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28/07/2007 - 19:38

CULTURA E RECOMENDAÇÕES

NÃO PERCA O ALEIJADINHO NO CCBB

Quando o BARROCO É MAIS BARROCO

Desde a grande exposição de Bia Lessa, na qual as melhores obras barrocas brasileiras ficaram expostas como flores num canteiro de papel, de cores insinuantes e tentadoras, sentimos vontade de avaliar as obras primas do barroco nacional com olhos em zoom, De perto. Com olhos críticos. Vendo e avaliando.
O CCBB (Cento Cultural Banco do Brasil) sabe fazer essas coisas. De Tunga a Aleijadinho, suas curadorias sempre foram primorosas. A CCBB criou um pulmão de inteligência no centro histórico de São Paulo, naquele edifício belo e bem acabado, que já abrigou o Banco Alemão, o Banco do Brasil e hoje é centro cultural.
Fábio Magahães, curador da exposição barroca, sabe ver e fazer. Tem o rigor de colocar cada objeto artístico no seu lugar, para contemplação e avaliação. Tem a consciência republicana de que arte é um valor público e que todas as suas manifestações devem promover a consciência crítica do cidadão, além da mera fruição estética.
Tome o METRO. Vá de ónibus. A pé. E mesmo de carro. Tem estacionamento perto, embora poucos. São 50 metros, de agradável caminhada até a exposição. No largo do Tesouro vc. encontra o Rei dos cachorros quentes. E conhece o centro, essa joia esquecida da república.

RECOMENDAÇÕES PARA UM JOVEM SAIR DA IGNORÂNCIA

1. FREQUENTAR FESTIVAIS LITERÁRIOS

JULHO EM PARATY JÁ É UMA FESTA

Não há muitos festivais literários no Brasil, mas a FLIP, de Paraty é imperdível. Imagine vc passear num cidade histórica, cheia de gente incrementada na rua, porque todo mundo se produz para ir a um festival literário. Vc cruza um Prêmio Nobel, um Pullitzer, um Jabuti, um Principe Asturias e mesmo um Booker Award. São escritores famosos que já embolçaram essas glórias e sua recompensas materiais. Nobel, mais oumenos 1 milhõ de dólares.
Vc se aproxima e pede um autógrafo. Se vc tiver a timidez de um robot receberá um belo autógrafo. O que os escritores não gostam é de perguntas, sobretudo de perguntas idiotas. Uma vez uma jornalista foi entrevistar a Ligia Fagundes Telles e lhe perguntou: – O que a senhora faz, mesmo? A que a Ligia respondeu:- Minha filha, eu faço tricot, e nas horas vagas escrevo livros, quando não estou brincando com meu gato.
Mas o escritor prefere dar autrógrafos em seus livros, não em guardanapos de restaurante.

COMO SE VESTIR NUM FESTIVAL

Outra coisa. Não se vista com roupas atléticas em festivais, do tipo abrigo de fazer cooper, camisetas olímpicas, ou qualquer camiseta com propaganda de produtos, universidades etc. Vc deve usar calças esportes, o que é difícil deescolher. Invista num bom jeans. Dá conta de qualquer festival. Use camisas polo ou mesmo camiseta. Pode ter um frase de Lorca, discreta. É como tatuagem, precisa ser sutil e estar no lugar certo. Vc decididamente não é um outdoor, nem muro de pichadores . Vc é uma tela de carne e osso que exige estética e respeito. Tenho a impressão de que o corpo é careta. Gosta muito dos traços de Michelangelo. As mulheres tem mais opções: de Mary Quant a Maria Bonita vale tudo, desde que combine com o corpo. Não há nada mais ridículo do que uma mini saia envolvendo um barril. Pega bem um chapéu de palha, até em mulheres feias.

AS GRANDES MESAS DA FLIP

Vc. pode não ter hábitos de leitura, pode desconhecer completamente os autores.
Vc terá surpresas quando entrar na grande tenda das mesas literárias (que exigem reservas e verbas) ou mesmo no tendão da praça matriz, com telão digital e preços módicos. Com a diferença, na esquina, vc come pasteis inesquecíveis, uma verdadeira enciclopédia de camarões.
No palco, esses escritores famosos, geralmente inacessíveis, pois cobram 40 mil dólares para uma conferência em outras praças, estão ali, tranquilamente lendo páginas escolhidas de seu livro mais recente. Debatem, discutem e respondem perguntas do público mais que distinto. Respondem às questões do medidador, mas o melhor é quando estabelecem um diálogo entre eles próprios. Na FLIP 2007, o diálogo entre Nadine Gordimer e Amós OZ, foi sublime. Porque? Porque cada um falava do seu mundo, cruel, mas humano, terrível, mas com esperanças. Quando Amós afirmou que quando era criança queria ser escritor e bombeiro, Nadine replicou: – Pois você é as duas coisas.

AS FESTAS E AS RESERVAS

Cada dia, cada mesa é um novo deleite, mesmo quando o impecável Nobel , Coetzee, faz sua palestra num púlpito, sem interlocutores, sem responder perguntas, como se a sua ossatura estivesse sempre respaldada por uma casaca. Dai ele começa a ler as reflexões duras e brandas de seu próximo livro. Ganhamos pelo menos dois anos de universidade em 1 hora de leitura.

Mas nem só de Nobeis vive o frequentador de festivais. Geralmente tem um blend de Cacaso, Lobão e Jabor vociferando 30 anos de psicanálise e lucidez, com um escarnio histriônico e literário.
Ainda há as festas para as quais voce pode ou não ser convidado. Não importa, tudo é festa no coração. A festa mais grifada é a do principe herdeiro, D. João (zinho), simpático fotógrafo, que em cinco minutos e uma caipirinha nos dá todos os argumentos pelos quais o Brasil deveria ser uma monarquia parlamentar. Sua casa tem nobreza apesar da festa ser patrocinada pela TIM e não haver mesa para todos os convidados. As reminiscências e as alfaias do Império, cativam nosso olhar plebeu.
Recomenda-se reservar entradas com antecedência para as mesas, reservar-se alguma pousada, pensão, hotel, casa de familia, barraca em Trindade ou pegar carona na casa de algum elegante, na cidade histórica ou em Larangeiras.
Do pastel ao Refugio há culinária para todo gosto e todo preço. Comer doces nas barraquinhas não mata, não engorda e lhe dá oportunidade para comer uma cocada queimada ao lado de Urriaga, roteirista do filme Babel

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:

4 comentários para “CULTURA E RECOMENDAÇÕES”

  1. Amilton disse:

    Sr. Jorge, o sr. como uma pessoa muito bem esclarecida, que é, poderia colocar o teu ponto de vista com relação ao “movimento cansei”? Gostaria de ter uma referência sobre o assunto, estou confuso. Obrigado!

  2. jorgedacunhalima disse:

    Oi.
    Já fiz meu comentário. Está em POLITICA. jorge

  3. teste disse:

    teste

  4. Gabriela Cuzzuol Rib disse:

    Prezado Sr. Jorge, meu nome é Gabriela, sou jornalista e gostaria de lhe enviar um e-mail.
    Seria muita cara-de-pau solicitar o endereço?
    Muito obrigada,
    Gabriela
    gabiegee@hotmail.com

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