São Paulo é uma cidade muito importante para ser governada por amadores. Incluo entre os amadores, os menores de idade, os ficha suja, os despreparados tecnicamente e os políticos que fazem da prefeitura uma plataforma política para seus partidos e um trampolim para suas ambições pessoais.
Cidade exige conhecimento urbano, fantasia intelectual e imaginação criadora. Exige um compromisso do candidato com o destino da cidade.
Não é uma discussão oportunista sobre o combate à crack que vai revelar o grande preparo do candidato.
São Paulo é uma cidade global. Sede das maiores empresas do país. Maior pólo de arrecadação industrial, comercial e de serviços. É multirracial, multisocial e multicultural, como nenhuma outra cidade do Brasil.
Nenhuma outra cidade da América Latina a supera em manifestações culturais. Não há gastronomia mais variada nem de melhor qualidade do que aqui. O avanço tecnológico dos setores produtivos e acadêmicos é o mais desenvolvido. Poderíamos criar uma centena de etc. para mostrar a grandeza de São Paulo nos seus 458 anos.
Mas São Paulo ainda não está à altura do seu progresso.
O ensino médio e primário é insuficiente e de má qualidade.
O transporte coletivo é completamente deficitário, embora os planejamentos de longo prazo sejam razoáveis, mas com andamento ridículo.
A habitação popular é insuficiente; quando efetivada, é esteticamente deprimente.
Em todos os itens básicos de sobrevivência e elevação humana, tem os custos mais elevados do mundo, como educação privada, alimentação, seguro saúde, lazer, transporte público e privado.
As novas centralidades não criaram pólos civilizados de coesão e vivência humana.
A moradia está cada dia mais distante do local de trabalho.
A insegurança ameaça ricos, remediados, pobres e miseráveis, com igual desenvoltura.
A corrupção iguala-se ao padrão federal e municipal.
As enchentes, os desabamentos, os congestionamentos, os homicídios, a ocupação do patrimônio alheio e os protestos, transformaram-se em meras estatísticas.
Até agora, as campanhas eleitorais só falam em acordos. Não há um projeto sendo elaborado por nenhum candidato, de conhecimento público. Não há debate sobre conteúdos,
Só se discute o processo.
São Paulo merece mais nestas eleições. Ninguém espera que um candidato ideal caia do céu. O que se pede é um pouco de compostura aos partidos e compromisso aos candidatos.
Hoje, a mera contratação de uma cozinheira, quase requer qualificações e até a presença de um caçador de talentos.
Será que o prefeito de São Paulo não requer qualquer qualificação específica, além das indicações pessoais e dos caciques dos partidos?
Onde estão os currículos e os antecendentes?