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20/08/2007 - 17:57

TUDO O QUE GIRA PARECE FELICIDADE

Horacio Berlinck com sua enorme experiência e amor pela música popular brasileira fez um auditório de terceira geração na FECAP (Fundação Escola de Ccomercio Álvares Penteado) só para abrigar a MPB.

Fui ver o show musical e poético de Arthur Nestrovski. As críticas de Arthur na FSP sempre nos revelaram a qualidade de emoção que os concertos transmitem. Não é um crítico acadêmico, apesar de sua rigorosa formação musical. É um crítico existencialista.

Arthur é além disso muito corajoso ao apresentar-se no palco, na qualidade de compositor, intérprete, letrista e lider da banda. As más linguas sempre dizem que o crítico carrega as maiores frustrações e ressentimentos, geralmente por não tocarem nada do que criticam.

Netrovski com Zé Miguel Wisnick, Celso Sim e Proveta simplesmente arrasam. Com se não bastasse, complementam a banda Marcelo Genessi (teclados e sanfona), Swami Jr (violão sete cordas e baixo) e Sergio Reze (percussão e bateria).

Nesta sexta, sábado e domingo quem viu e ouviu pode considerar-se um privilegiado. Há musica muito alta solta no ar. Há poesias de lembrar Sá Carneiro em todas as canções. Há interpretações inesquecíveis de Celso Sim (confesso que não sabia quem era). Levou o auditório a um êxtase contido quando interpretou a versão brasileira de Schubert, a famosa serenata. Wisnick, compositor requintado, interpretou de maneira comovente suas canções. Sua voz atingiu um grau de comunicação que chega a eletrizar, ele, que nunca foi um cantor profissional. O violão de Arthur ganha um status quase clássico em qualquer das canções. Proveta não precisa da minha opinião, nem da opinião de ninguém, depois de Jobim escrever que só ele estava autorizado a modificar seus arranjos, pois o faria melhor do que ele próprio.Todos conseguiram a mesma elevação, inclusive o solo de piano de Marcelo.
Confesso que, para quem anda tão perplexo com o Brasil, apesar de não se sentir minimamente cansado, foi um alento. A nação felizmente não se afirma apenas na Bolsa de Valores. Um único verso de Wisnick pode significar mais do que algumas ações da Petrobrás.O show, no seu todo, constitui um espetáculo bem mais edificante do que algumas CPIs do Congresso.
O Brasil tem uma alma escondida, indispensável à construção de uma nação, que se manifesta vez ou outra, em gestos individuais e coletivos, em acordes musicais, em discursos desesperados, em hinos cotidianos de sobrevivência.
Não sei se Deus é brasileiro, mas se for tem muito com quem conversar.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:

1 comentário para “”

  1. margarida Cintra Gor disse:

    Foi mesmo demais. Uma emoção! Dois dias depois fui ver a Marisa Monte. Lindo show, mas o do Arthur tocou mais fundo

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