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Posts com a Tag santos

sábado, 13 de dezembro de 2008 Notícias | 18:24

O mercado está fraco!

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Eu pensei que íamos ter um fim de ano bombástico.

 

Depois da contratação de Ronaldo Fenômeno pelo Corinthians e o anuncio que o Flamengo ia contratar Parreira, pensei “opa! Este fim de ano vai dar o que falar!”, mas o Parreira desmentiu a notícia e nem se sabe se ele vai acertar com o Fluminense.

 

 A outra contratação mais humilde do que essas comentadas é a do Dorival Júnior pelo Vasco.

Ah e o Santos que contratou aquele “baixinho” que era do Vasco (que nem parceiro de Sherlock Holmes é, porque se chama Mádson).

 

Se continuar desse jeito, o fim de ano vai ser duro quanto ao noticiário.

Autor: Michel Laurence Tags: , , , ,

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008 Notícias | 14:33

O Fenômeno enriquece o Corinthians!

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Paulo Borges

 

A ânsia desse pessoal das estatísticas parece insaciável.

 

Já estão levantando quem foi que custou mais caro e esqueceram de citar o que “realmente” foi o mais caro: Paulo Borges, um ponta direita do Bangu, do Rio, que em 1967 custou Cr$1,000.000,00 aos cofres do Corinthians – uma soma quase incalculável hoje em dia.

Quem cometeu essa “loucura” foi o então presidente Wadi Helou.

 

Mas valeu a pena segundo os torcedores do Corinthians: um ano depois, exatamente na noite do dia 6 de março de 1968, Paulo Borges fez o primeiro gol da vitória do Timão sobre o Santos, por 2 a 0, (o segundo foi do gaúcho Flávio “Minuano”) em pleno Pacaembu, levando a Fiel à loucura e quebrando um tabu de 10 anos sem que o Corinthians obtivesse uma vitória sobre o Peixe.

 

Imagine hoje, o Fenômeno está saindo praticamente de graça bancado pela Nike.

 

Naquela época Wadi Helou sofreu uma verdadeira campanha por, no fundo, acabar com o domínio santista.

Autor: Michel Laurence Tags: , , , , ,

Sem categoria | 13:48

Chora, Milton Neves!

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Pois é, tenho amigos.

     

E essa foto que você gostaria de ter em sua coleção me foi mandada por um grande amigo: o bom croata Riba Karlovich, que de mafioso não tem nada, muito pelo contrário, só pensa em ajudar as pessoas.

     

Mas essa foto foi a maneira que o Santos encontrou para agradecer ao torcedor do Rio depois da conquista do bi-mundial, contra o Milan, no Maracanã.

      

Milton, veja se você se lembra de todos antes de ler essa legenda!

 

 

 

O “coringa”, meu amigo, Lima, com a camisa do Campo Grande; Ismael, com a do Madureira; Joel Camargo, a do Flamengo; Olavo, com a do Vasco da Gama; o grande Mengálvio com a do meu América e Gilmar, o único com a camisa do Santos; agachados: Peixinho com a do Bangu; Rossi, com a do São Cristovão; o inesquecível e único penta-campeão paulista (3 títulos pelo Santos, 67-68-69 e dois pelo São Paulo 70-71) Toninho Guerreiro com a da Portuguesa carioca; Pelé com a do Olaria (meu Deus, até eu tinha esquecido disso); e Pepe, o Canhão da Vila, com a do Fluminense (um dia vou contar histórias desse maravilhoso ponta-esquerda recordista mundial com mais 400 gols).

     

Vocês repararam no detalhe? Ninguém vestiu a do Botafogo!

     

Tá vendo Milton Neves, você fica falando como se fosse o único dono do passado! Não, tem muita gente que gosta do passado e reverencia os grandes craques e as grandes histórias.

Autor: Michel Laurence Tags: , , ,

terça-feira, 9 de dezembro de 2008 Causos do Futebol | 15:19

Causos do Futebol – As Histórias de Pitico!

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Pitico em destaque

 

Pitico foi um desses meio de campo que com o passar do tempo foi chamado de “contenção”. Era bom jogador, mas o problema é que na época em que ele subiu para os profissionais havia grandes jogadores na posição. Um deles era Clodoaldo, campeão do mundo em 70; outro era o Léo, uma das esperanças do clube para substituir o Clodoaldo.

 

Clodoaldo que foi fantástico, tinha problemas no joelho. Ele ainda tentou jogar a Copa de 74, em Munique, na Alemanha, mas não conseguiu. Léo foi para o Bahia onde, ao lado de Douglas, outro jogador feito no Santos, foi adorado pela torcida e onde jogou por muitos anos.

Então você imagina o quanto foi difícil para o Pitico renovar seu contrato.

 

Antes de enfrentar o diretor do clube, ele se aconselhou com Pelé:

 

- Rei, quanto você acha que eu devo pedir?

 

- Não sei – respondeu Pelé – quanto você ganha agora?

 

- Uma ajuda de custo!

 

- Então, pode pedir qualquer coisa – afirmou o Rei – que será mais do que você ganha agora!

 

Pitico saiu daquela conversa sem saber direito o que fazer, mas intimamente decidiu que pediria 8 mil Cruzeiros. “Uma grana!” pensou “mas acho que eles vão dar!”.

Subiu para a sala do diretor de futebol e afirmou:

 

- Vim para renovar meu contrato!

 

- Quanto você está planejando ganhar? – perguntou o diretor.

 

Pitico puxou uma folha de papel em branco que estava em cima da mesa, desenhou caprichosamente um grande 8 e empurrou a folha em direção ao diretor. Esse olhou, olhou, e dentro do oito desenhou um pequeno 2.

 

Pitico pensou rápido:

 

- Ora, meu diretor, não vai ser por 6 mil Cruzeiros a mais ou a menos que vamos brigar – e rapidamente assinou o novo contrato.

 

Logo depois disso acontecer o Santos fez uma excursão – naquela época era assim que os clubes ganhavam um dinheiro extra – à Europa para vários amistosos. O primeiro deles era em Munique, na Alemanha, contra o Bayern.

 

Pitico foi relacionado e logo fez um trato com Pelé para que o Rei tomasse conta dos bichos e das diárias que ganhariam durante a excursão. Ele precisava não gastar absolutamente nada porque tinha acabado de ser pai pela primeira vez e em matéria de economizar e guardar dinheiro Pelé era insuperável.

 

Nesse primeiro jogo em Munique, fazia um frio desgraçado e nevava. Pitico ficou no banco e Pepe, que era o técnico, tinha autorizado Marcial, um ex-quarto-zagueiro do time, que era o preparador físico, a comprar uma garrafa de um bom conhaque para os jogadores tomar um gole antes de entrar em campo.

 

Jogo duro, 0 a 0, quando Clodoaldo já no segundo tempo, caiu em campo se contorcendo em dores. Pepe gritou:

 

- Pitico, aquece, toma um gole de conhaque e vem aqui conversar comigo.

 

Enquanto aquecia no túnel, Pitico tomou um gole de conhaque, e nessa mesma hora ouviu um barulho infernal vindo do campo. Ele olhou para Marcial e disse:

 

- Acho que foi gol dos homens, o Santos não tem tanta torcida por aqui.

 

Sorriu amarelo e pediu:

 

- Me dá outro gole de conhaque.

 

Depois de tomar o segundo gole, novamente se fez ouvir mais gritaria.

 

“Segundo gol dos homens” pensou e ouviu a voz potente de Pepe reclamando:

 

- Pitico, vamos logo com isso.

 

Ele tomou um terceiro gole de conhaque e foi correndo sentar ao lado do técnico que pediu:

 

- Entra lá e faz o seguinte: protege a defesa, faz a ligação com o ataque, vê se consegue fazer pelo menos um gol, mas principalmente, não deixa aquele número 5 pegar na bola!

 

Pitico olhou para dentro de campo, já sabia que o número 5 era Beckenbauer e apenas respondeu:

 

- Seu Pepe, tudo isso por 2 mil Cruzeiros por mês?  

Autor: Michel Laurence Tags: , , ,

terça-feira, 2 de dezembro de 2008 Causos do Futebol | 17:44

“Causos” do Futebol O DIA EM QUE O REI VIROU MOLEQUE!

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O DIA EM QUE O REI VIROU MOLEQUE!

 

O Santos de Pelé ia jogar por
100 mil dólares a partida, na Bolívia, primeiro em Santa Cruz de La Sierra e depois em La Paz.

A Igreja Católica protestava
veementemente achando que esses 200 mil dólares poderiam ser melhor empregados
diante das dificuldades que assolavam o País.

A revista Placar me mandou
fazer “o time milionário jogando num dos países mais pobres do planeta”.

Naquele tempo, 1972/73, os
times que excursionavam tinham obrigatoriamente, era lei, que ser acompanhados
por um jornalista.

O convidado do Santos não
compareceu ao embarque – a Bolívia naqueles tempos não chegava a ser uma
atração turística – e o vice-presidente de futebol do Santos, Clayton
Bittencourt, me pediu já que estava acompanhando o time para substituir o
jornalista ausente.

- Isso te dá direito a hotel
pago, bichos e diárias – acrescentou.

- Obrigado, mas a revista já
está pagando tudo. Não precisa se preocupar.

Contei isso tudo para
explicar por que eu e o fotógrafo Manoel Motta tivemos o direito a ficar no
mesmo hotel que o Santos, a acompanhar o time dentro do ônibus alugado para o
clube, ir ao vestiário depois dos jogos, etc… 
     

Quando chegamos a Santa Cruz
de La Sierra
foi algo inesquecível. Milhares e milhares de pessoas invadiram a pista do
aeroporto, a ponto de as autoridades temendo pela segurança, retiraram Pelé do
avião e o levaram até o hotel dentro de um carro tanque.

Quando chegamos tinha uma
fila que dava três ou quatro voltas no quarteirão do hotel, que era cercado por
um muro. Esse muro apesar de ser encimado por cacos de vidro, estava apinhado
de torcedores.

Eu nunca tinha visto coisa
igual.

Tinha uma espécie de um
cântico que parecia de igreja, entoado pelo povo:

- Pelé, Pelé, Pelé! – era
igual a um murmúrio que ia crescendo, crescendo, diminuía e recomeçava.

Minha geração venerou Pelé. Só
quando surgiram jornalistas de esquerda, durante a ditadura militar, é que
começaram algumas críticas a Pelé. Mas eu nunca tinha visto nada parecido com
isso.  

Pelé nem almoçou, mandou
colocar uma mesa e cadeiras no portão dos fundos do hotel, dois guardas faziam
a fila ser respeitada, e ele foi atendendo aos torcedores.

Na maioria eram pessoas
humildes que não pediam nada. Ao contrário traziam “presentes” ao Rei. Um casco
de tartaruga envernizado; um barquinho esculpido num galho de árvore; um
retrato amarelado da família; uma imagem de um santo.

Sinceramente fiquei
observando aquela cena que mais parecia um filme relatando um momento bíblico,
ou medieval, com os súditos homenageando reis, imperadores, papas.

Lá pelas cinco da tarde, Pelé
pediu um descanso. O portão foi fechado e Pelé veio se sentar ao meu lado numa
mesa em que Motta,
Cejas, Ramos Delgado e eu jogávamos uma animada partida de canastra.

Foi quando um homem moreno,
forte, sorridente se aproximou da mesa, se curvou e quase cochichou no ouvido
de Pelé.

- Rei, olha, eu sou
brasileiro e estou aqui com meus filhos e minha mulher, será que você poderia
nos atender?

Pelé respondeu na hora:

- Claro, estou descansando,
mas na hora que reabrir o portão, atendo você e sua família, ok?

Aí o homem retrucou:

- Acho que você não entendeu
direito: estou aqui com minha mulher e meus dois filhos e quero – o “quero” foi
veemente – que você nos atenda agora!

Pelé educadamente respondeu:

- Olha, vou atender assim que
reabrir o portão. Estamos na Bolívia e não seria legal eu atender você enquanto
povo daqui espera lá fora!

Provavelmente o moreno,
forte, se sentiu humilhado diante da mulher e dos filhos e perdeu a linha:
- Olha, seu negro f.d.p., eu sou o adido militar do Brasil aqui na Bolívia e
estou mandando que você nos atenda agora.

Eu nunca tinha visto e nunca
mais vi Pelé perder completamente a compostura.

Pelé pulou da cadeira,
enfiando os chinelos nas mãos, feito um malandro, pronto para se defender dos
golpes de uma navalha imaginária. O time, claro, caiu em cima do militar, que
levou algumas pancadas.

Surgiu a turma do “deixa
disso” e os ânimos se acalmaram.

As crianças e a mulher do
adido militar choravam, quando ele novamente se aproximou de Pelé que tinha
retomado seu lugar na mesa, e disse:

- Pelé, me desculpe, eu sou
um estabanado, me desculpe!

Pelé nem levantou os olhos da
mesa e respondeu:

- Aceito suas desculpas, vou
atender sua senhora e seus filhos assim que o portão for reaberto – e
acrescentou numa voz cheia de raiva – agora, não quero mais ver o senhor por
perto!

O homem se retirou e logo a
seguir Pelé atendeu as dua crianças.

Autor: Michel Laurence Tags: , ,

sexta-feira, 28 de novembro de 2008 Gênios do Passado | 16:05

Gênios do Passado – Jair Rosa Pinto, o “Jajá de Barra Mansa”

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Jajá de Barra MansaMauro Ramos de Oliveira, um central inacreditavelmente clássico, bicampeão do mundo com a seleção em 58 e 62, acabava de ser demitido como técnico do Santos. E eu, por ter publicado a notícia na revista Placar antes da demissão acontecer, estava sendo ameaçado de levar um tiro por parte de um dirigente santista.

Pelo menos é do que tinham me prevenido vários jogadores do time.

Assim, eu fazia questão de estar na Vila quase todos os dias.

Naquela manhã, cheguei mais cedo do que nunca em Santos. Ia ser apresentado o novo técnico: Jair Rosa Pinto, ao qual naquela época muitos ainda acrescentavam um “da” – Jair “da” Rosa Pinto – que não existia no nome de um dos maiores jogadores que já vi.

Entrei no vestiário e lá estava ele falando pela primeira vez ao grupo. Era um dos meus ídolos. Eu o tinha visto pela primeira vez jogar e ganhar, em 1951, com o Palmeiras, a Copa Rio (que hoje tentam transformar em competição igual ao mundial interclubes).

Antes do jogo final de 1951 jogo, eu fui com meu pai, Albert Laurence – que era jornalista do Jornal dos Sports, no Rio – ao vestiário da Juventus, da Itália. O time da Vecchia Signora era forte, tinha Boniperti – que depois foi presidente do clube – na ponta-direita. O goleiro era Viola, que perguntou ao meu pai:

- Alguém perigoso no time do Palmeiras? Alguém que eu tenha que tomar cuidado?

- Olha, acho que não vai adiantar muito – explicou meu pai –, porque o número 10 chuta uma barbaridade, e se ele acertar o chute não vai adiantar nada eu te avisar.

Viola saiu do papo sorrindo, e fiquei com a impressão que ele não tinha levado o aviso muito a sério. No jogo, Jair, com suas canelas finas, largou uma bomba. Viola se preparou para a defesa. A bola desviou em cima dele, resultado de um efeito inacreditável.

Então, deixei minhas recordações de lado e passei a prestar atenção ao que ele dizia. Foi aí que notei que ele estava mal vestido. Eu estava acostumado a técnico de paletó e gravata ou com o macacão do clube. Jair, enquanto falava, ia enrolando no peito a camisa “regata” (no Rio seria “de meia”) até chegar quase ao pescoço.

Jair na Seleção BrasileiraDepois do treino, cheguei perto do Afonsinho – o da música e da barba – e disse meio decepcionado:

- Afonso, “po”, o cara é meio desleixado!

- Por que? – perguntou Afonsinho.

- Não sei, o cara enrolou a camisa como um malandro!

- Ora, Michel – respondeu Afonsinho –, deixa de ser preconceituoso. O que interessa é se ele entende de bola!

Jair, o Jajá de Barra Mansa – que nasceu em Quatis, no Estado do Rio, no dia 21 de março de 1921 –, não durou muito como técnico do Santos.

Mas sua carreira como jogador foi brilhante.

Surgiu no Madureira formando um trio de ataque ao lado de Lelé e Isaias que ficou conhecido com “os três Patetas”, mas que jogavam tanto que os três foram contratados pelo Vasco. Foi campeão carioca invicto em 1945, com um time que ficou conhecido como “Expresso da Vitória”.

Em 1947, se transferiu para o Flamengo, onde depois de uma desastrosa derrota para o Vasco, por 5 a 2, foi acusado de ter “facilitado” as coisas, já que o Flamengo chegou a estar ganhando por 2 a 0.

Sua camisa foi queimada em praça pública pela torcida em frente ao estádio da Gávea, e Jair se transferiu para o Palmeiras.

Em 1956, se transferiu para o Santos, onde ajudou na conquista dos campeonatos de 1956, 1958 e 1960 e, principalmente, ajudou Pelé a ser Pelé.

As notícias que tive dele depois de sua passagem como técnico do Santos são de que ele, aos 70 anos, continuava jogando bola.

Jair Rosa Pinto, o Jajá de Barra Mansa, que durante muito tempo só foi conhecido como um dos jogadores que perdeu a Copa de 50, morreu no dia 21 de julho de 2005, aos 84 anos.

Sempre acho que vou ler uma noticiazinha garantindo que Jajá ainda está batendo uma bolinha numa pelada qualquer.

Autor: Michel Laurence Tags: , , , , , , , ,

terça-feira, 25 de novembro de 2008 Causos do Futebol | 14:44

Causos do Futebol – Eu e os Reis

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Roberto Carlos e Pelé

 

Janeiro de 1970.

       

Placar ia ser lançado. Um dos jornalistas a quem devo muito, Woyle Guimarães, era o Redator Chefe, e me mandou fazer uma entrevista com Pelé que seria a capa do número 1.

       

Pelé estava com o Santos, em Santiago do Chile, onde disputava um torneio internacional muito importante na época. Um fotógrafo chileno contratado pela revista estaria me esperando e uma brasileira que morava em Santiago, me ajudaria a fazer contatos.

       

Bem, janeiro de 70, o Brasil estava sob uma ditadura militar feroz.      

       

José Hamilton Ribeiro que era da revista Realidade – para mim ao lado da Última Hora, de Samuel Wayner; e de o Jornal da Tarde, de Mino Carta, as três publicações que revolucionaram o jornalismo brasileiro – disse que a tal moça era bem competente e ia me ajudar muito.

       

O Santos estava mal no torneio, era o penúltimo colocado. Seis times famosos disputavam o torneio e faltavam apenas três jogos para o time de Pelé.

        

Eu tinha levado uma réplica da Taça Jules Rimet, que vista de frente parecia igual à autêntica, mas era só uma placa. Começamos a tirar fotos com Pelé segurando a taça na pose clássica imortalizada pelo Bellini na conquista da Copa do Mundo de 58.

        

O fundo das fotos era um problema. Sair com Pelé por Santiago para encontrar um lugar bonito era fora de questão. Ia ser um tumulto danado. Teve um dia que resolvemos colocar Pelé na marquise do hotel que ficava bem no centro da cidade. O trânsito congestionou, centenas de carros parados no meio das ruas, transeuntes aos montes, parados, olhando para a marquise. Foi um pandemônio incrível, que levou horas para ser solucionado, mesmo depois de Pelé se retirar da marquise.

        

Em meio a toda essa loucura a moça me avisa que uma família brasileira exilada no Chile, me convidava para um jantar.

        

Aceitei e vi antes o Santos ganhar dois jogos a seguir e depender apenas de uma vitória no último jogo contra o Universidad Católica para ser campeão.

         

O jantar foi muito legal, pessoas agradabilíssimas, e quando eu já ia me despedindo, o dono da casa me perguntou se eu podia levar uma maleta para seu filho, em São Paulo.

         

- Se não for muito grande – respondi.

         

-Não, é uma maletinha – garantiu – deixo na portaria do seu hotel.

         

No dia seguinte continuamos tirando fotos de Pelé com a Taça e a noite fui para o estádio ver a decisão. O Santos venceu de goleada, 6 a 2, ou algo parecido. Pelé “ensaiou” o chute do meio de campo que mais uma vez o imortalizou no jogo contra a seleção da ex-Tchecoslováquia na Copa do México, nesse jogo. A única diferença é que em Santiago ele fez o gol.

         

Festejamos muito. No dia seguinte passei na portaria do hotel peguei a maleta e embarquei num avião da Alitália, que me deixaria no aeroporto de Carrasco, em Montevidéu e de onde seguiria em um avião da Varig, para São Paulo.

         

Passei no bar para tomar um chopinho para fazer hora enquanto esperava o embarque. Notei um certo tumulto mas peguei uma mesa afastada e comecei a notar algumas respostas do Pelé que não podia esquecer.

         

O tumulto se aproximou da minha mesa quando um jovem muito parecido com o Rei Roberto Carlos, se sentou numa mesa próxima a minha. Lá pelas tantas o parecido com Roberto Carlos me pediu a caneta emprestada para assinar autógrafos.

          

Era o próprio Roberto Carlos.

          

Embarcamos conversando. Dentro do avião ele me apresentou ao RC 7, o conjunto que o acompanhava.

          

Imagina você a minha emoção, eu sentado ao lado do Roberto Carlos e ele praticamente me entrevistando sobre a minha profissão.    

           

Foi quando o comandante do avião avisou pelo alto-falante que estávamos entrando em território brasileiro e que íamos fazer alfândega em Porto Alegre.

          

Gelei, mas gelei na mesma hora.

          

O que será que tinha dentro daquela maldita maleta?

          

Enquanto eu tentava manter a calma, Roberto continuava conversando comigo.

          

Em plena ditadura e eu com uma maleta de um exilado no Chile.

          

Enquanto Roberto e o pessoal do RC 7 falava comigo, eu já me via preso, sem ter como explicar a origem da maleta.

          

Descemos para fazer a alfândega, todas as malas espalhadas pelo chão. Lá estava a maldita maletinha. Tive o impulso de tentar jogar a desgraçada fora. Mas é evidente que a polícia ia ver.

          

Foi quando um guarda se aproximou de Roberto Carlos e perguntou:

          

- Rei, quais são as suas?

          

Roberto foi apontando uma a uma e o guarda sorridente fazendo um “X” com um giz em todas. Quando acabou, o guarda sorriu e perguntou para o Roberto:

          

- Mais alguma coisa?

          

Roberto se virou e disse:

          

- Michel, quais são as suas?

         

Apontei minha mala e a maldita maletinha.

          

- Amigo, mais essas duas aí! – e o guarda sorridente, passou o giz nas duas.

          

Olha, quase desmaiei de alívio.

          

Voltamos ao avião e eu queria agradecer ao Roberto Carlos, mas não podia. Ia ficar com uma cara de imbecil e ele ia morrer de rir.

           

Quando chegamos a São Paulo eu desembarquei e ele continuou para o Rio.

           

Nunca abri a maleta.

           

Eu nunca soube o que tinha dentro.

           

Uma noite pela madrugada o interfone tocou em casa. Desci com a maletinha. Entreguei para o cara que agradeceu e sumiu pela escuridão.    

Autor: Michel Laurence Tags: , , , , , , ,

sábado, 22 de novembro de 2008 Notícias | 18:36

Um Corinthians feliz!

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Corinthians comemora

 

Eu nunca tinha visto um Corinthians tão feliz.

 

Nem quando quebrou o tabu contra o Santos e ouvi Pelé dizer que “um dia tinha que acontecer”.

      

Nem quando quebrou o tabu dos 23 anos sem título em 77 e a torcida invadiu a Avenida Paulista pela primeira vez.

     

A atual felicidade é tranqüila. As anteriores sempre foram violentas. Quebra-quebra na cidade, brigas terríveis.

     

Acho que essa felicidade foi aprendida na queda tremendamente doída para a Série B, do Campeonato Brasileiro.

     

A queda para a Segunda Divisão para clubes como o Corinthians, dono da segunda maior torcida do País é sempre inimaginável.

     

Aquele escudo lindo que já abrigou o Pequeno Polegar Luisinho, o Cabecinha de Ouro

Baltazar, Roberto Belangero, Gilmar dos Santos Neves, o Reizinho do Parque Rivelino, “Il Signore” Dino Sani, o Edson Cegonha que não trazia nenéns em seu bico, o goleiro Ado que de tanto ser amado pelas mocinhas acabou renegado por sua torcida, de tantas histórias maravilhosas com o doutor Sócrates, o indomável Casagrande, não tinha nada a ver com aqueles lugares longícuos freqüentados por clubes que realmente pertencem a segundona.

     

Acho que a dor nos ensina muitas coisas, mais do que a felicidade.

     

É bom todos nós nos lembrarmos do quanto a dor é doída. 

Autor: Michel Laurence Tags: , , , , , , , , ,

sábado, 15 de novembro de 2008 Notícias | 20:28

Botafogo, a ponta do iceberg!

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Bebeto de Freitas

Os problemas financeiros que o Botafogo está enfrentando e claramente expostos por seu presidente, Bebeto de Freitas, são apenas a ponta de um iceberg – e você sabe que essa ponta é apenas uma sétima parte do que está por baixo da água.

O problema foi escancarado porque veio a público que o Botafogo está devendo 3 meses de salários a seus jogadores, fora direitos de imagem e de arena, e de prêmios atrasados.

Carlos Alberto, um meia rebelde, foi embora. Entrou na Justiça atrás de seus direitos.

Bebeto só pode ter crédito junto a bancos – que devido à “crise” mundial também estão em “crise” – se conseguir um fiador forte, respeitado e sabidamente cumpridor de suas obrigações.

Quem vai querer bancar um futebol que nunca conseguiu se equilibrar nas próprias pernas?

É como um homem com mais de 70 anos, desempregado e desacreditado. Todos acham que ele vai morrer a qualquer momento sem honrar a dívida. Aí o velho senhor, honrado em toda seu vida, não tem crédito.

E esse mal, meu amigo, não atinge só o Botafogo. Você sabe tão bem quanto eu que Flamengo, que tem a maior torcida desse País; Santos, que é o clube brasileiro mais conhecido no mundo inteiro; Vasco, que já foi uma potência; Corinthians, que serviu de trampolim para desconhecidos ficarem famosos e escroques se tornarem milionários; e tantos e tantos clubes por esse Brasil, tipo América, Bonsucesso, Jabaquara, Ypiranga, só para citar clubes de centros financeiros mais poderosos, sumiram do mapa.

Agora que o futebol tupiniquim esgotou temporariamente sua maior fonte de rendas – a venda de jogadores – e vai enfrentar uma entressafra pobre e das mais perigosas, qual é a solução?

Me diga: qual é a solução?

Se realmente o poder público cobrar as dívidas de todos, muitos clubes vão fechar.

Ninguém tem como pagar!

Tal qual o velho de 70 anos.

Mas, se insistirem, não só Botafogo vai sumir, mas Flamengo, Corinthians, Vasco, Santos, Atlético Mineiro, Santa Cruz vão sumir e aí como é que cartolas vão encher os estádios?

Futebol não é vôlei. Futebol é o esporte mais popular do planeta.

Quem vai torcer pelo Canos & Tapetes, Cimento & Saúde, Bolsas Jaguaré??????

Autor: Michel Laurence Tags: , , , , , , ,

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