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QUEM NÃO TEM MEDO DE VAIA?
Sei o que é isso, sem nunca ter sido presidente da república. Uma vez, numa reunião em que se discutia precocemente a idéia das eleições diretas, em São Bernardo do Campo, fui representar o Montoro, recém eleito diretamente governador de São Paulo. Estavam lá D. Paulo Evaristo e muitos líderes do PT e do PcdoB. Quando anunciaram meu nome para falar, o pessoal do PT deu uma vaia que durou uns quatro minutos. Só a interrompeu quando o presidente da UNE, do PC do B, gritou que todos tinham direito de falar, na democracia. A casa silenciou, os petistas viraram-se de costas e eu comecei a falar. Confesso que o frio na barriga era devastador, um misto de tristeza e adrenalina ás avessas. Recompuz-me e falei sobre ” as doenças infantis da esquerda”, inspirado num enorme cartaz de Lenine, que enfeitava as paredes.
No Maracanã vaiam até os “dois minutos de silêncio” , segundo o grande Nelson Rodriguez. Mesmo assim, o presidente, que soltou uma grana enorme para viabilizar o PAN, ficou mais que triste, chocado. Lula está acostumado ao triunfo e à reverência devida a um presidente, sobretudo a um presidente que ” veio do nada”, como a burguesia costuma referir-se aos muito pobres.
Os dissabores em política produzem dois efeitos, uma avaliação generosa ou um ressentimento , sempre perigoso. Lula está nessa encruzilhada. Ou sai dessa sózinho como costuma fazer com eficiência ou aceita o conselho dos áulicos e investe contra os eventuais responsáveis pela falta de educação de 60 mil pessoas.
É impossível não comentar essa vaia e muito difícil analisá-la com isenção.
Vejamos. O estádio estava repleto de gente que pagou e representava uma classe media e uma alta, bem informadas sobre as questões de conjuntura, embora sem maior aprofundamento das mesmas. Não era difinitivamente aquela massa de gente que recebe bolsa familia. Todos os presentes estão a par, pela insistência com que as coisas se repetem, dos atos de vandalismo moral praticados contra os cofres da república e denunciados pela própria Polícia Federal. Nunca ninguém sabe se as acusações acabarão em pizza parlamentar ou liminares favoráveis da justiça. Mas fica em todos uma revolta contra os acontecimentos e seus protagonistas.
Lula tem sido muito condescendente com todos, sejam os amigos do PT, sejam os companheiros, de partidos alinhados. A vaia do Maracanã não foi para o trabalhador que virou presidente, para o presidente que ajuda os miseráveis, nem para o governante que viabiliza a tão sonhada realização do PAN. A vaia foi para os sujeitos ocultos na condescendência de Lula, que vão de Renan até aquele idota que recebeu um paco de 2 mil reais na frente da televisão. Será essa vaia também, uma doença infantil da classe média?

Adorei. Acho tudo isso mesmo.Parabéns!
ESTOU DE PLENO ACORDO COM TAL COMENTÁRIO.MAS OLHA ESSAS PESSOAS “CLASSE MÉDIA” MAS DE UMA MÁ EDUCAÇÃO ALTISSIMA, E EXTREMAMENTE DESAGRADAVEIS…DEPOIS FALAM DOS POBRES.
Sr. Jorge, o sr. já leo OS CABEÇAS DE PLANILHA?
O Brasil sempre governado pela classe média /alta, portanto não tem base moral, mesmo porque, a classe média deveria saber discernir o momento político de um momento festivo do esporte, onde atletas e organizadores, voluntários, suaram para que tudo fosse lindo, e que mereciam uma semana ou um mês de destaque na imprensa. Foram ofuscados mna mídia pelas vaias. Achei desrespeitoso com os partiipantes e organizadores. O presidente ao calar demonstrou cuidado com a Nação e o sentimento como humano de chorar. Não foi hipócrita, mostrou o que sente.
Felizmente meu repertório é realmente bem menor que o seu, principalmente em se tratando de levar instituições fortes e renomadas para o buraco. Quem salvou a Fundação Cásper Libero, depois do seu tsunami foi Sérgio Felipe, que permanece lá até hoje. É só checar nos arquivos da mídia e com os sobreviventes do desastre. Quanto à Cultura, você ainda permanece por lá, mas com cargo de presidente do Conselho. Cargo este remunerado com dinheiro público. Aliás, essa função foi muito discutida pela Folha de S.Paulo e por alguns deputados da Assembléia Legislativa, que até tentou abrir uma CPI. Assim, é óbvio que você prefira mesmo a opinião dos seus colegas de conselho que o reelegeram. São iguais a você. E tem mais: é estranho que um cidadão que se diz intelectual e tenha espaço em blog tido como de cultura escreva “porisso” unindo duas palavras da nossa língua portuguesa. POR ISSO se escreve separado. Pelo jeito você não aprendeu nada nem com o bom Pasquale.