iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade

30/09/2009 - 18:51

O Rei das mancadas!

Eu sei que o Pelé não merece!

Sei que ele merece todas as honrarias que nos sistematicamente lhe negamos.

Mas (e sempre tem um “mas”) ele sempre dá umas “mancadas” que entram para a história.

Agora, defendendo a candidatura do Rio de Janeiro à sede dos Jogos Olímpicos de 2016, em Copenhagen, Pelé confundiu Michael Jordan com Michael Jackson.

Todo mundo que estava na entrevista caiu na gargalhada quando Pelé perguntou:

- Michael Jackson não é ex-jogador – quando alguém lhe perguntou o que ele achava do Michael Jordan (considerado o maior jogador de basquete do mundo em todos os tempos) não estar nessa reunião para a escolha da sede dos Jogos Olímpicos de 2016, como representante da cidade de Chicago, que é a candidata dos Estados Unidos da América.

***

APROVEITO PARA LANÇAR A PESQUISA – “QUAIS FORAM AS DEZ MAIORES MANCADAS DO REI?”

Não tem prêmio, sou pobre, mas a gente vai se divertir prá burro.

Responda: quais são em sua opinião as 10 maiores mancadas do Rei?

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , ,
07/08/2009 - 17:21

No tempo dos ponta-esquerdas!

EduVejo que Edu completou 60 anos ontem.

 

Meu Deus, como estou velho!

 

Vi o Pelé trazer para o Santos, o garoto Jonas de apenas 15 anos. Uma promessa feita a família do garoto, lá de Jaú. Pelé sabia que o menino era bom de bola.

 

Foi muito melhor do que qualquer um podia supor.

 

Com menos de 16 anos foi convocado por Vicente Feola para a seleção brasileira.

 

É até hoje o jogador mais jovem a ter participado de uma Copa, a de 66, na Inglaterra.

 

Vi ele jogar com 15 anos ao lado de Pelé.

 

Jonas Eduardo Américo, o Edu, era fantástico.

 

Conseguia unir a precisão de um chute fortíssimo, com a malícia de um drible maravilhoso, que era invariavelmente seguido por um sorriso maroto.

 

Não era um sorriso solitário. Pelé sorria, Toninho Guerreiro sorria, Ramos Delgado sorria, até Joel Camargo que vivia com a testa franzida por uma ruga de seriedade…sorria.

 

Acho que internamente até os adversários sorriam.

 

Me lembro perfeitamente do dia seguinte ao 19 de novembro de 1969, quando Pelé fez o Milésimo Gol.Pelé marca o Gol 1000

 

Terminado o treino na Vila Belmiro, três ou quatro jogadores se reuniram na grande área que fica do lado da entrada da Vila.

 

Edu foi para o gol calçando as luvas. Não me lembro quem colocou a bola na marca do pênalti. Os dois outros ficaram atrás da meia lua. Alguém imitou o apito do juiz. Quem ia bater correu para a bola, chutou no canto esquerdo. Edu pulou, fingiu tentar defender e caiu de barriga no barro da pequena área.

 

Socou o chão como o goleiro argentino Andrada, do Vasco, que nunca sonhou em enfrentar uma situação tão pavorosa, tinha feito na véspera, no Maracanã.

 

A gargalhada foi geral.

 

Se alguém duvidar é só dar um pulo no Estadão que a sequência fotográfica da brincadeira está registrada provavelmente no jornal que foi às bancas no dia 21.

 

Feliz aniversário, velho amigo.

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , ,
02/06/2009 - 15:35

Causos do Futebol – O CORTE DE CABELOS DO REI!

Me lembrei desse causo por causa da reportagem do Fantástico, domingo, sobre o cabelo do Rei que virou diamante.

 

A gente estava na Record, o repórter Fernando Fernandes (hoje na Rede Bandeirantes) e eu, quando Pelé resolveu atender nosso pedido para uma reportagem que queria rever seu início no Santos e que acabou se transformando numa série de histórias por conta do acaso.

Uma dessas histórias aconteceu no salão de barbeiro que Pelé freqüenta desde os tempos de sua chegada a Santos, com o mesmo barbeiro, que acabou sendo o criador do famoso “topete” marca registrada do Rei.

Pelé sentado na cadeira do barbeiro, contando histórias, respondendo as perguntas do Fernando, e o barbeiro (acho que o apelido é Didi, o Fernando deve saber ao certo) caprichando como sempre, no corte.

Juntou gente. A TV tem esse problema, para filmar precisa de luz e a luz aciona a curiosidade das pessoas. Passados alguns minutos tinha um monte de gente na calçada do outro lado da rua, em todas as janelas do prédio em frente e claro, o bar ao lado da barbearia ficou lotado.

Foi quando um cidadão visivelmente alcoolizado me perguntou:

- É o Negão? – foi a “intimidade” que me chamou a atenção. “Negão” era como os companheiros de time do Santos chamavam o Pelé.

Respondi, tentando cortar a conversa:

- É!

O homem sorriu e como se estivesse falando um segredo, colocou a mão na frente da boca, e sussurrou:

- É hoje que vou ficar rico!

Por um instante deixei de prestar atenção ao trabalho do Fernando e fiquei atento ao cambaleante cidadão que estava a ponto segundo ele, de ficar rico.

- Como? – perguntei!

Ele colocou o dedo na frente da boca e tentou explicar:

- Sshhheeehhh, segredo!

Tive vontade de rir, quando ele virou as costas e foi sentar na mesa de plástico branco do bar.

Mas como eu me sentia um pouco responsável por Pelé estar ali, fiquei de olho no homem para caso acontecesse algo inesperado.

Vi quando ele pediu “duas” caixas de fósforos ao homem do bar e começou a jogar os palitos fora.

Vi quando ele levantou depois de tomar o resto da segundo ele, “caipirinha” da qual me ofereceu um gole, e ficar em pé ao lado da porta da barbearia.

Fiquei com receio do cara fazer uma besteira. Chamei o pessoal da equipe e pedi que ficassem atentos.

Quando Fernando terminou a reportagem e o barbeiro se deu por satisfeito, Pelé levantou da cadeira e foi assinando autógrafos um atrás do outro para as pessoas, o homem se jogou no chão e começou a catar os restos de cabelos de Pelé e enfiando nas caixinhas de fósforo.

O barbeiro ficou bravo, Pelé penalizado, perguntou:

- Meu senhor, para que isso? Levanta daí!

O barbeiro começou a empurrar o homem que continuava de quatro catando o cabelo pelo chão.

Pelé insistiu:

- Meu senhor que isso?

O homem atarefado, nem respondeu. Aí eu disse para o Rei:

- Ele disse que vai ficar rico!

Pelé perguntou:

- Como que o senhor vai ficar rico?

Finalmente, o homem parando de se sentir ameaçado, ainda de quatro, olhou para cima, sorriu e respondeu:

- É o cabelo do Rei, vou vender e ficar rico!

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Causos do Futebol Tags: ,
27/03/2009 - 14:01

Maradona ofendido ataca Pelé!

Durante muitos anos fui muito chegado ao Pelé e hoje continuamos bons amigos apesar do distanciamento da própria vida. Durante aquele época ele me contou muitas coisas que nunca publiquei a pedido do próprio Rei ou pela falta de oportunidade. Uma dessas coisas é que ele “quase contratou Maradona para jogar no Santos”.

 

A intenção de Pelé era principalmente ajudar Maradona a se livrar de alguns maus elementos que atrapalharam e muito sua carreira. O encontro foi na época em que Maradona estava quebrado e quando esteve em São Paulo visitando Careca, que foi seu companheiro no Nápoli.

 

A contratação acabou não acontecendo devido às muitas exigências que o argentino fez e que o Santos não pode atender.

 

Quando Maradona estreou seu programa na TV Argentina seu primeiro convidado foi Pelé – o que lhe deu um alto índice de audiência e pelo menos uma cena inesquecível com os dois trocando bola de cabeça dentro do estúdio, diante de uma platéia maravilhada, inclusive a de muitos brasileiros que assistiram ao programa por canal fechado.

 

Não sei se por complexo de inferioridade, não sei se porque Pelé tem uma vida muito bem sucedida mesmo depois de deixar o futebol, não sei se porque Pelé sempre manteve uma linha de conduta – que muita gente desconhece porque Pelé sempre pediu para que algumas coisas não fossem divulgadas – que nunca o colocou em confronto com quem mo agride, mas Maradona “teima” em se colocar como desafeto de Pelé.

 

Agora mesmo voltou a atacar Pelé de uma forma imbecil, porque Pelé citou que Maradona teve problema com as drogas.


Maradona ficou ofendido, como se isso fosse uma mentira, talvez não se lembrando que foi ele mesmo que divulgou o fato.

 

Estar sempre à sombra do melhor deve doer… muito.  

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Notícias Tags: , ,
26/03/2009 - 14:33

Quem diria: Robinho “perdoa” Pelé!

Pelé já desmentiu!

Disse que deve ter tido um engano.

E aí vem o Robinho do alto de seus 800 títulos conquistados, de seu reconhecimento mundial como atleta “exemplar”, e diz, magnânimo:

- Perdôo o Pelé!

Que deve ter havido um engano não há dúvida. Afinal, Pelé, que teve grandes problemas, nunca vai acusar ninguém de usar drogas.

Sabe o que Robinho deveria ter feito?

Respondo: dizer para toda a mídia que tinha certeza que Pelé nunca teria dito tamanha mentira!

E que estava aguardando o fim da história.

Mas, não, o rapaz está tão convencido que se acha acima de Pelé, como se acha acima de qualquer ser humano.

Bons tempos aqueles em que um garoto surgiu maravilhando todos os críticos do futebol, inclusive o próprio Pelé, e que abria um imenso e simpático sorriso a cada glória conquistada.

Um pouco de humildade não faz mal a ninguém.

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Notícias Tags: , ,
04/03/2009 - 15:32

Causos do Futebol: A FEITICEIRA DO PELÉ!

Ainda continuo com o América no Haiti.

Como o América tinha ganho o segundo jogo, ficamos esperando no vestiário o ambiente esfriar para sair do estádio. Só que a gente olhava por uma janelinha no alto da parede do vestiário e grande parte do povo continuava do lado de fora.

Naquela época não era como hoje com o ônibus encostando na porta dos vestiários, nosso ônibus estava praticamente fora do estádio. Atravessamos a pé com a “segurança” de dois Tonton Macute.

O povo, naquela época como hoje, gostava do futebol brasileiro, e os jogadores tinham que parar para atender os torcedores. Não sei bem como é isso, só que lá fora a gente consegue entender e se fazer entender mesmo sem falar o idioma. Eu não podia ajudar a todo mundo, e a chegada até o ônibus, apesar da boa vontade dos dois Tonton em abrir o caminho, foi vagarosa.

Foi quando de repente uma senhora meio fantasmagórica se aproximou de mim e perguntou:

- O senhor conhece o Pelé?

Fiquei olhando para aquela senhora negra, magra, cabelos quase lisos, desalinhados, oleosos, que vestia uma saia arrastando pelo chão, uma blusa de mangas curtas, tudo preto, um olhar meio transtornado, brilhante, se esforçando para sorrir um sorriso quase sem nenhum dente na boca.

Pessoas se aproximando, eu querendo entrar no ônibus, pensei em dizer que não, não conhecia, mas acabei dizendo:

- Sim, sim, conheço o Pelé!

A mulher ficou me olhando, com aqueles olhos que chegam a incomodar, até que perguntou:

- O senhor me faria um favor?

- Depende, minha senhora, depende do que se trata.

- Não, é uma coisa muito simples – e ela se esforçou mais uma vez para sorrir.

- Pois não, minha senhora, então diga logo!

- Bem – e os olhos se fixaram nos meus – é o seguinte: eu aqui em Port-au-Prince sou a feiticeira local. Atendo a todo mundo de graça, inclusive aos jogadores de futebol, e eu gostaria que o senhor me colocasse em contato com a feiticeira que cuida do Pelé.

Quase caí na gargalhada, mas me lembrei a tempo de onde estava e procurando fazer a expressão mais sincera do mundo, respondi:

- Olha, a senhora me desculpa, mas eu não conheço essa tal feiticeira. Nem sei se o Pelé tem uma!

Aí foi a vez dela olhar para mim como se eu fosse o maior imbecil do mundo, e nervosamente falou:

- Mas é claro que tem. Todo mundo que nasce diferente dos outros tem uma feiticeira. Os chefes precisam de uma feiticeira; os grandes atletas têm uma feiticeira; todo mundo importante tem uma feiticeira.

Tentei acabar com a conversa que aquilo estava me deixando nervoso.

- Está bem, minha senhora, vou tentar descobrir. Mas o que devo fazer? Se eu descobrir como é que ela entra em contacto com a senhora?

- O senhor é um bom homem, meu jovem – e ela me fez com aquela mão magra um carinho no rosto – quando o senhor falar com ela o que pedi, ela vai pensar em mim, aí eu me entendo com ela.

Virou as costas, nada mais disse, foi andando sem olhar para trás, com as pessoas abrindo caminho como se dessem passagem a uma rainha.

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Causos do Futebol, Gênios do Passado Tags: ,
23/02/2009 - 16:03

Quem inventou comemorar gol?

Pelé estava sendo xingado pela torcida adversária e de raiva, depois de fazer um gol, deu um soco no ar.

 

O “soco” virou marca registrada do Rei.

 

E a partir daí as “invenções” para assinar os gols não pararam mais.

 

Mas que eu me lembre, o primeiro jogador a marcar seus gols com uma comemoração particular, foi Ambrois, um atacante uruguaio, que jogou as copas de 54, na Suíça, e de 58 na Suécia, pela Celeste, e que defendeu o Fluminense na década de 50.

 

Ambrois – cujas pegadas perdi com o caminhar dos anos – era um artilheiro branquelo, sanguinolento – não no sentido da violência – mas daquele tipo de branco europeu que com o calor e o ardor de uma partida, tinha o rosto tomado pelo sangue e o “pintava” de vermelho.

 

Me lembro perfeitamente do chute colocado, no canto e da corridinha de Ambrois por trás do gol adversário, driblando os fotógrafos e que terminava num semi-círculo para voltar ao campo de jogo e comemorar abraçando os companheiros.

 

Antes dele não me lembro de nenhum outro.

 

Os jogadores só perceberam que os gols eram valiosos para firmarem suas imagens só depois de Pelé.

 

Escrevi isso porque é Carnaval e no carnaval todo mundo samba.

 

E também porque me esqueci como mal educado que sou, de agradecer ao meu amigo Celso Unzelte, comentarista do programa Loucos por Futebol, da ESPN Brasil e professor da Faculdade Cásper Líbero, por ter incluído em seu próximo livro um texto meu sobre o técnico Martim Francisco, que escrevi em Placar, em 1973.

 

Celso, pesquisei fotos do Ambrois mas não achei. E como eu sei que você gosta dessas histórias escrevi assim mesmo, sem ilustrar.

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Causos do Futebol Tags: , , , , ,
10/02/2009 - 22:41

Causos do Futebol – Argentina campeã do mundo, culpa do Pelé!

Esse “causo” é verdadeiro. É só consultar os alfarrábios do futebol paulista.

 

O Santos de Pelé vivia excursionando pelo mundo para não ter que vender seus grandes jogadores, inclusive Pelé que rejeitava todo ano propostas milionárias principalmente do futebol italiano. Tinha até um milionário alemão que depois se tornou amigo do Rei, que vivia tentando seduzir Peké com propostas inacreditáveis. Numa dessas ele chegou a dar um Mercedes Benz de presente para Pelé, que por muitos anos andou com esse belo carro pelas ruas de Santos e de São Paulo.

 

Não sei se ele ainda o tem.

 

Mas numa dessas excursões no início dos anos 70, o Santos jogou nos Estados Unidos, contra um time que tinha um argentino alto, magro, e habilidoso com a bola.

 

No fim do jogo o argentino fez uma proposta inusitada ao Pelé:

 

- Me hace um favor. Estoy sin dinero para volver a Buenos Aires. Juego para o Santos por seis meses gratuitamente em câmbio del boleto de avion!

 

Pelé quase caiu para trás com a proposta, mas penalizado falou com o chefe da delegação, que consultou o presidente no Brasil, e trouxe de volta o argentino.

 

O argentino jogou algumas partidas durante os seis meses em que ficou quase de graça no Peixe. Afinal tinha que ganhar algum para ter onde morar e comer.

 

Ao final se transferiu para o Juventus da capital, onde também jogou por uns bons seis meses como titular. Juntou um dinheiro que deu para comprar a passagem de volta para Buenos Aires e foi embora.

 

Uns cinco ou seis anos depois, não me recordo com precisão, o jogador alto, magro, jeitoso com a bola, foi campeão do mundo dirigindo a seleção da Argentina.

 

Seu nome: César Luís Menotti.

 

Imagine se o Pelé não tivesse pedido à diretoria do Santos para repatriar Menotti. Talvez a Argentina não tivesse sido campeã do mundo.

 

(PS – vou esclarecer uma coisa, não gosto de argentinos, acho arrogantes demais, mas gosto muito de 4: Agustin Mário Cejas, que foi um dos maiores goleiros que vi em minha vida, que jogou no Santos e no Grêmio; Ramos Delgado, que foi um dos maior centrais que quase não precisava se mexer em campo porque adivinhava por onde a bola ia passar e que vi jogar por muito tempo no Santos; Perfumo, que era a elegância em pessoa jogando bola no Cruzeiro e que conheci melhor na Copa da Alemanha, em 74, depois de uma campanha horrorosa da seleção argentina, e César Luís Menotti, que além de ser um dos homens mais inteligentes que conheci, sempre me brindou com uma amizade honesta e sincera).    

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Causos do Futebol Tags: , ,
07/02/2009 - 20:49

Zagallo era muito melhor!

 

Não sei se você sabe a história toda.

 

Mas em 1957 havia uma dúvida danada sobre quem seria o ponta-esquerda da seleção.

Os candidatos favoritos eram Canhoteiro, um ponta do São Paulo que jogava uma barbaridade, driblador desses tipo Garrincha. Contam que certa vez ele estava sendo marcado por Olavo, do Corinthians. Dizem que ele de tanto driblar deixou seu marcador tonto a ponto de largar a bola junto a linha lateral e continuar correndo sem a bola, no que foi acompanhado por Olavo, que só percebeu que Canhoteiro estava sem a bola quando chegaram empatados na linha de fundo.

 

O outro era Pepe, o Canhão da Vila, que marcava tantos gols quanto qualquer camisa 9.

Havia um terceiro candidato: Mário Jorge Lobo Zagallo, que corria por fora e já era dado como eliminado.

 

Só que Canhoteiro era boêmio, gostava da noite, e saia sempre com um outro mito do futebol brasileiro: Zizinho, o Mestre Ziza, que deu o campeonato paulista de 57 ao São Paulo. 

  

Os dois acabaram cortados da seleção – a maior mágoa da carreira de Zizinho, maior até do que ter perdido a Copa de 50. Ele dizia:

 

- Jogar ao lado de Pelé ia ser um espanto!

 

Assim partiram para a Copa do Mundo de 58, Pepe titular absoluto da 11 e Zagallo.

 

Pepe se machucou num jogo amistoso na Itália e Zagallo entrou como titular no primeiro jogo da Copa contra a Áustria e não saiu mais.

 

Pois bem, Zagallo foi muito criticado por jogar como “falso” ponta-esquerda. Recuava e ajudava o meio campo. Demoraram a perceber o quanto Zagallo era útil.

 

Dizem que foi ele quem provocou o surgimento de 4-3-3.

 

Aí sábado, fiquei vendo o jogo do Milan contra o Regina – 1 a 1.

 

O Beckham joga igualzinho ao Zagallo, só que 50 anos depois.

 

Ele joga numa zona que não agride. Fica cruzando bolas para um camisa 9 que não existe. E aí fica todo mundo dizendo: “ele é um mestre batendo na bola”.

 

Mestre em passar a responsabilidade de resolver para Pato, Kaká, etc… 

 

Eu posso garantir para você: Zagallo era muito melhor.

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Notícias Tags: , , , , , ,
20/01/2009 - 12:58

Causos do Futebol – A Verdade Custa Caro!

 

Tarde de sábado!

 

O time do Santos estava tão mal que tinha fugido da Vila Belmiro.

 

Tinha acabado de empatar com o América, do Rio, no Palestra Itália.

 

Um a um, jogo feio de doer.

 

Por essa história e por outras que já contei você vai começar a desconfiar que por volta dos anos 72/73, não era fácil ser repórter esportivo.

 

Naquela época, não sei se ainda é assim, não vou ao Palmeiras faz tempo, mas as tribunas de imprensa e dos dirigentes eram pertinho uma da outra, bem no alto da social. A descida se dava por uma escada lateral bem estreita que embolava tudo, sócios, torcedores, dirigentes e jornalistas.

 

Bem atrás de mim desciam dois dirigentes do Santos que se queixavam abertamente do time e principalmente do técnico, o grande Mauro Ramos de Oliveira, bicampeão mundial como jogador em 58 e 62.

 

O diálogo era assim

.

- Ele só sabe substituir o Davi pelo Jáder ou o Jáder pelo Davi – dizia um.

 

O Davi em questão era casado com a irmã do Pelé.

 

- O time parece um amontoado – respondia o outro.

 

Eu realmente estava surpreso. Os dois me conheciam e sabiam que eu era repórter da revista Placar. Pensei “estão me passando um recado!”, mas eu não conseguia acreditar.

 

A descida da escada que era comprida continuou com os dois falando mal de Mauro Ramos de Oliveira, até a gente se separar no fim da descida.

 

Cheguei na revista e avisei ao Hedyl Valle Jr. que era o chefe de redação:

 

- Tenho uma “bomba”, chefe!

 

Me deram uma página e contei toda a história.

 

Na terça-feira, era o dia em que o Placar ia às bancas, Manoel Motta e eu descemos para cobrir o treino do Peixe e também para ver qual era a repercussão da matéria.

 

Foi a gente entrar no vestiário – naquele tempo podia – para o Pelé nos chamar e pedir:

 

- Escuta, vai embora que o homem está uma fera e ele dá tiro. Já deu em baile de carnaval no Parque Balneário. Então, por favor, vá embora.

 

A gente sentiu o silêncio no vestiário, por alguns segundos fiquei sem saber o que responder ou o que fazer, até que eu disse:

 

- Rei, seguinte, tudo o que escrevi é verdade! Se eu for embora vai todo mundo achar que menti. Então vou ficar!

 

- Mas, Michel, todo mundo aqui sabe que é verdade, só que…

 

Pelé foi interrompido por Mauro Ramos de Oliveira que acabava de entrar no vestiário e que quase gritou quando perguntou:

 

- Michel, o que você escreveu é verdade?

 

Eu não queria confirmar porque sabia o que Mauro – um homem digno – ia  fazer, mas não tinha outro jeito:

 

- É, seu Mauro, lamento, mas é verdade. Se precisar é só me chamar que confirmo na frente dos dois.

 

Subimos para o campo da Vila Belmiro atrás dos jogadores e do técnico. Quando desembocamos no gramado, o Motta me cutucou e com a cabeça me mostrou que um dos dirigentes da história, o que segundo os jogadores dava tiro, estava sentado na Tribuna de Honra. Os jogadores já estavam no aquecimento e nos dois caminhando para o banco dos reservas quando o dirigente nos viu. Levantou e começou a descer.

 

Os jogadores passaram por mim e pelo Motta correndo e pediram:

 

- Pô, cara, vai embora! Vai dar merda!

 

Mas ficamos ali, como se a gente estivesse pregados no chão e o homem… descendo.

 

- Motta, te manda! – falei.

 

- Ficou louco!

 

Hoje em dia tem aqueles camarotes de acrílico, mas naquela época uma escada descia até o chão e havia um portãozinho que em dia de jogo ficava fechado, mas que estava aberto dando passagem para o campo.

 

“Calculei, se ele entrar pelo portão é porque vai cumprir o que prometeu!”.

 

Mas graças a Deus – e você já deve ter pensado que se estou contando essa história é porque… o homem não atirou.

 

Realmente, ele chegou no portão, olhou duro na direção da gente e seguiu seu caminho.

Quando os jogadores passaram pela gente bateram palmas. Me senti um verdadeiro herói, de pernas tremendo, mas herói.

 

A tarde, Mauro Ramos de Oliveira pediu demissão e nunca mais dirigiu time nenhum!

 

PS – não revelei os nomes dos dirigentes por achar que passados tantos anos, não vale a pena. Mas se alguém duvidar é só conferir da coleção de Placar que os nomes dos dois dirigentes estão lá na reportagem assinada por mim. 

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Causos do Futebol Tags: , , ,
Voltar ao topo