O ÚLTIMO SUSPIRO DE PAULO AUTRAN
Oh. Que saudades que eu tenho.
Tenho a certeza de que a cultura tem sempre uma porta de entrada, que nos recolhe do tédio, da indiferença ou até mesmo da singela ignorância para nos introduzir no inigualável mundo da arte.
Um livro, um bom fime, uma tela, uma escultura, uma peça de teatro.
Paulo Autran, com uma tenacidade incomparável, nos ofereceu 90 portas de entrada.Minha geração o conhece desde o TBC e em todas as encenações que produziu com Tonia Carrero e todos os bons artistas brasileiros. Para mim, contudo, seu palco mais extraordinário foi uma tela de cinema. “Terra em Transe” não é apenas o melhor filme brasileiro de todos os tempos, mas a oportunidade de nos mostrar o ator completo, maduro, convincente, em qualquer papel que se lhe oferecesse. Sobretudo naquele retrato igualzinho do Brasil, que serve para qualquer data, antes e depois de sua morte.
Mais recentemente, e isso foi o que mais me comoveu, foi o diálogo aberto que Paulo travou com a morte, quando lhe conferiram o nome, no teatro do SESC-Butantã.
Paulo Autran não buscou mais nada do que recitar o poema de Álvares de Azevedo. Disse que não o faria como fez quando era criança, mas na interpretação de hoje. Diria o poema o homem maduro, flertado pela morte, diante de Karen e de nós todos. Disse o poema completo e nos arrancou de todas as saudades, a mais profunda, do homem inteiro, que só existe na infância. Catarse das catarses, Paulo nos abandonou diante do espelho, cada um de nós perdido no gerúndio do verbo chorar. Morreria logo depois, deixando cada um de nós contemplado no seu testamento.

Terra em Transe é um filme espetacular. Um dos melhores retratos de nós mesmos. Obra de gênio(s) que permanece atual.
E que prazer é assistir o belíssimo trabalho de Autran interpretando Porfírio Diaz.
Sim, o Grande Paulo Autran foi um exemplo de dedicação à arte. Lembro-me dele em Depois da Queda que foi a primeira peça que assisti. Foi marcante para mim.
me desculpe pela ousadia mas eu não entendi uma frase q o senhor escreveu sobre o ator Paulo Autran,é um trecho o vc diz sobre um livro um bom filme lá está assim (fime) bom se por acaso eu entendi errado desconsidere este e-mail obrigado pela atenção.
Vê-lo atuar foi um privilégio. Poesia pura. Foi em apenas uma oportunidade que o acompanhei no teatro, marcou para a vida toda.
Falar sobre Paulo Autran seria lançar-nos à busca de palavras mágicas só possíveis no mundo encantado da arte. Todas entretanto talvez não fossem suficientes para lhe render merecido tributo. Deixo entretanto o coração dizer o quanto amei o seu talento e sua pessoa, expressando eterna gratidão pelos inúmeros momentos de aprendizado e deleite ante às suas soberbas interpretações. Como na canção dos Beatles estarás doravante brilhando no céu, com diamantes.
Quão bonitas suas palavras! Me arrancou um esboço de lágrima de sentimento espontâneo.
Sr.Jefferson Elias
É uma pena que diante de tão belo texto, se apegues a um simples erro de digitação.
O Paulo Autran disse umas coisas ai numa entrevista, interessantes para reflexão na velhice: ele não conseguia mais dançar, mas Deus é tão bom, que ele não sentia a menor vontade de dançar.
E que lhe surgiram rugas, mas Deus é tão bom que a vista dele também enfraqueceu e assim ele não veria as rugas quando olhasse no espelho.
Paulo Autran – a expressão do teatro e da boa convivência social.
Que maravilha de texto.
Gostaria de ter sua fluidez, delicadeza e precisão com as palavras. Mas só isso. haha =)