iG

Publicidade

Publicidade
11/05/2012 - 10:18

PORQUE FICO COM A CULTURA

Compartilhe: Twitter

Tenho a impressão que minhas filhas gostariam que eu me afastasse da política, em geral, e da TV Cultura , em particular. Da política partidária já me afastei, desde que fui eleito para a TV Gazeta, anos atrás, pois achava que um presidente de televisão não pode militar em nenhum partido. Quanto à TV Cultura, sou membro vitalício do conselho, tenho o legado de zelar pela fidelidade da instituição à vontade criadora. Essa vontade constituiu a Fundação Padre Anchieta com autonomia administrativa, intelectual e financeira. Luto há anos para que essa vontade seja respeitada, apesar das constantes investidas contra.

Segunda feira, disputo uma eleição para presidente do conselho, exatamente para defender princípios e idéias que incluem a defesa da natureza jurídica e uma programação de interesse público.

O que está em risco é o nosso modelo jurídico institucional. Por razões de ajuste fiscal, meus oponentes querem adotar contratos de gestão com o governo, quando a gestão é nossa, impartilhável.  Mais adiante buscarão criar uma Organização Social, medida adequada para instituições que não conseguem montar um quadro legal de recursos humanos e que precisam receber, legalmente, dinheiro do governo. Não é o caso da “Padre Anchieta”, que tem uma estrutura sólida de recursos humanos e recebe verbas orçamentárias anuais, por força da lei que a constituiu. Perdendo ou ganhando, fico na luta, para defender meus ideais e a Fundação Padre Anchieta. Como as filhas, a TV Cultura faz parte dos meus amores.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
09/05/2012 - 12:28

QUANDO O CAVALO NÃO QUER BEBER ÁGUA

Compartilhe: Twitter

O mito dos administradores profissionais foi uma das modas impostas pelo neoliberalismo às empresas e instituições públicas e privadas. A moda também se estendeu às instituições classistas e associações e federações.

O administrador profissional tem sempre três patrões: o dono da instituição, seja acionista ou pessoa física, os comentaristas econômicos, (70% dos quais são funcionários do sistema financeiro) e a ideologia hegemônica (depois da queda do muro de Berlim não precisamos dizer qual é).

A FEBRABAN sempre foi, sabiamente, presidida por grandes banqueiros, que tem a noção técnica do negócio e estratégica, da política pública. Barbosa e Setubal entre muitos. Agora, colocou na FEBRABAN um administrador profissional, o Murilo, um técnico competente. Se tudo vai bem em águas paradas, nas crises, a coisa complica.  Desde que Dilma declarou guerra aos juros, que não foi apenas à SELIC, mas também aos juros bancários em todas as suas modalidades, juros convencionais e juros aplicados aos cartões de crédito e cheques especiais, a coisa complicou.

O administrador profissional quer ser mais realista do que o rei. Com ingenuidade, Murilo espinafrou a política pública. Mantega tomou satisfações. Os Bancos o desdisseram. Agora, outro consultor da FEBRABAN, o Sardenberg, fez ironia grossa, dizendo que se levam os cavalos ao rio mas não se pode obrigá-los a beber água. O presidente do Bradesco se desculpou pela metáfora, dizendo que era metáfora técnica.

Melhor seria que o presidente do Bradesco fosse o próprio presidente da FEBRABAN. Os bancos e o Mantega dormiriam mais tranquilos.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
07/05/2012 - 12:25

UM GUIA DE ACESSIBILIDADE CULTURAL

Compartilhe: Twitter

Cento e oitenta e seis espaços culturais terão acesso confortável aos deficientes de todas as naturezas. Esse projeto, iniciado há dois anos por diversas instituições da sociedade, com a coordenação da Secretaria da Cultura, anunciou hoje o guia que orientará os usuários. Essa medida torna-se necessária, pois as estatísticas, mostram que há, na cidade de São Paulo, um milhão e meio de deficientes. É um número astronômico. No Estado todo temos 12 milhões de deficientes. E não estamos falando apenas de cadeirantes. Estamos falando de toda sorte de deficiências, visuais, auditivas, de locomoção, enfim, de toda espécie.

A deputada federal Mari Cabrilli e o Secretário Marcelo Araujo, elogiaram, na ocasião, o trabalho intenso desenvolvido pelo antecessor, Andréa Matarazzo, para viabilizar esse projeto.

Tudo que diz respeito a dependentes físicos, anda devagar, na burocracia do Estado e na boa vontade das instituições privadas. Assim, é um feito o que foi conseguido. Temos um guia e condições avançadas de acessibilidade em 186 casas de espetáculo. É um ótimo começo.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
06/05/2012 - 11:25

Motos – uma estatística trágica

Compartilhe: Twitter

Sempre gostei de motos. Quando jovem, tive uma Yamaha 280, com freio a disco de péssima qualidade e um torque fortíssimo. Era chamada, com alguma razão, de Viúva Negra. Como eu fosse um motoqueiro medíocre, também fui um motoqueiro prudente. Só cai uma vez, sem maiores conseqüências. Mas, então, meu filho, mais ardoroso, resolveu se iniciar na Viúva Negra, com todos os riscos das circunstâncias. Só vi uma solução: levei a moto para a oficina, afim de fazer um reparo, e nunca mais fui buscar a minha Yamaha.

O Código Brasileiro de Trânsito foi covarde ao retirar de seus artigos a regulamentação da fiscalização da circulação das motocicletas. A conseqüência está aí, visível e trágica. Milhares de mortes em todas as metrópoles, diariamente.

Sei que não é fácil disciplinar um veículo com a agilidade de uma motocicleta. A tentação de mudar de fila, de ultrapassar, de veicular no meio dos veículos é muito grande. Além disso, os motoqueiros de entrega tem horários e prazos limitados para fazerem suas entregas.

Contudo, além disso tudo, está o valor da vida. Não há minuto ganho que se compare à manutenção da vida, sobretudo em jovens, que constituem a maioria absoluta dos usuários de motocicletas.

Há marginais e avenidas de risco. Nessas, as motos deveriam obedecer regras rígidas, como os automóveis, de permanecerem em faixas, de não fazerem modificações bruscas de pistas e obedecerem as velocidades indicadas. Nas vias de menor risco, as motos poderiam ter mais flexibilidade, circulando entre veículos automotores, podendo fazer ultrapassagens. Essa divisão de geografias urbanas para a regulamentação haveria de melhorar a estatística dos óbitos diários.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
03/05/2012 - 19:28

DILMA E OS JUROS

Compartilhe: Twitter

Há quem aplique em cadernetas de poupança. Estão felizes há muito tempo, faça chuva ou tempestade. Há os que fazem aplicações ortodoxas nos bancos. Estão mais satisfeitos do que os aplicadores em mercados financeiros europeus ou americanos. Há os que fazem aplicações temerárias, como os inocentes do Leblon que aplicaram com o Madoff ou no Banco Santos.

Há de tudo no sistema financeiro. Países com regulamentação e países sem regulamentação. Nos países com regulamentação, como o Brasil, o sistema não tem nada a reclamar, apesar das inadimplências, pois as margens de lucro são muito boas. Nos países sem regulamentação, como os Estados Unidos, o sistema também não tem nada a reclamar, pois o governo cobre os prejuízos acarretados pelos desmandos da falta de regulamentação.

Ter grandes lucros é o que todo negócio persegue. Assim, no Brasil, só uma coisa deve ser objeto de reclamação séria. OS ALTOS JUROS PRATICADOS PELOS BANCOS BRASILEIROS. Altos juros em operações normais, em operações de crédito especial, em operações de cartão de crédito, enfim, juros altos, os maiores do mundo, em todas as operações. O bom pagador de empréstimos, fieis ao seu banco de escolha, não tem nenhuma regalia na hora de pagar juros, quando precisa pagá-los. O cliente é tratado como qualquer inadimplente.

Banco foi feito para emprestar e promover , assim, o desenvolvimento.

Ninguém duvida que não se trata de uma instituição de caridade, nem que não deva perseguir o lucro. Contudo, deve puxar o breque desses tempos sem precedente da história financeira do Brasil.

Dilma percebeu isso. Cobra dos bancos, os juros que a sociedade produtiva e a sociedade sofredora, merecem. Cobra dos bancos alguma participação nos sacrifícios da nação, para enfrentar as crises e enfrentar o futuro. Cobra dos bancos os juros políticos que a racionalidade recomenda. Não é guerra. É projeto de vida que ora se confunde com o projeto do estado. É projeto de uma sociedade que lhe conferiu mandato e lhe atribui 80% de eficiência.

Há de tudo no mercado financeiro, mas a conta deve ser de todos, igualmente.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
02/05/2012 - 10:30

PRIMEIRO DE MAIO

Compartilhe: Twitter

Primeiro de maio é pleno emprego e justiça social. Pleno emprego só se consegue num processo de desenvolvimento, o que é paradoxal. Nem sempre o desenvolvimento interessa a todos os setores produtivos.Vejamos. A doença holandesa é exatamente isso: se privilegia de tal forma uma comoditie, isto é, um produto agrícola de exportação com ótimos preços no mercado internacional, que se abandona o processo produtivo industrial.Imterrompe-se um processo de produção mais amplo. Por isso mesmo, desenvolvimento é decisão política, é decisão de nação, não apenas do mercado. Por outro lado, primeiro de maio é justiça social, a começar pela  justiça do trabalho: condições decentes de trabalho e de salário, garantias de previdência social, igualdade de condições de trabalho e ganho para homens e mulheres e mais, habitação próximo do local de trabalho, para que o infortunado não perca mais de uma hora por dia em cada deslocamento, um de ida e outro de volta para o trabalho. Além da justiça do trabalho há uma justiça geral, que se caracteriza pela melhor distribuição de rendas. No Brasil, como nos Estados Unidos essa questão é vergonhosa. O “Ocupe Wall Street” mostrou que 99% entram com as costas e 1% entram com o bolso. Há outras distribuições e, aproveito o primeiro de maio para voltar à questão da moradia. Uma industria recebe dinheiro do BNDES, para montar uma fábrica, na Rodovia Castelo Branco. A prefeitura oferece isenção de impostos, por ser zona a ser dinamizada. Nunca se inclui o compromisso de oferecer moradia aos milhares de operários. Conseqüência: surgimento de uma favela na beira da estrada. Porque o BNDES não exige com o empréstimo a solução paralela da questão da moradia? Esse é um pequeno exemplo de distribuição de rendas para o próximo primeiro de maio.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
26/04/2012 - 22:55

ABAIXO AS FLORESTAS

Compartilhe: Twitter

Se depender da bancada ruralista no congresso, o Brasil vai ficar carequinha em menos de cem anos, como a Europa.

O corte começa pelas matas ciliares, à margem dos rios. Não mais os cem metros de proteção, mas 15 metros duvidosos.

Perdoam-se multas passadas e, assim, estimula-se o desmatamento, para criação de gado e plantação de cereais na Amazônia.

Esquecem esses predadores, que a Embrapa tornou o Cerrado uma área fértil, de imensa extensão para o plantio.

Não precisamos derrubar florestas para sermos os maiores produtores de cereais do mundo.

Precisamos colocar num memorial o nome desses deputados, para excluí-los de nossas votações futuras.

Dilma perdeu essa no parlamento, mas pode ganhar muito com o veto.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/04/2012 - 12:25

VIVA O NOVO SECRETARIO DA CULTURA

Compartilhe: Twitter

No dia de São Jorge, sob aclamação dos presentes, quase todos representantes dos setores culturais, Marcelo Araujo foi aclamado secretario da Cultura do Estado de São Paulo. O governador Geraldo Alckmin teve uma boa inspiração ao nomeá-lo.

Marcelo é completamente do ramo. Advogado e museólogo, Marcelo sabe dirimir contendas e colocar os quadros no lugar certo, pessoas também.

É dos raros gestores culturais que carrega , juntas, as duas virtudes: é um bom administrador e um homem de cultura.

Demonstrou isso na Pinacoteca. Substituiu um crack e conseguiu melhorar ainda mais o desempenho da Pinacoteca, hoje, um dos museus mais visitados do Brasil e do Mundo.

Suas exposições são antológicas, seja pela escolha dos expostos, seja pelo cuidado das curadorias. Creio que Giacometti nunca foi tão bem mostrado como na recente expô da Pinacoteca. A seqüência das mostras anteriores é um feito quase épico, considerando nossas condições financeiras, a distância e os problemas de seguro.

O Brasil anda sem norte cultural. São Paulo, que se transformou de maior centro industrial da América Latina em pólo cultural de inigualável dimensão, pode fixar esse norte. Uma boa política cultural é condição de eficiência de um bom resultado educacional. Não há educação fora de uma perspectiva cultural.

Música é educação, assim como o teatro, a pintura, a literatura, o desenho, a dança e todas as outras manifestações da criação humana.

Marcelo pode contar com todos nós. Como ex-secretario, do tempo do Montoro, quero manifestar meu total apoio a sua gestão. Creio que todos os outros secretários, que estiveram na sua posse, também desejam apoiá-lo.

A cultura está de parabéns. Que São Jorge o proteja dos dragões da vaidade.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
23/04/2012 - 09:24

PALAVRA DE MULHER

Compartilhe: Twitter

O compromisso de Dilma e Hillary, ao convocar um combate institucional à corrupção, é uma das melhores novidades políticas do nosso tempo.

A corrupção é feita em nome das instituições, praticada para garantir a chamada governabilidade, justificada para patrocinar eleições, tolerada como caixa dois, que não se confundiria com enfiar dinheiro na cueca.   Tornou-se pura água, ladeira abaixo.

É tanta que não há Policia Federal que produza denúncias inquebráveis.

É tanta que não há juízes que consiga consumar instâncias.

Virou um fator de produção em linha e, também, enriquecimento de advogados.

Dilma e Hillary acreditam em compromisso e formato. Compromisso político de banir a corrupção e formato eficiente de combatê-la. Propõe isso a todos os estados nacionais dispostos a adotar a receita.

As Américas poderiam liderar esse movimento, isso sim, numa verdadeira aliança para o progresso.

Não há progresso com desperdício de dinheiro público. E corrupção é desperdício institucionalizado.

Montoro calculava em 30% do orçamento o rombo do roubo sistemático. Não é pouca coisa. Daria para resolver de vez o problema da educação de uma nação com arrecadação média.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
22/04/2012 - 19:24

A VELHICE DO TEMPO

Compartilhe: Twitter

A velhice do tempo

É mais lenta

Que a do corpo.

Darwin tinha gosto

Pelo lento

E olhava atento

O decorrer

Do inseto.

Já a velhice humana

Tem gosto

Pelo que encobre.

Recolhe, ainda mais

Do que lhe agrada

E dessa tralha

Torna-se herdeira.

Mas guarda

Diamantes

No celeiro.

O velho é sempre

Antigo

No decurso

Do prazo,

Mas o rosto

Na carteira

De identidade

É sempre jovem.

Documentos

Não mentem

Nem escondem.

Já tivemos a fronte

Juvenil

De quem, hoje

Nos desdém.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Voltar ao topo