08/02/2010 - 16:25
MANDELA TIRA DE LETRA
Gosto de artistas que não têm medo de produzir sentimentos. O intelectual precisa reaprender a conviver com sentimentos.
Clint Eastwood, o velho diretor, nunca teve medo de mexer com o sentimento do público. Por isso mesmo, é o único membro do Partido Republicano, dos Estados Unidos, que o Walter Salles disse que teve prazer de conversar.
INVICTUS, o último filme do diretor, para mim seria o vencedor do Oscar. Avatar lançou para sempre o cinema em três dimensões, além de ter uma história consistente, de repudio ao militarismo e defesa do meio ambiente. Bastardos em Gloria promove o equilíbrio da violência com Rotweillers dos dois lados da fronteira.
Invictus nos mostra que só uma torcida unida constrói uma democracia.
Sem a solidariedade humana e sem a aproximação das classes e das raças qualquer nação se torna inviável, sobretudo uma nação recém-saída da apartheid.
A história é aparentemente insólita. Mandela, recém-saído da prisão, torna-se o primeiro negro presidente da África do Sul. Com a envergadura de um Gandhi, tenta aproximar negros e brancos, vencidos e vencedores. Quer desarmar os espíritos e os arsenais.
Escolhe o caminho mais difícil, fazer que os negros da África do Sul torçam para o time de rúgbi, supra-sumo do racismo branco e da intolerância social.
É a ocasião do campeonato mundial de rúgbi, realizado na África do Sul, no período de transição da discriminação para a democracia, com Mandela no poder.
Mandela mobiliza a nação. Estimula os jogadores. Coopta as torcidas negras. No primeiro jogo veste a odiada camisa verde e dourada do BOK, a seleção nacional.
- Inspiração! Pede ele aos jogadores, aos treinadores a aos torcedores.
Com apoio crescente da população o time ganha partidas impossíveis.
Ao final, Mandela e o capitão do time se agradecem reciprocamente:
-OBRIGADO PELO QUE VOCE FEZ A ESTA NACÃO.
O povo dança e se abraça nas ruas. Nasce uma grande nação.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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05/02/2010 - 19:25
O antigo presídio agora tem alma
O Carandiru foi uma vergonha necessária, depois se tornou uma vergonha vergonhosa e, por fim, virou uma vergonha inútil. Seu enterro teve duas cerimônias inesquecíveis: o filme Carandiru e a implosão promovida pelo estado.
Uma condução sábia do destino e da decisão política transformou aquele imenso espaço num parque da juventude. Um parque implantado na Zona Norte para milhões de jovens cidadãos, geralmente destituídos de oportunidades de lazer e de cultura.
Segunda feira, ao meio dia, o parque terá sua alma. O Secretario Sayad no convida para a inauguração da Biblioteca de São Paulo.
Será uma biblioteca bonita como as grandes livrarias de São Paulo: a Cultura e a Livraria da Villa. Os livros ficarão expostos visivelmente. Cadeiras, pufes e sofás facilitarão o prazer da leitura. Com um pequeno registro o jovem se tornará um cidadão leitor. Até menor de rua pode se registrar e tirar livro emprestado.
Além disso, “lan-houses”, vídeo games, enfim, o que a modernidade pode oferecer aos jovens. O projeto já custou treze milhões de reais para o Estado de São Paulo, sendo dois pagos pelo Governo Federal. Há outras obras e projetos em curso na secretaria do Sayad. Para mim, essa é a obra magna. Um simples parque já seria uma grande obra, mas uma imensa livraria, aberta aos jovens, no coração da Zona Norte, é coisa inusitada nos projetos públicos.
De fato puseram a alma no meio do corpo social. É por esse caminho, que um corpo se torna inteligente e solidário.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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04/02/2010 - 15:50
SE VOCÊ FOSSE PREFEITO O QUE FARIA PELO CENTRO?
Essa pergunta veio a baila num grupo que trabalha em favor do centro. A primeira resposta foi muito decepcionante: -Não se pode fazer nada, porque os prefeitos só pensam no tempo dos seus mandatos e então não dá tempo de fazer as coisas necessárias que são de longo prazo. Aos poucos os presentes foram pensando no longo prazo e surgiram as seguintes idéias:
- Como é muito difícil acessar o centro, por automóvel, pois ninguém sabe como entrar, torna-se importante rever o projeto do Anhangabaú, e transformá-lo num grande portal de acesso aos estacionamentos existentes e às ruas transitáveis do centro e não deixá-lo como uma estrada que liga o norte ao sul.
- Imprimir à área do centro velho, que é pequena, mas simbólica, um padrão absoluto absoluto de qualidade: limpeza, segurança, iluminação, ajardinamento e calçamento.
- Fazer um projeto de lazer e cultura com a iniciativa privada e os orgãos de governo, para criar espaços e eventos, ampliando a experiência da Rua Avanhandava, da Virada Cultural e da Praça da Cultura.
- Transformar o Triângulo do Centro num Shopping a Céu Aberto, com todas as características de animação dos shopping. Isso poderia ser coordenado pela Associação Comercial e empresas especializada em animação dos shopping.
- Ativar os estacionamentos existentes (o da Roosevelt está fechado) e criar novos estacionamentos subterrâneos com saídas para os diversos pontos da cidade. Isso feito, toda a circulação de veículos seria subterrânea e as ruas se transformariam em verdadeiros calçadões, como as alamedas internas dos shoppings.
- Fazer nas áreas circundantes do centro um plano ambicioso de moradias, com desapropriações, unificações de propriedade, incentivos fiscais, para se aporoveitar a infraestrutura existente, em vez de construir bairros em periferias desérticas e inundadas.
Dizer que não tem dinheiro é bobagem, com o IPTU nas alturas em que se encontra.
Envie suas sugestões específicas, pois este BLOG vai remetê-las ao prefeito e aos vereadores.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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01/02/2010 - 21:50
Nenhuma estrada matou mais gente do que a Regis Bittencourt, a rodovia que liga o sul do Brasil. Desde 1990 tanto o governo estadual quanto o governo federal prometem a duplicação da serra que liga Juquitiba ao Paraná, embora hoje o trecho seja de responsabilidade federal, em exploração já concedia para a iniciativa privada.
Trecho de serra, com muitas curvas, o número de acidentes com automóveis e caminhões é incrível.
Hoje a imprensa informa que o prazo para a construção do trecho foi dilatado para 2013, por motivos ambientais. Informa-se ainda que o pedido de autorização ao meio ambiente foi feito recentemente e que o prazo de autorização deve demorar.
Considerando-se que o projeto da duplicação da estrada está pronto há mais de 15 anos parece absurdo que ainda se esteja discutindo questões ambientais.
Há um descaso pela vida humana. Um descaso econômico, pois se trata da rodovia mais importante do Brasil.
Chamo a atenção dos políticos para o fato que o PAC deve se transformar num projeto real, com prioridades, e não apenas num projeto eleitoral.
Há tecnologia capaz de se fazer a transposição de um trecho de serra, sem maiores danos ambientais. A Imigrantes prova isso. Túneis e pontes evitam a devastação.
Essa ampliação do prazo para a inauguração da estrada é inaceitável.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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31/01/2010 - 13:15
Desde criança me pergunto se sofá foi feito para sentar ou para se deitar depois das refeições. Sempre gostei de me refestelar num sofá, fingir que estava cochilando e ficar ouvindo a conversa dos adultos. De vez em quando acordava do frágil cochilo e dava palpite nas conversas. E fiz isso até ficar grande. Meus amigos então diziam que eu podia dormir a vontade na cara dos outros mas que estava dispensado de dar palpite nas conversas.
Hoje quase não há mais salas de visita. Há salas de televisão. Não se conversa mais e há muita gente que cochila diante de uma novela, de um noticiário ou de uma reportagem insossa.
Quem quiser conversar vai para a Internet. Participa de um blog e dá palpite a vontade.Acompanha um twitter e dá palpite a vontade. Entra num Orkut e fala quanto quiser. Se inscreve num face-book e troca opiniões, inclusive fotografias.
Ninguém pode cochilar em frente do note book, do celular, do Ipod, do Ipad, do kindle.
Assim, temos resposta para a utilidade do sofá. Os sofás foram mesmo feitos para se dormir depois do almoço ou do jantar. Constituem uma espécie de cama sem o compromisso inexorável do sono. Mesmo quem tem insônia consegue dormir num bom sofá.
Além do mais, o sofá é uma alternativa, quando a mulher o expulsa do quarto. Em vez de ir para um hotel, você dorme em casa, num bom sofá, com a televisão meio ligada num programa intolerável.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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27/01/2010 - 19:49
TEXTO
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Até 1996 o Brasil tinha uma das publicidades mais criativas do mundo. As agências nacionais que detinham contas de produtos e serviços nacionais e internacionais contratavam profissionais brasileiros, ganhavam prêmios em todos os festivais de reputação internacional e prestavam um serviço de primeira classe para seus clientes.
Aos poucos, a globalização, como um tubarão gulososo, foi engolindo todas as agências nacionais de grande e médio porte. As contas internacionais passaram para esses grandes conglomerados. A criatividade foi enlatada nas matrizes para uso de todos os clientes com marcas internacionais de automóvel, alimentação, cerveja, vestuário etc. Alguns grandes empresários brasileiros também tinham orgulho em anunciar com empresas internacionais. Em resumo.
Acabaram as empresas nacionais. Acabou a criatividade nacional. Acabaram os emprêgos nacionais na escala de antigamente. Das grandes agências que resistiram o assédio dos tentáculos da publicidade inglesa, americana, japonesa ou francesa restaram a Talent, o Nizan e a DPZ. Quase só com clientes nacionais pois todos os outros foram transferidos para as mega agências dominadas de fora.
O prejuizo para o Brasil foi enorme. A pouca cultura industrial brasileira foi desmontada no chão da fábrica e na imagem que as agências produziam delas. Nossos criadores viraram burocratas de agências internacionais.
Esse foi mais um dos prejuizos da globalização para a economia brasileira. Mas, como não há argumentos contra a moda, esperamos que a onda baixe, para reconstruirmos no futuro, o que já tinhamos acumulado num passado tão criativo.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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26/01/2010 - 00:08
O prefeito já concorda que a falta de planejamento possibilitou a impermeabilização excessiva da cidade de São Paulo e de que essa é a principal causa das enchentes. Há outras: bueiros entupidos, gente que joga lixo na calçada, gente que entope os córregos e os rios com todo tipo de lixo, etc. etc.
Nesse contexto, em todos os discursos comemorativos do aniversário da cidade, embora estejamos vivendo um crise sem precedentes, com mais de 60 mortos e milhares de famílias ao desabrigo, não ouvimos uma única convocação civil por parte das autoridades. Não ouvimos o anúncio de nenhuma medida eficiente de caráter emergencial.
Imaginem essa, por exemplo:
Primeiro – Todos os proprietários de imóveis residenciais, comerciais e industriais, na cidade de São Paulo, estão intimados a gramar a metade da área longitudinal de suas calçadas. A prefeitura descontaria no IPTU a despesa comprovada desses serviços. Isso produziria uma permeabilidade sem precedentes na cidade, até o próximo verão.
Segundo – Todos os terrenos que circundam as construções industriais devem reservar 50% de sua área para jardins e gramados, capazes de absorver parte das chuvas. Haverá benefícios fiscais para tanto.
Terceiro- Todas as residências devem ter a mesa proporção de jardim em suas áreas externas., 50%.
Quarto – Criar um disque limpeza para indicar os transgressores da limpeza urbana.
Essas pequenas medidas, segundo especialistas que consultei, diminuiriam sensivelmente as conseqüências das grandes chuvas, como as deste ano.
A força eleitoral de um prefeito e de um governador, convocando a sociedade e os proprietários, teria uma repercussão imediata. Todo mundo quer ajudar, mas não sabe como.
O homem de estado não tem o direito à perplexidade que acomete as vítimas durante as tragédias.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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24/01/2010 - 21:49
HA MILHARES DE FILMES SOBRE O HOLOCAUSTO.
Quase todos tratam do extermínio em massa e o horror dos corpos dilacerados, enterrados como trapo na vala comum. Mais parece o extermínio de uma raça do que de pessoas humanas.
O filme de Claude Miller também trata da questão dos judeus na Segunda Guerra Mundial e tem como fundo a crueldade do holocausto. Mas o filme trata sobretudo de pessoas humanas, de personagens comuns, que tinham uma vida real, em Paris, quando a adesão do Governo de Pierre Laval os transformou em condenados de guerra.
É uma história complexa de amor e de identidade. Até o início da guerra os judeus vivam com orgulho a sua marca de judeu. Participavam das alegrias, das festas e das vicissitudes normais em toda história humana. Na família de Maxime Grumberg também se vivia assim.
Hannah, a jovem judia casada, mãe de Simon, o menino bem amado de todos, ama o marido e tem orgulho de sua raça. Anda com o emblema dos judeus, costurado em seu casaco. O marido, repudia a origem judaica e recusa o uso do símbolo. Além do mais se apaixonou pela futura cunhada. Quando o destino se coloca à frente de todos: fugir ou correr o risco da prisão , dos campos de concentração e da morte, Hannah apresenta aos soldados seu passaporte de judia e identifica o filho. Para o grande crítico Luiz Merten, Hannah é uma Medeia, que se vinga do marido e de todos, sacrifica o filho e a si própria para manter a dignidade do amor traído. Na minha percepção, talvez mais pobre, Hannah defende até a morte a sua identidade e a dignidade do amor ofendido. Caminha para a morte e deixa seu amor inteiramente livre, do outro lado da fronteira, sem o emblema no peito, mas inteiramente órfão do filho que amava a admirava.
A construção do romance e do filme é de uma enorme beleza e possui uma costura que só a grande literatura é capaz de tecer em linguagem escrita. Claude Miller soube fazer no cinema o mesmo que Philippe Grimbert fez com o romance. Vale ver mais de uma vez, porque a vida humana é bem mais complexa do que o próprio holocausto.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
Tags: HOLOCAUSTO
23/01/2010 - 14:00
ANOREXIA É DOENÇA
Bem que gostaria de sentar-me na primeira fila dos desfiles da São Paulo Fashion Week, ao lado de lindas mulheres com bolsas de 30 mil dólares. Teria uma sensação de que não existe o Haiti nem a Vila Romana.
Saberia que nem tudo termina em pizza. Os meninos comuns, antes dos desfiles comem sanduíche de presunto, só o Jesus da Madona come pizza.
Veria um campo de múltiplos cenários que nos lembrariam “sonhos de uma noite de verão”.
Sou a favor da livre criação e estes estilistas são grandes criadores.
Envolvem qualquer caveira com traços edificantes. Traços helicoidais, panos drapejados, pedras cintilantes. Tudo fica bonito, quando envolve um palito e o reduz a nada. Difícil é cobrir uma grande bunda com panos elegantes. Mas, 90% das mulheres do mundo carregam, para a alegria de Renoir, grandes ancas.
Da mesma forma que há campanhas nacionais para a vacinação em massa contra dezenas de doenças , o SPWF faz uma campanha permanente em favor da anorexia. A mulher osso é o paradigma da beleza, da oportunidade de carreira, da moda, enfim. Assim, meninas acima de 13 anos fazem esforço incríveis para manterem essa silhueta do mercado. Não importa a lógica, a saúde, a beleza que deus lhes deu. É preciso inventar uma nova mulher. Uma mulher que não existe, vestida com roupas que não existem, destinada à convivência abstrata das vitrines. Objeto do amor que dura o tempo da passarela.
Assim, as Fashions constituem atentados à saúde pública e a um sentido mais profundo de humanidade. Melhor seria mudar a direção do talento criativo.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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21/01/2010 - 19:14
REPENSAR SÃO PAULO
O grande problema de São Paulo era a violência. Agora é o Verão.
Hoje pela manhã, quando perguntaram a um jornalista, quais eram os pontos de alagamento, ele respondeu: Somente um. A cidade inteira.
De fato, Janeiro presenciou as maiores chuvas dos últimos verões na cidade de São Paulo.
Seriam evitáveis as suas conseqüências?
Umas sim, outras não. As obras do Tietê prometiam que não haveria mais transbordamento de seu leito. Houve transbordamento. A vazão oferecida pela calha ampliada não agüentou a quantidade de água e alguns pontos ficaram inundados. Além da ampliação da calha teria sido necessária uma dragagem permanente do fundo do rio para retirar a lama que se acumula. Por outro lado teriam sido necessários os 50 piscinões que faziam parte do projeto e que não foram construídos.
A impermeabilização do solo aumenta cada dia em São Paulo com a expansão das edificações e isso aumenta o fluxo de água nas ruas da cidade, cujos bueiros não comportam tal volume.
Isso, porém, são problemas técnicos. O grande problema é que os administradores de São Paulo só pensam o tempo dos seus mandatos. Tudo deve ser feito e terminado dentro da agenda eleitoral e não dentro de uma agenda de planejamento urbano.
Falta visão. Falta grandeza. Falta planejamento a longo prazo.
Não podemos resolver problemas pontuais, depois das crises, mas pensar uma cidade que conviva com o futuro e com as estações do ano.
Nos anos vinte São Paulo terá 21 milhões de habitantes. Será a quinta cidade mais rica do mundo. Terá um enorme orçamento público.
O crescimento de São Paulo sempre foi um crescimento desordenado, desde o fim do Século XIX, regido pelos loteamentos. Junto com o Rio de Janeiro foi a única cidade brasileira que cresceu sob o domínio do sistema imobiliário.
O sistema viário foi subestimado. O sistema de transporte público negligenciado. Em 27 já tínhamos projeto e financiamento de Metro, da Light, que nunca foi autorizado. São Paulo se estendeu e impermeabilizou uma área muito maior do que Xangai, com população muito menor. As áreas adequadas ao adensamento foram proibidas de fazer construções verticais altas, razão pela qual a cidade se esticou para as periferias sem infra-estrutura.
As agências de publicidade e os marqueteiros proíbem os prefeitos de pensar. Pensar na cidade. Só podem pensar no efeito das obras improvisadas.
Assim, não precisamos de chuva para viver num inferno urbano. Com chuva viveremos num inferno anfíbio.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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