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08/11/2009 - 15:27

UMA NOVA GOVERNANÇA PÁRA O MUNDO

A CARTA DE SÃO PAULO

O Instituto FHC, a CPFL e o Colegium Internacional, patrocinaram a Conferência de São Paulo para se discutir a idéia de uma nova governança para o mundo, no começo do século XXI. Reuniu no sábado, no Tivoli, uma tropa de elite, elite mesmo: MORAL, INTELECTUAL E POLÍTICA.
No comando da mesa o embaixador da França, Stéphane Hessel, com seus lúcidos 92 anos de idade. Combateu contra o nazismo. Foi um dos redatores e subscritores da Declaração dos Direitos Humanos. Fundou com outras personalidades a ONU. Enfim, suas credenciais valeram-lhe uma ovação no começo do seminário. Michel Rocard, ex Primeiro Ministro, socialista, da França. René Passet, humanista, economista especializado em desenvolvimento e um participante ativo do Primeiro Fórum Mundial de Porto Alegre. Fernando Henrique Cardoso, ex Presidente do Brasil.

Yves Saint Geours, futuro embaixador no Brasil; Danilo Miranda, presidente do Ano da França Brasil; Sacha Goldman, secretário do Colegium Internacional e Augusto Rodrigues, da CPFL, completavam o elenco diretivo do encontro.

O seminário apresentou e discutiu as propostas intelectuais que resultaram na CARTA DE SÃO PAULO, dirigida aos participantes do Encontro de Copenhague, a partir de exposições feitas pelos membros da mesa e discutidas pela assembléia de convidados inscritos. FHC defendeu a prevalência da humanidade sobre os poderes nacionais. Citou Grubachev quando o líder russo propôs, por medo da destruição atômica, que classe e nação não são mais suficientes. René Passet afirmou que as ortodoxias são mortais. Produziram a crise energética e ambiental, a estagflação e os sub-primes. Advertiu que quando um paradigma morre, ele continua a viver até o surgimento de outro que o substitua. Precisamos substituir o paradigma mecânico pelo paradigma da vida e concluiu: o todo não é o topo mas o resultado das bases. Doyle, o pensamento saxônico presente à mesa, propôs um melhor entendimento das pequenas necessidades. A sustentabilidade é sempre prejudicada pelas pequenas misérias como a malária, por exemplo. Solidariedade não é coisa moral, mas uma visualização diária da pobreza e da riqueza.
Michel Rocard, a grande estrela do encontro, propôs na primeira abordagem, apenas o seguinte: PROIBIR A PRODUÇÃO PARA EXPORTAÇÃO, DO PETRÓLEO, EM QUALQUER PARTE DO MUNDO. Explicou o que é o Colegium e vaticinou ainda a criação de um fundo para a luta contra a proliferação nuclear. Em sua palestra aponta as três vertentes da crise econômica: a crise dos produtos derivados, a baixa do poder de compra e a presença enorme do desemprego. Comentou que a transposição pacífica do crédito para a escroqueria, causou um imenso prejuízo, pago por todos os países do Ocidente. No final da Conferência de São Paulo leu-se a Carta de São Paulo, aclamada pelos presentes e cujo texto integral poderá ser encontrado no site do Instituto Fernando Henrique Cardoso

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
07/11/2009 - 20:30

LÉVI STRAUSS EM SÃO PAULO

SÃO PAULO DE LÉVI STRAUSS

Entre 1881 e 1981 a cidade de São Paulo edificou e destruiu o equivalente aos efeitos de duas bombas de Hiroxima. De fato, a cidade inexpressiva do período colonial cresceu vertiginosamente com a economia do café e a presença imigrante. Mas deglutia o próprio crescimento com transformações sucessivas. Lévi Strauss percebeu o fenômeno quando viveu aqui nos anos trinta, trazido para participar da fundação da USP e fazer suas pesquisas com indígenas brasileiros. Notou a velocidade com se fazia e desfazia a cidade. A burguesia ignorante tinha pressa, até para esconder a falta de conteúdo de seu passado. Fernando Barros e Silva, que ocupa a coluna de Clovis Rossi, na FSP, transcreveu dois pensamentos de Leví Strauss, lapidares, sobre as elites paulistanas: “A elite formava uma flora indolente e mais exótica do que imaginava” e considerava que a cultura “ até época recente, era um brinquedo para os ricos”. Creio que Strauss se afeiçoou por São Paulo, apesar de tudo, tanto é que escreveu “Saudades de São Paulo” juntamente com “Saudades do Brasil”. Produziu belas fotografias sobre o centro da cidade, que o Instituto Moreira Salles, conserva com muito cuidado. Sua cultura, sua vida e sua reputação como o maior sociólogo do Século XX, devem muito ao contato profundo que teve com este país e com São Paulo.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
06/11/2009 - 13:32

CRÔNICA DE UM COMENDADOR EM TRÂNSITO

Congestionamento Carioca

O gentleman está encurralado nas poltronas brancas da Mercedes Benz. Cutuca com a bengala de Ipé o ombro erecto do chauffeur, a ver se o servo competente acelera os cavalos castrados da limousine na avenida parada.
- O tráfego está condenado, comendador, pelos motores de menor potência, e prosegue:
- No Rio, Excelência, só Escola de Samba tem trânsito livre na Avenida. — – E nós, Belizário, vamos perder a audiência com Da. Lily Marinho?
Pergunta em angústia o distinto.
Só os flamingos, em sua placidez cubana, vão aceitar o atraso de um comendador sem helicóptero.
No desconforto de uma sabiá sem bico o pássaro cacareja como Cecilia Bártolli, sem o trinado de Maria Callas. Não há como não ser no mundo dos muito ricos. Qualquer congestionamento revela o tom menor de um passado sem compasso e de um presente sem equipamentos, apesar do colarinho branco, passado a ferro. O último esgar de sua ascenção social está barrado pela vulgaridade do congestionamento – único evento democrático na cidade maravilhosa. Não se pode mais visitar D. Lily, que exige horários precisos, como o chá.
O comendador já não se encontra nas poltronas brancas da Mercedez.Volta para detrás do balcão, de onde nunca mais sairá.
A metafisica do comendador não tem acesso ao Cosme Velho.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
04/11/2009 - 13:32

AS NOVAS TOMADAS ELÉTRICAS

DO “PAL-M” À TOMADA HEXAGONAL

Quando fiz a reforma de meu apartamento, o eletricista me pediu verba para comprar 30 tomadas novas para substituir as velhas que estavam ainda em bom estado. Interpelei-o sobre esse luxo custoso. –É, doutor, agora precisa trocar tudo. A lei exige!
Soube então que uma lei havia unificado o padrão de tomadas elétricas. Nem a tomada redonda com saída de fio terra, usada na Europa, nem a tomada americana, redonda mas chapada na superfície, mas uma tomada com uma caixa hexagonal afundada que exige plugs especiais de todos os aparelhos eletrodomésticos. Assim, ou trocamos as instalações das paredes ou compramos novas conexões para ligar os aparelhos que temos, no sistema adotado. Detalhe: não há como instalar fio terra nesse sistema, única coisa que justificaria a modificação.
Não entendo nada de eletricidade mas fico perplexo com essa mania do brasileiro de ser diferente. Para televisão já havíamos adotado o sistema PAL-M, único no mundo. Agora essa de mudar a tomada. Um dia, ainda iremos adotar a direção dos automóveis, no lado direito, como os ingleses.
Engraçado é que isso passou rapidamente no congresso, sem que ninguém percebesse.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
03/11/2009 - 10:47

AGORA. MENORES DE ESTRADA.

ONDE VAMOS PARAR?

O Centro de São Paulo abriga um número relativamente pequeno de menores de rua. Dizem que há mais ONGs cuidando do assunto do que menores propriamente ditos. Contudo, o assunto é sério, porque os menores preferem viver na rua: tem mais relacionamentos afetivos, tem comida garantida, tem o que fazer; as condições de vida e relacionamento em suas casas ainda são piores do que o das ruas.
Mas na rua se propagam, atuam no campo do pequeno roubo e no tráfego de drogas, além de consumirem cada vez mais crack.
Há contudo uma geografia controlada, uma estatística controlada e a possibilidade de uma ação de cunho social.
O estadão anuncia em reportagem patética, a existência de menores de estrada, meninas que se prostituem a cada 26 km para comprar comida ou fumar crack. São pontos de exploração sexual conhecidos pelos usuários e, às vezes, as meninas cobram apenas dois reais por uma relação sexual para consumirem a droga.
Um levantamento da Polícia Rodoviária aponta a cifra absurda de 1.819 pontos vulneráveis e favoráveis à exploração sexual de crianças e adolescentes. Pará, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte e Minas Gerais têm as estradas mais sujeitas a esse tipo de exploração.
Os leitos das estradas nacionais já estavam em ruínas segundo estatísticas feitas pelo próprio IBGE. Agora se transformaram em prostíbulos. Enquanto isso a gente só pensa no PIB.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
01/11/2009 - 19:51

ONDE ESTÁ VANDRÉ?

Um encontro inesquecível

A última vez que vi Geraldo Vandré faz mais de 30 anos, quando eu estava assessorando a criação do primeiro loteamento ecológico do Brasil, o Patrimônio do Carmo. Era um belo escritório, ultramoderno, do empreendedor que conciliava um pragmatismo árabe com uma enorme sensibilidade.
Vandré vestia um poncho esfarrapado e sua cara era só dor. Queria alguma ajuda, mas uma ajuda impossível: ser o que havia perdido. Exilado, depois do Caminhando e cantando, foi para os Andes. Não sei de ninguém que conheça a história verdadeira. Sou testemunha das conseqüências. Sabíamos por alto que ele foi torturado e que lhe administraram drogas pesadas que o enlouqueceram. Outros alegam que foi a tortura sem drogas. Outros, pensam que foi apenas a tristeza mais funda do mundo.
Há momentos em que a impotência da piedade nos impede qualquer gesto. De fato não sabia o que fazer com aquele cantor magnífico, que nos deslumbrara no Maracanãzinho, mesmo perdendo troféu para o Chico Buarque. Desde então, apesar das canções inesquecíveis, nunca foi o primeiro. Compôs com Alaíde, Carlos Lira, Baden Powel, cantou músicas de Vinicius. Produziu álbuns inesquecíveis e sua Canção do Nordeste ainda é uma das mais belas musicas regionais jamais compostas no Brasil e pouca gente falou do amor come ele, talvez Camões, talvez Vinícius, talvez Shakespeare.
Mesmo seu exílio não foi exaltado por nenhum memorialista da esquerda sofrida, nem da festiva. Sumiu como a fuligem. Ninguém canta suas canções ou quando entoa seu hino de guerra, muitas vezes não sabe quem foi o herói da saga musical. É um hino sem autor.
Ontem encontrei no baú uma coletânea de suas vinte gravações escolhidas. Sua voz tem uma juventude e uma dor adolescente. Sua idéia do amor rejuvenesce o amor. Sua idéia da pátria engrandece a pátria.
Meu patrão, há trinta anos, ficou muito chocado de eu estar recebendo gente com aquele aspecto tão suspeito. De fato, não há nada mais suspeito do que um homem desesperado. Perdi meu emprego.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
30/10/2009 - 19:23

AINDA A CIDADE MAIS CARA DO MUNDO

Todos os dias constato um novo preço a bsurdo

Muita gente me escreveu dizendo que a sua cidade era mais cara que são Paulo. Não duvido, mas o que comprovo é o custo de vida em São Paulo. Vejam.
Os preços no centro velho costumam ser mais baratos, embora não esteja me referindo à rua 25 de março. Continuo me surpreendendo. Ontem na Três de Dezembro, onde se encontra o melhor bandejão de São Paulo, a quilo, uma loja esportiva oferecia um jeans normal a 300 reais e um bonezinho a 170 reais, o que quer dizer 100 dólares, o que significa o preço de uma gravata do Hermes, a marca mais sofisticada do mundo. Estacionei na Boa Vista, na qual o térreo de edifícios maravilhosos de antigos bancos foi transformado em estacionamento. 15 reais na primeira hora e 6 reais as subseqüentes. Ninguém fica no centro menos de uma hora. De noite sai do centro e fui a um cinema. Era dia de promoção, o cinema custava apenas 4 reais; como velho paguei a metade, isto é, 2 reais. Estacionei o carro, os mesmos 15 reais da cidade. Comprei uma pipoca pequena e um guaraná diet, 12 reais. Enfim, para ir a um cinema de 2 reais, gastei mais de 30 reais. Estava sozinho. Se levasse a família precisaria pedir uma ajuda do BNDES. Curiosidade. Todo mundo me enche em casa que eu preciso comprar um “robe de chambre” e não andar de pijama pelo apartamento. Numa loja importadora do Iguatemi vi um robe de muito boa aparência por 385 reais. Achei caro. Minha filha falou: – Caro, pai, veja, o preço é 3.850 e não 385. Pensei que ela estava delirando. Um sanduíche de bom porte, queijo, presunto ou churrasquinho num fast food está custando 17 reais.
Tudo isso sem inflação, combate duramente oneroso para a população produtiva e consumidora, que paga juros altíssimos para segurar o mais terrível dos males.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/10/2009 - 19:46

O NOVO FILME DE SERGIO BIANCHI

“OS INQUILINOS”

O filme de Sergio Bianchi, um dos anjos malditos do cinema brasileiro, estreado ontem, mostra maturidade, beleza e muita sutileza. Bianchi, apoiado num roteiro cinematográfico de Bia Bracher, sobre obra de um estreante da periferia literária, deu o mais delicado tratamento à violência, registrado no recente cinema brasileiro. A dupla constitui uma boa conexão entre a aristocracia espiritual e a anarquia intelectual.
Apesar da impactante iconografia da favela que abre e fecha a belíssima fotografia do filme, a anedota básica do filme, situa-se no quadro patético da baixa classe média. Não há a identidade da pobreza e da violência absoluta que se constata nos quadros militantes da favela. O conto de Wagner Giovani Serrer tangencia a grande favela, mas situa-se num resto de bairro de família, na qual o pai construiu tijolo por tijolo sua modesta casa, onde um vizinho velho deveria ser respeitado e no qual o pesonagem queria ser feliz, alí e para sempre.
A coproprietária do vizinho, sua ex-mulher, empresta a metade que lhe cabe naquele latifundio infortunado, a um triângulo de bandidos da favela próxima. A barbárie sonora, a prostituição, o contrabalndo e o roubo, inflamam a convivência com os vizinhos honestos e com o velho meeiro que a mulher deixou entre os bandidos.
O inferno se precipita na imaginação e no dia a dia de Walter, o inquilino honesto, que pretende defender a honra da mulher e o destino de um filho e uma filha menores. Apenas protegido pelos latidos ferozes que emite pedagogicamente para estimular o cão de guarda.
O filme não se engrandece pelo desenrolar trágico da história, mas pela covardia endêmica de uma classe média amedrontada, pela simplicidade com que se lava o sangue do traste que impedia a posse plena da moradia. O filme se engrandece pela novela da novela que o fuxico produz nas confidências da vizinhaça.
A mulher, geralmente mal humorada, só abre um largo sorriso, quando ve o marido furtivo, fuçando a cena do crime, como um “voyeur” profissional.
O ator, Descartes Marat, em sua candura covarde, está magistral como pai de família. O colega, do cursinho noturno, Caio Blat, mostra sua dimensão dramática nas poucas cenas em que aparece, como um revoltado instintivo, mas trágico. Cassia Kiss ensina Carlos Drumond de Andrade, a nós e aos protagonistas da baixa classe média. Comove até as pedras perdidas no ar, com a leitura da poesia “Morte do Leiteiro”, do maior poeta deste país.
O verso do barítono, encravado no frágil coração do subúrbio, no fim do filme, só poderia ser de Rimbaud.
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Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/10/2009 - 18:39

Acabou a ditadura para a TV Cultura

Pelas leis de comunicação da ditadura militar, a TV Cultura de São Paulo, só pode transmitir aulas e conferências e não pode receber nenhuma contribuição em doações ou patrocínios. Seguindo essa lei as televisões públicas desaparecem.
Quando assumi a presidência da TV Cultura em 1995, por causa das inúmeras autuações da Dentel, procurei o Ministro Sergio Motta e comuniquei que não poderia seguir aquelas regras. O Serjão me perguntou se eu achava isso correto. Respondi que, além de correto, era conbstitucional. -Então toca em frente que eu não autuo mais voces, respondeu.
Desde então praticamos uma ilegalidade cívica porque o Ministério continuou achando que a lei vigente era a da ditadura.
FHC criou uma exceção quando fez a O.S. da Roquette Pinto. Lula fez uma lei criando a EBC e definindo os princípios da televisão pública.Mas a Tv Cultura e as demais televisões educativas estaduais, do Brasil, continuaram no vácuo legislativo – sem poder fazer programação televisiva nem receber patrocínios.
O último Forum Nacional de Televisões Públicas pediu a revogação do art.13 da lei da ditadura e, ponto final.
Cansada de esperar, a Fundação Padre Anchieta, com a inspirada colaboração do advogado Gabriel Jorge Ferreira e demais membros do Comitê Jurídico, depois de contato com o então Advogado Geral da União, hoje ministro do STF, Dr. Tofolli, solicitou uma definição jurídica da Fundação Padre Anchieta em face daquelas restrições. A AGEU concedeu-nos o direito de fazer programação generalista, incluindo esporte, informação, entretenimento, cultura, sempre com finalidades educativas, além de nos permitir receber patrocínios, nos mesmos moldes que estabelece a lei que criou a EBC.
Lula assinou decreto consubstanciando essa diretriz da AGU e, por isonomia, todas as televisões públicas, educativas, do Brasil ganharam sua alforria. Agora sim, a televisão pública pode começar no Brasil, sem a tutela regressiva da ditadura militar.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
26/10/2009 - 17:42

VIVA O URÂNIO

DISCUTIR É PRECISO

O Brasil pode acrescentar à suas riquezas minerais e agrícolas o que pode ser uma das novas fontes de divisa: o urânio e a produção de urânio enriquecido. O embaixador Rubens Barbosa tratou dessa questão com propriedade em seu último artigo no Estadão.
Não posso fugir que minhas reflexões pessoais sobre o assunto.
Ninguém advoga que o Brasil produza bomba atômica, nem que o Irã ou a Coreia do Norte o façam. Mas todos estamos de acôrdo que o Brasil tenha suficiente desenvolvimento tecnológico e científico para fazer a coisa. Agregar valor ao minério de urânio, que dispomos, para produzir receitas e melhorar nossa balança comercial é de bom senso.
O uso pacífico da energia nuclear vai ser um elemento preponderante no mundo atual, tanto por razões ecológicas quanto pelo esgotamento dos demais recursos energéticos.
A questão nuclear, assim como a questão do meio ambiente, como a questão dos transgênicos, constituem um campo fértil ao desenvolvimento do farisaísmo.
A sociedade discute pouco essas questões enquanto os lobies radicais de cada um dos interesses, se encarregam da midia e dos poderes executivo, legislativo e judiciário.
Nada se resolve pela razão e pelos legítimos interesses da sociedade, mas apenas pelos interesses políticos que se conjugam com os interesses ideológicos e financeiros dos grupos que radicalizam a questão.
Vamos sim, falar de urânio, de transgênicos e da defesa do meio ambiente. O BLOG está aberto.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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