ROCKERS E A PAISAGEM DO ALHEAMENTO
DUAS NOSTALGIAS FOTOGRAFADAS
Estive na mesma noite paulistana em duas exposições, tão diversas quanto, emocionalmente idênticas: os roqueiros de Bob Gruen, na FAAP e a Fazenda do Pinhal, de Helena Carvalhosa, no Museu da Casa Brasileira. Trata-se de duas mostras diversas, não complementares, mas ambas clássicas. De um lado, a aristocracia rural paulista, que era de uma simplicidade dignificante, como o tratamento que lhe deu a curadora Helena Carvalhosa; do outro, Bob Gruen que, intimamente, registrou a linhagem do Rock, desde que assistiu ao primeiro concerto dos Rolling Stones, no Madison Square Garden.
Na FAAP, nostálgicos egressos de todas as tribos, compunham um elenco urbano, metropolitano, jovem e literalmente “fashion”, além da presença de alguns exemplares punk. A alegria era contagiante dentro da sala escura, na qual Bob Gruen dava entrevistas, vestido discretamente, como alguém que já alcançou os patamares da história. Basta ver o cabelo black power do começo de carreira e o penteado discreto de hoje. Supla, o curador, vestido de verde claro, como um abacate, produzia com Cacá Rosset um dueto iluminado. Mostrou-se um bom curador. Harmonizou 270 fotos, por época, bandas, solos, entre alguns textos muito adequados do próprio fotógrafo. Tina Turner, Rolling Stones, Ramones, Clash, Kiss, Dolls, Led Zepellin, Alice Cooper, Green Days e Lennon/Yoko, todos em branco e preto, desfilaram nas molduras de Manhattan e Londres.
No MUSEU DA CASA BRASILEIRA, o desfile era outro. Um vídeo impressionista sobrepunha bambuzais, alamedas de jabuticabeiras e mangueiras, com os fantasmas dos condes e seus descendentes, que percorriam o cenário com a intimidade de um piano caseiro.
Não as fotos de uma nota só de Bob Gruen, mas fotos de amigos, profissionais e amadores, reunidas em álbuns individuais de terna beleza. Objetos singelos, como as jarras brancas, cuja água lavava os cordões umbelicais recém-cortados.
Um público cerimonioso, bem diverso dos roqueiros da FAAP, tocava o passado com os dedos e os olhares delicados. Até os coquetéis foram diversos. No rock: champagne com canapés. Na Casa Grande: uma taça de vinho tinto com amendoins torradinhos.

Oi Jorginho.
que delícia descobrir seu blog!
Vou te mandar fotos incríveis que fiz de sua neta Emma vendo os albuinhos do Pinhal , acompanhada pelo olhar atento e delicado do avô Jorge. beijo, sofia