iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade
20/06/2007 - 18:11

UMA PEDRA NO SAPATO CULTURAL

A PEDRA DO REINO DEVE RESISTIR

Sempre afirmei que o gosto é uma questão de oferta e não de demanda. Oferecendo-se o melhor o público acaba exigente, pedindo qualidade. O contrário também é verdadeiro: o mau gosto cria hábitos indeléveis.
Quando anunciaram a ” Pedra do Reino”, na Globo, com um diretor primoroso e muito exigente, com verbas suficientes para qualquer ousadia, com recursos programados para não envergonhar ninguém, fiquei feliz. A Globo mais uma vez paga o seu prêço para afirmar que qualidade em televisão não só é possível, como agrada ao grande público.
A Pedra do Reino não agradou, não fez sucesso e isso é muito ruim para a televisão brasileira. Os incrédulos poderão afirmar: Tá vendo, não adianta produzir qualidade. O povo não entende e não gosta.

Esse pensamento não deve prevalecer, porque toda obra de arte tem sua pedra no caminho. Pedra do Reino é um livro genial que nunca encontrou uma transposição equivalente em outros suportes artísticos. O texto já foi recusado pela televisão. Já teve duas versões teatrais do próprio Antunes, que sempre fez das pedras um diamante, mas só convenceu mesmo na segunda.

É verdade que no meio do caminho de qualquer projeto sempre pode aparecer uma pedra, mas isso não deve mudar o caminho das instituições. Pedra do Reino falhou por excesso de brilho. Produziu uma estética mímica de difícil compreensão para os não iniciados nas lendas nordestinas. Faltou sobretudo um texto condutor, com narrativa mais explícita, na tela implacável. No texto do livro a narrativa flui e nossa imaginação produz o resto. Na série produzida, o excesso de fantasia nos subtrai a compreensão.

Espero que a Globo não enterre a própria coragem. Sem recursos, nós da TV Cultura insistimos que há um patamar adequado e a ser construido, para se oferecer o melhor com júbilo e com público. Só experimentando. Só carregando a pedra do reino até o olhar crítico do telespectador.
O Quadrante vai se fechar com êxito. Machado de Assis e Milton Hatoum possuem textos assimiláveis. A dramaturgia da Globo será capaz de tele-encená-los com propriedade.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:

Deixe um comentário:

Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!

Os campos com * são de preenchimento obrigatório






Voltar ao topo