PORQUE FICO COM A CULTURA
Tenho a impressão que minhas filhas gostariam que eu me afastasse da política, em geral, e da TV Cultura , em particular. Da política partidária já me afastei, desde que fui eleito para a TV Gazeta, anos atrás, pois achava que um presidente de televisão não pode militar em nenhum partido. Quanto à TV Cultura, sou membro vitalício do conselho, tenho o legado de zelar pela fidelidade da instituição à vontade criadora. Essa vontade constituiu a Fundação Padre Anchieta com autonomia administrativa, intelectual e financeira. Luto há anos para que essa vontade seja respeitada, apesar das constantes investidas contra.
Segunda feira, disputo uma eleição para presidente do conselho, exatamente para defender princípios e idéias que incluem a defesa da natureza jurídica e uma programação de interesse público.
O que está em risco é o nosso modelo jurídico institucional. Por razões de ajuste fiscal, meus oponentes querem adotar contratos de gestão com o governo, quando a gestão é nossa, impartilhável. Mais adiante buscarão criar uma Organização Social, medida adequada para instituições que não conseguem montar um quadro legal de recursos humanos e que precisam receber, legalmente, dinheiro do governo. Não é o caso da “Padre Anchieta”, que tem uma estrutura sólida de recursos humanos e recebe verbas orçamentárias anuais, por força da lei que a constituiu. Perdendo ou ganhando, fico na luta, para defender meus ideais e a Fundação Padre Anchieta. Como as filhas, a TV Cultura faz parte dos meus amores.
