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Arquivo de novembro, 2007

17/11/2007 - 19:34

DE PLATÃO AO LADRÃO. CAP.13

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O PERFIL CULTURAL DO EMPRESÁRIO PAULISTANO – DE CARAMURÜ AO CANSEI. Capítulo 13.

São Paulo detem mais de cinquenta por cento de todos os interesses nacionais, mas sua representação política é proporcional a dos demais estados. Os empresários estão fora e só comparecem para financiar campanhas. Os políticos são eleitos no sistema eleitoral que conhecemos e mudam de partido e de patrocinadores com o mesmo despudor. Resulta que os empresários também não tem qualquer representação política. Apenas financiam eleições, ao sabor dos interesses.
Resta-lhes sempre, a visibilidade na mídia econômica e financeira. E assim mesmo, uns poucos mais emblemáticos. Uma presença crescente nas colunas sociais. Uma presença exibicionista nos grandes emcontros empresariais em ilhas não desertas. E isso é um desejo comum em mais de uma categoria de novos empresários.
Uma pequena quantidade deles procura a Casa do Saber em busca do tempo perdido. Escuta a Cultura FM. Assina temporadas de orquestra. Vai ao teatro.
Acredito que eles tem alguma vontade de participar. Não são poucos os que procuram o caminho do esoterismo, da Opus Dei ou da Pro Vida imaginando, assim, qualificar a existência. Mas o Brasil anda tão esquizofrênico e o cenário é tão fascinante que a roubalheira tomou conta até do dicionário, que tem que inventar novas expressões. Não é possível ficar alheio à política, ainda que em discussões caseiras, em almoços comerciais, em “happy hours” vespertinas e, sobretudo, em esperas nos aeroportos. Lula é o assunto do dia, da tarde e da noite. Os juros são assunto. A educação é assunto. Porque não participar? Se não participam diretamente na política, empresários contribuem bastante com a corrupção ativa.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
16/11/2007 - 22:09

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Capítulo 12. O dinheiro troca de mãos. Surge a figura do novo empresário.

Em São Paulo, não só nessa escala intelectual, o dinheiro continuou trocando de mãos com o processo de globalização, abertura comercial, concentração empresarial, iniciadas no Governo Collor e continuada em todos os outros. O empresário paulistano, nacional ou transnacional profissionalizou-se. Técnicos, MBIs, especialistas, são caçados pelos ” Head Hunters” até para dirigirem empresas familiares. São profissionais que só conhecem a estabilidade a partir dos resultados. São escravos dos dividendos. O perfil é jovem, elegante, competente (até prova em contrário), financeiramente informado, politica e culturalmente envernizado. Frequentam galerias e desfiles de moda. Chegam a tornar-se colecionadores ou investidores em artes plásticas. Tornam-se rentistas por acúmulo de rendas, juntamente com outros, simplesmente parasitários, que tem bastante tempo para usufruir a vida e alimentar os ambientes e os acontecimentos da moda, no Brasil ou no exterior. São as únicas pessoas físicas que frequentam os restaurantes estrelados, as lojas de automóveis importados, o Iguatemi e a Daslu. Os outros frequentadores são pessoas jurídicas com cartões corporativos para pagar as contas. Gostam de hipismo, os mais finos, de Jet Sky, os mais grossos. Sonham ter propriedade em Larangeiras em São Paulo e no litoral sul da Bahia. Sentem-se orgulhosos de aparecer na revista Caras, nas colunas sociais e nos encontros empresariais de Comandatuba. Se muito bem sucedidos, mudam o eixo cultural para New York e Londres e, também, Paris.
O perfil das mulheres empresárias ainda não é de fácil caracterização. Parecem mais duras do que os homens e são mais austeras no exibicionismo.Estão ocupando um espaço novo na sociedade, mas ainda não estão com tempo de usufruí-lo. Não são dondocas. Dondoca é mulher de rico. É filha de rico. Ao contrário, elas trabalham pesado. Já começam a ter enfarte.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
16/11/2007 - 22:09

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Capítulo 12. O dinheiro troca de mãos. Surge a figura do novo empresário.

Em São Paulo, não só nessa escala intelectual, o dinheiro continuou trocando de mãos com o processo de globalização, abertura comercial, concentração empresarial, iniciadas no Governo Collor e continuada em todos os outros. O empresário paulistano, nacional ou transnacional profissionalizou-se. Técnicos, MBIs, especialistas, são caçados pelos ” Head Hunters” até para dirigirem empresas familiares. São profissionais que só conhecem a estabilidade a partir dos resultados. São escravos dos dividendos. O perfil é jovem, elegante, competente (até prova em contrário), financeiramente informado, politica e culturalmente envernizado. Frequentam galerias e desfiles de moda. Chegam a tornar-se colecionadores ou investidores em artes plásticas. Tornam-se rentistas por acúmulo de rendas, juntamente com outros, simplesmente parasitários, que tem bastante tempo para usufruir a vida e alimentar os ambientes e os acontecimentos da moda, no Brasil ou no exterior. São as únicas pessoas físicas que frequentam os restaurantes estrelados, as lojas de automóveis importados, o Iguatemi e a Daslu. Os outros frequentadores são pessoas jurídicas com cartões corporativos para pagar as contas. Gostam de hipismo, os mais finos, de Jet Sky, os mais grossos. Sonham ter propriedade em Larangeiras em São Paulo e no litoral sul da Bahia. Sentem-se orgulhosos de aparecer na revista Caras, nas colunas sociais e nos encontros empresariais de Comandatuba. Se muito bem sucedidos, mudam o eixo cultural para New York e Londres e, também, Paris.
O perfil das mulheres empresárias ainda não é de fácil caracterização. Parecem mais duras do que os homens e são mais austeras no exibicionismo.Estão ocupando um espaço novo na sociedade, mas ainda não estão com tempo de usufruí-lo. Não são dondocas. Dondoca é mulher de rico. É filha de rico. Ao contrário, elas trabalham pesado. Já começam a ter enfarte.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
14/11/2007 - 22:01

PERFIL CULTURAL DO EMPRESÁRIO PAULISTANO – DE CARAMURÚ AO CA

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Capítulo 11. Tentativas de participação política.

Os empresários paulistanos, como já afirmei, têm um certo desprezo pela política, tanto que nunca se candidatam a nada. Só tivemos Maluf, bafejado pela revolução, mas que sempre continuou “empresário” nos governos. Setubal, que teve um excelente desempenho na prefeitura de São Paulo, convidado que foi por Paulo Egydio. E todos estes quando as indicações eram compulsórias. Já na democracia, só o Antonio Ermírio, que disputou a eleição estadual. Não logrou a eleição, para prejuizo de todos.
Se não produziu políticos, no campo empresarial nos legou um novo fenômeno: profissionais ou filhos de empresários,bem formados. Todos esses possuem a mais sofisticada formação econômica, da London School, do MIT, de Harvard, Cornell e outros campus, inclusive a GV, a Poli e o IBEMEC. Foram ousados. Os acadêmicos profissionais fizeram planos, desde Sarney até FHC. O Plano Real ficou e ficará na história, como uma das concepções econômicas mais bem concebida e ainda melhor realizada. A passagem da moeda fraca para a moeda forte, via URV é quase genial. Outros, em seguida, erraram feio no câmbio. A maioria deles largou a política e os governos, preferiu ganhar dinheiro no mercado financeiro. Ganharam e até fizeram escola. São os empresários acadêmicos mais sofisticados do Brasil. Conhecem literatura, conhecem, pintura, conhecem e apreciam bons vinhos, fazem cursos de filosofia, têm apartamentos em Nova York e Paris. Opinam sobre fundos e sabem lidar com os próprios. Mas não contribuiram diretamente com nenhuma instituição cultural.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
14/11/2007 - 00:31

O PERFIL CULTURAL DOS EMPRESÁRIOS PAULISTANOS CAP.10

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Capítulo 10. Tenazes, os empresários resistem aos projetos econômicos da redemocratização

Vem a democracia, sucedem-se as crises e os planos econômicos. Os empresários resistem bravamente a todos os planos econômicos. Com exceção de alguns setores duramente castigados como o de auto peças. Mas no geral demonstram capacidade de enfrentar as situações, rever seus planos, modificar sua capacidade produtiva. Contudo, continuam foscos do ponto de vista político e inteiramente alheios ao processo cultural. Não ajudam ninguém. Bardi, antes de morrer me afirmou” -Jorginho, nunca houve uma doação expontânea para o MASP, a não ser umas doações da Familia Segall, o resto foi conseguido sob coação”. Com a democracia vieram as leis de incentivo fiscal e então, as empresas, pessoas jurídicas, participam do processo de criação, divulgação e circulação artística através das leis Sarney, Rouanet e Mendonça, em Sáo Paulo. Fazem arte com dinheiro público,mesmo que em nome de suas instituições familiares ou empresariais. Começa, contudo, a surgir um interesse de alguns empresários pelas instituições culturais. Cultura dá status, acesso a poderes públicos, uma representação social que nem o dinheiro logra proporcionar. Assim surgiram mecenas improvisados, não como os velhos imigrantes e paulistas que davam o próprio dinheiro para patrocinar semanas e bienais, mas apenas usufruiam os benefícios das leis e outras estratégias. Com raras exceções os empresários não foram bons gestores de instituições culturais. Resgato, para que não haja confusão, os nomes de Mauricio Segall, Lundman, José Mindlin e de Milú Villela.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
13/11/2007 - 00:45

PERFIL CUTURAL DO EMPRESÁRIO PAULISTANO CAP. 9

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Capitulo 9. EMPRESÁRIOS PAULISTANOS ADEREM À CULTURA DO GOLPE

Vem o golpe. Os empresários paulistanos se congratulam na casa do Comandante do Segundo Exército, General Kruel, que facilitou as coisas depois de conversa com Adhemar de Barros. Produziram 26 anos de ditadura, mesclada ao chamado Milagre Econômico e um amplo desenvolvimento das comunicações. Os empresários se adaptam prazeirosamente ao regime. Náo percebem o monstro que está sendo criado com as empresas estatais, nem os riscos da péssima distribuição de rendas. Em São Paulo, alguns setores do empresariado chegam a financiar a Operação Bandeirantes, destinada a obter confissões a partir da tortura. Alguns poucos se filiam paradoxalmente à resistência. Outros são presos e até mesmo mortos como meu amigo Rubens Paiva. Os setores de infraestrutura têm um grande incentivo e as empreiteiras, já bafejadas no tempo de Juscelino, ganham uma escala sem proporções, fazendo hidroelétricas, sistemas de comunicações, distribuição de gás, estradas monumentais (inclusive a famosa Transamazônica que leva ninguém do nada ao nada). Tornam-se os homens mais ricos do país e os mais corruptores. Evidentemente não havia CPI nem liberdade de imprensa, pois a nação estava mais preocupada com os processos contra os terroristas, inimigos do governo. Desde o fim da guerra, o dinheiro começa a mudar de mãos em São Paulo, onde houve, segundo estudos americanos, a maior substituição de riquezas da história humana. Esse dinheiro, em novas mãos, os chamados novo-ricos, modificou definitivamente o perfil do empresário e da burguesia paulista. Mas continuou um fenômeno interessante. Enquanto os empresários do nordeste e do norte se envolvem com a política, tornam-se candidatos a postos legislativos e executivos, os empresários paulistas têm horror à militância política. Não há governadores empresários, deputados empresários e para um empresário paulista aceitar um ministério é um custo. Gostam dos seus negócios. Talvez não considerem a política um negócio sério.
Os movimentos culturais ficam exclusivamente nas mãos da classe media intelectual e dos artistas populares. A MPB tornou-se uma luz no fim de um tunel interminável.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
11/11/2007 - 13:13

PERFIL CULTURAL DO EMPRESÁRIO PAULISTA DE CARAMURÚ AO CANSEI

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Capítulo 8. OS EMPRESÁRIOS E A SOCIEDADE SE ENCANTAM COM JÃNIO QUADROS.

A desgraça veio com Jânio Quadros, amplamente apoiado pela UDN, que sucedeu a Juscelino. Substituiu o progresso pelo falso moralismo. Iniciou um certo culto ao monetarismo com a 213. Eletrizava as multidões, mas desconhecia Brasília. Não compôs com o Congresso, condição “sine qua non” para habitar e continuar habitando o Palácio do Planalto. Brigou com Deus, com os anjos e com o diabo. Deixou Lacerda, o grande devorador do estado democrático, segurando a alça de sua mala de viagens, na porta do Alvorada. Tentou o golpe mas o povo estava ocupado. Renunciou. Sua renúncia foi aceita em dois minutos pelo presidente do Senado Auro de Moura Andrade.
O empresariado paulista, que apostava em Jânio, depois do carnaval juscelinista, ficou perplexo. A perspectiva de Jango, vindo da China, os apavorava, com suas reformas de base, conhecidas de antemão, em plena guerra anti-comunista.
Queriam melar a democracia, no ato. Quem ajudou a sustentá-la foi um paulista, Carlos Alberto de Carvalho Pinto, quando afirmou aos militares como governador de São Paulo: -Precisamos respeitar o espírito e e letra da constituição” Eu tinha 26 anos, saído da Faculdade de Direito. Tive a honra de ajudar a produzir esse texto tão curto e tão definitivo para acalmar os ânimos. Acertou-se o parlamentarismo. Foi montado um grande governo parlamentarista com Tancredo, Santiago, Ulisses, Montoro, Moreira Salles e outros notáveis. Mas Jango, já estabilizado no poder, insistiu na volta do presidencialismo. Anunciou as reformas de base. Bagunçou as hierarquias militares. Prato quente para mobilizar o golpismo udenista e os empresários paulistas, que começaram uma mobilização contra o perigo do comunismo, no pleno período da guerra fria. Organizaram os chamados quarteirões para se previnirem contra a ameaça de um golpe do Jango, Organizaram a Marcha com Deus pela Familia e a Liberdade. Reuniram uma multidáo que atravessa o Viaduto do Chá. É o primeiro grande sinal para o golpe de 64.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
10/11/2007 - 20:42

PERFIL CULTURAL DO EMPRESÁRIO PAULISTA CAP.7

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Capítulo 7. OS EMPRESÁRIOS, A DEMOCRACIA E OI FLORESCIMENTO DAS ARTES

Mas veio a democracia pós-segunda guerra mundial e os empresários tiveram que conviver com ela. Tudo de novo. Partido comunista legalizado. Greves. Reivindicações salariais. Saldo na balança de pagamentos devido às grandes reservas advindas das vendas no período da guerra. Importou-se muita bobagem. O brasileiro descobriu o nylon e as calças de tergal. A burguesia volta a viajar para a Europa. Getúlio volta ao poder por via eleitoral. O empresariado liberal , monitorado pela UDN, não tolerava Getúlio nem o seu trabalhismo. Levam-no ao suicidio e à carta testamento. Morre Getúlio, ficam as leis trabalhistas e o getulismo.
Vem Juscelino, Brasília, a indústria automobilística, o plano de metas. As artes ressurgem: arquitetura nova, bossa nova, cinema novo, bienais de arte, MASP, cinemateca etc, Da mesma forma que a aristocracia paulista havia prestigiado o modernismo, imigrantes inteligentes, Ciccilo Matarazzo, Franco Zampari, Segall, Crespi e Bardi, contratado por Assis Chateubriand, envolvem-se na produção de cinema, na coleção de pintura moderna e nas exposições. Mas a grande maioria dos empresários continua apenas preocupada com seus negócios. O protecionismo favorece até o progresso de indústrias atrasadas. Mas havia um desenvolvimentismo nacionalista. E até um projeto de nação, apoiado no Plano de Metas de Juscelino e respaldado por um momento nunca vivido de tanta democracia, criatividade artística e empresarial. Nesse período os empresários tornaram-se um pouco mais cultos e mesmo mais inteligentes, o que prova que o gosto vem da oferta e não da demanda. Havia uma imensa oferta de arte e de ideais.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
10/11/2007 - 00:51

PERFIL CULTURAL DO EMPRESÁRIO PAULISTANO. CAP.6

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CAPÍTULO 6. AS LIÇÕES DA CRISE DO CAFÉ

A crise de 29 zerou a sociologia dos privilegiados. Sobraram os competentes, os empresários industriais bem calçados, os proprietários rurais sem dívida, os proprietários imobiliários sem necessidade de vender seus imóveis, e comerciantes capazes de navegar na onda negativa. Os bancos absorveram todas as garantias reais que puderam. Sobrou assim uma relativa quantidade de banqueiros, de industriais, de comerciantes, de produtores rurais, empresas internacionais de serviços públicos e o Conde Francesco com o terceiro orçamento da república..
Além da crise que atingiu todo o mundo, esses resistentes empresários, tiveram que conviver com a Revolução de Trinta e todas as suas consequências políticas e sobretudo com a legislação trabalhista. Aguentaram o tranco, progrediram e, quando a guerra começou, aproveitaram a onda ou perderam o bonde. Nessa época o empresário paulistano já havia aprendido a conviver com a ditadura, seus incomodos e suas oportunidades. Mas a guerra também prenunciou o enterro dos que náo souberam mudar de escala e monopolizar a produção. Foi nesse contexto que o Conde Chiquinho perdeu o bonde do carro. Revendedor FIAT, não aceitou a proposta de instalar a primeira indústria automobilística no Brasil, com uma célebre frase: “Os brsileiros não estão preparados para as “máquinas”. Foi iniciada a produção em grande escala. Enquanto Matarazzo produzia tudo, em menor escala, vinha uma Gessy Lever e abarrotava o mercado de sabonetes. Foi consolidada a fase dos monopólios de cimento, aço, alumínio, exploração mineral, seguro, bancos, empresas siderúrgicas etc. Claro que o perfil do empresário Paulista foi mudando de cara. Austeras empresas familiares, as grandes fortunas de imigrantes, e o início de administradores profissionais trazidos pelas primeiras multinacionais do período. O Jockey Clube era o espaço mais agregador dessa gente, nos Grandes Prêmios o no Reveillon, a mais requintada boca livre de uma paulicéia não mais desvairada. Guarujá era uma quermesse de gente bem sucedida na vida e na sociedade. Começou o império do dinheiro. O Paulista de 400 anos já não valia grande coisa.
Seus velhos representantes, contudo, ainda cochilavam depois do almoço nas poltronas de couro do Automovel Clube. Nesse período o empresariado aprendeu a conviver docemente com a ditadura Vargas, o que lhes serviu de ” know how” para as futuras.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
08/11/2007 - 18:00

PERFIL CULTURAL DO EMPRESÁRIO PAULISTANO

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Capítulo 7. Os empresários, a democracia e o florescimento das artes.

Mas veio a democracia pós-segunda guerra mundial e os empresários tiveram que conviver com ela. Tudo de novo. Partido comunista legalizado. Greves. Reivindicações salariais. Saldo na balança de pagamentos devido às grandes reservas advindas das vendas no período da guerra. Importou-se muita bobagem. O brasileiro descobriu o nylon e as calças de tergal. A burguesia volta a viajar para a Europa. Getúlio volta ao poder por via eleitoral. O empresariado liberal , monitorado pela UDN, não tolerava Getúlio nem o seu trabalhismo. Levam-no ao suicidio e à carta testamento. Morre Getúlio, ficam as leis trabalhistas e o getulismo.
Vem Juscelino, Brasília, a indústria automobilistica, o plano de metas. As artes ressurgem: arquitetura nova, bossa nova, cinema novo, bienais de arte, MASP, cinemateca etc, Da mesma forma que a aristocracia paulista havia prestigiado o modernismo, imigrantes inteligentes, Ciccilo Matarazzo, Franco Zampari, Segall, Crespi e Bardi, contratado por assis Chateubriand, envolvem-se na produção de cinema, na coleção de pintura moderna e nas exposições. Mas a grande maioria dos empresários continua apenas preocupada com seus negócios. O protecionismo favorece até o progresso de indústrias atrasadas. Mas havia um desenvolvimentismo nacionalista. E até um projeto de nação, apoiado no Plano de Metas de Juscelino e respaldado por um momento nunca vivido de tanta democracia, criatividade artística e empresarial. Nesse período os empresários tornaram-se um pouco mais cultos e mesmo mais inteligentes, o que prova que o gosto vem da oferta e não da demanda. Havia uma imensa oferta de arte e de ideais.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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