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04/07/2009 - 08:00

OS CHINESES NO AUDITÓRIO DA FLIP

 

FLIP – MANDARIM NO PAINEL DO TELÃO

 

Quando o telão da FLIP anunciou os canais de tradução, estava lá, entre o inglês e o português, a língua dos chineses, o Mandarim. Pensei. De fato a China está entre os BRIC. Aos poucos teremos de nos habituar com a presença do Mandarim em outras ocasiões menos literárias.

Para a FLIP vieram dois escritores dissidentes: Xinram e Ma Jiam.

Xinram já se universalizou. Passou por 32 países e hoje vive em Londres. Domina bem o inglês e já é uma escritora famosa. Seus livros referem-se aos sobreviventes da Revolução Cultural de Mao TSE Tung. Ela sempre indaga onde estão as tradições das velhas avós chinesas e porque a população mudou tanto os seus hábitos, não a comida  e as moradias, mas os sentimentos. Não acredita que o desenvolvimento econômico trará a China de volta a uma grande civilização.

Ma Jiam é um personagem mais sofrido. Não se situa mais no ocidente nem no oriente, na Inglaterra ou na China. Sua nostalgia e sua literatura estão concentradas no massacre Praça da Paz Celestial. Tem uma filha na China, mas não pode voltar mais para lá. Quer ir comemorar o aniversário da filha de 12 anos, mas tem o receio de ser preso. Fala com discrição e dor. É hoje um peixe Fora da água, mas com grande talento literário

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03/07/2009 - 14:00

FLIP - Histórias em quadrinhos e Separações

FLIP – O RAVE DA TERCEIRA IDADE

 

A primeira rodada da FLIP foi uma verdadeira maratona.

Confesso-me um marinheiro de primeira viagem no HQ. Esses novos traços foram bem delineados com a caneta, o pincel e a simpatia de Rafael Coutinho, Fábio Moon, Gabriel Bá e Rafael Grampa. Provaram que o brasileiro precisa de um primeiro estágio profundo no Brasil, antes da aventura internacional. Demonstraram que é melhor criar um HQ brasileiro e renunciar aos super heróis.

 

A segunda rodada foi um “porre” de inteligência.

Rodrigo Lacerda pautou a fala com discrição e até uma certa humildade. Sua leitura do último livro “Outra Vida” trás a bela descrição de um parto. As emoções discretas de um pai, a mãe e o avô açougueiro. Rodrigo prefere personagens mais simples, de um mundo fora da classe media liberal dos artistas e jornalistas. Domingos de Oliveira leu um manifesto sobre a inevitabilidade e a dor das separações. Com humor leve, mas negro, recitou as próprias separações em número de cinco, com muita dor e soerguimento.

Afirmou que não há nada banal na vida humana e que toda separação é um alívio, pois faz parte de um bom casamento. E, de prêmio, nos informou como o amor acaba e como acabar um amor dói. Afirma que só há literatura auto biográfica e que Auto Ajuda também é literatura, principalmente em Aeroportos. 

 

 

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02/07/2009 - 15:00

O BANDEIRA DA FLIP

A FLIP COMEÇA BEM EM PARATY

 

O principal poeta moderno de minha geração foi Manuel Bandeira. Hoje, as gerações o cultivam bem menos, mas os críticos universitários ainda veneram o mais longevo dos tuberculosos.

David Arriguci inaugurou as mesas da FLIP, com maestria, falando de Manuel Bandeira. Eu pensava que o professor Arriguci era especialista em Carlos Drummond de Andrade e Guimarães Rosa. Ontem percebi que o David é um grande bandeirista. Destrinchou-o do quarto à rua com apenas dois poemas: Momento no Café (Quando o enterro passou…) e Só, para Jayme Ovalle (Quando hje acordei…).

Começou por anunciar Bandeira como um profeta: Bandeira é o São João Batista do modernismo.

Serviu-nos ainda uma compreensão do poeta em três movimentos: 1. Como Bandeira concebeu a poesia. 2. Como Bandeira praticou a poesia. 3. Com que sentido Bandeira praticou a poesia.

Duas coisas importantes ficaram em minha mente sobre sua poesia. Em primeiro lugar a idéia de alumbramento, uma instância entre a luz e o êxtase, que Bandeira conheceu precocemente ao ver uma mulher nua no chuveiro. Erotismo que o acompanhou pela vida a dentro e lhe deu resistência para enfrentar a tuberculose do jovem. Com o erotismo, Bandeira superou o gosto cabotino do romantismo. Depois, Arriguci nos convenceu que Bandeira fazia poesia de alto a baixo e simultaneamente. Dos mais elevados símbolos produzidos pelo espírito, às mais corriqueiras ocorrências produzidas pela calçada, Bandeira nos ensinou essa ambivalência transcendente.

Centenas de aficionados aplaudiram, ovacionaram mesmo, o orador discreto e sábio. A FLIP começou muito bem.

 

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02/07/2009 - 11:47

15 ANOS DO REAL

A HERANÇA MALDITA DE FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

 

Quando Alexandre morreu, seu Império se alastrava até o atual Afeganistão. É claro que com a ausência do líder conquistador o Império logo se dissolveu, até mesmo com facilidade, porque Alexandre deixara governar, em cada Satrapia, as lideranças locais.

Contudo, depois de 300 anos de sua morte, ainda circulava em todo o Império Macedônio, a mesma moeda, o dracma. A moeda, mediadora de trocas, mostrou-se mais estável do que o próprio universo de Alexandre.

Isso não é fácil de ser compreendido no Brasil por uma geração que só conheceu a inflação, e diversos nomes de moeda, Cruzeiro, Cruzeiro Novo e Real. De fato, a efígie de D. Pedro II não foi muito além de sua destituição.

Quando se projetou o real, há quinze anos, a credulidade era mínima, ainda mais com os geninhos do MIT inventando um valor de transição, a URV, que ninguém entendia o que era, mas funcionou brilhantemente. Os geninhos até que mereceram um Prêmio Nobel que não veio, até porque o terceiro mundo não é muito cotado na lista dos economistas acatados pela Suécia.

Fernando Henrique, um ministro da economia mais crédulo do que a Academia Sueca, confiou nesses e em outros economistas e implantou o Plano Real. Nosso dracma emplacou. Desde então, vivemos uma taxa civilizada de inflação. Isso permite ao cidadão mensurar o custo de sua vida. Permite-lhe inclusive avaliar as taxas de juros, o valor dos impostos que paga, os riscos que pode correr e até mesmo avaliar o prejuízo nacional advindo da corrupção. Com moeda estável podemos perceber também as proporções e as desproporções do câmbio.

Como na sociedade capitalista moderna, câmbio e taxas de juros determinam a natureza e o ritmo do desenvolvimento, qualquer um de nó pode perceber os riscos que a nação corre quando privilegia juros especulativos e câmbio covardemente forte.

Devemos isso a Fernando Henrique, sua herança maldita. Queira Deus que Lula nos deixe outras heranças malditas, como a moeda estável.

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01/07/2009 - 11:19

A COMUNIDADE VAI DEFENDER O CENTRO

ALIANÇA PELO CENTRO HISTÓRICO  II

 

A última edição de URBS, revista trimestral da Associação Viva o Centro, trata com a devida profundidade a questão da Gestão das Cidades. E aponta como uma das soluções a criação de BIDS, projeto adotado nos Estados Unidos para a administração de projetos pontuais, complementares aos serviços públicos das prefeituras, e realizados pela iniciativa privada, isto é pelas pessoas jurídicas das áreas interessadas no projeto. São ações complementares, que cuidam dos detalhes, como a melhor varrição de uma rua, o tratamento de uma praça, o aperfeiçoamento de calçadas, a coleta do lixo deixado nas calçadas etc.etc. São projetos de tolerância zero, para que a área em questão, tenha uma qualidade urbana próxima do ideal. Isto já foi feito na Philadélfia, em dezenas de locais de Nova York, e em outras sessenta cidades dos Estados Unidos. Cria-se para tanto uma contribuição voluntaria, votada pelos empresários, contribuição essa que se torna obrigatória para a realização do projeto aprovado e apenas para o projeto. O BID deve durar quatro anos, tempo de sua implantação e realização.

 

No Rio de Janeiro a Associação Comercial, que lidera esse projeto, denomina o BID de ARE (Área de Recuperação), e está estudando uma reforma constitucional para permitir essa taxação voluntária, que será proposta ao Congresso Nacional.

 

Em São Paulo, a Associação Viva o Centro, juntamente com o Estado e a Prefeitura vão realizar uma Aliança para o Centro Histórico, para cuidar da manutenção rigorosa do triangulo que deu origem à cidade de São Paulo. Com a ajuda financeira inicial da Bolsa de Valores, a Univesp, da Nossa Caixa, Caixa Econômica e Itaú, uma sede na rua da Quitanda cedida pela Nossa Caixa, um grupo de monitores apontará todas as falhas de manutenção a serem providenciadas pelos órgãos públicos no campo da iluminação, pisos, limpeza, além dos problemas sociais mais relevantes.

 

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29/06/2009 - 17:43

VOSSA EXCELÊNCIA NÃO NOS DECEPCIONOU

A MORTE DE GOFFREDO DA SILVA TELLES JUNIOR

 

Quando entrei na Faculdade de Direito, imaginei que estava entrando no cenáculo, no templo máximo do conhecimento e da moralidade. Além das exigências próprias da idade, tinha uma formação rígida proposta pela Juventude Estudantil Católica, que eu ajudei a fundar no Colégio São Bento.

Professores nos decepcionaram pelo tom grandiloqüente de suas aulas, em sua grande maioria, mais atentos à própria vaidade do que aos 180 alunos de um auditório formal e distante. Aprendíamos um direito teórico, tão distante da realidade quanto da humanidade. Por isso mesmo devo minhas grandes leituras literárias a esse período da vida. Sentava na última fileira e me deliciava com Dostoievski, até que o professor Lino Leme me surpreendeu com uma pergunta insólita: - O ilustre estudante da última fileira poderia me informar sobre quantos metros tem uma milha?

Gelei, pelo flagra e pela surpresa. Fui convidado pelo ilustre professor a ir ler Dostoievski na biblioteca da faculdade. Desse dia, em diante, fui mais cauteloso com a minha cultura literária.

Já o professor de Introdução à Ciência do Direito nos encantava em cada aula. A gênese do direito já era uma questão empolgante. Suas origens, propostas pelo grande orador que era Goffredo da Silva Telles, nos conduzia à indagações dignas de adolescentes curiosos. Na aula em que ele encerrava o capítulo sobre a origem mais remota do direito ele afirmava com emoção e convicção: - O direito nasce no coração humano. Goffredo saia da sala aplaudido de pé.

Lembro-me que numa homenagem da UEE ao grande professor, Fernando Gasparian, presidente, me pediu que fizesse o discurso de saudação à Gofredo. Calouro, no primeiro ano de curso, falar na Sala dos Estudantes, na tribuna de honra, onde discursavam grandes oradores como os veteranos Almino Afonso e José Gregori, eu estava apavorado. Tremi nas pernas. Tremi tanto que ao subir na tribuna tropecei na escada. Já no púlpito, em pé, levantei a voz e afirmei, sem saudar mais ninguém: -Professor Gofredo! Vossa Excia não nos decepcionou.

Foi um aplauso enorme. Ressuscitei. Até hoje tenho a impressão de que Goffredo era capaz de reerguer qualquer neófito, levantar qualquer causa perdida, e recompor a dignidade no meio das trevas. Sua Carta aos Brasileiros nos tirou de 30 anos de escuridão.

 

 

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26/06/2009 - 19:30

ASCENÇÃO E GLÓRIA DE MICHAEL JACKSON

A desconstrução do anjo

 

Hoje em dia não é fácil morrer aos cinqüenta anos. Por isso mesmo nos chocamos e acreditamos que Michael morreu muito jovem. Um menino quase. Aliás o menino que ele nunca deixou de ser.

Ao consagrar-se com seis anos de idade, o quinto dos Five, era uma criança alegre, super ativa, com uma capacidade de se movimentar e dar ritmo ao movimento, invejável. Eram cinco, mas o quinto não parecia deste mundo. Pulava, dançava, cantava como um saci de duas pernas simétricas, coordenadas, gêmeas vitelinas.

Os cinco irmãos saíram do terrível guarda chuva paterno para a glória numa corrida bem americana, badalada, desenfreada de limusines e aquinhoada de riquezas.

O jovem Michael, já com vinte anos, era um homem bonito e genial. Compunha, tocava, cantava e dançava, como quem? Desse jeito. Ninguém.  

Descolou-se dos Five sem perder a ternura.

Foi um fazedor de discos e o maior produtor de clipes que o “entertainment” já conheceu. Toda a produção do Cirque de Soleil não vale um só rodopio do Michael Jackson. Elvis bateria continência. Fred Astaire diria: – Além do que eu fiz, só ele. E as musicas, e as letras, e o canto, e as coreografias, e as produções cuidadosamente feitas e pagas por ele?

Com toda essa bagagem me espanta essa mania de querer ser branco. Porque meu Deus, mudar a cara tão bonita que Vossa Excelência lhe concedeu?

Burlar a pigmentação, afinar o nariz, criar um arco acima da íris. Tudo tão milimétrico a busca de outra rima, de outra estética. Tudo tão feio, patético, a ponto de ter que embelezar a sombra com fantasmas que lhe renderam um thriller de 120 milhões de cópias. Vendeu ao todo 750 milhões de cópias, sem contar as piratas.

O rosto e os hábitos impróprios de um anjo branco descoloriram a face e a fortuna. Morreu duro como um negrinho mal sucedido da periferia, mas acendeu todas as manchetes do mundo.

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24/06/2009 - 10:27

A COZINHA DA ALCOBAÇA

 

De como Laura Góes emigrou do Palmares para a Serra

 

 

Laura Góes tem raízes serranas, mas o destino emigrou-a para geografias diversas, principalmente São Paulo, onde, professora de matemática, criou dois colégios muito reconhecidos: o Palmares e o Gávea. Deve ter sido um grande mestre pois foram centenas os ex-alunos presentes ao lançamento de seu livro “A Cozinha da Alcobaça”.

Da mesma forma que emigrou, Laura, mãe da escritora Marta Góes, autora da inesquecível peça de teatro sobre Elizabeth Bishop, desemigrou e, há vinte anos, se instalou no chalé familiar em Petrópolis.

Com um senso altamente profissional comprou a parte familiar da propriedade e instalou a Pousada Alcobaça, com todos os requintes de uma pousada de charme e a simplicidade de uma boa propriedade pessoal.

Assim como é verdade que o frio civiliza, boa culinária proporciona alegria à civilização. Boa culinária é resultado de empenho e experiência. Laura pratica essas duas virtudes, como nos demonstra esse livro delicado que li num único gole, como se um bom trago de vodca.

Mas boa cozinha também exige um território civilizado. E isso é proporcionado pela região serrana de Petrópolis. Laura encontra por lá tudo o que precisa, não para uma cozinha caseira, mas para uma cozinha natural sofisticada. Bons legumes sem agrotóxico, frutas da região, incluindo morangos silvestres, galinhas caipiras, porcos, leitoas e bons tubérculos. Os temperos planta no próprio jardim da pousada e sabe usá-los. Tempero é como uma boa prosa, não aceita mais nem menos. É inteligência dosada.

Laura nos dá, além de todas essas delicadezas, alguns usos e receitas inesquecíveis. Melhor prová-las por certo, mas porque não tentar executá-las na intimidade de um fogão próprio?

  

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22/06/2009 - 16:50

A MP DOS GRILEIROS E A PAZ NOS CAMPOS DO SENHOR

O MÍNIMO QUE SE EXIGE PARA A PRESERVAÇÃO DA AMAZÔNIA É A TOLERÂNCIA ZERO. O RESTO É BABOSEIRA.

 

Desmatamento é como erosão. Começa como um filete que logo se transforma numa avalanche. Não faltam inventores do progresso para justificarem a devastação do meio ambiente. Não faltam bancadas ruralistas, nem bancas de roleta. Não faltam oligarcas armados. Não faltam representantes do povo. Não faltam exploradores travestidos em pregadores evangélicos. Não faltam GRILEIROS com armas jurídicas nas mãos sujas.

Só faltava uma MP recheada como uma empadinha. Ei-la aí, a desmoralizar ainda mais o Congresso Nacional. Abrindo portas e comportas para os grileiros, para os fazedores de deserto, para os madeireiros, para os criadores de gado em lugar errado. Isso já é demais. O Lula precisa vetar a MP desfigurada. Ainda pior do que o soneto, a emenda. Diria melhor, o remendo.

Triste o país que fica feliz com a notícia de que o desmatamento diminuiu um pouco no trimestre passado. Não existe meia honestidade, meia virgindade, meio desmatamento. Marina Silva tinha razão, o infortunado MINC também, até os ingênuos cavaleiros do Green Peace estão com a razão.

Aos criadores que de boa fé acorreram aos apelos da ditadura Militar para se instalarem no Pará, resta um acordo com a natureza e com a lei: reflorestar o percentual exigido, respeitar os recursos humanos e criar seu gado no pasto legal.

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21/06/2009 - 18:15

GOETHE E “A PARTIDA”

O mesmo lirismo em Goethe e em Yoshiro Takita 

 

As altas demandas do espírito não estão longe como presumimos. São Paulo, no-las oferece em pencas, se não tivermos preguiça em alcançá-las.

Apenas ontem, em circunstâncias diversas, colhi duas obras primas do lirismo, como um eixo a unir matizes, tão distintas: A PARTIDA, filme japonês que venceu o OSCAR de melhor filme estrangeiro e ELEGIAS DE MARIENBAD, que Goethe escreveu com 74 anos sobre seu amor com uma jovem de 20.

O filme de Yojiro Takita trata com a precisão da lâmina de coisas sem as quais a vida não teria sentido: a solidão, o amor humano, o trabalho, o amor do pai ausente e a morte.

Na vida infortunada e sem oportunidades, Daigo, o tocador de Cello, foi trabalhar com a morte, profissão infamante que lhe trouxe, contudo, a vida de volta: a música, a mulher e o pai pródigo.

Goethe não teve o mesmo consolo, além da poesia e de todo saber que o iluminava. Na triste elegia do amor que tudo ilumina e se elimina, como o acaso e a sabedoria da jovem amante, ao abandoná-lo.

Poesias Escolhidas” de Goethe foi editada pela Átomo, na coleção Raizes Clássicas e

Fausto” completo, foi traduzido e editado pela Editora 34.

A Partida” ainda está na Sala Vila Lobos, do Belas Artes.

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