS DOS HOMENS E DOS ANJOS, SE NÃO TIVER AMOR; SEREI COMO O BRONZE QUE SOA OU COMO O CÍBALO QUE RETINE”. [I Coríntios 13: 1]
    Não construamos o condomínio de alvenária, cal e cimento com uma mercedez-bens na garagem, mas contruamos um lar onde o amor seja a principal porta de entrada, e todos, independentemente de cada idade, não terá do que reclamar…

  7. EDWARD CHADDAD disse:

    Eli, você tem razão quando coloca o amor como fundamental no ser humano. Conheci uma mulher, que foi abandonada por seu marido, com mais de dez crianças, desde um nenê, ainda no seu colo, até a mais velha com 13 anos. Mesmo com grandes dificuldades financeiras, com muito amor e o trabalho de faxineira, essa mulher criou e alimentou seus filhos. Lembro-me que éramos vizinhos e minha esposa, pela manhã, muito cedo, em dia de muito frio, foi avisá-la que uma família queria, ainda naquele dia, seus serviços. Ao bater-lhe à porta, ela, lá do seu quarto gritou, mandando-a entrar. Minha esposa entrou e viu uma cena inesquecível e que revela o quanto o amor é a maior riqueza de todos nós, seres humanos: nossa vizinha estava deitada, com um único cobertor e todos os seus filhos juntos com ela. Na expressão de minha mulher, ela aquecia com o calor de seu corpo todos os filhos, mas parecia que estava aquecendo com o seu amor o coração de todos eles. Hoje, todos os seus filhos, conheço-os todos, são pessoas dignas, honestas e trabalhadoras. E o melhor: pessoas caridosas e amorosas. O afeto, um gesto de amor, contrói uma vida toda.

  8. Dayse disse:

    Estão sempre inventando formas de se livrar das pessoas “velhas”. Se são pobres, há os asilos, verdadeiros amontoados de pessoas tristes e abandonadas. Se são ricas, os condomínios de luxo, onde “papai vai se sentir melhor do que aqui em casa, com estas crianças e adolescentes ruidosos” Seja como for, disse alguém com muita propriedade: “Um pai cuida de 10 filhos, porém 10 filhos não cuidam de um pai”

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