Arquivo de junho, 2007
30/06/2007 - 12:13
ENTRE A PAUTA DA VIDA E A PAUTA DOS JORNAIS
Antigamente vendia-se muito mais jornais do que hoje. Compreensível: não havia televisão hegemônica, nem internet emergente. O mercado imobiliário andava aquecido e, nos domingos, editava-se um cadernos imobiliários que mais pareciam uma enciclopédia de oportunidades. Tudo devidamente no seu lugar: o noticiáriointernacional, o brasileiro, o cultural, o esportivo e os cadernos especiais, principalmente o imobiliário.
Antigamente havia noticiário policial.Não era bem um noticiário sobre a violência, mas sobre os feitos dos bandidos, alguns notórios, como Menegheti, na primeira metade do século XX e o Bandido da luz Vermelha, na segunda. Havia ainda a violência política, feita por policiais dos regimes fortes. E, alguns crimes retumbantes, sobretudo quando praticado por elementos da burguesia.
Samuel Wainer uma vez me disse, quando assumi a diretoria da “Ultima Hora” em São Paulo: Na primeira página, pela ordem, você precisa colocar: política, polícia e futebol.
Hoje vende-se muito pouco jornal. As tiragens são modestas. Quando dei um seminário sobre a coerência das primeiras páginas nos principais jornais do país, para um grupo de última série do curso de jornalismo da Anhembi Morumbi, o único problema com que me deparei foi o fato de que nenhum aluno lia jornal algum, diariamente.
Leio jornal, com avidez, diariamente. Gosto da palavra impressa. Aliás, só acredito na palavra impressa. Pois tenho notado que no primeiro caderno dos jornais, hierarquicamente o mais importante, uma página sim e uma página não, há um anúncio imobiliário, vendendo o Hyde Park em qualquer terreno da periferia. Oferecendo 4 suites decoradas em apartamentos de 100 ms.2. Ofertando terraços enormes, numa cidade fria e poluida, para vistas inesquecíveis. Parece que todo mundo tem mais de três carros. Parece que todos os pretendentes imobiliários nadam diariamente em raias aquecidas, que vão dos Jardins até Itaquera.
Há um “boom” , como já houve de flats e outra proezas do setor. Isso não me espanta, quando se tem tanto dinheiro solto para ser aquecido e investido e tanta gente precisando ocupar o espaço deficitário da moradia.
O que me espanta é ocupar-se as páginas nobres do jornal, com esse expediente publicitário. A gente perde a sequência da informação e de sua compreensão
Como se nã bastasse, entre uma e outra página de anúncio de lançamentos habitacionais, há uma notícia policial. NÃO NO CLÁSSICO SENTIDO DE BANDIDO PRESO COM A MÃO NA COMBUCA. Mas no sentido da violência institucional e institucionalizada em todas as camadas da sociedade. Político com a mão na combuca. Político com a mão na vaca. Juiz com a mão na sentença. Deputado com a mão no mensalão. Funcionário com a mão na propina. Ministro com a mão boba no orçamento. Crianças com as mãos ocupadas. Policiais com os dedos nos gatilhos. Bandidos, mais sofisticados, com a mão nas metralhadoras. Bicheiros, com a mão nos bingos. Tudo devidamente catalogado pela Policia Federal e anunciado quando conveniente. E essa, além dos anúncios publicitários, é a segunda grande pauta dos jornais. Ocupa, praticamente todo o primeiro caderno, enquanto a violência financeira ocupa ocupa todo o caderno econômico e a violência esportiva, o seu espaço específico. Sem contar o mundo, que se resume às guerras, às guerrilhas e ao terrorismo.
Infelizmente há uma pauta de fatos e de realidades que preenche todo o espaço dos jornais. Quem faz a pauta é a vida e o chamado mercado, intérprete oficial da vida no sistema em que vivemos. Como sair dessa meu caro comentarista?
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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26/06/2007 - 17:07
MELHOR MORRER COM A ESPADA NA MÀO DO QUE VIVER COMO UM CARRAPATO NA LAMA.
Na magnífica mansão do Pe. Toledo, em Tiradentes, onde se realizou a primeira reunião secreta dos inconfidentes mineiros e hoje transformada num museu, li, num documento, a frase acima, do sacerdote conspirador.
Era um tempo em que não se podia discutir a reforma fiscal num parlamento, pois as regras eram ditadas diretamente da metrópole portuguesa. Portanto não havia a moleza de hoje em dia, em nome da qual os legisladores protelam a tal reforma indefinidamente, pois o governo está arrecadando muito e os amigos participando gulosamente do bolo.
No tempo de Tiradentes o tributo era pago diretamente em ouro. Querer deixá-lo no país era considerado crime contra sua majestade. Pois alguns homens corajosos, alferes, juristas, poetas e sacerdotes, insurgiram-se contra essa exploração, na primeira tentativa de nos tornar independentes de Portugal.
Levamos a pior, mas com a espada nas mãos, como desejava o Pe. Toledo.
Até agora, com vistas ao Brasil que se desenrola em Brasília, julguei a frase ainda melhor do que as maravilhas arquitetônicas da cidade. Creio que a turma praticava a coragem com as mãos, porque tinha vergonha na cara.A mesma vergoha que os senadores perderam quase dois séculos e meio depois.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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22/06/2007 - 17:57
APAGÃO PEDE EFICIÊNCIA E NÃO PACIÊNCIA
É claro que não se formam controladores de vôo em uma semana, mas desde o início da crise, um bom contingente de controladores já poderia estar com o canudo na mão. Há centenas de formandos e recém formados em engenharia que, em pouco tempo poderiam ser aproveitados nessas funções, em completa harmonia com uma laicização dos funcionários existentes.
Não há solução possível dessa crise aguda sem um exército de reserva para impedir que o caos se instale e permaneça indefinidamente. Estamos nesse impasse resultante de uma corporação insatisfeita com os salários, os equipamentos e o modelo de gestão. Estamos produzindo um confronto inútil de hierarquia, quando a questão é técnica. Há momentos em que a eficiência ( pedimos isso ao ministro Saito), torna-se uma virtude mais importante do que a paciência inesgotável (do ministro Waldir Pires).
Não é o caso de relaxar, de gozar, nem de achar que tudo é fruto do progresso irresistível que o país está atravessando. É hora de dosar os vôos, instalar equipamentos, pagar salários de mercado, e encher as salas de controle, com funcionários antigos e novos, formados intensamente, para compensar o tempo perdido (sem qualquer explicação).
Nada justifica a angústia do usuário em todos os aeroportos do país. Como se não bastasse o custo do deslocamento, o stress natural das viagens, o medo de alguns passageiros, há mais de um ano acrescentamos esse coeficiente de insegurança, de falta de informação e nenhuma perpspectiva de solução.
Cada dia nós temos a impressão de que a crise começou hoje. Até quando?
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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20/06/2007 - 18:11
A PEDRA DO REINO DEVE RESISTIR
Sempre afirmei que o gosto é uma questão de oferta e não de demanda. Oferecendo-se o melhor o público acaba exigente, pedindo qualidade. O contrário também é verdadeiro: o mau gosto cria hábitos indeléveis.
Quando anunciaram a ” Pedra do Reino”, na Globo, com um diretor primoroso e muito exigente, com verbas suficientes para qualquer ousadia, com recursos programados para não envergonhar ninguém, fiquei feliz. A Globo mais uma vez paga o seu prêço para afirmar que qualidade em televisão não só é possível, como agrada ao grande público.
A Pedra do Reino não agradou, não fez sucesso e isso é muito ruim para a televisão brasileira. Os incrédulos poderão afirmar: Tá vendo, não adianta produzir qualidade. O povo não entende e não gosta.
Esse pensamento não deve prevalecer, porque toda obra de arte tem sua pedra no caminho. Pedra do Reino é um livro genial que nunca encontrou uma transposição equivalente em outros suportes artísticos. O texto já foi recusado pela televisão. Já teve duas versões teatrais do próprio Antunes, que sempre fez das pedras um diamante, mas só convenceu mesmo na segunda.
É verdade que no meio do caminho de qualquer projeto sempre pode aparecer uma pedra, mas isso não deve mudar o caminho das instituições. Pedra do Reino falhou por excesso de brilho. Produziu uma estética mímica de difícil compreensão para os não iniciados nas lendas nordestinas. Faltou sobretudo um texto condutor, com narrativa mais explícita, na tela implacável. No texto do livro a narrativa flui e nossa imaginação produz o resto. Na série produzida, o excesso de fantasia nos subtrai a compreensão.
Espero que a Globo não enterre a própria coragem. Sem recursos, nós da TV Cultura insistimos que há um patamar adequado e a ser construido, para se oferecer o melhor com júbilo e com público. Só experimentando. Só carregando a pedra do reino até o olhar crítico do telespectador.
O Quadrante vai se fechar com êxito. Machado de Assis e Milton Hatoum possuem textos assimiláveis. A dramaturgia da Globo será capaz de tele-encená-los com propriedade.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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15/06/2007 - 12:36
UM ESTILO FORTE A SER TESTADO
Paulo Markun entrou a toda na Cultura. Já deixou claro em seu discurso de posse que não será presidente da TV Cultura, mas da Fundação Padre Anchieta e toda sua oportunidade de integrar midias existentes com midias futuras e outras vertentes culturais.
A transmissão da posse, ao vivo, na televisão para os funcionários, e na Internet para todos os interessados, já demonstra sua intenção de integrar todos nessa tarefa, que vai da portaria às ilhas de edição. No mesmo dia reuniu o maior corpo de funcionários em um de nossos estudios, anunciando medidas de contenção de privilégios que agradam a todos, como fechamento do restaurante executivo, fim dos carros para diretores, fechamento do portão das presidências e abertura de um portal para divulgar os conteúdos do Roda Viva, em parceria com a Fapesp. Mas não deixou de prever medidas de contenção que podem envolver demissões em todos os níveis. Até contenção de salas, pois colocou, num moderno conceito de administração, todos os diretores e ele próprio num salão de onde administrarão juntos a casa.
Cumprindo, com muita brevidade, obrigação estatutária de informar o Conselho sobre o novo organograma, não apenas o anunciou como aos nomes de seus titulares.
Vai manter as quatro diretorias estatutárias: Presidente, Markun, vice presidente, Fernando Almeida, diretor admnistrativo e financeiro, Celso Barboza e diretor técnico, José Chaves. Vai criar duas diretorias adjuntas: Diretoria de marketing e vendas, Cícero Feltrin e diretoria de produção, Mauro Garcia. Utilizando um sistema novo de administração vai trabalhar com núcleos de operação: Coordenação, José Vidal Galé; Jornalismo, Paulo Roberto Leandro; Educação, Fernando Almeida; Dramaturgia, Jefferson Del Rios; Música, Fernando Faro; Arte e Cultura, Hélio Goldstein; Infanto/Juvenil, Âmbar de Barros; Eventos e Publicações, Gabriel Priolli; Cidadania e Serviços, Paulo Roberto Leandro e Radio, a confirmar. Terá ainda consultores da presidência: Ricardo Mucci, para Internet e novas mídias e Marco Antonio Coelho,para relações institucionais.
Isso tudo para que?
Claramente para realizar em todas as emissoras atuais e nos meios futuros uma programação ortodoxamente fiel à missão da comunicação pública e inteiramente de vanguarda no que concerne à linguagem, como ele próprio declarou.
Vai dar força a um jornalismo público e inovador, tanto é que já anunciou a divulgação de importante material jornalístico sobre a FARC da Colombia.
Outra coisa fundamental é a promessa de independência intelectual e administrativa.
Declarou a este presidente do Conselho que, em 2008, implantará um orçamento programa que possibilitará o funcionamento realista dos diversos núcleos e uma transparência definitiva da administração financeira.
Com relação ao modelo de financiamento do governo, solicitará a elevação das dotações, pelo menos ao nível das dotações de anos anteriores e ajuda direta o creditícia para a transição digital.
Trabalhará ainda em grande conexão com os Comites do Conselho: programação, marketing, finanças, tecnologia e educação.
Finalmente buscará uma grande integração com o esforço nacional de se fixar o conceito e a prática da televisão pública, em todos os estados e colaborar com a recém anunciada TV Pública Nacional, nos moldes dos princípios consagrados no Forum Nacional de TVs Públicas.
Como se pode ler neste longo POST, é tarefa prá leão, mas o leão já começou a rugir.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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12/06/2007 - 10:44
PARADAS. ONDE NOS LEVAM?
-Em algumas paradas,de muito calibre, mas de frequência selecionada, desfilam os mais belos esqueletos internacionais, nas passarelas da moda. Movimentam a midia, bem mais do que as finanças, porque o negócio da moda no Brasil ainda é negócio pequeno. O business da moda, no Brasil, movimenta mais as publicações de moda e o universo dos modelos, do que a industria propriamente dita.
-Surpreendeu-me,na semana passada, o sucesso da parada da Igreja Renascer, cuja bispa titular, com seu marido encontram-se presos em Miami, a espera de uma confissão de delito, que alivie a pena e os reconduza aos púlpitos brasileiros. Nada disso importa aos adeptos hipnotizados pela fé (cega, surda e muda). Um milhão e quinhentas mil pessoas. Há uma tal necessidade de engajamento no Brasil, que a voz tronitoante da bispa, nos estádios e na concessão de televisão que recebeu de um governo laico, é capaz de mobilizar tal concentração ainda que por controle remoto.
-O papa não promoveu uma parada, mas uma cerimônia litúrgica e outra canônica, a missa e a canonização de Frei Galvão. Um papa, uma canonização e a incrível cobertura da imprensa comercial, poderiam ter levado ao Campo de Marte mais de um milhão de pessoas. As estatísticas bateram na casa dos 800 mil. É a nova Igreja Católica de Bento XVI que prefere os fiéis fervorosos e praticantes, em menor número, do que os adeptos das baladas litúrgicas do padre Marcelo.
-Domingo, a esperada e tradicional Parada Gay, canonizada pela Marta Suplicy, pelo Prefeito Gilberto Kassab e por três milhões e quinhentas mil pessoas, coloriu o outono já azulado e, levemente, fresco.(16 graus na média).
Uma explosão de alegria, feiura e cidadania.
Ninguém nega que os dois milhões de gays assumidos, segundo os organizadores da passeata, estavam exuberantes de orgulho gay. O milhão de curiosos simpatizantes saiu contente, de uma grande festa popular, na qual a tragédia e a violência foram muito menores do que um simples dia na cidade de São Paulo.
Interessante é um terceiro aspecto do evento. Um amigo meu, jovem dequitado com duas filhas de mais ou menos quinze anos, foi instado pelas mesmas a levá-las e aos respectivos namorados, à Parada Gay.
Confessou-me que o entusiasmo das meninas e seus namorados, todos completamente heterosexuais, parecia o seu próprio, de anos antes, quando foi levado à Praça da Sé para o Comício das Diretas.
Não há nenhuma comparação entre uma coisa e outra, mas há um dado interessante.
A moçada está de saco cheio de não participar de nada. Não há movimento, não há ideologia e os engajamentos convencionais já não atraem ninguém. Até mesmo a inssurreição dos jovens universitários que invadiram a reitoria, numa absoluta falta de educação cívica, não tem qualquer relação com UNE, PC do B, PT ou mesmo essas juventudes SOCIAL-DEMOCRATAS ou essa juventude DEM.
Para minhas filhas, dizia-me o pai circunspecto, foi um ato de cidadania. Não tendo mais o que defender, queriam manifestar-se contra os preconceitos.
Há ainda outra constatação. A maioria das pessoas era muito feia. Não tinha o disfarce alegória das escolas de samba, nem a nudez inebriante das mulatas cariocas. Era uma imensa classe média pobre saída dos grotões da metrópole, onde se alojam os maiores bolsões de miséria do mundo. Pouquissimas pessoas bonitas contrastavam com a máscara esgotada daqueles inseridos, pela primeira vez alguns, naquele movimento de afirmação.
Nada do que se passou na avenida Paulista tinha alguma coisa a ver com a moral tradicional nm contra ela., Parecia mais uma Canudos em movimento desafiando a república desfalecida de Brasília. Mas eram mais de três milhões de pessoas. Para onde?
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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06/06/2007 - 00:04
CONCESSÕES – A ESPADA SEM FIO DA RENOVAÇÃO
A recente proeza de Chavez, ao cassar a concessão da RCTV, assustou, ainda que por fantasia, todo mundo, principalmente no Brasil.
Acontece que a concessão ou a renovação de concessões é, pela constituição de 88, competência exclusiva do Governo Federal.
Todas as televisões, segundo a mesma constituição, tem deveres e obrigações que deveriam ser praticados. Isso acontece em pequena escala, dando a impressão que só as televisões públicas devem respeitar os preceitos constitucionais.
Este ano fui convidado para falar na subcomissão da Camara dos Deputados, presidida pela ativa deputada Luiza Erondina, para falar sobre a renovação das concessões. Palestra dificil de elaborar e mais difícil ainda de entender, pois não há no Brasil qualquer regulamentação para a outorga e para a renovação de outorgas, dos diversos tipos de televisão considerados complementares pela Constituição: a TV Pública, a TV Estatal e a TV Privada Comercial.
Burocraticamente , os orgãos competentes só fazem exigências formais de documentos, certidões negativas e nada mais.
Não há uma regulamentação de concessões para a TV Pública, dizendo o que ela é e quais são as condições de concessão ou renovação. Isso porque não há na lei uma conceituação do que é TV Pública, o que começou a ser elaborado apenas no recente Forum Nacional de TVs Públicas.
TV Estatal ou Institucional não existem para o poder concedente, apesar da Constituição e muito menos, as televisões comunitárias e universitárias, que até agora são meras programações permitidas nos canais a cabo e não tem nenhuma lei ou regulamentação que as caracterize enquanto canais abertos de televisão.
Só há dois tipos de concessões feitas pelo Ministério da Comuicação: Televisões Educativas e Televisões Comerciais. Essas se distinguem pela finalidade lucrativa ou não, e são regidas por leis caducas de 62 e 67. As demais são orfãs de qualquer legislação.
Quando um deputado me perguntou como se fazia concessões, então, respondi que “por simpatia”.
Nesse vazio é natural que o debate se acirre de maneira apaixonada e até irracional.
Em 2002 as concessões de televisão educativa foram acrescidas da obrigação de realização de concorrências públicas para a seleção das mesmas. As televisões com outorgas anteriores de educativas, como a Cultura e a TVE estão fora dessas exigências, recentemente exigidas por vara judicial de Goiás. Isso acarretou a imediata suspensão da outorga de televisão educativa a qualquer emissora.
Mas o problema é que as antigas concessões de televisão educativa devem transformar-se em concessões de televisões públicas e estatais e mesmo, de programações comunitárias e universitárias nos canais a cabo, enquanto não lhes for concedida a condição de televisões abertas.
Dessa forma, a venezuelização do debate sobre concessões e cassações no Brasil,é totalmente irrelevante. Para se renovar basta estar em dia com a papelada burocrática e não com os princípios constitucionais não regulamentados. Nós todos temos a renovação garantida. Podem ficar tranquilas a Globo, a Cultura, a Record e a Bandeirantes que, segundo e-mail do Lalo, deverão renovar suas concessões em 5 de setembro deste ano.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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02/06/2007 - 01:49
O FORUM CONTINUA
É incrível o entusiasmo das televisões comunitárias depois do Forum das Televisões Públicas. Acordaram para a grande força da solidariedade. Nunca os representantes das comunitárias discutiram tanto como depois do forum. Seus sites e e-mails vivem congestionados de gritos, sussurros e debates.
As universitárias estão se armando conceitualmente para integrar o grande universo proposto no Forum.
Como as questões de financiamento e da transição digital estão bastante avançados nas discussões do grupo encarregado pelo governo para encaminhar as recomendações e a fusão das públicas federais, a ABEPEC considera que o próximo passo é uma ampla discussão sobre conteúdos de programação.
Como deve ser o jornalismo público das televisões, o que é programação cultural em tv pública, como deve ser a programação de dramaturgia (cinema, teatro e séries), como deve ser a programação infantil, o tipo e a dimensão dos documentários. E a formação complementar extra curricular e educação á distância. Enfim, o que conta é a programação, atividade fim das televisões públicas.
A ARTEB da Bahia e a ABEPEC vão convocar os representantes do campo da TV Pública para debater, em agosto, na cidade de Salvador a questão do conteúdo na televisão pública.O Forum de brasília tornou-se uma atividade permanente.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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