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09/02/2012 - 16:35

um novo planeta – boa saída

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Se a
Terra anda aborrecida, surgiu uma esperança. Foi localizado um planeta quatro
vezes maior do que o nosso, com água potável (toda água é potável antes que o
homem apareça), e presumíveis condições adequadas para a vida terrena.

Os
sem terra teriam lugar à vontade. Os ecologistas teriam espaço para quantas
florestas fossem necessárias. Os adeptos da vida não precisariam se infernizar
com as profecias de Malthus.

A
temporada de fantasia fica, assim, aberta por tempo indeterminado.

Como
o planeta provavelmente está intocado pela inteligência criativa poderíamos
compilar todas as leis que deram certo aqui na Terra e produzir uma
constituição digna da descoberta.

Poderíamos
selecionar as conquistas científicas, agrícolas e industriais para criar uma
sociedade produtiva, sem concorrência predadora nem consumo acima do
necessário.

Haveríamos
de fazer uma reforma agrária prévia, com previsão adequada ao número de
emigrantes que se dispusessem partir para a distância esperançosa dos anos luz.


não poderíamos legislar sobre o coração humano em sua profunda diversidade. Mas
seria proibido criticar as opções do coração humano. Até hoje não tenho notícia
de um mau procedimento que tenha sua origem na liberdade do coração.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
08/02/2012 - 11:55

UMA PALAVRINHA AO PSDB

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UMA
PALAVRINHA AO PSDB

 

 

Todo
mundo sabe que a única cidadela que Lula não conquistou, é São Paulo. Nem nas
eleições para presidente, nem para as de governador, nem para as municipais.
Cidadela tem sido um espaço de oposição, embora Lula seja um implante daqui, o
mais bem sucedido implante sociológico da história do Brasil. 

Um
partido de oposição, bem sucedido nessa geografia política, devia cuidar desse
patrimônio eleitoral. Enfrentar a Floresta de Dusinane que se aproxima , em
termos shakespearianos.

Ao
contrario, o PSDB gasta seu tempo com crises internas, com declarações externas
e contraditórias de seus líderes, com manifestações de desprezo recíproco.
Propõe uma prévia e desmoraliza a prévia com a perspectiva de seduzir o Serra,
um candidato que não quer ser candidato.

Ninguém
é dono dos 43 milhões de votos que a oposição obteve nas eleições
presidenciais. Foram votos de quem não queria o Lula na presidência. Esse e
outros votos não pertencem ao Serra, nem à Marina. Pertencem a qualquer
candidato de oposição. E a maioria desses votos está em São Paulo.

Dessa
forma, se o PT levar o seu candidato ao segundo turno, o que é provável,
travará uma luta feroz com qualquer candidato que vista a camisa da oposição
tradicional de São Paulo. Basta esse candidato não andar por ai a fingir que é
amiguinho de todo mundo. Amiguinho de todo mundo não ganha eleição. A guerra
vai ser pesada e já começou, no entanto parece que a turma da oposição está
esperando para ser convidada para o baile. Enquanto isso, Kassab abre o
caderninho de inscrições, para as damas que queiram dançar com ele.

Tenha
dó.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
30/01/2012 - 12:12

A NEVE DE PAMUK

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Orhan Pamuk, o poeta e romancista turco, fez uma bela conferência na Sala São Paulo, em dezembro de 2011, para mil  leigos interessados. Falou da construção do romance, sua estrutura, suas histórias e seus personagens. Detalhou com minúcias o processo construtivo de um romance. Chegou a parecer exagerado, na importância que dava às particularidades.

Estou lendo NEVE, seu romance cuja ação se passa em Kars, na Anatólia Oriental, castigada pela nevada implacável e pelas  lutas étnicas e religiosas.

A cultura norte americana nos ensinou a ver tudo como um todo indivisível, marcado por uma caricatura exponencial. O Iran é assim, o Brasil é assado.Nada, nem pessoas, nem países, são avaliados na sua imensa diversidade.

Eu mesmo, tinha uma idéia muito deformada da Turquia, como quase todos, temos uma idéia preconceituosa do mundo islâmico.

As mulheres, cobertas por seus mantos, nos parecem seres abstratos, indiferentes ao mundo e sem idéia própria sobre o mundo. Os súditos de Alá nos parecem fanáticos, sem qualquer dúvida metafísica diante do criador.

Pamuk nos mostra como somos apenas humanos, muçulmanos, judeus e marxistas, na dúvida, na fé, no amor, no ódio, na prepotência política,  no preconceito e na generosidade. Realça as circunstâncias, de uma geografia de neve, de uma economia decadente e de uma política conflitante e apaixonada que leva ao crime e ao desespero e ao suicídio.

A Turquia não é apenas Kars,mas também é a Capadocia, o Bósforo, os turcos, os armênios, os curdos, os poetas, os militares, as mulheres envoltas em mantos e as mulheres descobertas.

Pamuk nos revela o homem, nas mais profundas circunstâncias do desespero. Pamuk nos faz distinguir a infelicidade da tristeza. A tristeza é um sentimento dentro do homem. A infelicidade é um sentimento do homem diante da tragédia humana.

Que grande livro, editado pela coleção Prêmio Nobel, da Companhia das Letras. E estou ainda na metade do romance. Ando devagar pela NEVE, para não congelar a minha alma.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/01/2012 - 11:38

PINHEIRINHO E CRACOLÂNDIA

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Ação na Cracolândia

 Não há áreas intocáveis, isto é, alheias a uma subordinação jurisdicional, sobretudo tratando-se de áreas públicas, destinadas ao uso coletivo da sociedade.

Assim, não se pode dizer que a Cracolândia, ocupada pelos moradores de rua, viciados no uso da crack, seja uma área intocável, pelo contrário, é uma área da cidade que pertence a todos os cidadãos.  

Contudo, o que justifica uma intervenção do estado naquela área, vai além da proteção de uma área pública. Trata-se de uma questão humana, de saúde pública. O usuário do crack tem dois destinos presumíveis, quase inevitáveis: a demência e a morte. No período da demência, o dependente, pode praticar atos criminosos, seja para obter recursos para mais consumir drogas, seja pela agressividade decorrente da condição psicótica. Torna-se um cidadão incapaz de se exercer livremente, deve ser recolhido ao tratamento pela assistência social do estado. Se o aparato social não for suficiente, uma polícia treinada para o caso, deve intervir para que o estado cumpra o seu dever. Assim, há uma ação do estado que visa levar o cidadão-vítima a uma situação melhor: abrigo, tratamento e tentativa de recuperação. Na cabeça.

 Ação em Pinheirinho

 Seis mil pessoas se instalaram, desde a falência da Selecta, numa área de Nagi Nahas, em São José dos Campos. Ali, construíram seus barracos, improvisados ou até mesmo de alvenaria. Sentença judicial recente obriga os invasores a deixar a propriedade que será restituída à massa falida. Incumbe ao estado impor a ordem da justiça e retirar os moradores. Não se trata, como no caso da Cracolândia, de viciados, dementes, impedidos do uso da razão. São pobres, ainda não contemplados por moradias dos inúmeros planos habitacionais, municipais, estaduais ou federal.

O estado resolveu cumprir seu mandato. Produziu uma ação eficiente, amparada em dois mil militares, o que, pela dimensão, impedia reações mais evidentes. Não impediu, contudo, que um pobre exército de Brancaleones, inspirado pelo PSTU e PSOL, enfrentasse a PM.

O desalojamento de seis mil cidadãos, sem que pudessem pegar seus pertences, sem que fossem reembolsados pelas eventuais melhorias e, o que é pior, não sem que tivessem para onde ir, é um gravíssimo problema social. Foram instalados, como animais de estimação, em Igrejas, abrigos públicos e casas de amigos.

Se qualquer ação em juízo leva anos para se consumar, se as precatórias devidas pelo Estado levam décadas, para serem consumadas, seria justo que uma decisão judicial que envolve questões sociais tão complexas, desse tempo ao estado para organizar a reintegração de posse, sem deixar os posseiros ao desabrigo, no desespero. Na cabeça.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
25/01/2012 - 13:21

QUEREM REGULAMENTAR A PROFISSÃO DE FILÓSOFO

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Filósofos buscam as causas, políticos, as conseqüências e poetas, o imponderável.

Até hoje, nenhuma dessas profissões é regulamentada.

Apenas, a Rainha Elizabeth, quer dizer, a corte inglesa, tem um poeta oficial.

Houve uma tentativa de regulamentar a profissão política, com a Lei da Ficha Limpa. Até agora não pegou, por leniência do Supremo.

Filósofos, geralmente são professores, e assim, submetem-se às leis e decretos que regulamentam a vida e a profissão de professor.

Em algumas civilizações essas três categorias formavam a base da sociedade. Não se pode falar de uma cultura grega sem que surjam as figuras do político, praticante ou teórico; dos poetas, que também eram os autores de teatro e dos filósofos, que propunham as dúvidas e as respostas sobre as condições da vida.

No desenvolvimento da civilização, o papel dessas categorias sempre foi fundamental. Os filósofos preparam ou contestam a razão dos procedimentos, os poetas cantam os sonhos do futuro e as glórias do passado, enquanto os políticos se apoderam do que chamamos a organização da sociedade.

Nunca houve regulamentação dessas profissões, como se faz com a advocacia, a medicina e a engenharia. As más condutas éticas dos médicos são repreendidas por suas associações, bastante poderosas. Ninguém pode exercer a advocacia sem passar pelos terríveis exames da OAB, Ordem dos Advogados do Brasil.

Ninguém precisa de autorização para ser filósofo, poeta ou político. São profissões que estão na natureza mesma dos homens e não das necessidades técnicas da sociedade humana.

Mas o Brasil é sempre original. Agora anda pela Câmara dos Deputados um projeto de regulamentação da profissão de filósofo. Anda sem que ninguém perceba. Acabará por ser aprovada sem que ninguém se dê conta da idiotice,nem os próprios deputados.

Alerto, para que o Congresso Nacional deixe os filósofos em paz e cuide melhor da Lei da Ficha Limpa.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/01/2012 - 19:28

O PRESTIGIO DA PRESIDENTE

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No Brasil, o presidente da república tem grande visibilidade e, geralmente é popular. Há, um fascínio pelo chefe de estado, até porque quase todos nós temos a ambição de sermos presidente, pelo menos os homens, até pouco tempo.

Tudo no Brasil, se resolve com a pena do presidente. A nomeação de 38 ministros é o ato mais simbólico do poder e o que mais excita os partidos políticos, porque aqui, os ministérios são concedidos com porteira fechada, cada ministro faz o que quer, ou pensa que pode fazer o que quer. O presidente nomeia os diretores das estatais e influencia na nomeação dos presidentes das empresas mistas. O presidente regula a inflação, o câmbio, os juros, o salário mínimo, o aumento de salários, a definição dos recursos orçamentários, entre centenas de atos que lhe são próprios ou impróprios.

Quando o presidente apenas deixa rolar, já tem prestigio; quando é sério, e gosta de trabalhar, seu prestigio aumenta muito; quando tem autoridade e isso transparece o presidente ganha muitos pontos favoráveis, o povo gosta de presidente que manda; quando a vida do cidadão transcorre com normalidade, o presidente é prestigiado; quando a vida melhora ou dá a impressão que melhora, o prestigio sobe muito; se o mundo está indo para o brejo e o nosso país vai bem, o presidente é aclamado; se o país começa a ser respeitado, atribuímos  isso ao presidente e começamos a venerá-lo. Se o presidente combate a corrupção explicitamente, sentimos que ele está protegendo a nação e o nosso bolso. Vira um herói.

Algumas dessas considerações explicam o último resultado da pesquisa que coloca a presidente Dilma no melhor resultado já obtido por um presidente no primeiro mandato de seu governo.

Se melhorar ainda mais o desempenho, resolvendo os problemas da infra-estrutura, da educação e da corrupção; se promover algumas reformas no plano político e do funcionamento da justiça e se promover  um desenvolvimento de nossa indústria e segurar a inflação, será uma candidata imbatível em 2014. Nem Lula tentará substituí-la. Na cabeça.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
22/01/2012 - 11:15

BBB – SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO

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O sucesso do “BBB” advêm da irresistível vontade do ser humano olhar pelo buraco da fechadura. A monotonia da agenda cotidiana nos estimula a buscar o diferente, e o diferente está na vida dos outros, não na nossa.

Contudo, a seqüência de programas formatados como o Big Brothers, acaba por tornar-se tão monótona quanto a vida diária. Nem as transmissões on line superam essa monotonia, ao contrario, arrastam-se pelas 24 horas da vida.

Então, a produção, sem qualquer prurido de ordem moral, estimula as festinhas, e festinha requer bebidas e bebidas estimulam confidências e atos menos ortodoxos.

O edredon transforma-se no grande confessionário do pudor. Embaixo do edredon tudo será perdoado, seja porque “o amor é lindo”, seja porque o gesto amoroso não é devidamente conferido.

Desta vez os raios ultra-vermelhos afrontaram a privacidade. Os carinhos consentidos transformaram-se em sexo praticado e o sexo praticado, imputado de estupro, e o estuprador, negro, expulso do programa e do edredon.

A desqualificação do programa é conferida, até pelo Boni, o criador do padrão de qualidade.

Bial, um dos bons jornalistas desta geração, afunda-se no oportunismo mediático.

A Globo ainda não deu explicações razoáveis. As estratégias  usadas para o aumento das audiências se transformaram no único critério à disposição da inteligência e da moral.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
19/01/2012 - 19:55

“- VOLTA, CARALHO! “

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Há decisões que marcam a vida de um homem. Marcam a sua reputação, muito mais do que tenha sido a sua vida e os seus feitos anteriores.

Na literatura, o pacto de Fausto com o diabo, marca o que terá  sido o ato mais corajoso ou mais covarde, perpetrado por um ser humano.

O “Fico” de d. Pedro mudou a sua vida e a do Brasil.

O ato mais trágico produzido pela história de um país do terceiro mundo, foi a Carta Testamento de Getulio, seguida do seu suicídio. O de Alende, não foi menos nobre, nem menos espetacular.

Qualquer mãe, que deixou na roda da Santa Casa, o filho que não podia criar, conheceu esse momento singular na vida de uma pessoa.

Na Carga da Brigada Ligeira, quando seiscentos soldados investiram contra milhares para salvar a sua pátria, houve um ato coletivo, desses que mudam o destino do mundo e de seus autores, além de produzir uma das mais belas poesias escritas, por Tennyson.

Às vezes o ato decisivo está na própria circunstância de quem o pratica. É da mais antiga tradição que um comandante não deixa a embarcação naufragada, antes que o último passageiro tenha sido salvo. Costuma ser o último a deixar o navio, ou afundar com ele.

Essa decisão, facilitada pela dignidade da função, não deixa de ser um ato pessoal de coragem. Sabe Deus o que passou na cabeça e na consciência do comandante do Titanic, que se manteve entre os homens, adultos, que cederam suas vagas nos botes, a velhos, mulheres e crianças.

Os navios modernos têm a grandeza dos antigos, mas não a mesma dignidade. Parecem casas de Show. São “Las Vegas” navegantes, para alegrar milhares de turistas flutuantes. Assemelham-se à musicais em que todos os passageiros e tripulantes são protagonistas, por uns poucos milhares de dólares. Tudo é festa. Não há tempestades num cruzeiro de luxo, a não ser algumas aventuras de bordo, menos excitantes do que as dos piratas do caribe. Mas nem sempre é assim.

O comandante do Costa Concórdia é hoje um dos homens mais execrados do mundo. Depois do “-Volta, caralho!” ficou o mais desmoralizado.

Contudo, gostaria de ser um Shakespeare ou um Freud para avaliar o que passou pela cabeça desse comandante, no segundo em que ele escorregou para dentro de um bote seguro, enquanto o navio naufragava, com gente dentro.

Qual a conexão do cérebro nos torna um herói ou um covarde, em tão poucos segundos? Terá o fluxo do coração alguma influência nessa decisão da cabeça? Não sei, mas não invejo a dor desse momento.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
18/01/2012 - 16:11

E O PREFEITO DOS 459 ANOS?

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 São Paulo é uma cidade muito importante para ser governada por amadores. Incluo entre os amadores, os menores de idade, os ficha suja, os despreparados tecnicamente e os políticos que fazem da prefeitura uma plataforma política para seus partidos e um trampolim para suas ambições pessoais.

Cidade exige conhecimento urbano, fantasia intelectual e imaginação criadora. Exige um compromisso do candidato com o destino da cidade.

Não é uma discussão oportunista sobre o combate à crack que vai revelar o grande preparo do candidato.

São Paulo é uma cidade global. Sede das maiores empresas do país. Maior pólo de arrecadação industrial, comercial e de serviços. É multirracial, multisocial e multicultural, como nenhuma outra cidade do Brasil.

Nenhuma outra cidade da América Latina a supera em manifestações culturais. Não há gastronomia mais variada nem de melhor qualidade do que aqui. O avanço tecnológico dos setores produtivos e acadêmicos é o mais desenvolvido. Poderíamos criar uma centena de etc. para mostrar a grandeza de São Paulo nos seus 458 anos.

 Mas São Paulo ainda não está à altura do seu progresso.

O ensino médio e primário é insuficiente e de má qualidade.

O transporte coletivo é completamente deficitário, embora os planejamentos de longo prazo sejam razoáveis, mas com andamento ridículo.

A habitação popular é insuficiente; quando efetivada, é esteticamente deprimente.

Em todos os itens básicos de sobrevivência e elevação humana, tem os custos mais elevados do mundo, como educação privada, alimentação, seguro saúde, lazer, transporte público e privado.

As novas centralidades não criaram pólos civilizados de coesão e vivência humana.

A moradia está cada dia mais distante do local de trabalho.

A insegurança ameaça ricos, remediados, pobres e miseráveis, com igual desenvoltura.

A corrupção iguala-se ao padrão federal e municipal.

As enchentes, os desabamentos, os congestionamentos, os homicídios, a ocupação do patrimônio alheio e os protestos, transformaram-se em meras estatísticas.

Até agora, as campanhas eleitorais só falam em acordos. Não há um projeto sendo elaborado por nenhum candidato, de conhecimento público. Não há debate sobre conteúdos,

Só se discute o processo.

São Paulo merece mais nestas eleições. Ninguém espera que um candidato ideal caia do céu. O que se pede é um pouco de compostura aos partidos e compromisso aos candidatos.

Hoje, a mera contratação de uma cozinheira, quase requer qualificações e até a presença de um caçador de talentos.

Será que o prefeito de São Paulo não requer qualquer qualificação específica, além das indicações pessoais e dos caciques dos partidos?

Onde estão os currículos e os antecendentes?

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
17/01/2012 - 14:00

FARISAÍSMO NA CRACOLÂNDIA

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Eutanásia pode ser considerada um suicídio racional, praticado pela vontade pessoal de um moribundo em condições insuperáveis de dor e de certeza da morte.

O crack é uma eutanásia social, coletiva, praticada por populações muito pobres, que leva clinicamente ao desespero, à loucura e à morte. Não é um ato de vontade pessoal e racional, é uma cilada urbana, que atinge cada dia mais adeptos.

A droga é um vício social, em todas as suas escalas. O crack é a mais social das drogas, pois se processa no espaço público da convivência humana.

Transportar essa desgraça para a plataforma eleitoral, é imoral, quase degradante.

Toda violação sistemática da saúde é uma questão médica. Toda degradação da ordem jurídica e social torna-se uma questão policial.

A Cracolândia abriga as duas questões, por mais hipócritas ou farisaicos que venhamos a ser em nossas avaliações.

Assim a assistência médica, dever do estado e da sociedade, não dispensa a assistência judicial, que se inicia com o processo policial.

Uma ação pública sempre será espetacular, quando se trata do saneamento de uma área inteiramente degradada, como a Cracolândia, no próprio centro de São Paulo. Não existe ação policial angélica nem intervenção médica anódina.

Essas intervenções mexem com a nossa sensibilidade e atiçam nossas convicções ideológicas.

Isso não deve despertar nosso oportunismo político, como está acontecendo em São Paulo. Os candidatos perderam a compostura no trato da questão. Acusam-se uns aos outros, pouco se importando com o destino as vítimas efetivas da questão, que são os viciados.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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