Arquivo de julho, 2007
28/07/2007 - 19:38
NÃO PERCA O ALEIJADINHO NO CCBB
Quando o BARROCO É MAIS BARROCO
Desde a grande exposição de Bia Lessa, na qual as melhores obras barrocas brasileiras ficaram expostas como flores num canteiro de papel, de cores insinuantes e tentadoras, sentimos vontade de avaliar as obras primas do barroco nacional com olhos em zoom, De perto. Com olhos críticos. Vendo e avaliando.
O CCBB (Cento Cultural Banco do Brasil) sabe fazer essas coisas. De Tunga a Aleijadinho, suas curadorias sempre foram primorosas. A CCBB criou um pulmão de inteligência no centro histórico de São Paulo, naquele edifício belo e bem acabado, que já abrigou o Banco Alemão, o Banco do Brasil e hoje é centro cultural.
Fábio Magahães, curador da exposição barroca, sabe ver e fazer. Tem o rigor de colocar cada objeto artístico no seu lugar, para contemplação e avaliação. Tem a consciência republicana de que arte é um valor público e que todas as suas manifestações devem promover a consciência crítica do cidadão, além da mera fruição estética.
Tome o METRO. Vá de ónibus. A pé. E mesmo de carro. Tem estacionamento perto, embora poucos. São 50 metros, de agradável caminhada até a exposição. No largo do Tesouro vc. encontra o Rei dos cachorros quentes. E conhece o centro, essa joia esquecida da república.
RECOMENDAÇÕES PARA UM JOVEM SAIR DA IGNORÂNCIA
1. FREQUENTAR FESTIVAIS LITERÁRIOS
JULHO EM PARATY JÁ É UMA FESTA
Não há muitos festivais literários no Brasil, mas a FLIP, de Paraty é imperdível. Imagine vc passear num cidade histórica, cheia de gente incrementada na rua, porque todo mundo se produz para ir a um festival literário. Vc cruza um Prêmio Nobel, um Pullitzer, um Jabuti, um Principe Asturias e mesmo um Booker Award. São escritores famosos que já embolçaram essas glórias e sua recompensas materiais. Nobel, mais oumenos 1 milhõ de dólares.
Vc se aproxima e pede um autógrafo. Se vc tiver a timidez de um robot receberá um belo autógrafo. O que os escritores não gostam é de perguntas, sobretudo de perguntas idiotas. Uma vez uma jornalista foi entrevistar a Ligia Fagundes Telles e lhe perguntou: – O que a senhora faz, mesmo? A que a Ligia respondeu:- Minha filha, eu faço tricot, e nas horas vagas escrevo livros, quando não estou brincando com meu gato.
Mas o escritor prefere dar autrógrafos em seus livros, não em guardanapos de restaurante.
COMO SE VESTIR NUM FESTIVAL
Outra coisa. Não se vista com roupas atléticas em festivais, do tipo abrigo de fazer cooper, camisetas olímpicas, ou qualquer camiseta com propaganda de produtos, universidades etc. Vc deve usar calças esportes, o que é difícil deescolher. Invista num bom jeans. Dá conta de qualquer festival. Use camisas polo ou mesmo camiseta. Pode ter um frase de Lorca, discreta. É como tatuagem, precisa ser sutil e estar no lugar certo. Vc decididamente não é um outdoor, nem muro de pichadores . Vc é uma tela de carne e osso que exige estética e respeito. Tenho a impressão de que o corpo é careta. Gosta muito dos traços de Michelangelo. As mulheres tem mais opções: de Mary Quant a Maria Bonita vale tudo, desde que combine com o corpo. Não há nada mais ridículo do que uma mini saia envolvendo um barril. Pega bem um chapéu de palha, até em mulheres feias.
AS GRANDES MESAS DA FLIP
Vc. pode não ter hábitos de leitura, pode desconhecer completamente os autores.
Vc terá surpresas quando entrar na grande tenda das mesas literárias (que exigem reservas e verbas) ou mesmo no tendão da praça matriz, com telão digital e preços módicos. Com a diferença, na esquina, vc come pasteis inesquecíveis, uma verdadeira enciclopédia de camarões.
No palco, esses escritores famosos, geralmente inacessíveis, pois cobram 40 mil dólares para uma conferência em outras praças, estão ali, tranquilamente lendo páginas escolhidas de seu livro mais recente. Debatem, discutem e respondem perguntas do público mais que distinto. Respondem às questões do medidador, mas o melhor é quando estabelecem um diálogo entre eles próprios. Na FLIP 2007, o diálogo entre Nadine Gordimer e Amós OZ, foi sublime. Porque? Porque cada um falava do seu mundo, cruel, mas humano, terrível, mas com esperanças. Quando Amós afirmou que quando era criança queria ser escritor e bombeiro, Nadine replicou: – Pois você é as duas coisas.
AS FESTAS E AS RESERVAS
Cada dia, cada mesa é um novo deleite, mesmo quando o impecável Nobel , Coetzee, faz sua palestra num púlpito, sem interlocutores, sem responder perguntas, como se a sua ossatura estivesse sempre respaldada por uma casaca. Dai ele começa a ler as reflexões duras e brandas de seu próximo livro. Ganhamos pelo menos dois anos de universidade em 1 hora de leitura.
Mas nem só de Nobeis vive o frequentador de festivais. Geralmente tem um blend de Cacaso, Lobão e Jabor vociferando 30 anos de psicanálise e lucidez, com um escarnio histriônico e literário.
Ainda há as festas para as quais voce pode ou não ser convidado. Não importa, tudo é festa no coração. A festa mais grifada é a do principe herdeiro, D. João (zinho), simpático fotógrafo, que em cinco minutos e uma caipirinha nos dá todos os argumentos pelos quais o Brasil deveria ser uma monarquia parlamentar. Sua casa tem nobreza apesar da festa ser patrocinada pela TIM e não haver mesa para todos os convidados. As reminiscências e as alfaias do Império, cativam nosso olhar plebeu.
Recomenda-se reservar entradas com antecedência para as mesas, reservar-se alguma pousada, pensão, hotel, casa de familia, barraca em Trindade ou pegar carona na casa de algum elegante, na cidade histórica ou em Larangeiras.
Do pastel ao Refugio há culinária para todo gosto e todo preço. Comer doces nas barraquinhas não mata, não engorda e lhe dá oportunidade para comer uma cocada queimada ao lado de Urriaga, roteirista do filme Babel
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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22/07/2007 - 20:22
SARKOZY E A CULTURA NA FRANÇA
Segundo EL MERCURIO, magnífico jornal diário do Chile, Sarkozy, o novo presidente de direita da França, está sacudindo todas as poeiras. Colocou gente do partido socialista no governo e acaba de nomear Jack Lang, o famoso ex-ministro da Cultura, num cargo encarregado de repensar as instituições, uma espécie de Ministério do Futuro, como aqui se pretende ser a sinecura conferida ao Mangabeira Unger. Jack lang nunca desapontou em nenhum cargo que lhe foi conferido na França.
Mas EL MERCURIO se indaga: será Sarkozy capaz de rodar a baiana na cultura francesa? Ainda não há uma resposta. Mas Sarcozy, no mínimo, manterá a política criada por André Malraux, o grande criador do ministério da cultura francês. Malraux criou os grandes espaços culturais no interior e na capital. Jack Lang popularizou a cultura com os grandes festivais artísticos. O ministério já conta com 1% do orçamento nacional, cerca de 3 bilhões de euros. Sarkozy quer aumentar a participação, criar maior acesso à cultura e às artes, hoje na casa dos 10% da população. Enfim, a cultura que foi o primo pobre da campanha eleitoral, sem maiores menção na plataforma dos candidatos, está buscando compensar o espaço perdido.
No Brasil, apesar do prestigio, do esforço e de uma equipe obstinada, Gil não consegue nem pagar os salários. As instituições culturais estão em greve e o orçamento está longe do 1% prometido por Tancredo, antes de morrer.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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21/07/2007 - 16:56
TVS PUBLICAS DEFINEM SEU DESTINO FACE À TV PÚBLICA NACIONAL
As 18 televisões públicas estaduais, associadas da ABEPEC (Associação Brasileira de Televisões Públicas) reunidas em Brasília, decidiram por unanimidade, uma plataforma de atitudes que deverão nortear o presidente da instituição que substituirá Jorge da Cunha Lima e que foi eleito na mesma Assembléia.
A ABEPEC deverá ser o principal interlocutor do governo federal no relacionamento com a futura TV Pública Nacional e subsequente montagem de uma rede pública de televisão.
A ABEPEC deverá fixar a sua estratégia em função da nova conjuntura da televisão pública no Brasil, envolvendo as seguintes questões e providências:
-Relacionamento com a TV Pública Nacional
-Estudo de uma grade de programação e conteúdos adequados à missão da TV PÚBLICA.
-Busca de financiamento comum para a transição digital junto aos orgãos públicos de financiamento.
-Ação junto aos governadores e patronos das televisões estaduais para o aperfeiçoamento de suas estruturas jurídicas e institucionais, nos padrões sugeridos pelo Forum Nacional de Televisões Püblicas.
-A ABEPEC deverá efetuar o seu próprio aperfeiçoamento, com a eleaboração de um Regimento Interno, que interprete e facilite a observância dos Estatutos.
-A ABEPEC deverá colaborar com a realização do Forum de Programação a ser realizado no mês de Agosto na Bahia, sob coordenação da associada baiana.
-A ABEPEC reconhece que ainda não há, mas deve ser perseguido, um modelo público de televisão ideal, e que a formação de um conselho não é suficiente para caracteriza-lo.Não apenas esse conselho deve representar o controle da sociedade, como a instituição deve receber do oder público recursos orçamentários estáveis para o custeio e manutenção da emissora
- O documento norteador da ABEPEC doravante deverá ser o Manifesto de Brasília, produzido recentemente pelo Forum Nacional de Televisões Püblicas.
PRESIDENTE DA REDE MINAS É ELEITO PRESIDENTE DA ABEPEC
Com a maioria dos 15 votos presentes e abstenção de 3 eleitores que se retiraram do pleito, Antonio Achillis, foi eleito presidente juntamente com uma chapa composta por dois diretores e três vice presidentes: Dir. Secretario – Waldemar Rodrigues Lima Jr. (Tocantins), Dir. Tesoureiro – Marcos Alencar (Espirito Santo), Vice. Programação – Paulo Ribeiro (Bahia), Vice. Tecnologia- Aureo Mafra de Moraes (Sta. Catarina), Vice. Marketing- Indira Pereira Amaral (Sergipe).
Os novos eleitos foram empossados no mesmo dia 19 pelo presidente jorge da Cunha Lima.
MINISTRO FRANKLIN MARTINS REUNE-SE COM TELEVISÕES PÚBLICAS
No Dia 20 de julho, no auditório da SECOM, Franklin Martins reuniu-se com todos os presidentes de televisões públicas e com os presidentes da ABTU e ABCOM, apesar dos seus copromissos devidos à morte do Senador Antonio Carlos Magalhães e do pronunciamento de Lula sobre o desastre da TAM.
Franklin falou sobre os três maiores problemas da nova rede: modelo de gestão, financiamento e constituição da rede.
Quanto ao dinheiro ainda não há uma formulação definitiva, posto que os agentes fianceiros do governo, já advertiram que “sentar em cima do cofre é um hábito indestrutível dos ministros da fazenda”.
Quanto ao modelo de Conselho a ser constituído afirmou que deverá ser menor do que o da Cultura, só terá representação minoritária do governo e personalidades representativas de classes sociais, culturais e geográficas diversas, em número não superior a vinte pessoas.
Quanto à formatação da rede, o grupo gestor aguardará uma proposta da ABEPEC a ser coordenada por Jorge da Cunha Lima, antes de formatar o modelo de rede a ser criada. Essa proposta deverá ser encaminhada em vinte dias.
Após todas essas providências o governo federal encaminhará uma Medida Provisória ao Congresso criando o novo sistema de televisão pública, que inclui o modelo da nova Televisão Pública Nnacional.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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18/07/2007 - 00:23
FALO COM UM SENTIMENTO DE REVOLTA
Não quero esperar as investigações. Quero aproveitar a minha indignação quase ódio, diante de 177 corpos carbonizados dentro do avião e ainda outros dentro do hangar da TAM. Quero manifestar minha revolta diante da impávida e inclita figura do Ministro da Defesa Waldir Pires, que encantou minha adolescência e se desfigura na minha maturidade. Quero saber onde andam os presidentes da Infraero, da ANAC, o Ministro da Aeronautica e todos os chefes dos seus gabinetes blindados.
Ontem um avião da Planalto derrapou na pista. Ontem um avião da TAM consultou a Torre sobre se a pista estava escorregadia. Levemente, respondeu a Torre. Quando aterrisou o piloto constatou que estava violentamente escorregadia. Alguns minutos antes do acidente a Torre consultou a Infraero sobre se devia ou não fechar a pista. Responderam que a medição de água na pista não recomendava o fechamento do aeroporto de Congonhas. Alguns minutos depois tenta aterrisar o avião da TAM. Acontece o que aconteceu. Ninguém sabe como. Com grande velocidade, talvez tentando arremeter para evitar a tragédia, o avião sobrevoa a Washington Luiz e vai de encontro, irônico e patético contra um edificio da TAM. Explode. Incendeia.
Isso tudo pode ser mentira e eu até ser processado por difamação institucional. Isso porém não tira de mim, uma vaia enrustida, um grito preso no ar, um uivo feroz contra a negligência.
É claro que a pista estava ruim. É claro que foi reformada. É claro que não fizeram as ranhuras. É claro que a vizinhança está cheia de edificios e pessoas insones e temerosas. É claro que um aeroporto localizado em local privilegiado, mas com riscos, não pode entrar para o guinness diário de decolagens.
A vida humana não vale mais nada.
As estradas esburacadas matam mais do que a guerra do Iraque.
A violência urbana mata mais jovens do que a guerra do Iraque.
Parece que só há uma meta clara nos quadros do legislativo, do executivo, do judiciário, da iniciativa privada, dos fundos, das agências, dos bancos, dos mercados, das universidades, das igrejas, da industria, do comercio e dos serviços: realizar lucros, produzir dinheiro, muito dinheiro, a qualquer preço.
Daqui alguns meses, depois de abrirem a caixa preta do avião, não a da nação, poderão até dizer que o piloto é o culpado. Mas o piloto estára morto para testemunhar
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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17/07/2007 - 15:04
QUEM NÃO TEM MEDO DE VAIA?
Sei o que é isso, sem nunca ter sido presidente da república. Uma vez, numa reunião em que se discutia precocemente a idéia das eleições diretas, em São Bernardo do Campo, fui representar o Montoro, recém eleito diretamente governador de São Paulo. Estavam lá D. Paulo Evaristo e muitos líderes do PT e do PcdoB. Quando anunciaram meu nome para falar, o pessoal do PT deu uma vaia que durou uns quatro minutos. Só a interrompeu quando o presidente da UNE, do PC do B, gritou que todos tinham direito de falar, na democracia. A casa silenciou, os petistas viraram-se de costas e eu comecei a falar. Confesso que o frio na barriga era devastador, um misto de tristeza e adrenalina ás avessas. Recompuz-me e falei sobre ” as doenças infantis da esquerda”, inspirado num enorme cartaz de Lenine, que enfeitava as paredes.
No Maracanã vaiam até os “dois minutos de silêncio” , segundo o grande Nelson Rodriguez. Mesmo assim, o presidente, que soltou uma grana enorme para viabilizar o PAN, ficou mais que triste, chocado. Lula está acostumado ao triunfo e à reverência devida a um presidente, sobretudo a um presidente que ” veio do nada”, como a burguesia costuma referir-se aos muito pobres.
Os dissabores em política produzem dois efeitos, uma avaliação generosa ou um ressentimento , sempre perigoso. Lula está nessa encruzilhada. Ou sai dessa sózinho como costuma fazer com eficiência ou aceita o conselho dos áulicos e investe contra os eventuais responsáveis pela falta de educação de 60 mil pessoas.
É impossível não comentar essa vaia e muito difícil analisá-la com isenção.
Vejamos. O estádio estava repleto de gente que pagou e representava uma classe media e uma alta, bem informadas sobre as questões de conjuntura, embora sem maior aprofundamento das mesmas. Não era difinitivamente aquela massa de gente que recebe bolsa familia. Todos os presentes estão a par, pela insistência com que as coisas se repetem, dos atos de vandalismo moral praticados contra os cofres da república e denunciados pela própria Polícia Federal. Nunca ninguém sabe se as acusações acabarão em pizza parlamentar ou liminares favoráveis da justiça. Mas fica em todos uma revolta contra os acontecimentos e seus protagonistas.
Lula tem sido muito condescendente com todos, sejam os amigos do PT, sejam os companheiros, de partidos alinhados. A vaia do Maracanã não foi para o trabalhador que virou presidente, para o presidente que ajuda os miseráveis, nem para o governante que viabiliza a tão sonhada realização do PAN. A vaia foi para os sujeitos ocultos na condescendência de Lula, que vão de Renan até aquele idota que recebeu um paco de 2 mil reais na frente da televisão. Será essa vaia também, uma doença infantil da classe média?
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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16/07/2007 - 19:24
FHC NO MEMORIAL DA A.L.- SENTIMOS SAUDADES DE MONTORO
No seminário em memória de Franco Montoro, FHC reconheceu que Montoro foi o mestre de toda uma geração que produziu secretários de Estado, prefeitos, governadores e até um presidente da República. Fez um emocionante relato sobre a coerência e a influência de Montoro. Inclusive falou de sua teimosia, quando insistiu numa campanha das diretas e num comício da Sé quando todo mundo era contra. Teimosia que insistiu na eleição indireta de Tancredo, contra a opinião de Ulisses, mas cedendo seu próprio lugar ao candidato mineiro. Concluí que Montoro foi mesmo um político que não se encontra mais hoje em dia em nosso pobre parlamento.
Falou ainda Eduardo Muylaert, num eloquente depoimento sobre o Montoro – professor de direito. Percebemos que foi na opção pela justiça que Montoro embasou toda a sua filosofia política.
Para terminar a sessão inaugural, presidida pelo secretário José Aristodemo Pinotti, o embaixador Rubens Barbosa deu um testemunho sobre o papel de Montoro na tentativa de unificação da América Latin e a liderança de Montoro junto aos grandes líderes social democratas e democrata-cristãos do mundo, no período da redemocratização do ocidente e do Brasil.
O Lessa está dando uma nova vida ao Memorial, abrindo o espaço para a história, para o debate , para as artes e para uma maior integração política e cultural da América Latina.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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13/07/2007 - 15:44
BOAS NOTÍCIAS NA SECRETARIA DO MEIO AMBIENTE
As vêzes temos boas notícias. Em almoço do Viva o Centro com o Secretário Municipal do Meio Ambiente, Eduardo Jorge, ouvimos que São Paulo tem apenas 15 milhões de ms² de parque. A boa notícia é que vamos dobrar essa cifra. São Paulo precisa de 30 milhões, principalmente nos bairros da periferia.
Há duas oportunidades concretas e até mesmo em andamento. Aproveitar um terrêno de 5 milhões de m², da COHAB, inapropriado para construções, mas muito adequado para um parque em região de grandes carências. Outra oportunidade é fazer um grande parque na zona sul, onde o rodoanel se dirige para a Imigrantes. Imaginem: 15 milhões de ms². Isso sem contar pequenas soluções já encaminhadas ao prefeito.
Outra boa notícia é que os diretores dos parques deverão fazer concursos de seleção, em vez de serem nomeados por compadrismo político. Deverão ter título universitário e se transformarem , além de administradores, em verdadeiros animadores culturais e ecológicos dos parques.
A segurança, ainda precária, será feita por um esquema de segurança privada paga pela secretaria.
Os fios elétricos deverão ser embutidos em todos os parques, mas isso depende de uma certa boa vontade das distribuidoras de energia.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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10/07/2007 - 22:42
“ROMA LOCUTA CAUSA FINITA”
Em latim esse título quer dizer: Roma falou, o assunto está encerrado. Pois é assim. O Papa acaba de proclamar, por intermédio do prefeito para questões de doutrina e fé do Vaticano, que a única Igreja de Cristo é a Igreja Católica. Assim, as outras Igrejas Cristãs, mesmo as mais tradicionais, não representam o cristianismo.
Embora ressalvando algumas brechas para o diálogo submisso, o recente documento é uma pá de cal na tentativa de qualquer diálogo entre a Igreja Católica e as outras Igrejas Cristãs.
Mas não é bem essa a questão que eu gostaria de levantar. Quero, como católico, fundador e ex-militante da juventude católica, entender um pouco melhor a questão da doutrina no decurso do tempo. João XXIII fez uma abertura completa da Igreja, que possibilitava um bom diálogo e entendimento entre as igrejas. Um pouco daquela idéias de que todas as fés religiosas têm a vocação de se reencontrarem em Deus. Já em outros tempos mais distantes, com aprovação do Vaticano, os acusados de desvios da fé eram queimados vivos. Será que essas questões, que não são dogmas de fé, são tão variáveis quanto o tempo? E nós, devemos aceitá-las só porque estamos vivos no século XXI, embora tenhamos consolidado nossa participação laica no apostolado hierÁrquico da Igreja, nos anos 60 ? Que papa é infalível? João XXIII ou Bento XVI?
É verdade que o mundo mudou. Naqueles anos de João XXIII os líderes do mundo eram Kruchev e John Kennedy, hoje são Bush e Bin Laden. O fundamentalismo político desfigura os Estados Unidos e espalha a violência institucionalizada. O fundamentalismo muçulmano age e reage com violência não institucionalizada. Não me parece adequado à Igreja, que professa as virtudes da fé, da caridade e da esperança, entrar nessa.
Fundamentalismo é uma atitude psicológicamente burra e politicamente desastrosa.
A tese de que a Igreja precisa estrategicamente encolher para ficar mais autêntica e então reconquistar o mundo, pode encolher demasiado o nosso espírito. A outra tese de que o mundo está muito aviltado e precisa de parâmetros, como as crianças, constitui uma desconsideração para com o espírito crítico da humanidade, que sempre foi capaz de superar suas crises.
Nem mesmo a pátria brasileira, que atingiu o nível mais profundo de desmoralização política e ética, precisa de um cacetete militar para se corrigir. Não podemos nos esquecer de que 64 foi feito com o pretexto de acabar com a corrupção e devolver a democracia ao páis. Aumentou a corrupção e destruiu a democracia.
Creio que o mundo atual está irremediavelmente dividido entre os que desejam a ordem e os que desejam a justiça. Prefiro a turma da justiça, Santo Padre.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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09/07/2007 - 11:54
UMA LEITURA DE CÁTEDRA
John Maxwell Coetzee, escritor sul-africano, é Prêmio Nobel e duas vezes Prêmio Booker. Tem um porte natural, aristocrático e distante, desde antes do prêmio. Meu querido amigo Marcelo Tass, em seu blog, considerou-o pretensioso ao recusar-se a dialogar, responder perguntas da platéia e falar sentado. Ficou em pé, na cátedra, lendo seus pensamentos escritos. Tass ainda considerou-o chato e elegeu-o patrono da pior mesa da FLIP.
Acontece que, ao contrário, a leitura de Coetzee é fascinante como os seus livros. Não é um otimista, pelo contrário, só acrdita na capacidade do homem causar sofrimento. Sartre acha que o inferno é o próximo. Coetzee nem precisa do próximo, pois o homem é suficientemente capaz de causar sofrimento a si próprio.
Coetzee, em sua leitura, emite opiniões chamadas FORTES e apiniôes chamadas BRANDAS.
Apenas reproduzo o início de uma chamada forte: DO CORPO.
” Falamos do cachorro com a pata machucada e do pombo de asa quebrada. Mas o cachorro não pensa em si mesmo nesses termos, nem o pássaro. Para o cachorro, quando ele tenta andar, existe apenas Sua Dor; para o pássaro, quando ele se lança em vôo, siplesmente Não consigo.
Conosco parece ser diferente. O fato de existirem expressões quanto ” minha perna”, “meu olho”, “meu cérebro” , e mesmo “meu corpo” sugere que creditamos que exista alguma entidade não-material, talvez irreal, que mantem uma relação de possuidor/possuído no que se refere às ” partes” do corpo e mesmo ao corpo todo. Ou então a existência dessas expressões mostra que a linguagem não encontra um ponto de apoio, não consegue se desenvolver enquanto não tiver fracionado a unidade da experiência”.
Mas Coetzee também emitiu com gravidade a experiência de um respeitável escritor que cantava, na lavanderia do condomínio, uma vizinha do andar superior, até que ela concordou em ser sua secretária na edição de seu novo livro. Ela apenas exigiu conhecer o teor do livro.
No útima mesa da FLIP. que reuniu os principais escritores para dizerem qual o livro que eviariam para uma ilha deserta, Coetzee compareceu, sentou-se elegantemente entre seus pares, como um escolar convocado a representar a classe, e leu um trecho do seu escolhido: Samuel Becket.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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08/07/2007 - 11:23
UM ENCONTRO EMOCIONANTE
A mesa 10 da FLIP, em Parati, vestiu a camisa 10 da seleção. O diálogo estabelecido entre a escritora sul africana e o israelense produziu uma densidade só repetida nas leituras de Coetzee.
Não pela quantidade de prêmios Nobel, Pulitzers e Príncipes Asturias, mas pelo fato de que eles dão ainda mais peso aos prêmios recebidos.
PANTERAS NO PORÃO, título da mesa, nos remete à violência e à solidão em que o porão é a metáfora da pátria.
De Nadime, a introdução já pinça um texto extraordinário ” Qualquer escritor que tenha um mínimo de valor espera propiciar um brilho tênue para iluminar o labirinto belo e sangrento da experiência humana”.
Depois, a leitura de cada um deles. Nadine leu um capítuo de ” De volta à vida”: …Ela estava ali, na entrada do portão da casa dos pais, quando ele chegou, pronta para lhe sorrir, e logo dar o sinal para poderem zombar da situação estranhamente absurda (apenas temporária) de não poderem se abraçar, e aceitá-la. A lembrança de um abraço de amizade é menos emocionante do que a lembrança de um abraço de amor. Tudo é corriqueiro. O gari passa empurrando o fim do verão à sua frente.
Amós Oz leu um trecho fascinante de ” De amor e trevas”, no qual a discussão entre comprar queijo produzido pelo kibutz ou o queijo árbe, um pouco mais barato, leva à sedutoras reflexões sobre o patriotismo e as tremendas ofensas ao sionismo, dessa atitude humilhante de comprar queijo árabe só porque é mais barato. Amós conclui: “Vergonha! Vergonha e humilhação! De um jeito ou de outro, vergonha, humilhação! A vida está toda cheia de vergonhas e humilhações coo essa.”
Depois ainda, um diálogo inesperado, estimulado por Nadine e sabiamente compreendido pelo moderador Guillermo, que entendeu
a hora de se recolher.
Densamente, sem qualquer ordem consegui recolher:
A.O. -Elimine-se a fronteira entre a comédia e a tragédia
N.G. -Traidor é quem não se transforma.
N.G. -Você escreveu destruindo, subtraindo, como na escultura
A.O. -Quando estava o campo de batalha entre tiroteio de um lado e do outro, paralizei, e não tive qualquer vontade de atirar,nem de ser ferido. Apenas ocorreu-me um grito: Chamem a polícia.
N.G. -My private life belongs to me.
N.G. -O escritor quer ver a vida que ele não conhece, do outro, então tenta escrever a sua alternativa.
A.O. -Desde criança eu queria ser escritor e ser bombeiro.
N.G. -No seus livros você é um bombeiro.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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