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24/05/2007 - 17:17

A MACROECONOMIA DA ESTAGNAÇÃO

MAIS UMA ADVERTÊNCIA DO PROFESSOR LUIZ CARLOS BRESSER PEREIRA

O professor e economista Luiz Carlos Bresser Pereira talvez seja o meu amigo mais antigo. Nossa amizade se perde nas décadas, mas não o suficiente para que eu me esqueça de um temperamento inquisitivo, inquieto pela busca de compreensão dos fatos políticos e artísticos (especialmente cinema, pois escrevia ainda menino críticas para o Tempo, jornal fundado por seu pai).
Nossa convivência, oriunda do relacionamento fraternal de nossas mães, mulheres inteligentes e muito avançadas para a época, ampliou-se sensivelmente com a descoberta da militância católica na juventude, logo secundada pela militância política: campanha do Petróleo é Nosso, publicações estudantís de natureza nacionalista , fundação do Porão, grupo de reflexão econômica, inspirado pelas idéias inovadoras do ISEB. Já estávamos então na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, inteiramente impregnados de uma doutrina desenvolvimentista para salvar o Brasil, para além dos evangelhos da adolescência.

Luiz Carlos se aprofundou muito na experiência jornalística e empresarial, mas principalmente como professor de economia, sempre interessado no desenvolvimento do país. Foi presidente do Banco do Estado, com Montoro, Ministro da Fazenda, com Sarney, Ministro da Administração , com Fernando Henrique.
Hoje, sua maior preocupação como cidadão e economista, é a estagnação conformada em que vive o Brasil, pelo modelo macroeconômico adotado por sucessivos governos do país.
Seu livro, ” Macro Economia da Estagnação”, publicado pela Editora 34, constitui como o próprio subtítulo se atribui, uma crítica da ortodoxia convencional no Brasil pós-1994. Esta obra resulta de reflexões muitas vezes já reveladas em artigos, ensaios, aulas e conferências pronunciadas no Brasil, na FGV e na Sorbonne, em Paris.
As avaliações de Bresser sempre tem dois pés, um do economista fixado com as questões macro econômicas e em particular o comportamento dos burocratas e da sociedade financeira com relação ao câmbio e aos juros. Suas advertências e análises tiveram acentuadada pontuação no desempenho de Gustavo Franco a frente do Banco Central.A atual euforia causada por índices positivos do desempenho financeiro brasileiro, conjugado a uma excepcional fase em que vive a economia internacional, não silencia nem tranquiliza o combatente intelectual. E isso nos leva ao segundo pé de sua obra.
Humanista, Luiz Carlos não se contenta com uma avaliação econômica da realidade, porisso mesmo vem oferecendo muito de sua reflexão à filosofia política.
Sua idéia que nos perdemos do conceito e da prática de nação é preponderante em todos os seus trabalos recentes. Estou de acôrdo em gênero e número com o autor desse livro tão necessário quanto atual.
Sem um reencontro do país com a nação, base de um desenvolvimento forte e indispensável, sem a subsequente redistribuição de rendas que equilibre a reputação financeira com o total descrédito social, sem uma cultura de nação que embase o processo educacional, até os bolsões de euforia serão menores do que a violência e o medo.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:

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