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Posts com a Tag pelé

terça-feira, 24 de janeiro de 2012 Causos do Futebol | 14:01

Causos do Futebol – O DIA EM QUE O SANTOS “VENDEU” O TIME INTEIRO…

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…menos Pelé!

Foi logo em um dos primeiros números da revista Placar.

Cheguei na redação de Placar ali no antigo prédio da Abril, na marginal do rio Tietê, e avisei:

- Tenho uma matéria legal sobre o Santos (não me lembro o que era)!

- Guarda para a semana que vem – respondeu o chefe da redação, Woyle Guimarães (um dos maiores com quem trabalhei).

Como “guarda para a semana que vem”? E se alguém publicar o mesmo assunto antes da gente?

- Por que? – me arrisquei em perguntar.

- Porque já temos uma matéria muito legal sobre o Santos para a revista desta semana! – respondeu o Woyle.

- De quem é? – perguntei novamente com cuidado.

- Não posso dizer, é segredo, só posso falar que é muito legal e vai fazer um barulho danado.

Fiquei entre angustiado e curioso. Angustiado porque, desde 1967 na Edição de Esportes de O Estado de São Paulo, estava acostumado a ser o autor das matérias quentes do Santos; curioso (e furioso) por uma matéria tão legal e importante ter passado por mim sem que ao menos suspeitasse do que era.

Tive que esperar até o domingo, quando a gente “fechava” a revista que ia às bancas na terça-feira, para que o segredo fosse revelado,

E lá estava na capa: “Nosso repórter comprou meio time do Santos!”.

O jornalista Georges Bourdokan

O autor dessa maravilhosa façanha foi o jornalista Georges Bourdokan.

Ele fala armênio e se fantasiou de sheik árabe para negociar com o vice-presidente do Santos na época, o aposentado do Exército general Osman.

Era tempo de dificuldade financeira no Santos, principalmente devido ao chamado “Elefante Branco”, que era o apelido do Parque Balneário comprado pelo clube, na esquina da avenida Ana Costa com a praia do Gonzaga (acho que é isso), que hoje abriga o hotel Sheraton (ou será que o hotel já não está mais lá?).

Era tempo também do início da fortuna dos países árabes com o petróleo que rareava no mundo e abundava no Oriente Médio.

O diálogo entre Bourdokan e o general Osman foi mais ou menos esse.

- Quanto o senhor quer pelo Carlos Alberto? (o Torres, capitão do Tri).

E o presidente do Santos estipulou um preço.

- E pelo Lima? ( o “Coringa” que jogava em todas).

- “Tanto”, respondeu o presidente.

E assim foi até chegar a Pelé.

- Não, esse não vendo – disse o general.

- Como assim, “não vende”? – reclamou Bourdokan.

- Esse não tem preço – afirmou o vice-presidente.

- Tá bom, ta bom, mas ainda vamos voltar a esse assunto. Agora, quanto o senhor quer por todo o time titular do Santos, menos o Pelé? – foi o cheque mate de Bourdokan.

O pobre do vice-presidente, que nem suspeitava da farsa, pensou, pensou e finalmente deu o preço. 600.000 dólares, um grande dinheiro na época.

Bourdokan se levantou e disse:

- Está bem, vou comunicar aos meus sócios que o senhor não vende o Pelé e que quer essa quantia pelos outros titulares! – cumprimentou o vice-presidente, que com seus assessores já alcançava a porta do gabinete quando ouviu a pergunta:

- E quando terei notícias suas novamente? – perguntava o general Osman!

Bourdokan vacilou um pouco, mas conseguiu responder contendo o riso:

- Terça-feira, presidente. Terça-feira!

O dia em que Placar estaria nas bancas.

PS - Georges Bourdokan é um dos maiores jornalistas que conheci na minha vida.

Autor: Michel Laurence Tags: , , ,

terça-feira, 28 de junho de 2011 Causos do Futebol | 17:25

Causos do Futebol – Artilheiros de Ontem e Hoje!

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Eu sempre fui fascinado em saber quantos gols tinha feito fulano, quantos tinha cicrano.

Todo mundo sabe que Pelé é o maior de todos: fez 1091 em 1114 jogos pelo Santos; e 1263 em toda sua longa carreira de 21 anos jogando bola. E sabe que ele alcançou os 1000 gols no dia 19 de novembro de 1969, com apenas 29 anos. E que ele, como Atleta do Século, tem recordes em quase todos os fundamentos do futebol, tipo ser artilheiro do Campeonato Paulista por 10 anos seguidos; ter marcado 58 gols no Campeonato Paulista de  1958, com 20 clubes participantes. Se Pelé jogou todas as 38 partidas, fez uma média de 1 e meio gol por jogo. Inacreditável.

Mas eu, há até bem pouco tempo, não sabia que Friedenreich, que jogou da década de 10 até a de 30, teria feito apenas 54 gols a menos do que Pelé. Lamentavelmente, esses dados não são oficiais porque, na Revolução de 1932, Fried doou os documentos para serem vendidos e angariar fundos para o movimento. Os documentos foram perdidos por quem os comprou ou por quem se encarregou de vender.

Agora, tenho dados oficiais sobre outros artilheiros fantásticos.

Por exemplo: Zico, o Galinho de Quintino, fez 797 gols em 1086 jogos, uma média de 0,73 por partida.

Zico no Flamengo

Roberto Dinamite fez 744 gols em 1201 jogos, sendo que 698 deles pelo Vasco da Gama, uma média de 0,61 gol por jogo. Esses foram os números que puderam ser computados.

Ademir Menezes, o Queixada, foi artilheiro da Copa de 1950, no Maracanã, com 9 gols. Jogou 429 partidas pelo Vasco da Gama e marcou 301 gols, uma média de 0,70 por jogo.

Pelé, Pepe e Coutinho

Coutinho, o maior parceiro de Pelé, criador da famosa “tabelinha” com o Rei, jogou por 12 anos com a camisa do Santos, marcou 370 gols em 457 jogos. Com a extraordinária média de 0,80 gol por jogo. Se não fossem as contusões sofridas nos joelhos e o excesso de peso que Coutinho não conseguia combater, teria uma carreira ainda mais brilhante.

Mazzola no Milan

José Macia, o Pepe, jogou por 15 anos com a camisa do Santos. É o maior ponta-artilheiro do mundo em todos os tempos, marcando 405 gols em 750 jogos. Nenhum ponta no mundo conseguiu marcar tantos gols quanto Pepe, que é o segundo – segundo ele, o primeiro, já que Pelé é de outra galáxia – maior artilheiro da história do Santos. Sua média é de 0,54 gol por jogo.

Vou citar Ademir da Guia, por quem tenho a maior admiração e por ser o maior mito do Palmeiras em toda sua história. O Divino, apelido que herdou do pai, o fantástico Domingos da Guia, não era um artilheiro, tanto assim que marcou “apenas” 153 gols em 866 jogos. Mas a elegância dava a sensação a quem o via jogar de que ele levitava em campo.

Para concluir o que não chega bem a ser um causo, já que são dados que fazem parte da história do nosso futebol, a facilidade em fazer gols sempre atraiu os dirigentes do futebol europeu. A venda de jogadores para o exterior vem desde a Copa do Mundo de 1934, quando o Brasil, apesar de ter feito uma apresentação muito abaixo do esperado, cedeu ao futebol italiano um ponta-esquerda chamado Rato e alguns outros jogadores. Rato foi titular e campeão do mundo em 38 defendendo a Itália.

Na minha memória, dois outros jogadores foram embora na década de 50: Dino da Costa e Vinicius, ambos do Botafogo, sendo que Vinicius que era ponta-esquerda e lá virou artilheiro, centroavante, como se dizia na época, com a camisa 9 e tudo. Dino da Costa jogou por alguns anos na Roma e depois sumiu. Garantem que foi seminarista e padre no Vaticano.

Logo depois, foram embora alguns outros grandes artilheiros, como Valdo, do Fluminense, que foi para o Sevilla e vive lá até hoje; Evaristo, do Flamengo para o Barcelona; Canário, do América para o Real Madrid; Válter Machado, do Vasco da Gama para o Valencia, da Espanha, acabando como vítima fatal de um acidente de automóvel; e o grande Mazzola, que era do Palmeiras, campeão do mundo em 51, e que jogou muitos e muitos anos na Itália, defendendo clubes importantes como a Juventus, o Napoli e o Milan, com seu verdadeiro nome José João Altafini. No Brasil, Mazzola, que ganhou dos jogadores do Palmeiras o apelido devido à semelhança com o Mazzola da seleção italiana nas Copas de 34 e 38 e que morreu num acidente aéreo com todo o time do Torino, fez 77 gols defendendo o Palmeiras em 106 jogos, com uma média de 0,74 gol por partida.

Autor: Michel Laurence Tags: , , , , , , ,

quinta-feira, 31 de março de 2011 Notícias | 14:34

O que você prefere?

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Um Pelé fechando o gol?

(Essa foto é de um jogo do Santos contra o Grêmio, no Pacaembu, no dia 19 de janeiro de 1961. O Santos vencia, por 4 a 3, quando faltando 5 minutos para o fim do jogo, Gilmar dos Santos Neves foi expulso. Como naquele tempo não havia substituição, Pelé foi improvisado de goleiro e fechou o gol, garantindo a vitória).

 

Ou um Rogério Ceni artilheiro?

(Assim como acho difícil – mas não impossível – alguém fazer 1000 gols aos 29 anos, com 12 anos de carreira, acho também improvável que venha a aparecer um goleiro capaz de marcar 100 gols. O tempo e a história hão de dar a Rogério Ceni o reconhecimento que merece).

Autor: Michel Laurence Tags: , , , ,

sexta-feira, 4 de março de 2011 Notícias | 17:29

O melhor do mundo!

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Zlatan Ibrahimovic garante:

- Sou o melhor jogador do mundo!

Não sei.

Tem o Lionel Messi.

Nunca vi o Messi dizer “sou o melhor do mundo”.

Nunca vi o Pelé dizer: “sou o melhor do mundo”.

E o Pelé é o melhor do mundo em todos os tempos.

O máximo que vi foi grandes como Romário dizer:

- Deus apontou o dedo pra mim quando nasci e disse “esse é o cara”!

Mas soou mais como uma brincadeira. Não tinha nem um pouco de convencimento.

Vi uma vez o Ronaldo Fenômeno, que poderia se intitular o melhor do mundo já que ganhou três vezes a Bola de Ouro da FIFA, dizer a respeito de uma discussão em torno de um gol:

- Olha, me desculpa, mas quem entende aqui de fazer gol sou eu!

E foi o máximo que ele um fenômeno, se permitiu!

Nunca ouvi ou vi (desculpem o abuso) o Maradona dizer:

- Sou o melhor do mundo!

E olha que para se auto-promover o Dieguito não brincava em serviço.

Nem o Ronaldinho Gaucho, que muitos de nós brasileiros desmerecemos, que ganhou a Bola de Ouro duas vezes seguidas, nunca disse:

- Sou o melhor do mundo.

Além do mais acho que seria bom o Ibra olhar os outros 9 do futebol atual.

Eto’o, Milito, são fantásticos.

Tem gente que me garante que o Cristiano é grande.

Eu não gosto.

Tem outros que afirmam que o Fernando Torres… mas esse não faz gols há muito tempo.

 

Engraçado, acabei de lembrar o Zinedine Zidane que foi reconhecido pelo mundo inteiro como o melhor – e isso é raro – nunca deixou de lembrar do Ronaldo, até do Robinho – dizendo que ele poderia vir a ser o melhor do mundo.

Aliás, dos brasileiros nenhum no momento pode ser considerado o melhor do mundo.

Fazia tempo que isso não acontecia!

Autor: Michel Laurence Tags: , , , , ,

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010 Notícias | 14:41

Neymar vai ser Pelé?

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Fico remoendo em minha cabeça tudo o que aconteceu e acontece com Neymar.

Não tem nada a ver com o que aconteceu com Pelé quando o Rei surgiu para o futebol.

Primeiro – a distância entre Santos e Rio de Janeiro capital da República naquela época, era tão grande quanto a distância hoje entre São Paulo e Abu Dhabi, no Catar. As notícias em 1957, quando Pelé começou a ter destaque, custavam a chegar e quando chegavam falavam de um jogador completamente desconhecido para o público brasileiro em geral

Segundo – não gosto dessa comparação. Nada pode ser comparável a Pelé. O que ele realizou era impossível na época dele, quanto mais nos dias de hoje.

Terceiro – não creio que Neymar vai ser um goleador como Pelé. Acho que Neymar se “diverte” mais do que Pelé jogando.

Pelé aos 18 anos precisava ganhar a vida. Deixar a pobreza de lado, coisa que ele só conseguiu com o passar dos anos.

Neymar já pode ser considerado um cara realizado financeiramente ganhando R$600 mil por mês, fora todas as propagandas e promoções que ele realiza e que lhe rendem uma pequena fortuna.

Pelé anunciava a bicicleta Caloi e não acredito que a Caloi ou o Vitasay lhe rendessem um décimo do que Neymar ganha hoje em dia para simplesmente comparecer ao lançamento do novo aparelho de barbear da Gilette.

Mas o que me faz pensar em igualdade é a facilidade com que Neymar se entrosa pelo seu futebol, em qualquer momento que esteja atravessando.

Pelé era a mesma coisa.

Seus companheiros de time e de seleção falam dele até hoje, 36 anos depois que parou de jogar (para mim o período dos Estados Unidos é apenas um adendo a sua carreira. O fim dela foi aqui, contra a Ponte Preta, na Vila Belmiro, uma derrota por 2 a 0, em 1974) com a mesma admiração do que em 58, Zito, Didi, Bellini e Nilton Santos falavam do “garoto” de 17 anos, que ia estrear contra a União Soviética na Copa da Suécia.

Hoje Neymar chega na seleção sub-20, mete dois gols no jogo-treino contra o Cabofriense, e todos amigos, conhecidos ou companheiros falam dele com uma admiração poucas vezes vista.

Repito: não é Pelé, mas que lembra isso lembra.

Autor: Michel Laurence Tags: , , ,

quarta-feira, 10 de novembro de 2010 Causos do Futebol | 16:14

Causos do Futebol – Os Mil Disfarces de Pelé!

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Conheci muita gente que precisava se esconder para não ser reconhecido na hora em que precisava relaxar.

Certa vez entrei no restaurante do Giovani Bruno, quando era ali perto do antigo prédio do Estadão (atual Diário Popular), e deparei com um biombo que nunca tinha reparado. Perguntei ao Giovani de que se tratava, e ele respondeu com muito cuidado, baixinho:

- É o coronel Erasmo Dias!

Eu tinha conhecido o coronel no tempo em que ele comandava um quartel em Santos, e rolava entre nós da imprensa que ele tinha um tal “livro negro” no cofre de seu escritório com os jornalista corruptos que recebiam do Santos por baixo do pano.

O coronel era carne de pescoço!

Fui no quartel, pedi para ver o livro e denunciar os corruptos no Jornal da Tarde (todo mundo queria dar em primeira mão).

Nunca consegui!

Nem eu nem ninguém!

Acho que o tal livro negro nunca existiu.

Mas o Giovani disse que o coronel estava tomando uns uísques e não queria ser “incomodado”. O melhor meio encontrado foi um biombo.

Mas igual ao Pelé, nunca vi coisa igual.

Primeiro que o “topetinho” denunciava Pelé de cara.

A única vez que vi Pelé sem o famoso “biquinho” de cabelo foi na Copa de 70. Verdade! É só você pegar as fotos da Copa de 70 e ver que ele praticamente tinha raspado a cabeça como é moda hoje em dia.

Não sei se ele fez aquilo para acabar com a cisma de que não dava sorte jogando Copa do Mundo – ele se machucou em 58; sofreu a única distensão muscular de sua carreira em 62; e arrebentaram com ele em 66 – ou se ele estava a fim de se ver no espelho de forma diferente.

Depois tinha o problema da voz. Era ele começar a falar e imediatamente ser denunciado pelo tom da voz.

Mas dizem que, quando jovem, ele cismava de sair para se divertir.

Naquele tempo ele tinha um carro cinza, grande, sinceramente não me lembro a marca, mas era bastante rodado, com alguns amassados, que não despertava a atenção de ninguém e era dirigido por um senhor magrinho, simpático, entre 50 e 60 anos.

Pelé ia encolhido no banco de trás.

Quando saltava no local escolhido, levantava a gola do casaco, óculos escuros, boina enfiada na cabeça até a altura das sobrancelhas.

Não sorria, não falava, e era imediatamente encaminhado pelo dono do local para um lugar reservado.

Em outra oportunidade, procurava passar no barbeiro e repartir o cabelo como nunca tinha feito.

Dizem também que ele tinha várias perucas.

Principalmente uma Black-power.

Dava um trabalho danado, a troco de pouca privacidade.

Por isso, quando ele passou a ganhar um pouco mais, era mais fácil ir nos lugares mais caros. Assinava dois ou três autógrafos, tirava meia dúzia de fotografias e o deixavam em paz.

Autor: Michel Laurence Tags: ,

quinta-feira, 21 de outubro de 2010 Causos do Futebol | 17:45

Causos do Futebol – Um vidente chamado Pelé!

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Pelé, Pepe e Coutinho, trio ofensivo do Santos

Quem contou esse “causo” foi Coutinho, que nos anos 60 tinha que usar um esparadrapo no pulso para poder ser diferenciado de Pelé.

Ele contou.

Um domingo, jogando contra o Palmeiras, o juiz marcou um pênalti contra o Santos.

O grande Ademar Pantera – que foi trocado por César Maluco em 66 – colocou a bola na marca do pênalti.

Pelé chegou perto de mim e disse:

- Um a zero pra nós!

Respondi:

- Você está maluco, Negão. O pênalti é contra a gente e quem vai bater é o Ademar Pantera.

Pelé não respondeu.

Esperou.

Ademar correu e mandou uma bomba que… explodiu no travessão.

O chute foi tão forte que a bola voltou para fora da área.

Pelé travou, avançou alguns passos e tocou para Lima.

O ex-concunhado de Pelé dominou e da entrada da área fez um lindo gol.

- Nunca mais duvidei do Pelé – diz Coutinho. Ele falava ou ouvia coisas inexplicáveis. A partir desse lance fiquei sabendo por que aquele cara previa tudo o que eu pensava.

Autor: Michel Laurence Tags: , , ,

quarta-feira, 20 de outubro de 2010 Gênios do Passado, Notícias | 17:48

Futebol de Paixões e Lições

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Chego cada vez mais a conclusão que as pessoas são confusas quanto a paixão pelo futebol.

As que parecem ser completamente possuídas pela paixão são as que conseguem exprimir melhor seus sentimentos. Não só com palavras, mas com o equilíbrio que uma paixão exige.

Ao contrário vai tudo para o brejo, como já vi várias vezes em minha vida.

As que parecem completamente equilibradas são as vezes as que explodem com mais facilidade.

Perdem a noção de que aquilo que estão discutindo trata-se apenas de um jogo de bola, que as vezes é praticado melhor por uns do que por outros.

Eu que amo o futebol há mais tempo do que qualquer um de vocês sempre tento mostrar que “não existe mal nenhum em preferir um jogador a outro”.

Antes do Maradona surgir, a briga entre nós era sempre quem foi melhor, Pelé ou Garrincha?

Era uma interminável discussão que começava com Garrincha ganhou “sozinho” a Copa de 62. No que os pelézistas respondiam que diante dos mil e tantos gols feitos pelo Negão isso nada representava.

Aí surgiu Diego Armando Maradona com aquele lindo gol contra a Inglaterra e a consequente conquista da Copa de 86, no México.

Passaram-se 24 anos e a discussão continua que pudesse haver um paralelo entre a carreira impecável de Pelé e a conturbada de Maradona.

Cheguei a uma conclusão: a maioria dos brasileiros tem uma tendência a preferir os castigados pela vida.

O alcoolismo de Garrincha.

A dependência das drogas de Maradona.

A suposta inocência de Garrincha.

Os ataques inconsequentes e as vezes rancorosos de Dieguito.

Tudo isso parece ao brasileiro muito mais tentador do que as preocupações sociais de Pelé.

Fico vendo e lendo e tento tirar de minha cabeça como era o Brasil antes de Pelé e o que passou a ser depois de Pelé.

Pessoas que nunca viram a pobreza e o deboche como era tratado o nosso futebol por argentinos que nos chamavam de “macaquitos” e uruguaios que gostavam de dizer que éramos “maricones”!

Continuo achando que a rivalidade entre Pelé e Maradona é de uma imbecilidade sem tamanho, ainda mais a alimentada por nós.

Aposto que Pelé de 70 anos de sábado passa a bola entre as canetas de Maradona 50 anos dentro de mais alguns dias.

Autor: Michel Laurence Tags: , ,

quinta-feira, 19 de agosto de 2010 Notícias | 19:15

O horror de se aposentar jovem!

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Li que o Ronaldo Fenômeno anunciou que vai se aposentar no final do ano.

Me deu um nó na garganta.

Eu vivi ao lado de Pelé o dia em que ele deixou de jogar pelo Santos.

Vi o quanto ele estava sofrendo.

Na hora não entendi direito. Inclusive quando a gente estava subindo no meu carro, para a chácara Nicolau Moran, em São Bernardo, tentei fazer com que ele voltasse atrás. Deixasse essa ideia “louca” – para mim – de se aposentar com 33 anos.

E ele repetia:

- Eu sei que o Pelé vai sofrer…muito. O que o Pelé mais ama depois da família, é jogar futebol.

- Então, para que sofrer? Anuncia que você vai continuar (e eu quase disse “que o Pelé vai continuar”) que todo mundo vai ficar feliz.

- Não posso, vão começar a me dar porrada!

- Ora, Pelé, quem vai ter coragem de bater em você?

- Eles já estão começando a me criticar! Imagina daqui a quatro anos, se Pelé continuar vai destruir tudo o que construiu!

- Eles quem. Pelé? Eles quem?

- Teus amigos – e sorriu – teus amigos aí da imprensa!

Agora tantos anos depois dessa conversa no Chevete azul apertado, entendo muito  melhor o que Pelé me falou.

Sei lá, nós, civis comuns, passamos pelos 30/33 anos no auge de nossas vidas. O jogador de futebol vê o seu declínio. Se ele não aceita, o obrigam a aceitar. Os dirigentes, os jornalistas, os técnicos e os companheiros mais jovens já o tratam de “veterano”.

 

É um “aposentado” jovem. Sem direito a aposentadoria, porque não recolheu ao INPS os anos suficientes, ou esqueceu de recolher. Não sei, não entendo nada de aposentadoria.

Só sei que o Ronaldo deve estar sofrendo barbaridade.

E por favor, não me venham com aquela ironia: “ora, ele tem tanto dinheiro que nunca vai acabar! Quisera eu uma aposentadoria dessas, com os milhões que ele tem!”.

Isso é besteira, porque pode existir uma resposta para essa ironia, que é: o Ronaldo só ganhou esse dinheiro porque é um talento acima do normal, um fenômeno!

Mas e o amor a bola, ao jogo, ao futebol? Até ao cheiro de cânfora que acompanha todos os vestiários?

Acho que deve doer muito.

Aí, você que deve estar dizendo: “ora, Michel, pobre de mim!”. E eu respondo: se você jogou bola, você deve saber do que estou falando! De ser obrigado a se aposentar ainda jovem e passar a não mais poder jogar normalmente. Jogar com os amigos? Não dá! O ritmo é outro, o estádio não vai estar cheio, os amigos não vão estar em sua volta, os jornais, a televisão, o rádio não vão mais falar de você. Os convites para as festas badaladas vão rarear. Se não for casado, as mulheres vão deixar de olhar.

Não deve ser fácil. Já vi gente morrer por deixar de trabalhar.

O cara vai definhando até acabar.

Sei que você deve estar pensando: “O Michel está dramatizando!”.

Talvez, talvez, mas pensa bem: quantas vezes você já ouviu ou leu um veterano dizendo: “não, vou parar e nunca mais quero saber de futebol! Isso aqui é um, nojeira!”.

Aí, alguns meses depois que o mesmo veterano parou de jogar, ele aparece como técnico dos júniors e faz uma nova carreira sacrificando-se, sacrificando a família, como treinador.

Você ficar sem fazer nada mesmo com muito dinheiro no bolso, deve acabar depois de algum tempo sem um saco.

Autor: Michel Laurence Tags: , ,

terça-feira, 13 de julho de 2010 Causos do Futebol | 15:41

Causos do Futebol – UM OMBRO AMIGO!

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Tem gente desconfiada que o tempo do Brasil campeão já passou.

Tem outros torcendo para que isso, depois dos fracassos de 2006 e 2010, seja a mais inegável realidade.

Mas como sou um sempre otimista, vou contar um “causo” do tempo em que a camisa amarela começou a criar fama de imbatível. Pelé tinha apenas 17 anos.

Era um garoto que ainda se perguntava como tudo tinha acontecido.

Nem reclamou na hora em que o gordo e sábio Vicente Feola o deixou na reserva de Dida, o grande ídolo do Flamengo na época. Um artilheiro maravilhoso que em toda a história do clube só perde em número de gols para Zico.

Nos dois primeiros jogos da Copa da Suécia, em 1958, contra a Áustria – Brasil 3 a 0 – e a Inglaterra – 0 a 0 – Dida não deu sorte. Não marcou.

Belini, Nílton Santos e Didi aproveitaram a contusão do ponta-direita Joel, do Flamengo, e de Dino Sani, do São Paulo, – um dos maiores jogadores de meio de campo que o futebol brasileiro conheceu – para pedir a Feola:

- Seu Feola, coloca o menino Pelé no lugar de Dida, coloca Garrincha no lugar de Joel e, já que Dino está machucado, é hora de fazer entrar o Zito.

Feola prometeu que ia pensar no caso.

- Mas, seu Feola – argumentou Nilton Santos – o menino e o Mané vão arrasar com os russos.

Feola se reuniu com Paulo Machado de Carvalho, chefe da delegação, com Ernesto Marques, responsável pela preparação física dos jogadores e com o professor Carvalhaes, o psicólogo, uma novidade para a época, que ajudava Feola analisando as condições psíquicas dos jogadores.

E Carvalhaes foi categórico:

- Garrincha tem problemas!

Essa notícia na época foi um escândalo. Imagine, um jogador considerado o maior ponta-direita do Brasil, barrado por um médico psiquiátrico.

Mas a sabedoria de Paulo Machado de Carvalho acabou vencendo. Ele sabia que se Belini, Nílton Santos e Didi não fossem atendidos o time não ia andar contra a União Soviética. Era normal, quanto mais eles acreditassem, mais eles seriam capazes de derrotar os adversários.

Algumas horas depois, Feola anunciou as mudanças e acrescentou:

- Vai jogar Vavá (que era do Vasco) no lugar de Mazola (que era do Palmeiras) – Feola sabia que os italianos estavam querendo levar o jogador e que ele poderia não estar cem por cento concentrado no jogo.

Daí para frente todo mundo conhece a história: 2 a 0 contra a ex-União Soviética; 1 a 0 contra o País de Gales; 5 a 2 contra a França e 5 a 2 na final contra a Suécia – o time da casa.

No final do jog,o Pelé começou a chorar de forma incontrolável. Nílton Santos e Gilmar procuraram controlar o garoto que foi erguido nos ombros dos jogadores. Quando o colocaram no chão, Gilmar falou com Pelé:

- Vem cá, garoto, pode chorar aqui no meu ombro!

Poucos dias antes de Gilmar ficar doente encontrei com ele, que me contou:

- Laurence, outro dia encontrei com o Pelé numa homenagem a ele. O Negão chorou de emoção. Segurei ele pelos ombros, pode vir, garoto, que o ombro amigo continua aqui.

Amigos se tratam assim pelo resto de suas vidas.

Autor: Michel Laurence Tags: , ,

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