PERDEMOS O BONDE DA OPORTUNIDADE FICAMOS CONDÔMINOS DO SACRIFÍCIO
Nunca houve uma contribuição séria das nações ricas para dirimir a pobreza dos paises pobres no Século XX. As únicas intervenções benéficas se deram dentro dos Estados Unidos com a política de Roosevelt, inspirada em Keynes, para aliviar a miséria decorrente da crise de 29 e preparar o país para um retorno ao desenvolvimento e o Plano Marshall que, depois da guerra promoveu a reconstrução do Japão, país derrotado e de parte da Europa, inclusive a Alemanha, também país derrotado. .
No mais, sobretudo após a guerra fria e a subseqüente queda do Muro de Berlim, a globalização, alicerçada em uma economia aberta, neoliberal, patrocinada pelo FMI, pela academia, pelas nações desenvolvidas, pela mídia e aceita como fundamento do próprio desenvolvimento, promoveram a maior concentração de rendas da história da humanidade, e uma ciranda de investimentos especulativos e irresponsáveis, ao lado de significativos índices de crescimento econômico bruto.
Nos Estados Unidos, a economia pública foi comprometida pela orientação de Bush: investir em gastos absurdos para promover guerras; diminuir a taxação dos ricos; permitir a ampliação de um perigoso déficit comercial e garantir bons negócios para os financiadores de campanha. Nem o Império Romano agüentaria. No campo privado foi feito um irresponsável e temerário estímulo ao uso do patrimônio imobiliário como garantia de financiamentos para o consumo conspícuo dos cidadãos.
Detonada a crise, oriunda dessas e outras causas, que já afeta todo o mundo, inclusive o Brasil, os Bancos Centrais, que nunca ajudaram os paises ou cidadãos de países pobres, premiam com sua ajuda, os especuladores temerários, que emprestaram sem garantias.
Não há fundamentos que garantam esse circuito de vícios, paradoxalmente condenados pela própria ortodoxia econômica, só aplicada, de fato, entre os pobres.
Ainda que a sustentação das commodities possa aliviar a situação dos paises dependentes, como o Brasil, a lição é e será dolorosa.
Perdemos o bonde da oportunidade e somos condôminos do sacrifício.