OS TERREIROS ELETRÔNICOS
Acertos e confusões no Olimpo da televisão
A Federação é o bairro mais alto de Salvador. Tem uma boa mistura de classe média com camadas mais modestas da população. O Varau de Dadá é um restaurante inesquecível. Tem caldinhos de polvo e de mariscos pequenos. A moqueca de Siri Mole contem tons de amarelo que só Van Gogh conseguiu em seus quadros. Além do mais é barato. O avalista dessas iguarias é o famoso Nizan Guanaes.
No mesmos quarteirões altos do bairro estão os mais famosos “terreiros” do Brasil, liderados pelo Gantuá, da famosa Minininha, já morta. Sem esquecer que Exú é o patrono das comunicações.”
Nas vizinhanças estão os terreiros eletrônicos das televisões, onde os Exús são os oligarcas e seus prepostos. Todas as televisões abertas estão por alí. E a TVE, exorcizada, também.
Na Grecia antiga era quase assim, no mesmo promontório conviviam deuses e advinhos. Em Delfos jogava-se búzios a vontade. Ninguém ia para uma batalha sem consultar os oráculos, nem tomava navio, nem arranjava namorada nova, sem a firma reconhecida das profecias. Ao lado, Hermes, o mensageiro dos deuses, protetor dos ladrões, dos comerciantes e dos poetas, com o recurso divino da velocidade, levava mensagens e fofocas.
Nessa geografia propícia, reuniram-se Tibúrcio, o representante da presidência da República, Beth Carmona, da TVE do Rio, Pola, da TVE, eu, da Abepec e Achiles da TV Minas. Concordamos que este será o ano das televisões públicas. O Forum das Televisões Públicas a ser realizado,finalmente, em maio, no Olimpo de Brasília, será uma grande pajelança.

Prezado Jorge: Acho fundamental a TV Pública. Mas, gostaria de entender. Porque não se investe na qualidade, especialmente tecnológica, e no alcance das TVs já existentes como a TVE? Não seria mais barato? Um abraço.
Oi Augusto, de fato seria mais lógico investir no que já existe. Mas há uma coisa boa na fala de Lula. Ele já ercebeu que TV Pública é coisa independente e cultural e não veículo chapa branca dos governos. jorge