13/01/2009 - 16:26
Preâmbulo
Essa história vai em homenagem a dois grandes amigos: Divino Fonseca um dos maiores repórteres que conheci em minha carreira, gaúcho valente dono de um dos melhores textos do esporte; e Manoel Motta Neto, meu parceiro em inúmeras matérias do Placar, fotógrafo de mão cheia e de sensibilidade insuspeita – devido ao seu tamanho, como você pode ver na foto ao meu lado nos idos de 1973, que lamentavelmente faleceu precocemente.

Copa de 78, Argentina do ditador-general Rafael Videla.
Exército por toda parte.
Uma das copas mais contestadas da história.
A seleção brasileira dirigida por Cláudio Coutinho tinha passado por vários problemas durante sua preparação, inclusive um desentendimento entre o técnico e o maravilhoso Paulo Roberto Falcão, que acabou sendo afastado e ficando no Brasil.
Problemas que continuaram no início da Copa com o Brasil tendo enormes dificuldades para conseguir um empate 1 a 1 contra a Suécia, com o juiz Clive Thomas, do País de Gales, anulando um gol de Zico aos 45 minutos do segundo tempo, alegando ter apitado o fim de jogo logo da cobrança do escanteio; outro empate, por 0 a 0, contra a Espanha, com o árbitro Sérgio Gonella, da Itália, não dando um gol legítimo da Espanha, um chute que pegou por dentro do travessão, bateu dentro do gol e saiu e com Amaral que jogou no Corinthians, salvando literalmente em cima da linha outro gol certo da Espanha; e finalmente com um vitória, por 1 a 0, contra a Áustria.
Foi assim que o Brasil passou para a segunda fase da Copa, que nesse ano de 78 foi disputada de forma diferente. Das 16 seleções que disputavam a copa naquela época, classificaram-se 8, que foram divididas em dois grupos de 4. Os primeiros classificados de cada grupo disputavam a final e os dois segundos se enfrentavam pelo terceiro lugar.
Mas não pense que a classificação da Argentina para essa segunda fase tenha sido fácil. Os donos da casa foram derrotados pela Itália, por 1 a 0, e foi preciso uma boa mãozinha divina para que o time de Passarela, Fillol e Kempes se classificasse numa vitória sobre a França, por 2 a 1, com um gol de pênalti, cometido visivelmente fora da área.
Mas para azar do Brasil, que se classificou em segundo, a seleção teria a Argentina pela frente na nova fase.
No primeiro jogo, o Brasil derrotou o Peru, 3 a 0.
Aí enfrentou a Argentina no pequenino estádio de Rosário, e num jogo em que o árbitro Karoly Palotai, da Hungria, procurou de todas as maneiras levar a partida até o fim sem expulsar faltosos, inclusive Chicão, do Brasil, que distribuiu pancada para todos os lados, o jogo terminou 0 a 0.
No terceiro jogo o Brasil derrotou a Polônia, por 3 a 1.
No mesmo dia só que a noite, a Argentina, derrotou o Peru, por 6 a 0 e no saldo de gols – tinha ganho da Polônia, por 2 a 0 – se classificou em primeiro com direito a disputar a final contra a Holanda, enquanto o Brasil ia disputar o terceiro contra a Itália.
Foi necessário contar esses detalhes para que o resto da história seja entendido.
Cobri essa copa de 78 pela Rede Globo, e combinei de encontrar Divino e Motta que ainda estavam no Placar, para a gente tomar uma cervejinha. Os boatos de que a seleção do Peru teria “facilitado” as coisas para a Argentina eram enormes. Saímos do hotel a procura de um bar, mas todos estavam tomados por argentinos eufóricos já cantando a vitória como campeões do mundo.
Entramos numa espécie de boate que parecia tranqüila. Completamente vazia. Sentamos pedimos nossas bebidas e começamos a conversar. Para não dizer que a boate estava deserta distante da gente tinha um homem bebendo sozinho.
Lá pelas tantas um garçom se aproximou de mim e perguntou:
- Aquele senhor pediu para perguntar se podia se juntar a vocês?
Consultei a rapaziada e ninguém foi contra:
- Claro, diga que ele bem-vindo.
O homem chegou, sentou e continuamos conversando. Lá pelas tantas como o homem falava em castelhano comecei a desconfiar. Tentei botar panos quentes sobre a possibilidade do Peru ter se vendido, mas não adiantou.
O homem finalmente falou:
- Olha, por favor, eu sou peruano.
Aí, o Divino explodiu:
- Vocês são uns cagões. Vocês se cagaram todo. Tiveram medo da Argentina, se cagaram!
Começou a surgir gente de todos os lados, ameaçadores. Nós éramos uns cinco. Levantamos e fomos nos afastando de costas em direção ao balcão do bar. Motta olhou para mim e disse:
- Aquele baixinho é o massagista do Peru.
- É mesmo? – perguntei – e aquele de revólver na mão o que é?
O cara era extremamente parecido com Lampião. Óculos redondos, rosto que ia afinando, revólver que brilhava. Peguei uma garrafa pelo gargalo; Divino queria briga; Manoel Motta era o mais visado pelos peruanos pelo tamanho.
Por alguns segundos pensei na morte, foi quando o de óculos redondos veio em minha direção e disse:
- Olha, vamos deixar vocês saírem daqui a pedido do nosso chefe. Mas saiam imediatamente.
O dono da boate foi mostrando o caminho para fora da boate.
Quando saímos, ele gritou:
- Ei, brasileiros, vocês nasceram de novo. O homem é filho do PRESIDENTE DO PERU.
Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Causos do Futebol
Tags: argentina, brasil, copa, mundo, peru
08/01/2009 - 17:50
Vou propor por achar que do jeito que está é uma tremenda injustiça com os clubes menos favorecidos.
Vejo times como esse do União que jogou de igual para igual com o Santos e por ter perdido, por 2 a 1, está fora da próxima fase.
Esse time do União é muito melhor do que alguns que vão se classificar.
Analisando dessa maneira vemos a injustiça.
Primeiro: como a Copa acolhe time do Brasil inteiro deveria ter um nome mais nacional;
Segundo: eu proporia que antes de chegar a essa fase atual fossem realizados alguns torneios no interior já selecionando os clubes que participariam da fase em São Paulo.
Na atual fase da Copa São Paulo se classificam o primeiro de cada grupo e mais dez times em segundo, por índice técnico, o que faz com que esses times do interior com qualidades inegáveis sejam sumariamente eliminados.
Talvez isso evitasse que clube menos favorecidos pelo poder financeiro do que São Paulo, Palmeiras, Fluminense, Cruzeiro, Internacional etc, fossem eliminados só por não terem a estrutura dos clubes citados (assim como outros).
Acho que essa Copa São Paulo está ficando tão importante diante do que ela representa em termos de revelação de jogadores, que ela deveria ser tratada com mais inteligência, inclusive convidando equipes da Europa e da América do Sul.
Não sei se no mundo existe uma copa como essa, seria uma maneira de despertar o interesse de clubes e empresários.
Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Notícias
Tags: copa, cruzeiro, fluminense, internacional, palmeiras, paulo, santos, são, união
04/01/2009 - 19:27
Parece pouco, mas é impressionante.
88 clubes disputam a Copa São Paulo de Júniors.
Garotos de todo o Brasil.
Como diz o ex-grande goleiro e comentarista da SporTV, Raul Plasmann “alguns vão ser bons, outros normais e muitos por serem ruins vão ficar pelo caminho”.
Só que é quase certo que desses 1.584 jogadores entre titulares e reservas, vão surgir dois ou três que vão encantar os torcedores e infelizmente partir cedo para a Europa.
Um desses dois ou três que vão encantar é o garoto Neimar, do Santos. 17 anos, toque de bola refinado, ousadia reconhecida, lembra Robinho no início de carreira. Se ele tivesse a ganância de gols eu diria que em certos momentos lembra Pelé de 1957/58.
No jogo contra o CENE, ele deu um passe fantástico para Serginho – um outro que deve ser dos bons – sofrer o pênalti do primeiro gol santista; e logo a seguir poderia ter resolvido o jogo com outro toque que deixou Serginho na cara do gol.
O Raul falou que o garoto tem pinta. Pode acreditar que tem mesmo.
Mas o melhor time parece ser o do São Paulo.
Mais uma vez, que coisa mais chata, a organização supera o talento.
Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Notícias
Tags: cene, copa, júniors, paulo, santos, são
06/12/2008 - 19:05

Bebeto entrou para a história do futebol mundial não só por ser um dos 96 – diminuindo os que venceram mais uma vez – jogadores brasileiros a ganhar uma Copa do Mundo, a de 94 nos Estados Unidos, como por ter marcado sua imagem comemorando o gol contra os americanos fingindo ninar seu filho recém nascido.
O gesto foi copiado mundo afora por jogadores também com filhos recém nascidos ou por nascer. Até hoje Robinho celebra seus gols – depois de no início ter copiado Bebeto – chupando o polegar.

Por ser mirrado e por muito tempo ter se afastado do futebol brasileiro indo jogar pelo La Coruña, da Espanha, Bebeto, cujo nome é José Roberto Gama de Oliveira, nascido em Salvador, Bahia, no dia 16 de fevereiro de 1964, custou a ter seu futebol reconhecido e valorizado pelos torcedores.
Mas seu futebol era brilhante, inteligente a ponto de ser um dos poucos “parceiros” respeitado por Romário. Na Copa de 94 eles formaram uma dupla que lembrou as melhores já vistas em seleções brasileiras. Os dois fizeram um total de 8 gols – 5 de Romário que ganhou a Bola de Ouro – e levaram a seleção ao seu quarto título.
Bebeto começou sua carreira no Vitória, de Salvador, em 1981. Dois anos depois se transferiu para o Flamengo onde permaneceu até 1989, e onde disputou 81 jogos, marcando 34 gols. Foi para o Vasco da Gama em 89, onde foi ídolo jogando até 1992 e marcando 28 gols em 53 jogos. Aí seguiu para a Espanha, vendido ao Deportivo La Coruña, onde ficou por 1995, marcando 86 gols em 131 jogos.
Em toda sua carreira que só foi encerrada em 2002, jogando no Al-Ittihad, da Arábia Saudita, Bebeto conquistou muitos títulos: foi campeão carioca pelo Flamengo, em 86; campeão brasileiro e da Copa Ramon de Carranza, ns Espanha, pelo Vasco da Gama, em 89; campeão da Copa da Espanha, super Copa da Espanha e do Troféu Tereza Herrera, em 95; foi campeão Baiano e da Copa do Nordeste pelo Vitória, em 97; em 98 foi campeão do Torneio Rio-São Paulo, pelo Botafogo.
Além da Copa do Mundo de 94, Bebeto conquistou jogando pela seleção brasileira a Copa América de 89; o Campeonato Mundial sub-20 de 1983 e os Jogos Panamericanos de 87.
Em 92 ganhou a Bola de Prata da Revista Placar e foi artilheiro dos campeonatos: Carioca de 88, com 17 gols; e do de 89 com 18 gols; em 89 foi artilheiro da Copa América com 6 gols; e do Brasileirão de 92, com 18 gols.
Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Gênios do Passado
Tags: 94, bebeto, botafogo, brasileira, copa, gênios, mundo, passado, seleção
04/12/2008 - 14:10

A cena mais bonita que eu tinha do Beira Rio na memória era uma em que Nelinho, antigo lateral do América, Cruzeiro e da Seleção Brasileira bateu uma falta na intermediária com o lado de fora do pé direito, a bola parecia não ter outro destino a não ser a bandeirinha de escanteio. De repente ela foi fazendo uma curva voltando para dentro do campo enquanto Manga – um dos maiores goleiros que vi em minha vida – começava a correr da esquerda para a direita.
A curva da bola chutada por Nelinho foi dessas coisas como a gente não vê mais e a defesa de Manga, de mão trocada – como dizem os narradores – mais impressionante ainda.
O gol de ontem, que deu ao Inter o título da Copa Sul-americana, entrou para essa minha galeria das coisas mais bonitas e emocionantes do futebol.
Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Notícias
Tags: americana, beira, copa, internacional, rio, sul
21/11/2008 - 17:32

Data do nascimento
8 de Outubro de 1928
Local
Campos dos Goitacazes – RJ
Clubes
- Como Jogador:
Americano, de Campos – 1946
Lençoense, de Lençóis Paulista – 1946~1947
Madureira – 1948
Fluminense – 1949~1956
Botafogo – 1957~1958
Real Madrid (ESP) – 1959~1960
Botafogo – 1961~1962
Botafogo – 1963
São Paulo – 1964
Botafogo – 1965
Vera Cruz (MEX) – 1965~1966
São Paulo – 1966
- Como Técnico:
Sporting Cristal (PER) – 1962
Títulos
- Como Jogador:
1950 – Fez o primeiro gol marcado no Maracanã, na inauguração do estádio em amistoso entre as seleções do Rio e de São Paulo, vencido pelos paulistas, por 3 a 1.
1951 – Campeão Carioca pelo Fluminense
1952 – Campeão da Copa Rio pelo Fluminense
1952 – Campeão do Pan-Americano do Chile (primeiro título conquistado no exterior pelo futebol brasileiro)
1955 – Campeão da Taça Osvaldo Cruz pela Seleção
1955 – Campeão da Taça O´Higgins pela Seleção
1957 – Campeão Carioca pelo Botafogo
1957 – Campeão da Taça Osvaldo Cruz pela Seleção
1958 – Campeão do Mundo pela Seleção na Suécia
1961 – Campeão Carioca pelo Botafogo
1962 – Bicampeão Carioca pelo Botafogo
1962 – Bicampeão do Mundo pela Seleção no Chile
1962 – Campeão do Rio-São Paulo pelo Botafogo
1962 – Campeão do Pentagonal do México com o Botafogo
- Como Técnico:
1962 – Campeão Peruano pelo Sporting Cristal
Jogos e Gols
Fluminense (1949~1956): 298 Jogos e 91 Gols
Botafogo (1957~1958, 1961~1962, 1963, 1965): 313 Jogos e 114 Gols
Seleção Brasileira (1954~1962) – 68 Jogos e 20 Gols
Falecimento
12 de maio de 2001, no Rio de Janeiro
Histórico
Didi apareceu para o futebol brasileiro em 1948 formando um trio de ataque de imenso talento com Lelé e Isaias no Madureira, do Rio de Janeiro.
Se destacou tanto que no ano seguinte foi contratado pelo Fluminense, onde sob o comando de Zezé Moreira fez parte de um time que entrou para a história do clube ao lado de Telê Santana que se multiplicava jogando tanto de ponta-direita – onde ganhou o apelido de Fio de Esperança de Nélson Rodrigues – e centro-avante; o goleiro Castilho, que defendeu o Brasil em 4 Copas do Mundo: 50-54-58-62; Pinheiro, um central que jogou a Copa de 54, na Suíça e como Telê e Castilho, passou a técnico no fim de carreira; Carlyle que nasceu com apenas uma orelha, era um centro-avante mineiro que jogou no Atlético e fazia muitos gols; Orlando “Pingo de Ouro”, pingo por ser pequeno, mas de ouro por jogar um futebol maravilhoso e dono de um temperamento terrível; e Rodrigues “Tatu” que logo depois de ser campeão carioca em 51, foi jogar no Palmeiras.
Mas foi no Botafogo e na seleção que Didi atingiu o apogeu de sua carreira como jogador. Foi três vezes campeão carioca e bicampeão mundial.
Didi era uma figura sensacional. Ganhou de Nélson Rodrigues o apelido de Príncipe Etíope por sua elegância tanto dentro quanto fora de campo, onde só se apresentava de terno e gravata impecáveis.
Se separou da mulher Maria Luiza, quando conheceu uma morena lindíssima, Guiomar, uma atriz, que foi o grande amor de sua vida, mas com quem tinha brigas homéricas, a ponto dela certa vez ciumenta ao extremo, passar a tesoura em todos seus ternos e gravatas.
Quando deixou a carreira de jogador Didi foi ser técnico nos Emirados Árabes, onde ganhou um anel de um príncipe, que de tão valioso não mostrava para ninguém.
Jogando bola “inventou” um chute que foi batizado de “Folha Seca” pela mídia da época. Era um chute em que Didi contorcia tanto o corpo para dar o efeito desejado na bola, que acabou sofrendo dores terríveis na coluna vertebral pelo resto da vida.

Mas foi graças a esse chute que o Brasil se classificou para a Copa de 58, na Suécia, e ganhou seu primeiro título mundial. Jogando contra o Peru no Maracanã, Didi bateu uma falta e fez o único gol do jogo.
Em 1970, na Copa do México, Didi viveu um dos maiores dramas de sua carreira. Dirigiu o melhor time que o Peru já formou em sua história no futebol. Deu um imenso trabalho ao grande time do Brasil, mas acabou derrotado por 4 a 2. O time do Peru era tão bom que vários jogadores daquela copa vieram parar no Brasil: Mifflin, no Santos, Gallardo, no Palmeiras, Chale, no Grêmio.
Didi foi chamado de “Mister Foot-ball” em 58, pelo mesmo jornalista francês Gabriel Hanot, que também deu a Pelé o apelido de “Rei do Futebol”, Também foi eleito pela imprensa “o melhor jogador da Copa de 58”.
Didi tinha um talento fenomenal. Fazia lançamentos de 30, 40 metros como se fosse um perito em balística. Quando a bola parava no pé direito de Didi, Garrincha nem olhava para trás. Partia numa velocidade alucinante e via a bola cair bem na sua frente, pronta para ser dominada. Aí, era só partir para cima do adversário, gingar o corpo uma ou duas vezes e ver seu caminho limpo para o gol ou para o centro.
O grande jogador nos grandes jogos se impõe. Na final da Copa de 58 Didi além de ir buscar a bola no fundo do gol de Gilmar, quando a Suécia fez um a zero e com ela embaixo do braço, caminhar calmamente até o meio de campo para dar tempo ao time de se recompor, no reinicio da partida ainda meteu a bola entre as pernas de Gunnar Green considerado o cérebro do time sueco.
Depois da Copa de 58 Didi teve seu passe vendido para o Real Madrid, mas não ficou muito tempo por lá. Desentendeu-se com o grande Di Stéfano, argentino de nascimento, que era o grande ídolo da torcida e achou melhor voltar ao Brasil.
Conquistou o bicampeonato mundial no Chile ao lado de um Garrincha inesquecível e passou a pensar seriamente no que faria depois de ser jogador.
Didi também costumava dizer para quem quisesse ouvi-lo que “Deus tinha cometido um grande erro em deixar os grandes jogadores envelhecerem” e acrescentava – modestamente – “já imaginou eu jogando para sempre ao lado de Pelé? De Zizinho? De Nilton Santos?” e ficava sorrindo como se esse sonho pudesse ser verdade.
Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Gênios do Passado
Tags: 58, 62, botafogo, copa, di, didi, fluminense, garrincha, gênios, madri, passado, paulo, pelé, pereira, real, são, stefano, waldir
18/11/2008 - 15:25
Essa aconteceu de verdade e foi na Copa do México, de 70.
Quando a seleção saiu de Guadalajara que fica a 1500 metros, e foi se adaptar a altitude na cidade de Guanajuato tombada pelo Patrimônio Histórico da Humanidade pela UNESCO, a 2008 metros (os “8” metros é para ser preciso e mostrar que mesmo sendo testemunha da história, pesquisei o assunto), tudo ficou muito difícil para a imprensa.
Nós de Placar tínhamos que ir até a cidade de Leon, que fica a uns 100 quilómetros de Guanajuato, para passar via telex as reportagens da semana. Então a gente escalava dois da equipe de quatro repórteres a cada semana para enviar os textos. Os outros dois ficavam tomando conta da seleção.
Numa dessas vezes coube a Hedyl Valle Jr. (um dos maiores jornalistas que conheci em minha vida, meu amigo, e que infelizmente faleceu muito jovem) e a mim ir até Leon.
Não me lembro bem o que aconteceu, mas só sei que ficamos horas e horas no centro de correios de Leon passando as reportagens.
Quando finalmente terminamos eu disse para o Hedyl:
– Olha, vamos entrar no primeiro botequim que a gente encontrar. Vamos tomar uma e comer um sanduba antes de voltar.
Hedyl topou na hora.
E o primeiro botequim foi um muito bonito, todo construído em madeira rústica. Só o que não era bonito é que ele era “enfeitado” com animais selvagens empalhados. Tinha de tudo até cabeça de puma. Era um verdadeiro zoológico empalhado:
– Meio sinistro, não é? – falei para o Hedyl.
– Também acho, mas estou com uma fome danada.
O restaurante devido a hora, umas quatro da tarde, estava completamente vazio. O balcão do bar era redondo e ficava bem no centro do restaurante, onde estava um único senhor. Era o dono, que no início nos atendeu com certa displicência, mas que quando viu que éramos brasileiros passou a nos tratar – como todo o povo mexicano tratou os brasileiros naquela Copa – com uma gentileza cativante.
Começamos bebendo uns uísques e lá pelas tantas perguntamos o que havia para comer. O homem fez uma lista imensa e fomos para uma mesa onde passamos a beber cerveja Tecate. Boa cerveja.
Comemos e continuamos tomando umas cervejas.
Lá pelas tantas Hedyl disse:
– Vou ao banheiro!
“Normal” pensei eu “depois de tanta cerveja!”.
Quando ele voltou sentou e não pronunciou mais nenhuma palavra. Calado chegou e calado ficou. Não estranhei porque o Hedyl era meio gênio. Tinha esses repentes.
Aí foi a minha vez de ir ao banheiro.
Cheguei ao banheiro, comecei a fazer xixi quando senti e ouvi algo se mexendo nas minhas costas. Dei uma ligeira olhada para trás e no alto da porta do banheiro por onde eu tinha passado, estava empoleirada “uma águia”, olhando fixo para mim. De vez em quando ela balançava a cabeça e soltava uma espécie de “pruff” que era mais um grunhido do que qualquer outra coisa.
Agora, não era uma aguiazinha qualquer (depois fiquei sabendo que era uma águia americana). Era imensa, um bico do tamanho de um punho. O meu xixi parou imediatamente e a águia olhando para mim.
Reparei que uma corrente a prendia por uma das pernas com garras imensas, a uma argola na parede.
O pavor tomou conta de mim. Não deu para ver se a corrente era grande ou não. Só sei que encostei na parede oposta e fui colado a ela tentando ficar o mais longe possível para poder sair.
A águia me olhando fixo.
Finalmente cheguei de volta a mesa e desrespeitando o silêncio de Hedyl, falei:
– Pô, cara, você viu a águia no banheiro?
E ele achando que tinha tido um delírius tremens devido à bebida e visto “um bicho empalhado” se mexer:
– E ela estava viva?
Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Causos do Futebol
Tags: 70, águia, copa, guadalajara, hedyl, méxico, placar
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