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Arquivo de maio, 2007

06/05/2007 - 16:36

DOMINGO NO PARQUE

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CARLOS GOMES E VILLA LOBOS SE ENCONTRAM NO ESPAÇO PÚBLICO

O Parque Villa Lobos já constitui uma vitória da natureza sobre a terra estéril dos aterros e da corrupção. E uma vitória da vontade social sobre a inutilidade patrimonial. O Parque estava cheio neste domingo da Virada Cultural, para ouvir a OSESP, sob um sol forte mas amenizado pela brisa do outono. Famílias de classe média de alto a baixo, dos avós aos netos, atentos aos acordes de Carlos Gomes e Tchaikovsky. Milhares de pessoas em plena posse estética do espaço público.
A OSESP continua a mesma, a melhor orquestra sinfônica da América Latina. O som, ampliado com boa tecnologia, conseguiu um equilíbrio acústico bem razoável para um concerto ao ar livre.
O Guarani sempre empolga, com essa mescla de melodias românticas e a impostação verista da ópera italiana. Carlos Gomes sentiu-se á vontade no Villa Lobos.
Tchaikovsky, em sua 5a. Sinfonia, apresenta duas entonações complementares, a do homem e a da pátria. No segundo movimento, toda a paixão humana se revela na melodia rica e voluptuosa, como o próprio autor, mais resolvido no mi menor do que na vida. No último movimento, os acordes ganham a dimensão da pátria, sobretudo nos sopros. O autor sai da aventura pessoal para se confundir, numa marcha heroica, aos designios nacionais. O público aplaudiu com entusiasmo e pediu mais aos músicos já cansados.

Nas pessoas era visível a alegria de uma boa manhã, preenchida de arte e de cultura, num espaço que lhes pertence: o parque Villa Lobos.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
05/05/2007 - 17:37

VIRADA À PAULISTA

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O MELHOR DO DOMINGO

O Secretário Calil disse que esta Virada seria melhor, porque os palcos e locais de espetáculo foram melhor distribuídos para comodidade e acesso da população. Disse ainda que o Centro foi privilegiado porque requer vida para sua total recuperação: moradias, espetáculos, bares e circulação de gente.
O domingo começa com JOÀO BOSCO e como, nele, tudo envolve a evocação de seus melhores trabalhos. Zelia Duncan fecha a festa na esquina da São João, as 18h.
Magical Mystery Tour, de 67, homenageia os Beatles na madrugada do domingo6,15h. no palco da Barão.
Também as 0h. na São joão, ERASMO CARLOS abre o domingo.
As 16h. São joão, no palco da esquina mítica de Vanzollini, MORAES MOREIRA E ARMANDINHO.
DANÇA NO ANHANGABAÚ. De 0h até 17.30h muita dança.Ballet da Cidade. Indios Pankararu. Os Favoritos da Catira. Os Meninos do Morumbi. Rítmo contínuo. Mas ainda tem dança na Praça Ramos, no Paissandú, na Rua Augusta.
Na Praça da República o teatro se instala. As 8h. de Luis Fernando Veríssimo e outros autores – CONTOS DE FERVER O MAR
E ISSO, SÓ NO CENTRO.
Estas são escolhas pessoais. O resto você pode ver no Programa Geral da Virada, publicado no IG.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
05/05/2007 - 00:07

VIRADA À PAULISTA

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17 PALCOS PARA ALEGRAR A CIDADE

No ano passado só a virada foi capaz de dignificar a cidadania contra o medo, quando o PCC resolveu invadir e bombardear os postos policiais. Hoje, o PCC prefere ações mais lucrativas como o assalto a bancos ou sequestros relâmpagos e covardes.
Mais uma vez os paulistanos mostram que não têm medo de serem felizes.
Prefeitura, artistas, instituições e empresas comerciais se uniram para “atravessar”o som pela noite afora. Serão 17 palcos montados no centro e nas periferias. Todos os céus. Teatros. Esquinas. auditórios. Uma exuberante quantidade de artistas e de espetáculos diurnos e noturnos. Impossível falar de tudo, mas há coisas que não se deve perder.
Ás 18 h. de sábado Alceu Valença corta a fita da alegria na Praça da Sé
Ás mesmas 18h. Aguilar reafirma que Você escolheu errado o super Herói.
Ainda 18h na Praça D. José Gaspar (biblioteca vista dos fundos), Nelson Ayres, uma proeza de inovação.
As 18hs, no Parque do Ibirapuera,o mítico Tom Zé evoca São Paulo.
As 18h no Palco do Mercado Municipal, Noite Argentina, com pastel de bacalhau.
As 19h no Anhangabaú, Ewald Bertazzo dança Milágrimas com a turma da periferia.
As 19h no CEU Alvarenga, Jorge Mautner em pessoa.
As 21h no Municipal, João Donato toca jazz, funk e rock.
As 21:30h no Palco da Barão, o veterano do rock Serguei mostra que rock não se perde na terceira idade.
Ás 23:15h no Palco Vieira de Carvalho, a grande Angela Maria canta.
Ainda hoje trago as sugestões para o domingo da Virada.

Não deixe de ver as outras secções deste BLOG: CINEMA com Great Gatsby; a incrível história de um Pittbull roubado pelos ladrões, no POLITICA; a crítica de “Gentíssima de 68″ com Maria Ignêz Barbosa, em LIVROS.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
02/05/2007 - 12:37

OCTAVIO FRIAS DE OLIVEIRA

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SEU FRIAS, UM CONSELHEIRO DURO

Sempre tenho observado que há homens que chegam ao fim da vida, outros, atingem a plenitude. Não que a plenitude derive de grandes feitos, mas nos que assim me parecem, como o Montoro, o Dr. Alceu e agora o Seu Frias, essa plenitude vem de uma coisa simples: o exercício cotidiano da coerência. Atingiram essa plenitude porque foram fiéis a si mesmos. Foi desses homens, que talvez Guimarães Rosa tenha dito: “De repente morreu: que é quando um homem vem inteiro de suas próprias profundezas…”

Todos os mandatários da nação curvaram-se sobre o caixão do Frias, não porque este os houvesse cortejado quando vivo, mas exatamente porque sempre cobrou deles o exemplo cívico e a postura política compatível com seus respectivos mandatos.

Embora tivesse um ar e uma alegria ás vêzes infantil, sabia recomendar e conferir. Cobrava de si mesmo, de suas empresas, de sua familia, de seus empregados e de seus amigos. Não se conformava com a negligência dos meios, quando queriam comprometê-los em nome da facilidade de alguns fins. Empresa para ele era coisa muito séria, desde a complexidade de uma granja até a simplicidade da mais complexa das atividades: uma empresa de comunicações.

Todos os que conviveram com ele, grandes ou pequenos, sabem disso.

Tive a oportunidade de travar com o Frias alguns lances de amizade. Digo isso porque qualquer conversa frugal com êle era um duelo de idéias, responsabilidades e consequências. Apoximei-me mais quando, depois da experiência da secretaria da Cultura, fui eleito presidente da Fundação Casper Líbero. Ele conhecia bem o pedaço e fez-me todas as advertências pertinentes. Quando algumas advertências se materializaram voltei a sua sala e, por recomendação sua, redigi, quase a quatro mãos, meu pedido de demissão.
Em todas as crises da TV Cultura, antes ou depois das mesmas, estive em seu gabinete de trabalho. Nunca recebí conselhos suaves, mas nenhum deles foi inútil.
Sobre a Padre Anchieta: “-Enquanto voces não tiverem recursos independentes da vontade do governo, vocês não terão independência editorial”, me dizia o Frias, taxativamente. Sempre tentei e proclamei o que a lei nos fazia crer: que somos independentes. Mas no fundo, o Frias tinha razão.

Um amigo que nos ajuda a viver com rigor é uma coisa imensa hoje em dia. Imaginem o que o grande comandante da Folha de São Paulo, Octavio Frias de Oliveira, não foi para seus filhos.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
02/05/2007 - 12:35

OCTAVIO FRIAS DE OLIVEIRA

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SEU FRIAS, UM CONSELHEIRO DURO

Sempre tenho observado que há homens que chegam ao fim da vida, outros, atingem a plenitude. Não que a plenitude derive de grandes feitos, mas nos que assim me parecem, como o Montoro, o Dr. Alceu e agora o Seu Frias, essa plenitude vem de uma coisa simples: o exercício cotidiano da coerência. Atingiram essa plenitude porque foram fiéis a si mesmos. Foi desses homens, que talvez Guimarães Rosa tenha dito: “De repente morreu: que é quando um homem vem inteiro de suas próprias profundezas…”

Todos os mandatários da nação curvaram-se sobre o caixão do Frias, não porque este os houvesse cortejado quando vivo, mas exatamente porque sempre cobrou deles o exemplo cívico e a postura política compatível com seus respectivos mandatos.

Embora tivesse um ar e uma alegria ás vêzes infantil, sabia recomendar e conferir. Cobrava de si mesmo, de suas empresas, de sua familia, de seus empregados e de seus amigos. Não se conformava com a negligência dos meios, quando queriam comprometê-los em nome da facilidade de alguns fins. Empresa para ele era coisa muito séria, desde a complexidade de uma granja até a simplicidade da mais complexa das atividades: uma empresa de comunicações.

Todos os que conviveram com ele, grandes ou pequenos, sabem disso.

Tive a oportunidade de travar com o Frias alguns lances de amizade. Digo isso porque qualquer conversa frugal com êle era um duelo de idéias, responsabilidades e consequências. Apoximei-me mais quando, depois da experiência da secretaria da Cultura, fui eleito presidente da Fundação Casper Líbero. Ele conhecia bem o pedaço e fez-me todas as advertências pertinentes. Quando algumas advertências se materializaram voltei a sua sala e, por recomendação sua, redigi, quase a quatro mãos, meu pedido de demissão.
Em todas as crises da TV Cultura, antes ou depois das mesmas, estive em seu gabinete de trabalho. Nunca recebí conselhos suaves, mas nenhum deles foi inútil.
Sobre a Padre Anchieta: “-Enquanto voces não tiverem recursos independentes da vontade do governo, vocês não terão independência editorial”, me dizia o Frias, taxativamente. Sempre tentei e proclamei o que a lei nos fazia crer: que somos independentes. Mas no fundo, o Frias tinha razão.

Um amigo que nos ajuda a viver com rigor é uma coisa imensa hoje em dia. Imaginem o que o grande comandante da Folha de São Paulo, Octavio Frias de Oliveira, não foi para seus filhos.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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