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17/07/2007 - 15:04

VAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIA

QUEM NÃO TEM MEDO DE VAIA?

Sei o que é isso, sem nunca ter sido presidente da república. Uma vez, numa reunião em que se discutia precocemente a idéia das eleições diretas, em São Bernardo do Campo, fui representar o Montoro, recém eleito diretamente governador de São Paulo. Estavam lá D. Paulo Evaristo e muitos líderes do PT e do PcdoB. Quando anunciaram meu nome para falar, o pessoal do PT deu uma vaia que durou uns quatro minutos. Só a interrompeu quando o presidente da UNE, do PC do B, gritou que todos tinham direito de falar, na democracia. A casa silenciou, os petistas viraram-se de costas e eu comecei a falar. Confesso que o frio na barriga era devastador, um misto de tristeza e adrenalina ás avessas. Recompuz-me e falei sobre ” as doenças infantis da esquerda”, inspirado num enorme cartaz de Lenine, que enfeitava as paredes.
No Maracanã vaiam até os “dois minutos de silêncio” , segundo o grande Nelson Rodriguez. Mesmo assim, o presidente, que soltou uma grana enorme para viabilizar o PAN, ficou mais que triste, chocado. Lula está acostumado ao triunfo e à reverência devida a um presidente, sobretudo a um presidente que ” veio do nada”, como a burguesia costuma referir-se aos muito pobres.
Os dissabores em política produzem dois efeitos, uma avaliação generosa ou um ressentimento , sempre perigoso. Lula está nessa encruzilhada. Ou sai dessa sózinho como costuma fazer com eficiência ou aceita o conselho dos áulicos e investe contra os eventuais responsáveis pela falta de educação de 60 mil pessoas.
É impossível não comentar essa vaia e muito difícil analisá-la com isenção.
Vejamos. O estádio estava repleto de gente que pagou e representava uma classe media e uma alta, bem informadas sobre as questões de conjuntura, embora sem maior aprofundamento das mesmas. Não era difinitivamente aquela massa de gente que recebe bolsa familia. Todos os presentes estão a par, pela insistência com que as coisas se repetem, dos atos de vandalismo moral praticados contra os cofres da república e denunciados pela própria Polícia Federal. Nunca ninguém sabe se as acusações acabarão em pizza parlamentar ou liminares favoráveis da justiça. Mas fica em todos uma revolta contra os acontecimentos e seus protagonistas.
Lula tem sido muito condescendente com todos, sejam os amigos do PT, sejam os companheiros, de partidos alinhados. A vaia do Maracanã não foi para o trabalhador que virou presidente, para o presidente que ajuda os miseráveis, nem para o governante que viabiliza a tão sonhada realização do PAN. A vaia foi para os sujeitos ocultos na condescendência de Lula, que vão de Renan até aquele idota que recebeu um paco de 2 mil reais na frente da televisão. Será essa vaia também, uma doença infantil da classe média?

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:

5 comentários para “VAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIA”

  1. Souza disse:

    Adorei. Acho tudo isso mesmo.Parabéns!

  2. REGI disse:

    ESTOU DE PLENO ACORDO COM TAL COMENTÁRIO.MAS OLHA ESSAS PESSOAS “CLASSE MÉDIA” MAS DE UMA MÁ EDUCAÇÃO ALTISSIMA, E EXTREMAMENTE DESAGRADAVEIS…DEPOIS FALAM DOS POBRES.

  3. Teco disse:

    Sr. Jorge, o sr. já leo OS CABEÇAS DE PLANILHA?

  4. Maria disse:

    O Brasil sempre governado pela classe média /alta, portanto não tem base moral, mesmo porque, a classe média deveria saber discernir o momento político de um momento festivo do esporte, onde atletas e organizadores, voluntários, suaram para que tudo fosse lindo, e que mereciam uma semana ou um mês de destaque na imprensa. Foram ofuscados mna mídia pelas vaias. Achei desrespeitoso com os partiipantes e organizadores. O presidente ao calar demonstrou cuidado com a Nação e o sentimento como humano de chorar. Não foi hipócrita, mostrou o que sente.

  5. paulo cezar disse:

    Felizmente meu repertório é realmente bem menor que o seu, principalmente em se tratando de levar instituições fortes e renomadas para o buraco. Quem salvou a Fundação Cásper Libero, depois do seu tsunami foi Sérgio Felipe, que permanece lá até hoje. É só checar nos arquivos da mídia e com os sobreviventes do desastre. Quanto à Cultura, você ainda permanece por lá, mas com cargo de presidente do Conselho. Cargo este remunerado com dinheiro público. Aliás, essa função foi muito discutida pela Folha de S.Paulo e por alguns deputados da Assembléia Legislativa, que até tentou abrir uma CPI. Assim, é óbvio que você prefira mesmo a opinião dos seus colegas de conselho que o reelegeram. São iguais a você. E tem mais: é estranho que um cidadão que se diz intelectual e tenha espaço em blog tido como de cultura escreva “porisso” unindo duas palavras da nossa língua portuguesa. POR ISSO se escreve separado. Pelo jeito você não aprendeu nada nem com o bom Pasquale.

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