iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade

18/09/2009 - 19:38

De repente… O “Bom Mocismo”!

Diego Souza

Diego Souza

Chamam também de FAIR PLAY!

Não sei se você jogou bola ou disputou qualquer outro esporte tendo título ou dinheiro em jogo.

É difícil. Todos querem ganhar. Todos querem o título.

E se não for assim, o cara que estiver disputando o prêmio nunca vai ser um vencedor.

Pode reparar! Até João Havelange aconselhou para que a Comissão Técnica da seleção – acho que para a Copa de 98 – fosse formada por vencedores. Por técnico e jogadores que tinham vencido em copas anteriores.

Vencedor nem sempre é aquele que não burla as regras.

As vezes para vencer é preciso “driblar” as regras do jogo.

Fabricio do Cruzeiro

Fabricio do Cruzeiro

Não estou aconselhando a ser sujo, anti-ético. Estou apenas constatando um fato.

Em 58 o Brasil campeão do mundo pela primeira vez pagou férias ao juiz francês, monsieur Maurice Guigue, teve férias pagas aqui no Brasil (acho que há um pouco de exagero nessa história, o Brasil com Pelé e Garrincha não precisaria de “ajuda”).

Em 62, Garrincha foi expulso na semi-final contra o Chile (Brasil 4 a 2) e jogou a final contra a Tchecoeslováquia (Brasil 3 a 1) e o bandeirinha que foi o responsável pela expulsão do ponta do Brasil “sumiu”. Não testemunhou contra Mané Garrincha. Diz a lenda que o tal bandeirinha “viajou” repentinamente.

Em 66 a Inglaterra derrotou a Alemanha na final com um gol que bateu no travessão e quicou para uns “dentro do gol” e para outros visivelmente “fora do gol”. O bandeirinha russo sem titubear – diante dos olhos da rainha Elizabeth II – correu para o meio de campo.

Em 86, aí nem preciso lembrar, Maradona fez um gol com a mão e ainda teve a coragem (ou será a petulância?) de “apelidar” o gol de “La mano de Diós” – A Mão de Deus – como se Deus fosse um moleque qualquer.

E a história registra por aí “ene” falcatruas, que passaram incólumes.

A vitória do Brasil sobre a ex-União Soviética, 2 a 1, em 82, quando o árbitro “não viu” dois pênaltis claríssimos contra o Brasil.

Centenas de pernas quebradas desde que o futebol existe.

O incentivo ao jogo mais brusco por parte da FIFA.

O próprio Domingos que está sendo banido do Santos.

Agora está de volta o… fair play.

É uma onda que surgiu com os lances que a câmeras das televisões vem revelando.

Lembram de lances memoráveis de caras que disseram ao juiz que ele tinha apitado errado “não foi pênalti” ou “de um time inteiro ficar parado e deixar o adversário fazer um gol para equilibrar o erro de um juiz!”.

O Fabrício, do Cruzeiro, que nunca foi um “mocinho”, acusa Diego Souza, do Palmeiras, jogar dando cotoveladas, socos e rasteiras.

Ora, acho que ele nunca deu uma olhada nos teipes dele mesmo jogando.

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Comentário Tags: , , , , ,
14/09/2009 - 16:45

Maradona vai acabar me provando que Dunga é ótimo!

Os jornais argentinos informam que Maradona embarcou para a Europa onde vai dispensar alguns jogadores dos próximos jogos da seleção argentina.

De tanto fazer besteiras – como indiretamente culpar os goleiros pelas derrotas, ele trocou de goleiro nos três últimos jogos – Maradona vai acabar me fazendo acreditar quer o Dunga é um grande técnico.

Da lista de dispensa do técnico ao que dizem fazem parte Milito, Zanetti, Gago, Cambiasso, Heinze, Maxi Rodrigues, Lisando Lopez e até Messi e Mascherano.

- Eu vou dispensar esses jogadores “falando cara a cara” – disse o treinador.

Espero que essa provável dispensa não afete a vida desses jogadores, porque essas coisas são melhor de fazer sem provocar muita onda. Mas como tudo o que Maradona faz é sempre acompanhado de uma auto-promoção, não é de se espantar que ele deixe vazar uma notícia como essa antes de tomar as providências.

Cá entre nós acho que esses jogadores – a grande maioria – vai acabar fazendo falta.

Se não essa atitude vai indispor os que ficarem na seleção contra o treinador.

Maradona sai fora, antes que eu comece a achar que o Dunga é genial.

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Notícias Tags: , , ,
05/09/2009 - 23:57

Está ficando sem graça!

Maradona lamenta a derrota de 3x1 para o BrasilA cara do Maradona!

 

Meu Deus, a cara do Maradona!

 

Não vou chegar a ser tão ufanista a ponto de dizer que o time brasileiro foi muito superior. Mas que poderia ter sido de goleada, 5 ou 6, poderia, de tão fácil que foi. Os argentinos ficavam com a bola e a seleção ia chegando ao gol argentino a toda hora.

 

A cara do Maradona!

 

Meu Deus, a cara do Maradona.

 

Parecia até que de tão fácil os jogadores brasileiros estavam duvidando.

 

Antigamente, eles vendiam caro a derrota.

 

Hoje, parecem conformados com a superioridade do futebol brasileiro.

 

Antigamente, num momento como esse, o pau comia.

 

Ainda mais num campinho como esse de Rosário.

 

A cara do Maradona.

 

Meu Deus, a cara do Maradona.

 

Eu não sou a favor da pancadaria, nem quero que os tempos de antigamente voltem. Nada disso, apenas lamento ver uma seleção de tradição. como a da Argentina – não chore por mim Argentina –. se entregando da forma como se entregou hoje.

 

Podem argumentar que eles tiveram a posse de bola, mas isso não quer dizer nada, principalmente se não se sabe aproveitar essa posse.

 

Maradona, que era tão eficiente (olha Mota – com um “t” só –, dizer que Maradona foi o maior de todos é de uma ingenuidade tão grande!) como jogador, não sabe passar aos seus jogadores de hoje as jogadas que devem executar para virar a situação periclitante em que se encontram.

 

A cara de Maradona!

 

Roendo as unhas como um desesperado.

 

O olhar magoado.

 

A face pálida como se lhe faltasse sangue no rosto.

 

Um senhor que merece toda a admiração pelo futebol que jogou, mas que infelizmente tem que se sujeitar a ser criticado como treinador para garantir o sustento da família.

 

Isso porque, sinceramente, acho que nem ele acredita em Maradona como técnico.

 

Quanto mais como salvador da pátria.

 

Meu Deus, a pobre cara de Maradona.

 

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Notícias Tags: , ,
11/06/2009 - 17:47

“Coitada” da Argentina!

 

Acho melhor o Maradona deixar a seleção antes que a seleção o deixe!

 

Antes que ele deixe de ser o “deus” da torcida e de uma igreja “fajuta”.

 

Antes que esqueçam, como por aqui esqueceram de tantos, o que ele fez pela Argentina.

 

Antes que componham um tango triste e ruim sobre seus malogros.

 

O gesto de desencanto – abrindo os braços demonstrando total impotência diante do acontecido – que ele fez ontem depois do primeiro gol do Equador, demonstra claramente o que Maradona pensa de sua seleção.

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , ,
02/04/2009 - 13:54

A seleção não jogou nada, mas…

 

a alegria veio com acachapante derrota da Argentina para a Bolívia.

 

Acho que foi por isso também que a seleção brasileira não chegou a empolgar em nada.

 

E creio também que a Argentina está se especializando em tirar do anonimato timecos – como esse da Bolívia – vocês se recordam dos 5 a 0 da Colômbia, sobre a Argentina em Buenos Aires.

 

Essa seleção da Colômbia foi supervalorizada pela vitória e jogadores como Rincón, Valencia, Asprilla, Valderrama, Aristizabal e até o goleiro Higuita, que com suas defesas acrobáticas e sua mania de grandeza – tendendo até para a marginalidade – teve uma carreira longa e eu diria, desastrosa. 

 

Pode ser que os Marcelo Moreno, Didi Torrico, Alex da Rosa, Joaquin Botero (e que ninguém nos ouça, principalmente os 3 mil e 600 metros de altitude) entrem para a história da Bolívia e passem a ser reconhecidos como “craques”.

 

TERRIVEL FOI VER A CARA DO MARADONA depois do sexto gol da Bolívia. Ele tentou desesperadamente ter no rosto uma expressão de grandeza, mas o que resultou do esforço foi uma careta de abatimento, de derrota, de desespero.

 

Será que Dieguito de tantas glórias, suporta o fracasso?

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Notícias Tags: , , ,
26/02/2009 - 14:34

Contos do Futebol – Um Menino de Rua Qualquer (Parte II)

Só aí João Juca teve a certeza de que todos o estavam vendo como se fosse o craque argentino, e aí surgiu mais um medo: se ele falasse em português ia ser desmascarado, e ele não sabia falar espanhol.

 

- Buenos dias, mira estoy… – e aí parou quando percebeu que estava falando numa língua que nem conhecia. “Vou enlouquecer!” pensou, mas não tinha como voltar atrás.

 

- … de vacaciones. Puedo me entrenar acá en el Palmeiras? – a fala saiu como se ele tivesse realmente nascido na Argentina.

 

O porteiro respondeu:

 

- Um momento, vou chamar o diretor de futebol – e o pobre homem completamente desorientado saiu correndo atrás de alguém que o socorresse.

 

No meio do caminho encontrou Eduardo Costacurva, um pobre homem que envelhecia terrivelmente a cada dia devido a uma misteriosa doença, orelhas imensas, olheiras maiores ainda, braços compridos pendendo ao longo do corpo como se não tivessem qualquer utilidade. Passava seus dias no Palestra procurando o que fazer. Era diretor social ou coisa parecida.

 

- Giuseppe, o que está acontecendo?

 

- O Messi, seu Costacurva, está aí no portão querendo treinar no Palmeiras!

 

Costacurva com uma bondade quase eclesiástica, sorriu:

 

- Você está ficando louco, Giuseppe? Messi… Messi jogou ontem pelo Barça e fez 3 gols… lá na Espanha…

 

- Eu sei, pensa que sou burro? – gritou Giuseppe, e emendou sem tomar fôlego – Venha ver, é só chegar até o portão.

 

Com a paciência que sempre o caracterizou, Costacurva foi chegando até o portão e… deu de cara com Leonel Messi em carne e osso.

 

O pobre homem quase caiu para trás.

 

Mas se recompôs logo. Imediatamente assumiu a direção do problema. Providenciou um carro, explicou ao argentino que o centro de treinamento era ali pertinho e que o time provavelmente ia começar a treinar naquele momento Convidou o craque a entrar no carro e enquanto dava a volta pelo outro lado baixinho avisou com aquele tom de dramaticidade que também fazia parte de seu personalidade:

 

- Giuseppe, manda alguém chamar a imprensa “urgente”! Messi no Palmeiras!

 

(continua amanhã) 

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Contos do Futebol Tags: , ,
25/02/2009 - 14:10

Contos do Futebol – Um Menino de Rua Qualquer (Parte I)

 

João Juca nunca teve nome.

 

Era da rua. Ninguém sabia de onde vinha, nem ele.

 

Um dia alguém acrescentou ao seu nome João Juca – cuja origem também se perdeu no tempo – um…

 

- Ó, do boné – que João Juca usava sujo, velho, deformado.

 

14 para 15 anos João Juca Boné era loiro, de olhos azuis, mais claros que o mar das fotografias coloridas que ele encontrava nas revistas jogadas no lixo.

 

Não sabia ler nem escrever. Vivia para o futebol, sonhava ser um grande jogador. Às vezes tão grande quanto Pelé, que nunca tinha visto jogar.

 

Morava debaixo de uma marquise, bem em frente a uma loja de eletrodomésticos, que ficava do outro lado da rua. A loja ficava aberta, dia e noite, não fechava nunca, a não ser no Natal e no Ano Novo.

 

João Juca era valente, precisava ser, defendia sua pobreza e sua honra com um pedaço de pau que mais parecia um taco de beisebol.

 

Tinha conquistado o respeito do pessoal da loja num dia em que ninguém sabe como, bateu em um folgado com duas vezes o seu tamanho.

 

Mas geralmente João Juca Boné era da paz. Pedia restos dos pratos feitos do botequim mais próximo, agradecia, e pagava varrendo o bar e a calçada. Do pessoal da loja ganhava caixotes de papelão para forrar o chão onde dormia.

 

No mais passava as horas vendo os jogos que as televisões da loja mostravam para atrair clientes.

 

Aquela noite tinha o Barcelona, ao vivo, com Messi e tudo.

 

João se encolhia num cantinho da vitrine para ser notado o mínimo possível. Às vezes o gerente da noite bebia uma a mais e implicava com ele.

 

Naquela noite Lionel Messi só não fez chover. Três gols dele e uma vitória por 5 a 2, sobre o Real Madrid, levaram a torcida e João Juca, a loucura.

 

Sonhando acordado, ele esticou o papelão no chão, botou uns jornais por cima e deitou encolhido, tentando se proteger da umidade. Mas ele não precisava disso, conforme deitou a cabeça começou a pensar “se fosse eu que tivesse feito tudo aquilo”.

 

- O Messi – pensou em voz alta – foi abençoado por Deus.

 

O barulho dos carros buzinando o acordou cedo no dia seguinte.

 

Se sentiu um pouco diferente e ao se olhar vagamente no vidro da loja tomou um susto. Não era ele ali refletido. Por inacreditável que podia parecer a figura que olhava para ele era a do… Messi. Cabelos lisos, negros. Nada a ver com o loiro de olhos azuis da véspera.

 

João Juca Boné não sabia o que pensar. Estava atordoado. Procurava uma explicação. Tinha medo de falar com alguém e que o internassem num asilo de loucos. Em sua caminhada sem rumo pela cidade a procura de uma explicação para a loucura que estava vivendo, passou em frente ao Palestra Itália.

 

Um pensamento ainda mais louco passou pela sua cabeça.

 

Devagar foi caminhando até o portão de entrada do clube na Turiassu.

 

O porteiro cordial, sorriu:

 

- Pois não, seu Messi! – e o pobre homem entrou em parafuso. O senhor é o Messi, não é?

 

João Juca sorriu de alívio, por não ter sido desmascarado.

 

- Si, soy yo! – e João Juca nem percebeu que tinha respondido em castelhano.

 

- Messi, meu Deus, Messi o que deseja?

 

(continua amanhã)

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Contos do Futebol Tags: , ,
12/02/2009 - 14:49

Por falar em Maradona…

 

Acho que aos poucos a Argentina vai “construindo” um time de respeito.

 

O Gago joga muito.

 

O Messi faz jogadas e gols de maravilhar quem gosta do futebol.

 

O Tevez é o Carlitos que apaixonou a torcida corintiana.

 

Quando ele entrou o jogo contra uma França meio desmantelada, mudou.

 

Mas o que me deixou preocupado foi a imagem de Maradona.

 

Pálido, parecia meio desligado das coisas, seus gestos eram mais obrigatórios do que expontâneos. E assim mesmo só depois da Argentina fazer o primeiro gol. Até então se mantinha sentado, protegido do frio por um casacão.

 

Tomara que seja só impressão minha e que ele encontre rápido dois zagueiros e um goleiro a altura dos Passarela, Perfumo, Ramos Delgado, Cejas, Fillol e o grande Carrizo, que evidentemente não é esse que ocupa o posto no momento.

 

Assim espero mostrar aos “indignados” que não odeio os argentinos como quiseram insinuar. Eu apenas disse que são “arrogantes” e que eu gostava muito de 4: Menotti, Cejas, Ramos Delgado e Perfumo. Vou acrescentar mais um à lista: o Manolo que comenta o campeonato argentino para o Sportv. Amigo de muitos anos.

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Notícias Tags: , , ,
10/02/2009 - 22:41

Causos do Futebol – Argentina campeã do mundo, culpa do Pelé!

Esse “causo” é verdadeiro. É só consultar os alfarrábios do futebol paulista.

 

O Santos de Pelé vivia excursionando pelo mundo para não ter que vender seus grandes jogadores, inclusive Pelé que rejeitava todo ano propostas milionárias principalmente do futebol italiano. Tinha até um milionário alemão que depois se tornou amigo do Rei, que vivia tentando seduzir Peké com propostas inacreditáveis. Numa dessas ele chegou a dar um Mercedes Benz de presente para Pelé, que por muitos anos andou com esse belo carro pelas ruas de Santos e de São Paulo.

 

Não sei se ele ainda o tem.

 

Mas numa dessas excursões no início dos anos 70, o Santos jogou nos Estados Unidos, contra um time que tinha um argentino alto, magro, e habilidoso com a bola.

 

No fim do jogo o argentino fez uma proposta inusitada ao Pelé:

 

- Me hace um favor. Estoy sin dinero para volver a Buenos Aires. Juego para o Santos por seis meses gratuitamente em câmbio del boleto de avion!

 

Pelé quase caiu para trás com a proposta, mas penalizado falou com o chefe da delegação, que consultou o presidente no Brasil, e trouxe de volta o argentino.

 

O argentino jogou algumas partidas durante os seis meses em que ficou quase de graça no Peixe. Afinal tinha que ganhar algum para ter onde morar e comer.

 

Ao final se transferiu para o Juventus da capital, onde também jogou por uns bons seis meses como titular. Juntou um dinheiro que deu para comprar a passagem de volta para Buenos Aires e foi embora.

 

Uns cinco ou seis anos depois, não me recordo com precisão, o jogador alto, magro, jeitoso com a bola, foi campeão do mundo dirigindo a seleção da Argentina.

 

Seu nome: César Luís Menotti.

 

Imagine se o Pelé não tivesse pedido à diretoria do Santos para repatriar Menotti. Talvez a Argentina não tivesse sido campeã do mundo.

 

(PS – vou esclarecer uma coisa, não gosto de argentinos, acho arrogantes demais, mas gosto muito de 4: Agustin Mário Cejas, que foi um dos maiores goleiros que vi em minha vida, que jogou no Santos e no Grêmio; Ramos Delgado, que foi um dos maior centrais que quase não precisava se mexer em campo porque adivinhava por onde a bola ia passar e que vi jogar por muito tempo no Santos; Perfumo, que era a elegância em pessoa jogando bola no Cruzeiro e que conheci melhor na Copa da Alemanha, em 74, depois de uma campanha horrorosa da seleção argentina, e César Luís Menotti, que além de ser um dos homens mais inteligentes que conheci, sempre me brindou com uma amizade honesta e sincera).    

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Causos do Futebol Tags: , ,
13/01/2009 - 16:26

Causos do Futebol – Uma Briga Enjoada!

Preâmbulo

Essa história vai em homenagem a dois grandes amigos: Divino Fonseca um dos maiores repórteres que conheci em minha carreira, gaúcho valente dono de um dos melhores textos do esporte; e Manoel Motta Neto, meu parceiro em inúmeras matérias do Placar, fotógrafo de mão cheia e de sensibilidade insuspeita – devido ao seu tamanho, como você pode ver na foto ao meu lado nos idos de 1973, que lamentavelmente faleceu precocemente.

 

 

 

Copa de 78, Argentina do ditador-general Rafael Videla.

 

Exército por toda parte.

 

Uma das copas mais contestadas da história.

 

A seleção brasileira dirigida por Cláudio Coutinho tinha passado por vários problemas durante sua preparação, inclusive um desentendimento entre o técnico e o maravilhoso Paulo Roberto Falcão, que acabou sendo afastado e ficando no Brasil.

 

Problemas que continuaram no início da Copa com o Brasil tendo enormes dificuldades para conseguir um empate 1 a 1 contra a Suécia, com o juiz Clive Thomas, do País de Gales, anulando um gol de Zico aos 45 minutos do segundo tempo, alegando ter apitado o fim de jogo logo da cobrança do escanteio; outro empate, por 0 a 0, contra a Espanha, com o árbitro Sérgio Gonella, da Itália, não dando um gol legítimo da Espanha, um chute que pegou por dentro do travessão, bateu dentro do gol e saiu e com Amaral que jogou no Corinthians, salvando literalmente em cima da linha outro gol certo da Espanha; e finalmente com um vitória, por 1 a 0, contra a Áustria.

 

Foi assim que o Brasil passou para a segunda fase da Copa, que nesse ano de 78 foi disputada de forma diferente. Das 16 seleções que disputavam a copa naquela época, classificaram-se 8, que foram divididas em dois grupos de 4. Os primeiros classificados de cada grupo disputavam a final e os dois segundos se enfrentavam pelo terceiro lugar.

Mas não pense que a classificação da Argentina para essa segunda fase tenha sido fácil. Os donos da casa foram derrotados pela Itália, por 1 a 0, e foi preciso uma boa mãozinha divina para que o time de Passarela, Fillol e Kempes se classificasse numa vitória sobre a França, por 2 a 1, com um gol de pênalti, cometido visivelmente fora da área.

 

Mas para azar do Brasil, que se classificou em segundo, a seleção teria a Argentina pela frente na nova fase.

 

No primeiro jogo, o Brasil derrotou o Peru, 3 a 0.

 

Aí enfrentou a Argentina no pequenino estádio de Rosário, e num jogo em que o árbitro Karoly Palotai, da Hungria, procurou de todas as maneiras levar a partida até o fim sem expulsar faltosos, inclusive Chicão, do Brasil, que distribuiu pancada para todos os lados, o jogo terminou 0 a 0.

 

No terceiro jogo o Brasil derrotou a Polônia, por 3 a 1.

 

No mesmo dia só que a noite, a Argentina, derrotou o Peru, por 6 a 0 e no saldo de gols – tinha ganho da Polônia, por 2 a 0 – se classificou em primeiro com direito a disputar a final contra a Holanda, enquanto o Brasil ia disputar o terceiro contra a Itália.

 

Foi necessário contar esses detalhes para que o resto da história seja entendido.  

 

Cobri essa copa de 78 pela Rede Globo, e combinei de encontrar Divino e Motta que ainda estavam no Placar, para a gente tomar uma cervejinha. Os boatos de que a seleção do Peru teria “facilitado” as coisas para a Argentina eram enormes. Saímos do hotel a procura de um bar, mas todos estavam tomados por argentinos eufóricos já cantando a vitória como campeões do mundo.

 

Entramos numa espécie de boate que parecia tranqüila. Completamente vazia. Sentamos pedimos nossas bebidas e começamos a conversar. Para não dizer que a boate estava deserta distante da gente tinha um homem bebendo sozinho.

 

Lá pelas tantas um garçom se aproximou de mim e perguntou:

 

- Aquele senhor pediu para perguntar se podia se juntar a vocês?

 

Consultei a rapaziada e ninguém foi contra:

 

- Claro, diga que ele bem-vindo.

 

O homem chegou, sentou e continuamos conversando. Lá pelas tantas como o homem falava em castelhano comecei a desconfiar. Tentei botar panos quentes sobre a possibilidade do Peru ter se vendido, mas não adiantou.

 

O homem finalmente falou:

 

- Olha, por favor, eu sou peruano.

 

Aí, o Divino explodiu:

 

- Vocês são uns cagões. Vocês se cagaram todo. Tiveram medo da Argentina, se cagaram!

 

Começou a surgir gente de todos os lados, ameaçadores. Nós éramos uns cinco. Levantamos e fomos nos afastando de costas em direção ao balcão do bar. Motta olhou para mim e disse:

 

- Aquele baixinho é o massagista do Peru.

 

- É mesmo? – perguntei – e aquele de revólver na mão o que é?

 

O cara era extremamente parecido com Lampião. Óculos redondos, rosto que ia afinando, revólver que brilhava. Peguei uma garrafa pelo gargalo; Divino queria briga; Manoel Motta era o mais visado pelos peruanos pelo tamanho.

 

Por alguns segundos pensei na morte, foi quando o de óculos redondos veio em minha direção e disse:

 

- Olha, vamos deixar vocês saírem daqui a pedido do nosso chefe. Mas saiam imediatamente.

 

O dono da boate foi mostrando o caminho para fora da boate.

 

Quando saímos, ele gritou:

 

- Ei, brasileiros, vocês nasceram de novo. O homem é filho do PRESIDENTE DO PERU.

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Causos do Futebol Tags: , , , ,
Voltar ao topo