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12/03/2009 - 16:55

Dunga podia ser mais simples!

 

Menos monótono.

 

Menos rotineiro.

 

Menos previsível.

 

Mais audacioso.

 

Mais seguro de si e dos jogadores brasileiros.

 

De repente Felipe Mello que até outro dia era um ilustre desconhecido, agora não pode deixar de ser convocado.

 

Para jogar contra o Equador e o Peru pelas Eliminatórias da Copa de 2010, Dunga poderia ser mais corajoso.

 

Deixa o time mais solto, mais forte no ataque, surpreenda o adversário como contra Portugal, que teve pela frente um time e um futebol completamente diferente daquele que contava encontrar.

 

Empatar com a Colômbia no Brasil é mais valioso do que empatar com o Equador em Quito?


Tanto faz.

 

Você ter o Paraguai liderando as Eliminatórias já é uma paulada na cuca de qualquer um.

 

Então, vamos liberar geral.

 

Vamos ver no que dá.

 

Vi João Saldanha, que não era um especialista como técnico, transformar minhocas em cobras. E encantar todo mundo. O temor estampado no rosto dos adversários.

 

Você vai argumentar: “É, mas tinha Pelé!”.

 

E daí?

 

Hoje tem Kaká, que é o melhor do mundo; tem Robinho, que se o técnico deixar jogar, faz as loucuras que contagiam o torcedor e desmoralizam o adversário.

 

Põe só um volante-marcador e tenta reencontrar o futebol que o povo gosta e vai sempre gostar, mesmo que o resultado não venha a ser aquele que todo mundo queria.

 

Não importa.

 

Ou será que existe o temor escondido lá no fundo da alma, de não classificar.

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Notícias Tags: , , , , ,
13/01/2009 - 16:26

Causos do Futebol – Uma Briga Enjoada!

Preâmbulo

Essa história vai em homenagem a dois grandes amigos: Divino Fonseca um dos maiores repórteres que conheci em minha carreira, gaúcho valente dono de um dos melhores textos do esporte; e Manoel Motta Neto, meu parceiro em inúmeras matérias do Placar, fotógrafo de mão cheia e de sensibilidade insuspeita – devido ao seu tamanho, como você pode ver na foto ao meu lado nos idos de 1973, que lamentavelmente faleceu precocemente.

 

 

 

Copa de 78, Argentina do ditador-general Rafael Videla.

 

Exército por toda parte.

 

Uma das copas mais contestadas da história.

 

A seleção brasileira dirigida por Cláudio Coutinho tinha passado por vários problemas durante sua preparação, inclusive um desentendimento entre o técnico e o maravilhoso Paulo Roberto Falcão, que acabou sendo afastado e ficando no Brasil.

 

Problemas que continuaram no início da Copa com o Brasil tendo enormes dificuldades para conseguir um empate 1 a 1 contra a Suécia, com o juiz Clive Thomas, do País de Gales, anulando um gol de Zico aos 45 minutos do segundo tempo, alegando ter apitado o fim de jogo logo da cobrança do escanteio; outro empate, por 0 a 0, contra a Espanha, com o árbitro Sérgio Gonella, da Itália, não dando um gol legítimo da Espanha, um chute que pegou por dentro do travessão, bateu dentro do gol e saiu e com Amaral que jogou no Corinthians, salvando literalmente em cima da linha outro gol certo da Espanha; e finalmente com um vitória, por 1 a 0, contra a Áustria.

 

Foi assim que o Brasil passou para a segunda fase da Copa, que nesse ano de 78 foi disputada de forma diferente. Das 16 seleções que disputavam a copa naquela época, classificaram-se 8, que foram divididas em dois grupos de 4. Os primeiros classificados de cada grupo disputavam a final e os dois segundos se enfrentavam pelo terceiro lugar.

Mas não pense que a classificação da Argentina para essa segunda fase tenha sido fácil. Os donos da casa foram derrotados pela Itália, por 1 a 0, e foi preciso uma boa mãozinha divina para que o time de Passarela, Fillol e Kempes se classificasse numa vitória sobre a França, por 2 a 1, com um gol de pênalti, cometido visivelmente fora da área.

 

Mas para azar do Brasil, que se classificou em segundo, a seleção teria a Argentina pela frente na nova fase.

 

No primeiro jogo, o Brasil derrotou o Peru, 3 a 0.

 

Aí enfrentou a Argentina no pequenino estádio de Rosário, e num jogo em que o árbitro Karoly Palotai, da Hungria, procurou de todas as maneiras levar a partida até o fim sem expulsar faltosos, inclusive Chicão, do Brasil, que distribuiu pancada para todos os lados, o jogo terminou 0 a 0.

 

No terceiro jogo o Brasil derrotou a Polônia, por 3 a 1.

 

No mesmo dia só que a noite, a Argentina, derrotou o Peru, por 6 a 0 e no saldo de gols – tinha ganho da Polônia, por 2 a 0 – se classificou em primeiro com direito a disputar a final contra a Holanda, enquanto o Brasil ia disputar o terceiro contra a Itália.

 

Foi necessário contar esses detalhes para que o resto da história seja entendido.  

 

Cobri essa copa de 78 pela Rede Globo, e combinei de encontrar Divino e Motta que ainda estavam no Placar, para a gente tomar uma cervejinha. Os boatos de que a seleção do Peru teria “facilitado” as coisas para a Argentina eram enormes. Saímos do hotel a procura de um bar, mas todos estavam tomados por argentinos eufóricos já cantando a vitória como campeões do mundo.

 

Entramos numa espécie de boate que parecia tranqüila. Completamente vazia. Sentamos pedimos nossas bebidas e começamos a conversar. Para não dizer que a boate estava deserta distante da gente tinha um homem bebendo sozinho.

 

Lá pelas tantas um garçom se aproximou de mim e perguntou:

 

- Aquele senhor pediu para perguntar se podia se juntar a vocês?

 

Consultei a rapaziada e ninguém foi contra:

 

- Claro, diga que ele bem-vindo.

 

O homem chegou, sentou e continuamos conversando. Lá pelas tantas como o homem falava em castelhano comecei a desconfiar. Tentei botar panos quentes sobre a possibilidade do Peru ter se vendido, mas não adiantou.

 

O homem finalmente falou:

 

- Olha, por favor, eu sou peruano.

 

Aí, o Divino explodiu:

 

- Vocês são uns cagões. Vocês se cagaram todo. Tiveram medo da Argentina, se cagaram!

 

Começou a surgir gente de todos os lados, ameaçadores. Nós éramos uns cinco. Levantamos e fomos nos afastando de costas em direção ao balcão do bar. Motta olhou para mim e disse:

 

- Aquele baixinho é o massagista do Peru.

 

- É mesmo? – perguntei – e aquele de revólver na mão o que é?

 

O cara era extremamente parecido com Lampião. Óculos redondos, rosto que ia afinando, revólver que brilhava. Peguei uma garrafa pelo gargalo; Divino queria briga; Manoel Motta era o mais visado pelos peruanos pelo tamanho.

 

Por alguns segundos pensei na morte, foi quando o de óculos redondos veio em minha direção e disse:

 

- Olha, vamos deixar vocês saírem daqui a pedido do nosso chefe. Mas saiam imediatamente.

 

O dono da boate foi mostrando o caminho para fora da boate.

 

Quando saímos, ele gritou:

 

- Ei, brasileiros, vocês nasceram de novo. O homem é filho do PRESIDENTE DO PERU.

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Causos do Futebol Tags: , , , ,
06/01/2009 - 17:24

Ao mestre Didi, com carinho!

 

Treino da melhor seleção que o Peru já teve.

 

Treino para as Eliminatórias da Copa de 70.

 

Técnico: o brasileiro Valdir Pereira, o Didi, campeão do mundo em 1958 e 1962.

 

Jogadores: Teófilo Cubillas – para mim o melhor jogador do Peru de todos os tempos; Gallardo, que jogou no Palmeiras; Mifflin, que jogou no Santos;

Chale; Baylon, um ponta-direita de drible fácil e ligeiro; Chumpitaz, capitão do time, quarto-zagueiro de respeito; e “Perico” Leon – um centro-avante terrível, forte, rompedor, goleador e malandro que só ele.

 

Foi logo num dos primeiros treinos. Didi já sofria terrivelmente de dores na espinha dorsal. Dores que começaram segundo ele, de tanto aprimorar a cobrança de faltas, que foi conhecida como “folha seca”.

 

- Eu tinha que torcer tanto o corpo “para dar aquele efeito na bola” e ela cair de repente dentro do gol, que acabei machucando a espinha para sempre. Sem conserto – ele me explicou uma tarde entre um uísque e outro em um hotel de Montevidéu, onde fiz uma entrevista com ele para a revista Placar.

 

Mas voltando ao treino, todos os técnicos daquela época gostavam de um treinamento em que se plantavam na entrada da grande área. Os jogadores vinham correndo com a bola dominada, tocavam no técnico, recebiam de volta – às vezes quadrada, e chutavam a gol.

 

Nesse treino os jogadores peruanos combinaram e começaram a toca a bola para Didi cada vez com mais força. Didi só devolvia com a parte de dentro do pé, redonda.

 

Até que Perico Leon deu uma verdadeira bomba. Didi nem se mexeu, apenas ergueu o pé. Dominou, e devolveu redonda. Os jogadores começaram a rir, menos Perico Leon que cada vez tentava chutar mais forte em cima de Didi.

 

Até que numa hora o Príncipe Etíope como Didi era chamado por Nélson Rodrigues, levantou a voz e perguntou:

 

- Meu filho, está bom para você? Acho que você vai acabar cansando!

 

Perico Leon parou, foi em direção ao técnico e o abraçou com carinho, convencido de que estava sendo treinado por um dos maiores jogadores de bola que o mundo conheceu. 

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , ,
26/11/2008 - 14:22

A Poderosa FIFA!

Vito Corleone e Sepp Blatter

 

Até parece título do filme “O Poderoso Chefão”.

    

A música seria a mesma.

    

Os presidentes das confederações “beijam a mão” do presidente da FIFA, Joseph Blatter, e se contentam com migalhas perto daquilo que a FIFA arrecada, na esperança de um dia substituírem “O Poderoso Chefão”.

    

Tudo isso me veio à cabeça em função do que está acontecendo com o futebol peruano. Os peruanos por decisão da FIFA, foram banidos de toda e qualquer competição internacional enquanto o governo do Presidente do Peru, Alan Garcia – vejam bem, eu escrevi “o governo do presidente do Peru” – se negar em reconhecer como presidente da Federação Peruana de Futebol, o senhor Manuel Burga e os dirigentes com ele eleitos.

    

Segundo o governo peruano esse senhor, Manuel Burga, ocupou ilicitamente o cargo e desrespeitou as leis do País.

    

Mas não tem saída, simplesmente porque as federações do mundo inteiro seriam punidas se desobedecessem a determinação da FIFA.

    

Quem vai correr o risco de não poder mais “beijar a mão” do Poderoso Chefão?

    

Essa situação me lembra uma “rebeldia” da Federação Colombiana no fim da década de 40, início da de 50.

    

Os dirigentes colombianos resolveram se desligar da FIFA e criaram uma Liga Pirata. Passaram a piratear os maiores jogadores da América do Sul sem pagar um tostão aos clubes aos quais pertenciam.

    

O Milionários contratou jogadores fantásticos como Pedernera, Labruna, Di Stefano – todos argentinos – e o brasileiro Heleno de Freitas entre outros.

     

Era o El Dourado do futebol. Sem ter o que pagar aos clubes, podiam oferecer verdadeiras fortunas aos jogadores que não vacilavam em trocar de país o que naquela época era raro.

    

Só que como agora está acontecendo com os peruanos, os colombianos ficaram sem ter contra quem jogar. E aí como recuperar as fortunas investidas.

    

Desistiram da idéia, pediram perdão a FIFA, foram readmitidos e venderam os grandes jogadores a clubes do mundo inteiro.

    

Foi assim que Di Stéfano foi para o Real Madrid e Heleno voltou para o Brasil já doente, e entrou em campo pela última vez vestindo a camisa do glorioso América.

    

Como você pode ver de lá para cá as atitudes do futebol continuam as mesmas só mudou O Poderoso Chefão.

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Notícias Tags: , , , , ,
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