DE PLATÃO AO LADRÃO. CAP.13
O PERFIL CULTURAL DO EMPRESÁRIO PAULISTANO – DE CARAMURÜ AO CANSEI. Capítulo 13.
São Paulo detem mais de cinquenta por cento de todos os interesses nacionais, mas sua representação política é proporcional a dos demais estados. Os empresários estão fora e só comparecem para financiar campanhas. Os políticos são eleitos no sistema eleitoral que conhecemos e mudam de partido e de patrocinadores com o mesmo despudor. Resulta que os empresários também não tem qualquer representação política. Apenas financiam eleições, ao sabor dos interesses.
Resta-lhes sempre, a visibilidade na mídia econômica e financeira. E assim mesmo, uns poucos mais emblemáticos. Uma presença crescente nas colunas sociais. Uma presença exibicionista nos grandes emcontros empresariais em ilhas não desertas. E isso é um desejo comum em mais de uma categoria de novos empresários.
Uma pequena quantidade deles procura a Casa do Saber em busca do tempo perdido. Escuta a Cultura FM. Assina temporadas de orquestra. Vai ao teatro.
Acredito que eles tem alguma vontade de participar. Não são poucos os que procuram o caminho do esoterismo, da Opus Dei ou da Pro Vida imaginando, assim, qualificar a existência. Mas o Brasil anda tão esquizofrênico e o cenário é tão fascinante que a roubalheira tomou conta até do dicionário, que tem que inventar novas expressões. Não é possível ficar alheio à política, ainda que em discussões caseiras, em almoços comerciais, em “happy hours” vespertinas e, sobretudo, em esperas nos aeroportos. Lula é o assunto do dia, da tarde e da noite. Os juros são assunto. A educação é assunto. Porque não participar? Se não participam diretamente na política, empresários contribuem bastante com a corrupção ativa.
