Arquivo de novembro, 2007
30/11/2007 - 12:21
ALAGOAS AINDA

Da mesma forma que Maceió tem um dos melhores restaurantes populares do Brasil, a Bodega do Sertão, (ontem errei o nome), possui ainda um dos dez melhores restaurantes sofisticados do País, o Wanchako.
Tem uma história interessante. A proprietária, uma jovem e bela surfista alagoana, casou-se com um surfista peruano e foi morar em Lima. Lá, fez cursos de culinária, trabalhou em restaurantes, especializou-se na cozinha peruana e, depois de oito anos, retornou ao Brasil. Montou em Alagoas um belo restaurante de comida peruana, adaptada ao gosto internacional e nacional, com requintada decoração. Até as toalhas americanas são peruanas, de um kelim inca, de cores vivas. As comidas, de elevado preço, são inesquecíveis. O “cevice” é a peça de resistência, sempre servido com batata doce. A entrada lembra a grande influência da comida japonesa no Peru: pedaços de polvo empanado e servido com molho agridoce e gergelim. O prato principal: pedaços grelhados de lagosta servidos com a tradicional maionaise de camarão. Tudo no ponto e na dose certa. Deixaria até o Josimar de Mello encantado.
Uma vez o grande “chef” francês, George Blanc, me disse que o Brasil tem a melhor comida de rua do mundo. Ele se referia especialmente aos acarajés da Bahia e aos pastéis de Natal (servidos nas dunas com cerveja gelada). Pois afirmo que o Brasil também tem os melhores restaurantes fora da rua, mas este de Maceió constitui uma surpresa, qualquer que seja o nível de exigência.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
Tags:
29/11/2007 - 13:37
PENA QUE A DISTRIBUIÇÃO DE RENDAS É VERGONHOSA

No encontro da Associação Brasileira de Televisões Públicas (Abepec), o governador de Alagoas, Teotônio Villela, além de seus pronunciamentos anunciando investimentos na televisão pública do Estado, conclamou: “venham à Alagoas, voltem à Alagoas. Nossas praias, modéstia a parte, são as mais lindas do Brasil”.
Verdade, a paisagem natural é bem mais comovente do que a paisagem política, apesar dos grandes esforços. São 250 km de praias lindas. Jatiúca e Franceses, entre as melhores. Os quiosques da praia tem iguarias baratas e ar condicionado. Os restaurantes oferecem da lagosta ao polvo empanado com molho peruano. A pista de cooper em plena brisa é um convite à saúde. Estaríamos teoricamente no paraíso, pois o sol é personagem presente.
Mas…
49% da população vive em estado de miséria; 48% é remediada para baixo. O emprego mais estável é o emprego público – 78 mil funcionários; 1,7% da população detém toda a riqueza. É a maior concentração de renda do Brasil, proporcionalmente. Ao todo, 28 famílias detêm o controle de usinas no Estado e em outros Estados do País. Figuras como Collor, Renan e João Lira estão nesse 1%.
Só a natureza é de todos, com seus 250 km de coqueiros e pescados. Jantei na Bodega do Povo. Comidas incríveis: carne seca na coalhada, arroz de queijo, buchada. Por menos de R$ 7. Sobremesa: lasca de côco caramelado.
Seria ingênuo ficar espantado com o contraste entre a natureza generosa e a sociedade enclausurada. Confesso que fiquei, mas estou com o governador: visitem Alagoas.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
Tags:
28/11/2007 - 17:50

Esta manhã, no 26º Congresso da Associação Brasileira de Televisões Públicas (Abepec), realizado em Maceió, o governador Teotônio Villela foi o primeiro mandatário do PSDB a aprovar a criação da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), criada pelo presidente Lula.
Além disso, o governador prometeu ao diretor da EBC, Mario Borgneth, que solicitaria aos parlamentares do PSDB o apoio à aprovação da MP, que está para ser votada.
Na mesma reunião, Mario Borgneth anunciou o ingresso da Televisão Pública Nacional, na ABEPEC, como membro, em condição de igualdade aos demais associados, ocupando o lugar da anitga TV nacional da Radiobrás.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
Tags:
26/11/2007 - 09:00
FRANÇA DISCUTE FINANCIAMENTO À CULTURA
O Ministério da Cultura da França está realizando em Paris, na Maison du Monde, um curso chamado COURANTS para examinar a questão da política cultural e do financiamento da cultura, inclusive incentivos fiscais para a cultura.
Destina-se à profissionais do mundo inteiro. Este ano o Brasil teve uma atencão especial, cinco convidados, pois 2009 será o ano da França no Brasil.
Estão reunidos mais de 100 profissionais de países como Brasil, Cameroun, Senegal, Canadá, Chile, Argentina, Espanha, Geórgia, Bulgária, Ukrania e Coreia, entre outros.
Foi colocado o panorama da situação na França, onde o modelo de gestão está mudando com um afastamento do estado da questão cultural e um questionamento sobre a legitimidade dos financiamentos públicos. Evidentemente, esse posicionamento surgiu depois da eleição de Sarkosy. Mais próximo da política cultural de Tatcher do que de Miterrand.
Lembremos que na França toda a cultura é financiada pelo Estado, enquanto no Brasil é um sistema mixto, que envolve financiamentos públicos, privados e lei de incentivos.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
Tags:
26/11/2007 - 09:00
FRANÇA DISCUTE FINANCIAMENTO À CULTURA
O Ministério da Cultura da França está realizando em Paris, na Maison du Monde, um curso chamado COURANTS para examinar a questão da política cultural e do financiamento da cultura, inclusive incentivos fiscais para a cultura.
Destina-se à profissionais do mundo inteiro. Este ano o Brasil teve uma atencão especial, cinco convidados, pois 2009 será o ano da França no Brasil.
Estão reunidos mais de 100 profissionais de países como Brasil, Cameroun, Senegal, Canadá, Chile, Argentina, Espanha, Geórgia, Bulgária, Ukrania e Coreia, entre outros.
Foi colocado o panorama da situação na França, onde o modelo de gestão está mudando com um afastamento do estado da questão cultural e um questionamento sobre a legitimidade dos financiamentos públicos. Evidentemente, esse posicionamento surgiu depois da eleição de Sarkosy. Mais próximo da política cultural de Tatcher do que de Miterrand.
Lembremos que na França toda a cultura é financiada pelo Estado, enquanto no Brasil é um sistema mixto, que envolve financiamentos públicos, privados e lei de incentivos.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
Tags:
23/11/2007 - 19:56
QUEREM MELAR O DIREITO, LIBERANDO O ST TOP BOX PROPOSTO PELA ABNT, DE REPRODUZIR OBRIGATORIAMENTE A MULTIPROGRAMAÇÃO.
A não obrigatoriedade dos receptores reproduzirem a multiprogramação das emissoras, uma das grandes vantagens do sistema de transmissão adotado pelo Brasil, além da interatividade , alta definição, mobilidade e portabilidade, impossibilitará os usuários de baixa renda a terem acesso à diversidade de programação oferecida pelos canais, principalmente após o período de transição previsto no decreto que dispõe sobre a implantação do SBTVD-T no Brasil quando termina a obrigatoriedade da veiculação simultânea da programação analógica.
Se os receptores não forem obrigados a possibilitar essa veiculação, isso só beneficiará a televisão comercial que pretende usar apenas a Alta Definição, para as programções que já têm.
A ABEPEC, em sua reunião de Maceió, no próximo dia 28, fará uma proclamação pública em favor dessa obrigatoriedade. Se não for feita desde o início, nunca mais teremos multiprogramação no Brasil.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
Tags:
21/11/2007 - 18:00
UMA PEQUENA HISTÓRIA VERDADEIRA
Tenho uma amiga que se casou com um ex-monge budista, em viagem que fez à India há uns 10 anos. O jovem marido tem uma pele escura , azeitonada, como os indús de certa região. Hoje, ambos vivem no Brasil, onde mantêm uma escola de Ioga. Do casamento nasceu um menino, bem mais indú do que brasileiro e de uma grande beleza.
Há dias a mão comentava com esse filho que ele era muito bonito. Ele respondeu, da imponência inquieta dos seus 8 anos: ” – Mãe. Eu não sou bonito. Sou negro”. A mãe, meio confusa, teve tempo de responder-lhe: ” – Há brancos bonitos e feios, como há pretos bonitos e feios. Eu mesmo gostaria de ter a sua cor” . O menino ficou quieto, pensando, e fez sua pergunta derradeira: ” – E se a escravidão voltar, mãe?”
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
Tags:
20/11/2007 - 16:57
Capítulo 16.perfil cultural do empresário paulistano – de caramurú ao cansei.
Difícil responder. Só sei que ningué mais fala do CANSEI. O empresário paulistano , hoje, é um cidadão encantado com a vida.Com os 4% ao ano de desenvolvimento, que vai direto para o seu bolso. Está orgulhoso da vitória que a vida lhe tem proporcionado: a beleza dos utensílios de proteção: uma janela blindada sobre 360 cavalos. Uma garita coberta de Primaveras. Um muro de sete metros de altura. Um Rolex de 28 mil reais. Um Romanée Conti de 2.800 dólares. Um triplex de 16 milhões, bem em frente ao elevado da Traição, em Cidade Jardim. O porteiro do Fasano que o trata pelo nome. O orgulho de São Paulo, a única cidade do mundo que tem dois Tiffanys. A procissão de helicópteros na hora do rush. A firmeza com que ele fala dos “fundamentals”. A firmeza com que ele trai os “fundamentals”. Trufas brancas sobre o penne ao dente.Aplicações do excedente nos juros mais altos do mundo. Bons resultados na Bolsa de Valores.
Há contudo, uma preocupação com o futuro, com o câmbio, com o desenvolvimento. E há ainda o que trabalha muito e não adere à futilidade corrente. Mas no plano politico a única bandeira que sobra é a da responsabilidade social, que pratica como pessoa jurídica, nunca como pessoa humana.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
Tags:
19/11/2007 - 23:01
Capítulo 16. PERFIL CULTURAL DO EMPRESÁRIO PAULSTANO – DE CARAMURÚ AO CANSEI
O “cansei” produz ainda outros riscos. Se uma pessoa com a experiÊncia da Marta, pela simples exuberância de classe dominante, acha que pode fazer qualquer afirmação, sem avaliar os danos, imagine um presidente de multinacional, sem nenhuma experiÊncia política, sem nenhum conhecimento intelectual mais profundo, que prejuízos não pode causar? Posar ao lado da Hebe, deitar fala na Mônica Bérgamo, é qualquer coisa imponderável, no perigoso capítulo da ingenuidade.
Náo quero proibí-los de falar. Temos até direitos constitucionais de falar. Admiro o profissionalismo da Hebe, não admiro o primarismo de alguns entrevistados. Mas até que o empresariado paulistano assuma suas responsabilidades e participe efetivamente da vida política e se comprometa com os projetos culturais e com essa necessidade de se criar uma nação e não simplesmente uma economia de mercado, esses movimentos tornam-se monótonos e retóricos. E a retórica nunca foi o forte desse elenco tão modesto em recursos verbais e mesmo intelectuais.
Os ricos sempre se manifestaram por baixo do pano. Têm todo o direito de se manifestarem publicamente, como afirmou João Dória , nas amarelinhas da Veja. Essa abertura é mesmo boa, para que todo mundo saiba o que eles estão pensando.
Na “Marcha com Deus pela Família…”, a maioria deles foi para a rua e todos sabemos o que eles estavam pensando. O pensamento durou 26 anos.
Na ” Campanha das Diretas”, uma parte deles foi para a rua, inclusive o Jõao Dória, que me ajudou muito na organização do Comício da Sé. Como queríamos uma coisa muito simples: eleições diretas para presidente, um dia a coisa emplacou,
Nas ” Campanhas do Lula” , a quase maioria deles foi contra. Na primeira, apoiaram maciçamente o Collor, com ameaças até de fecharem a luz do aeroporto no caso de sua derrota. Meses depois da vitória de Collor, participaram do “Fora Collor” , junto com os meninos da cara pintada,da UNE e da Globo. Depois, apoiaram Fernando Henrique, os mesmos que comemoraram sua expulsão da USP nos coqueteis da vitória, realizados na casa do General Kruel, entre champagnes e tapetes persas. Na segunda campanha do FHC, já então eram fernandistas devotos. Na última campanha aceitaram a vitória de Lula, desestabilizaram a Bolsa por pouco tempo, mas acabaram encantados com dois fatos incríveis: o PT não desestabilizava mais o país, os contratos no campo econômico e financeiro seriam respeitados e a macro economia continuaria a mesma e ainda mais ortodoxa. Henrique Meirelles era um fiador de gabarito nacional e internacional.O mundo começava um período de ceú de brigadeiro apesar da estagnação do Brasil por vinte anos. A democracia era recomendada até pelo Pentágono como um atributo do neoliberalismo vigente. Os movimentos sociais, aguerridos e temidos, mantiveram-se num equilíbrio confortável para o governo, apesar de algumas ações de efeito.
Valeriodutos, sanguessugas, contas declaradas no exterior e outras porcarias do gênero abalaram a credibilidade. É verdade. Quase se esboçou uma campanha de derrubada, mais dos políticos do que da sociedade. Mas a estabilidade é sempre mais forte do que a corrupção. Os empresários paulistas sabem disso. Desde o primeiro jesuita sabem que a ordem é o único atributo indispensável do estado.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
Tags:
19/11/2007 - 00:05
O PERFIL CULTURAL DO EMPRESÁRIO PAULISTANO – DE CARAMURÚ AO CANSEI
Quando surgem movimentos de cunho moral, com bandeiras patrióticas, idéias que confundem verbos com adjetivos, e esbravejam contra os impostos, alguns empresários desejam sinceramente participar. Mas os segmentos empresariais, como as famílias, estão divididos. Todo meio empresarial está contra a CPMF, mas 60% deles está com Lula e não abre, ” não abre a boca”, mas está com ele no coração e no bolso. Lula tranquilizou-os e acabou com aquela bobagem de alguns afiliados da FIESP se mudarem para os Estados Unidos. Manteve a macro economia do Fernando Henrique, em tempos melhores do que os de FHC, pelo menos até agora. Acabou com o risco das convulsões sociais distribuindo dinheiro diretamente para os miseráveis. E isso é muito moderno, quando os fundamentos do desenvolvimento atual não incluem paradigmas de empregos habituais.
Mas algumas incertezas, os tsunamis morais promovidos pela Polícia Federal, a gestão modestissima da infraestrutura, os acertos partidários pós-mensalão, as CPIs de fachada, os impostos abusivos e, por fim, o apagão aéreo, grande novela de risco e sofrimento, para a classe média, média-alta e altíssima, que revelou a indisposição para as providências mínimas necessárias, predispôs essa gente a ir para a rua.
Na sala de criação de alguma agência desavisada, criaram o verbo tão banal, quanto infeliz, “CANSEI”. Mesmo que isso represente uma sensação diante de tanta coisa que está por aí, o verbo é infeliz. “-Quem cansa vai descansar”, afirma o Gilberto Gil. De fato ninguém estava cansado quando tomou a Bastilha, subiu a Sierra Maestro, desfenestrou o Czar ou foi para a Serra da Mantiqueira defender as treze listas da Bandeira Paulista.
A burguesia empresarial paulistana ainda está muito despreparada para produzir movimentos sociais.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
Tags:
Voltar ao topo