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13/09/2007 - 12:10

INCESTO NO PARAISO TROPICAL

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GILBERTO BRAGA, O FLAUBERT DAS TELAS.

São tantos e tão vertiginosos os núcleos das novelas que nem sempre conseguimos perceber as profundidades que alguns episódios nos proporcionam. Todos, numa visão periférica, condenam Fernanda pela sua frivolidade, mau caratice, ao atrapalhar a vida e os amores de seu irmão Fred. Na verdade o que se passa são dois processos complementares: a tragédia grega, farta em incestos e a psicologia feminina, que não resiste jamais a interferir no destino de um menino frágil , dócil e sempre á disposição de um estrupo psicológico ou passional. Paraiso Tropical ousa em muitos sentidos. De um lado colocando um casal gay com a serenidade de uma núpcia burguesa, sem atritos e sem paixão e, por outro, uma relação incestuosa completamente apaixonada, sem qualquer escrúpulo diante da proximidade sanguínea que caracteriza o incesto. Fred se insurge contra a irmã por uma razão moralista, contra a artimanha montada para tirar-lhe a namorada. Não demonstra nenhum horror ao incesto, mas aos atos praticados por Fernanda. Que mulher resistiria aquele jovem ingênuo, pedindo socorro em cada movimento dos braços, das pernas, do olhar. A tentação de dominação desse personagem lunar é clássica na psicologia. Mateus, personagem solar, aberto às alegrias e com uma expressão ainda não definida, apenas beleza, desperta tesão nas mulheres. Não é nem grego nem freudiano. Fred é o protótipo do tolo devassável.
Gilberto Braga é o Flaubert da telenovela. Verdade que o universo de Flaubert era bem mais reduzido. Bovary frívola, em seus devaneios, enfrentava toda a caretice da sociedade burguesa para realizar seus sonhos e suas fantasias. A aristocracia materializada num príncipe a cavalo. O desejo decorrente, para substituir a monotonia de uma vida honrada e caseira. O homem insosso contra o exemplar novelístico. Braga conduz os mesmos desejos de consumo e de paixão no caos urbano do” Século XXI” onde a tragédia se condensa entre a favela e o calçadão, geografias da mesma exploração humana.
Nas novelas, nem sempre o solar prevalece sobre o lunar. O importante não é saber quem matou Taís, mas com quem Camila vai ficar. Contudo, prevalece sempre uma linha de sombra,o eclipse, caverna onde a televisão prefere se abrigar.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:

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