Publicidade

quinta-feira, 16 de setembro de 2010 Comentário | 14:01

Extremos de um futebol fascinante!

Compartilhe: Twitter

O Corinthians se firmou como o melhor time do Campeonato.

Neymar tocou com a ponta dos dedos a figura da rejeição total.

Quando vi a expressão de gana total estampada no rosto de Iarley depois do segundo gol, fiquei sabendo que vai ser muito difícil alguém tirar esse título do Corinthians.

Ao mesmo em que essa fúria de lutadores de “vale tudo” se manifesta surge também um carinho, uma compreensão entre eles surpreendente.

Esse estágio só é alcançado em esportes coletivos quando existe um total e inexplicável entendimento entre todos, jogadores, técnicos e até diretores. A torcida não conta porque essa para estar sempre ao lado do time com a mesma fúria, a mesma compreensão.

A fúria é a que leva o time a se superar nos momentos mais difíceis.

A compreensão é quando percebem entre eles jogadores, que são seres falíveis, humanos sujeitos a erros terríveis.

O Fluminense foi um time, só superado talvez momentaneamente, por um outro em plena fase de recuperação do amor próprio, após a perda do “centenário” dentro do campo.

Deve ter doído muito, porque agora esses jogadores parecem dotados de um espírito inquebrantável.

No outro extremo do fascínio desse futebol brasileiro está Neymar.

Um rapaz que repete a história constante do nosso futebol, de quem sai da miséria para uma vida milionária em questão de dias.

O talento inacreditável o leva ao topo e a cabeça despreparada para tamanho sucesso sucumbe.

O que se viu ontem na Vila Belmiro foi um técnico chamando a atenção de um filho-prodígio na frente de milhares de pessoas. A incompreensão entre gerações tão evidente nos dias de hoje, se manifesta no rapaz com um revide grosseiro, talvez contido desde acontecimentos anteriores.

Sem querer ser um profundo conhecedor das reações dos homens dentro das quatro linhas, acho que Dorival em querer demonstrar publicamente pulso e força de comando quando poderia ter feito a mesma coisa dentro do vestiário e com resultado muito melhor. Neymar errou porque se acreditou acima de qualquer coisa. Revidar não foi o melhor caminho.

Incrível também, foi ver o técnico René Simões talvez influenciado pelo inesperado resultado da derrota para o Santos declarar alto e bom som: “Estamos criando um monstro.”

Me lembrou o doutor Frankenstein.

Agora não se sabe bem que rumo essa história vai tomar, mas o futebol me ensinou através dos anos que a corda sempre arrebenta do lado mais fraco, que nessa questão é o do técnico.

Autor: Michel Laurence Tags:

terça-feira, 14 de setembro de 2010 Causos do Futebol | 18:30

Causos do Futebol – No tempo em que Tostão jogava bola!

Compartilhe: Twitter

Outro dia conversei com Tostão.

Por telefone! Foi legal!

Me lembrou os tempos em que a gente conversava sobre futebol.

Jogando Tostão foi um, dos caras mais inteligente que vi

Uma bolada no olho interrompeu o que seria certamente uma das mais brilhantes carreiras no futebol.

Foi sem querer mas a rebatida de Ditão, um central do Corinthians, pegou em cheio no olho de Tostão. De baixo para cima, afetou a retina. Um descolamento que lhe custou a carreira mesmo depois de ter brilhado na conquista do tri no México.

Mas antes disso ele viajou várias vezes para Houston, nos Estados Unidos, onde lhe salvaram a visão, mas não sua vida como atleta.

Numa dessas voltas depois de mais uma operação, Tostão sob recomendação médica, foi descansar en Araxá, uma estância hidromineral de Minas Gerais.

Naquela época, 1969, Araxá tinha pouco mais de 30 mil habitantes fixos. Poucos turistas e algumas pessoas fazendo tratamento à base de águas que seriam milagrosas.

Meu editor na Edição de Esportes de O Estado de S.Paulo, um jornal que saia todos ops domingos as 20 horas, me mandou para lá e arrancar uma reportagem com Tostão.

No primeiro dia fiquei na recepção do hotel esperando ele aparecer.

Já estava quase desistindo e saindo para almoçar, quando ele apareceu, com um enorme tampão no olho.

Me aproximei com cuidado:

- Tostão, preciso fazer uma reportagem com você! É para São Paulo.

Sorriu:

- Conheço você! Olha, deixa eu almoçar, vou descansar um pouco e marcamos aqui lá pelas quatro horas, ok?

- Tá combinado! – E fui almoçar.

Quinze para as quatro estava no hall do hotel, e Tostão chegou na hora combinada.

Conversamos sobre a operação, sobre a possibilidade de voltar a jogar futebol – o que ainda não estava definido – a insegurança de deixar de ganhar um dinheiro que poderia assegurar seu futuro e nesse ponto já levei um susto:

- Mas, o que você está pensando? – ele perguntou – Que depois vou ficar na boa vida se ganhar um bom dinheiro? – e ele mesmo respondeu – Não, nada disso, quando parar quero voltar a estudar, quero ter uma profissão.

Não era comum naquele tempo um jogador pensar dessa maneira. A partir daí eu sabia que tinha que tomar cuidado com o que perguntava e do jeito que perguntava.

 

Me despedi dele e avisei:

- Olha, vou ficar por aqui alguns dias!

- Ok, tudo bem, então a gente se vé por aí!

A noite perguntei a um porteiro do hotel onde tinha um barzinho sossegado.

- Olha, tem um, mas é fora da cidade, é o melhor por aqui. Não tem como errar: o senhor vai pela estrada quando ela deixar de “ser” asfalto para virar terra é só andar mais uns 200 metros que a esquerda o senhor vai ver o bar. É todo de madeira. Não tem como errar!

O “é todo de madeira” me assustou um pouco, mas agradeci ao homem.

Peguei um taxi e saí a procura do tal bar.

O bar era bonito todo com toras de madeira rústica, redondo e sem nenhuma outra construção por perto.

Subi a escada e abri a porta.

Dei de cara com Tostão.

Fingi que não tinha visto e já ia me dirigindo para o outro lado, quando ouvi:

- Oh, Michel, senta aqui, vamos tomar uma cerveja. 

Foi assim que até hoje sou amigo do doutor Eduardo, o velho Tusta, que escreve tão bem que as vezes até penso que Deus fez o certo.

Autor: Michel Laurence Tags:

segunda-feira, 13 de setembro de 2010 Notícias | 18:44

O drible da carretilha!

Compartilhe: Twitter

O garoto marrento parou a bola de cara para o beque botinudo.

Tinha levado porrada o jogo inteiro.

O juiz não parecia se importar em conter a vontade dos adversários.

Encarou.

De repente começou a se mover como se fosse em câmera lenta.

Puxou a bola com o peito do pé direito de encontro ao calcanhar do pé esquerdo.

Fez a bola subir o mínimo possível, apenas para que com um toque do calcanhar esquerda a bola numa curva magistral passasse por cima da cabeça dele e por sobre o botinudo.

Não deu certo.

A bola saiu pelo seu lado esquerdo ao mesmo tempo em que levava um violento tapa no meio peito.

Provavelmente tinha sido a maneira que Neimar tinha pensado para se vingar dos zagueiros botinudos.

Os botinudos se revoltaram foi um bafafá danado.

No fim do jogo o botinudo chamou Neymar pra briga.

Em 1968, um nissei de nome Kaneko, levantou a bola de calcanhar nma Vila Belmiro, num jogo do Santos contra o Botafogo, de Ribeirão Preto.

A bola subiu, Kaneko passou pelo lado do marcador, pegou do a bola do outro lado, junto a linha de fundo.

Sem qualquer irreverência tocou para Toninho Guerreiro fazer o gol de letra – sabe aquele negócio de tocar com o pé direito na bola passando por trás da perna esquerda?

Ninguém deu uma porrada em Kaneko. Ninguém reclamou que estava sendo humilhado.

Ao contrário, até o banco do Botafogo aplaudiu.

Os tempos são outros, os personagens mudaram, o futebol mudou.

Mas “o drible da Carretilha” mostrado ao público pela primeira vez por Kaneko, é LINDO de morrer.

Autor: Michel Laurence Tags:

domingo, 12 de setembro de 2010 Comentário | 21:35

A rodada “salvou” o Brasileirão!

Compartilhe: Twitter

Não tinha como!

Se Fluminense e Corinthians vencessem no sábado, o campeonato corria o risco de perder o interesse.

Aí, o “sobre natural de Almeida” veio em socorro e o Fluminense perdeu para o Atlético Goianiense – um dos últimos colocados – e o Corinthians, em casa, para o Grêmio, que também não vem fazendo uma campanha a altura de suas tradições.

Não estou dizendo que os resultados foram fabricados, apenas que eles foram “oportunos”.

Em compensação o Botafogo do grande Joel Santana, vem subindo magistralmente na tabela. As vitórias sobre o Santos e hoje sobre o São Paulo não deixam dúvidas.

Flamengo e Vasco ainda não conseguiram se aproveitar desse momento “inesperado”. Mas é possível que nas próximas rodadas se aproveitem.

O Santos perdeu o rumo. A contusão do Ganso tirou o pouco da organização que ainda restava ao time.

Além do mais a saída de Ganso coincidiu com a queda de rendimento de Marquinhos e Madson, da infelicidade de Marcel, da timidez de Zezinho; e da evidente má vontade dos árbitros, que não marcam as faltas cometidas em Neymar, mesmo quando se trata de um carrinho pelas costas interrompendo um contra-ataque do time da Vila Belmiro.

Até parece que está estabelecido que Internacional e Santos já ganharam o que tinham que ganhar.

O Fluminense está começando a pagar pelo fato de ser taxado de clube “rico”, com patrocinador que monta um time de primeira, como se isso fosse crime.

E o Corinthians todo mundo sabe, vai buscar forças junto a sua Fiel Torcida e se recuperar. Como se isso fizesse parte do jogo. Pode até fazer, mas não é para ser definido dessa maneira.

Não sei, mas “há algo de podre no reino da Dinamarca”.

Autor: Michel Laurence Tags:

quinta-feira, 9 de setembro de 2010 Comentário | 14:11

Driblar é pra quem sabe!

Compartilhe: Twitter
Acho o chapéu (ou lençol) que o Neimar deu uma maravilha.
Tanto o primeiro quanto o segundo.
Acho que esse negócio de quem é botinudo e não sabe jogar, estar dizendo que é humilhação é para justificar o drible que está levando de um garoto de 18 anos.
Os botinudos agora não se contentam em dar rabo-de-arraia, ou tentaqr quebrar as pernas do garoto, estão dando tapas no rosto. Contra o Avaí foram três tapas e quem acabou levando o cartão amarelo foi o Neimar.
Os marcadores sairam de campo apenas com a derrota.
Esse é outro problema do futebol brasileiro: os árbitros.
É evidente que eles não evoluiram na mesma proporção do jogo. O futebol nesses últimos 10 anos evoluiu de uma forma assombrosa, principalmente na parte física.
Os árbitros não.
Continuam homens quarentões atrapalhando o jogo e com dificuldade para assimilar as jogadas na mesma rapidez em que são executadas. O que se vé de juiz interceptando passes é uma grandeza. Antigamente eles tinham vergonha que isso acontecesse. Hoje agem como se nada tivesse acontecido.
Também tem isso. Antigamente o juiz tinha personalidade. Enfrentava o jogo, marcava com a certeza de ter acertado. Erravam pouco. Erravam, claro, mas não pareciam moças inocentes em boate de streep-tease.
O jogo evoluiu e os árbitros não. Não são as câmeras de televisão que mostram o que ninguém viu. São os árbitros que não acompanharam a evolução do jogo.
E aí o que acontece?
Quando aparece um jogador como o Neimar, é um cáos.
Eles preferem embarcar na onda do “ele está simulando, tentando enganar o árbitro” o que facilita a marcação das faltas.
Acho que quem sabe sabe, quem não sabe sacode o rabo.
Nunca vi ninguém dizer que o Garrincha estava humilhando com seus dribles!
Está bem, o Garrincha não dava lençol nem chapéu, mas em compensação driblava o mesmo adversário várias vezes, chegava até a voltar para driblar novamente o adversário ultrapassado, e o povo que lotava o Maracanã quando ele tinha lugar para 170/180 mil pessoas, morria de rir. Gargalhavam.
Sandro Moreyra, um dos maiores jornalistas que conheci, só faltava dar cambalhota na Tribuna de Imprensa.
O que aconteceu ontem na Arena da Baixada foi brincadeira.
O árbitro Jailson Freitas zombou de todo mundo e comprometeu a credibilidade do abalado futebol.
Ele conseguiu marcar um pénalti que não existiu para compensar outro dado antes também inexistente.
Todo mundo esperava que ele fizesse isso tamanho o erro na marcação de um pénalti a favor do Corinthians e ele.. fez. Apitou outro que nem de perto existiu para tentar compensar o erro do primeiro.
Acho que a FIFA deve tomar suas providências imediatamente, e que a CBF adote se não tiver tecnologia suficiente, a introdução de mais dois árbitros, tal qual o basquete, que tem três apitando numa quadra infinitamente menor.
Se não, dentro de mais algum tempo, ninguém mais vai frequentar os estádios. 
Ah, e se você está duvidando que o Garrincha fazia isso tudo, dé uma olhada domingo, no Grandes Momentos do Esporte, na TV Cultura, a partir das 3 da tarde, e você vai ver o que Garrincha fazia. A jogada é quase que inédita. Eu pelo menos nunca tinha visto.
Autor: Michel Laurence Tags:

terça-feira, 7 de setembro de 2010 Causos do Futebol | 17:12

Causos do Futebol – Uma questão de fé!

Compartilhe: Twitter

Era uma tarde de sexta-feira quando Reival e Margot ouviram pelo rádio, que um padre estava criando fama de “milagroso” devido a orientação que dava aos fieis que o procuravam. Ouviram também que o padre estaria durante os próximos 10 dias conversando com os fieis na igreja da Consolação, no horário das 14 as 18 horas.

A igreja da Consolação é uma igreja bonita que fica até hoje, no final da descida ou no início da subida da avenida Consolação, na antiga praça Roosevelt, em São Paulo.

Reival tinha apenas 19 anos e namorava Margot de 17, havia uns 3 anos. Estavam apaixonados e planejavam o casamento. Reival, um jogador de bola, estava começando a criar fama, Margot moça sonhadora queria conhecer o mundo. 

No domingo pelos aspirantes do Ypiranga, Reival fez três gols e o time goleou o Nacional por 5 a 2. Depois do jogo dois ou três jornalistas foram até o vestiário querendo ouvir a história do novo goleador que surgia. Reival atendeu aos três e foi direto para a casa da namorada. Sentados no banco do jardim, ele pediu:

- Margot, vamos falar com esse padre?

Margot disse que tinha medo dessas coisas:

- O que pode acontecer? – ele perguntou e respondeu – Nada!

Argumentando que o tal do padre não saberia nem quem eles eram, Reival tanto tentou convencer Margot que ela mais para agradar a ele do que por qualquer outra coisa, acabou concordando.

Reival tinha ânsia de saber qual seria o futuro dele como jogador. Não tinha paciência como qualquer outro jovem, de ficar esperando o futuro chegar.

- Então está combinado! Segunda-feira é meu dia de folga e vamos ver esse padre que dizem ser milagroso.

N tarde de segunda-feira entraram pelo portão principal da igreja. Lá dentro umas 50 a 60 pessoas aguardavam a vez sentados nos bancos da igreja. Margot argumentou:

- Vamos embora, é muita gente, vai demorar demais!

- Não, não – insistiu Reival – vamos ver quanto ele demora para atender cada pessoa. Se for demorado a gente vai embora!

Saiu uma pessoa lá de dentro, entrou outra. Uns dois ou três minutos depois a pessoa saiu e entrou outra.

- Aí, é rapidinho! Vamos ficar um pouco e ver se dá tempo – pediu Reival. Margot se conformou.

Sentaram e ficaram esperando. A fila foi avançando rapidamente. Algumas pessoas foram desistindo. Quanto mais perto iam chegando, mais a Margot ficava apreensiva e mais o Reival ficava animado.

Uma hora de espera e eles estavam para ser atendidos. Raival falou:

- Margot,você vai primeiro!

E ela:

- Nada disso, você vai primeiro!

Enquanto discutiam a pessoa que estava na sala onde o padre atendia, abriu a porta e saiu. Reival quase empurrou Margot, que entrou aos trambulhões.

Cinco minutos depois Margot saiu com sorriso imenso estampado no rosto e Reival perguntou:

- Pelo jeito foi tudo bem, amor! – Ela só balançou a cabeça confirmando.

Ainda mais animado Reival abriu a porta e ia entrando quando ele viu o padre sentado numa sala imensa e vazia. O padre simplesmente olhou para ele que nem tinha ainda fechado a porta, balançou o dedo indicador negativamente impedindo Reival de entrar.

O futuro craque ainda gritou:

- Por quê?

Lá dentro o padre simplesmente virou de costas, sem responder.

Reival saiu da ombreira da porta. Procurou por socorro em outro padre que estivesse por ali para pedir uma explicação, Não havia nenhum, ninguém, a não ser Margot que se aproximou carinhosamente e perguntou:

- O que foi, meu bem? Você está tão pálido!

Não se sabe o que aconteceu. Mas a partir daquela tarde a vida de Reival praticamente se acabou.

Parou de jogar bola.

Perdeu a namorada para um rapaz que estava se formando em contabilidade.

Tentou voltar a jogar bola. Foi para o interior.

E nunca mais se ouviu falar em Reimar, que no Ypiranga já estavam começando a chamar de “rei, rei, rei”!

Autor: Michel Laurence Tags:

sexta-feira, 3 de setembro de 2010 Comentário | 13:46

Paixão por ti, Corinthians!

Compartilhe: Twitter

Como explicar a paixão por um clube?

Pelas cores da camisa?

A minha paixão nem cor tem!

Não sei explicar.

Não vou ao clube. Nunca fui!

Só que não perco um jogo.

Vou a todos.

Trabalho só para isso!

Vou a todos, seja onde for!

E não me interesso muito por aqueles jogos na Bolívia, no Paraguai, na Argentina.

Minha paixão é confrontar meu clube com os daqui.

Ser o melhor entre os daqui.

Não vou ao estádio cercado de amigos.

Vou sozinho!

Não quero curtir a paixão dos outros.

Só a minha!

Quero poder olhar nos olhos dos outros a dor da derrota.

Sorrir com a minha vitória.

Esconder o meu fracasso.

Não de vergonha, de ódio!

Não xingo jogador. Nem o técnico.

Só o juiz!

Aquele ladrão, safado, que ganha para me frustrar!

Quando criança não tinha nas paredes do meu quarto as imagens de heróis como Zorro ou Super-Homem; tinha pôster do time. Tinha foto do Rivelino que aprendi a admirar pelo meu pai.

Mais tarde foi o Marcelinho, para mim muito mais paulista do que carioca. O Pé de Anjo que herdou o apelido de Basílio, o herói de 77.

O tempo foi passando e as paredes do meu quarto foram se cobrindo com o pôster de muitos times, sempre vestindo a mesma camisa. Rostos diferentes, conquistas esquecidas, mas sempre aquele escudo cravado no peito, que parecia latejar nos meus sonhos que riam das risadas do Paulo Borges; da força do Super Zé; da felicidade de estar ao lado de Gilmar que nunca vi jogar; do calcanhar do Doutor, com “D” maiúsculo; do orgulho de arrancar ao lado do Fenômeno para mais um gol nunca feito, mais uma conquista inesquecível.

Mais um louco igual a mim!

Clube amado, meu pai estaria completando 100 anos esta semana, igualzinho a você.

Terça-feira quando dei uma passada pelo Anhangabaú, juro que ele caminhava a meu lado, segurando minha mão, estufando o peito com aquela velha camisa de listras negras desbotadas, mais largas do que as brancas, os olhos cobertos de lágrimas, sorrindo e gritando:

“Paixão por ti, Corinthians”!

Para Kiko, Zinho, Juca, Motta. meu filho Felipe que se despedaçaram e se despedaçam – alguns até hoje – de amor e paixão pelo Corinthians.

Autor: Michel Laurence Tags:

quarta-feira, 1 de setembro de 2010 Comentário | 13:50

A lei da vantagem e eu!

Compartilhe: Twitter

Sou contra!

Primeiro: essa “lei” não existe nas regras do futebol.

Segundo: ela geralmente só favorece o infrator!

Pode reparar!

Em 10 “leis da vantagem” aplicadas, 9 favorecem quem cometeu a infração.

No futebol não dá para adivinhar!

A não ser que o lance seja tão claro, tão previsível, aí até pode se tentar!

Mas geralmente, fica aquele sentimento de frustração: “é, se ele tivesse apitado poderia ter saído o gol na cobrança da falta”!

Ainda mais se você tiver no teu time um tipo Rivelino ou Nelinho.

As vezes Rivelino batia tão forte que quando o goleiro via, já era.

Em outras ele batia com tanta categoria que o goleiro perdia a vontade de ir na bola.

A curva do Nelinho era tão imprevisível que Dino Zoff, um dos maiores goleiros da Itália em todos os tempos, está procurando a bola do primeiro gol do Brasil contra a Itália na Copa de 78, até hoje.

Eu acho que você tiver um jogador como esse, como Zico, no seu time a tal Lei da Vantagem é apenas uma boa desculpa para o árbitro não se comprometer.

“Vamos, vamos!!” fica gesticulando juiz porque a bola está nos pés de um companheiro do cara que está estirado no gramado, segurando a canela com medo de ter sofrido fratura exposta.

Não sei, mas essas coisas todas em futebol me cheiram a desculpa para justificar qualquer tipo de erro.

Autor: Michel Laurence Tags:

terça-feira, 31 de agosto de 2010 Causos do Futebol | 13:50

Causos do Futebol – AVENTURAS DE UM REPÓRTER!

Compartilhe: Twitter

Minhas viagens ao exterior sempre foram complicadas.

Guerrilhas na Colombia

Imagine um barbudo, cabeludo, nascido em Marselha, na França, terra de uma máfia chamada Mão Negra, e com passaporte… brasileiro.

Na década de 70, ditaduras estourando pela América do Sul.

Presos políticos.

Exilados.

O Brasil mal visto lá fora, principalmente pela invasão das terras dos índios na Amazônia.

Mortandade. Rural e urbana.

Era chegar em qualquer aeroporto e levantar suspeitas.

Na Colômbia como já contei, quem me salvou foi João Saldanha e a solidariedade dos jogadores da seleção.

Em Brasília aprendi com a polícia que me interrogava, a transformar um simples jornal em uma arma bastante eficiente.

Na Alemanha, durante os Jogos Olímpicos de Munique, em 72, era  embarcar em um avião para despachar nosso material fotográfico pela Varig, em Zurique, na Suiça, e virar na mesma hora um “suspeitíssimo” terrorista.

Também não era para menos, foram os Jogos do atentado terrorista do grupo Setembro Negro que assassinou inocentes atletas israelenses.

Uma vez na Suécia, no bar do hotel onde nos estávamos hospedados, uma moça visivelmente alcoolizada me chamou de “assassino de índios”. Eu não sabia o que ela estava dizendo, não falo sueco, mas pela expressão do rosto sabia que boa coisa não era.

Depois um membro da embaixada do Quénia, que bebia tranquilamente seu uísque na mesa ao lado, me explicou que ela além de me chamar de “assassino de índios”, ainda acrescentou que eu só podia ser um “colaboracionista” da ditadura militar brasileira, para estar ali naquele bar sem ser um foragido ou um exilado.

Ela apenas me expressou o que se pensava do Brasil na Europa.

Depois a moça veio e me pediu desculpas.

Não aceitei!

Mas ela não se sentiu ofendida, voltou para a mesa que ocupava com algumas pessoas e ficou por isso mesmo.

Setembro Negro.

O queniano sorria. Provavelmente ele passava por coisas piores.

Mas a situação mais difícil enfrentei na Bélgica.

Foi há uns doze anos, pouco antes da Copa do Mundo da França.

Embarquei as pressas e por falta de lugar em avião que fosse para Paris, fui para Bruxelas, na Bélgica, onde pegaria o trem-bala para a França.

Quando apresentei meu passaporte na polícia aduaneira, o homem sorriu gentilmente, mas começou a enrolar para me devolver o passaporte carimbado.

Imediatamente pensei que ia dar confusão.

Foi dito e feito, alguns minutos e dois homens se aproximaram e pediram que os acompanhasse. Perguntei por que? Eles apenas repetiram que os acompanhasse. Passamos primeiro no local onde as bagagens estavam sendo descarregadas. Peguei minhas duas malas, continuei andando com os dois homens. Chegamos numa saleta onde havia outros caras mal encarados. Um dos mais jovens pediu que eu abrisse as malas. Abri. Ele começou a revirar tudo que hávia nas malas. Ficou uma bagunça.

Comecei a me impacientar e a reclamar.

Perguntei o que estava acontecendo e o jovem não respondia.

Pedi que me devolvesse meu passaporte para que fosse embora. Apelei dizendo que ia perder o trem-bala para Paris.

Foi quando o jovem começou a gritar que me “liberaria na hora em que bem entendesse”.

Ditadura no Brasil.

Ele então pegou meu passaporte gritando em francês apontou para o nome do Brasil na capa e mostrou minha origem “nascido em Marselha-França” e berrava “como é que pode? Um francês com passaporte brasileiro?”.

Tentei explicar que fazia 50 anos que vivia no Brasil, mas ele não deixou. Me empurrou, quase jogou meu passaporte, mandou que fechasse as malas e que saísse dali.

Saí o mais rápido que pude. Nem olhei para trás.

Fui para a plataforma, peguei o trem-bala.

Fui me acalmando e compreendi que a polícia de toda a Europa devia estar de sobreaviso com a proximidade da Copa. Poderia haver um atentado e esses policiais de Bruxelas provavelmente estavam sem dormir. O avião chegou as 3 da manhã e todos estavam muito irritados.

Uma hora depois estava em Paris. Troquei de trem para chegar numa estação mais perto do centro onde era o hotel do nosso encontro. O vagão em que entrei estava praticamente vazio. Relaxei,

Alguns minutos mais tarde entrou uma turma dessas barra pesada. Os caras com roupas de soldados da Primeira Guerra Mundial (1914 a 1918), tatuagens pelo corpo inteiro, cabelo moicano de todas as cores. Imensos.

Temi de novo. Pensei: seja o que Deus quiser.

Os caras faziam um barulho danado e eu não sabia qual estação eu tinha que descer. Resolvi perguntar aos caras.

Rapaz, os caras foram de uma gentileza danada. Quando chegamos na tal da estação, me avisaram “É aqui!”, e ainda me ajudaram com as malas.

Inacreditável.

Autor: Michel Laurence Tags:

domingo, 29 de agosto de 2010 Notícias | 18:38

Sem clemência!

Compartilhe: Twitter

Assisti a coletiva do Ronaldo sábado.

Vi o jogo do Corinthians.

É evidente que Ronaldo está vivendo o drama da despedida.

Nada é pior do que esse momento para um jogador de futebol.

Ele sabe que sabe, mas não consegue mais fazer.

Não consegue para nós que sabemos o que ele já fez e não admitimos o que ele faz agora.

Mas fico imaginando depois de ter visto o Ronaldo jogar os 20 primeiros minutos contra o Vitória, se um cara qualquer vindo de um ponto qualquer deste planeta resolvesse entrar no Pacaembu para ver um jogo do qual não sabe nada, e que nunca assistiu nem mesmo pela televisão.

Primeiro o tal “alienígena” ia ficar espantado de ver um cara gordo em campo destoando dos demais superatletas. Depois quando Ronaldo dominasse a segunda bola que chegou a seus pés e com um simples ajeitar do corpo se livrasse do adversário, ia de pé aplaudir aquele “skinhead” gordinho.

Futebol é isso. A gente se espanta quando um que nunca fez nada consegue um simples drible e despreza aquele que faz parte da elite, quando consegue com simples gingar do corpo se livrar de um pobre mortal.

Não existe clemência em futebol!

Não existe compaixão!

Na coletiva, Ronaldo num momento de fragilidade mental, tentou fazer as pessoas se emocionarem com as dores que sente pelo corpo e com a terrível hora de se “retirar” que se aproxima.

Talvez por eu ser velho e já ter visto e sentido cenas como essa tenha me emocionado, mas o pessoal presente a coletiva reagiu como os repórteres tem que reagir:

- E quando você vai parar? – foi a pergunta imediata.

Visivelmente decepcionado Ronaldo quase abandonou a coletiva.

No Pacaembu ele foi ovacionado quando voltou a campo depois de ter levado uma porrada.

Não adianta Ronaldo!

Clemência e compaixão não fazem parte do nosso dicionário!    

Autor: Michel Laurence Tags: , ,

  1. Primeira
  2. 10
  3. 20
  4. 28
  5. 29
  6. 30
  7. 31
  8. 32
  9. 40
  10. 50
  11. 60
  12. Última