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terça-feira, 3 de abril de 2012 Causos do Futebol | 20:49

Causos do Futebol – Mais Uma do João Avelino

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João Avelino à direita, com a bola na mão

João Avelino foi um dos treinadores mais incriveis do Brasil.

Ele dirigiu inúmeros times, principalmente em São Paulo e sempre com muita inteligência, e uma grande dose de malandragtem.

Era um tipo que tirava partido de tudo, da postura, do entusiasmo em fazer as palestras, em explorar o ponto fraco de cada adversário, de conhecer de cor e salteado o que um ou outro jogador era capaz de fazer, tanto do seu time quanto os dos outros times.

Se fosse necessário apelava para truques e malandragens inimagináveis.

Mas uma coisa é certa: ele conhecia o futebol como poucos.

Em 1955 ele dirigia a Ferroviária, de Araraquara e chegou a finalíssima da Segunda Divisão contra o Nacional, da capital. Se o Nacional vencesse haveria uma prorrogação.

O jogo foi incrível, como eram todas as finais da segundona naqueles tempos.

Aos 10 minutos do segundo tempo o Nacional vencia por 3 a 0.

Sorrateiramente Avelino se aproxima da lateral do campo e passa uma ordem ao seu lateral direito que transmite a mensagem para seus companheiros.

Os jogadores da Ferroviária começaram a cair em campo. No terceiro caído e retirado do campo para cuidados, todo mundo pensou que o jogo acabaria por ser interrompido pela falta necessária de jogadores da Ferroviária.

Mas não foi o que aconteceu, quando o quarto jogador do time de Araraquara simulou estar machucado, as simulações acabaram por aí. Com 11 jogadores contra 7, o Nacional se esforçou para aplicar uma goleada e desmoralizar o adversário, mas o jogo ficou no 3 a 0.

No finalzinho do tempo regulamentar todo mundo se programando para a prorrogação, aconteceu a grande surpresa: os 4 “contundidos” milagrosamente recuperados e devidamente descansados voltam a campo com todo o gás e encontram um Nacional extenuado.

A Ferroviária venceu, por 2 a 0, subiu para a Primeira Divisão do futebol paulista e João Avelino já diplomado em malandragem, ganha a pós-graduação.

Autor: Michel Laurence Tags:

terça-feira, 27 de março de 2012 Causos do Futebol | 18:36

Causos do Futebol – O Futebol de Antigamente e Rodrigo Santoro!

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Quando comecei a disputar minhas peladas, garoto com 11 anos, ainda peguei a “bola de capotão” como chamavam aqui em São Paulo. No Rio era “bola de couro” mesmo. Sou mais a definição de “capotão” porque era como vestir uma bexiga de borracha com um capote de couro.

Muito bem, dentro do capotão você enfiava uma “bexiga de boi” que enchia com o ar de seus pulmões, dava um nó no caninho (não me lembro mas acho que era “bigurrilho”), enfiava no capotão e fechava a abertura do capotão com um cadarço de couro. O nó a gente procurava botar para baixo do couro do capotão, mas não poucas vezes o nó escapava durante as peladas.

Para jogar as peladas, quando não era na praia, a gente entrava pela garagem de um prédio, pulava o muro que dava para os fundos de uma grande empresa que ficava no Largo do Machado. Montamos duas traves, limpamos o terreno entre elas, e ali era o nosso Maracanã.

Não sei se o dono da empresa chegou a desconfiar, porque entre ela e o campinho, era um terreno baldio, uma verdadeira floresta. Sei que no bairro o nosso campinho ficou famoso, vinham times da Bento Lisboa, da Machado de Assis, de um conjunto de prédios bacana que ficava na esquina da Almirante Tamandaré, da Paysandu. Mas quando não vinha ninguém, o jogo era entre nos mesmos.

Aí, surgiu com a Copa do Mundo de 50 ou terá sido com a Copa Rio de 51 ganha pelo Palmeiras? A bola G18 (ou terá sido a G16?), que correspondia ao número de gomos de couro que formavam a bola. Meu pai Albert Laurence como jornalista, ganhou uma. Aí, foi uma festa. A bola tinha um furinho onde se enfiava uma agulha e enchia com o jato de ar do posto de gasolina. Também ninguém mais se machucava com o cadarço que ficava marcado no peito e na testa da gente.

 

Quando começamos a jogar em gramados com chuteiras (o time alugava o campo da Escola de Educação Física quase em frente ao campo do Botafogo na rua General Severiano, e ali ao lado do Túnel Novo que passou a ligar Copacabana com  o centro do Rio e os bairros e subúrbios da zona norte.

A chuteira era de couro de vaca, duro feito pau. Todas negras. O bico delas era mais duro ainda. Tinha técnico de time profissional que não admitia zagueiro que não tivesse chuteira de “bico duro”.

O couro das chuteiras era tão duro que a gente passava nos açougues,  pegava cebo de boi e ficava “engraxando” as chuteiras até amolecer o couro. Levava meses, as vezes a chuteira acabava antes do couro amolecer. As traves era “pregadas” na sola com pregos. Redundância? Não apenas para você perceber que com o uso, os pregos que prendiam as traves na sola da chuteira, entravam pela sola dos pés.

Não tinha sunga por baixo do calção (que os europeus do leste nunca usaram, o que originou várias histórias escabrosas). Tinha uma espécie de “tapa sexo” ou “protege sexo”, cujo nome grosseiro não vou escrever aqui, mas que era feito de uma espécie de borracha e terminava com um cinto largo, que os profissionais achavam elegante dobrar por cima da cintura do calção.

Os uniformes feitos em pano de algodão, quando suados ou molhados pela chuva se transformavam num peso extra que os jogadores carregavam por 90 minutos.

Não pense você que isso foi há 500 anos atrás. Não, as traves dos gols em 1970 ainda eram quadradas.

Aliás foi na Copa de 70 que as grandes marcas de material esportivo surgiram, inclusive quase originando um racha na seleção brasileira, quando duas delas brigaram seriamente para calçar alguns de nossos jogadores. Alguns até pintaram de preto as marcas das fábricas que não quiseram pagar o que os jogadores exigiam.

Mas estou contando isso tudo porque ontem a noite, depois do “Bem, Amigos…”  fui encontrar Galvão Bueno que vai escrever o prefácio do nosso livro. O livro vai se chamar “Senhor Michel” na capa e “Monsieur Laurence” na contra-capa, idéia do meu editor, que achei legal.

 

Galvão me disse que quer “narrar o prefácio”:

- Eu sou um contador de histórias, Michel, não sou escritor!

Lá estavam o Renato Maurício Prado, o Alberto Helena Jr, o Paulo César Vasconcelos, o Caio Ribeiro, o diretor do programa meu amigo Ingo Ostrowsky, e o ator Rodrigo Santoro que foi no programa divulgar o filme “Heleno”, que ele interpreta e que conta a glória e a desgraça desse grande personagem, e que estréia sexta-feira em todo o Brasil.

Santoro deu de presente para Galvão a bola de capotão que foi usada na filmagem, daí esse meu causo de hoje. O “trailer” que foi exibido no programa dá bem uma idéia da loucura que tomou conta de Heleno, mostrando ele treinando no Boca Júniors – onde foi ídolo – vestindo um chiquérrimo sobre-tudo, devido ao frio, matando a bola no peito e chutando de voleio antes dela tocar o gramado.

Rodrigo Santoro encarnou de tal forma o personagem Heleno de Freitas que confessou estar tendo dificuldade para se “livrar dele”.

 Que jantar, rapaz, que jantar!

Autor: Michel Laurence Tags:

segunda-feira, 26 de março de 2012 Comentário | 11:32

Segredos: O Timão sufoca; O Santos anestesia!

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Primeiro assisti ao Corinthians e Palmeiras.

O Corinthians é um time compacto, acostumado e treinado para estabelecer uma tremenda pressão sobre o adversário. Capaz de usar tudo o que o futebol permite e por momentos até o que o futebol não permite, para quebrar o ritmo do adversário e exercer um domínio arrasador durante alguns momentos de um jogo.

Ontem parecia que o Palmeiras venceria, convencido que seu time era capaz de jogar contra qualquer um. Até que Jorge Henrique começou a provocar daqui e o Chicão a impor dali. Aí, Ralf e Paulinho se adiantam, saem para o jogo, mais Paulinho do que Ralf e as coisas começam a acontecer.

Os jogadores do Palmeiras ficaram nervosos, nem o fato do experiente Marcos Assunção tentar reverter a situação, ameaçando “pegar lá fora” alguns jogadores do Corinthians – e todo mundo viu o Assunção conciliando as coisas ao final da partida – mudou o que o Corinthians queria.  

Em dois minutos fez dois gols no início do segundo tempo e Valdívia saiu de campo dizendo que o time tinha voltado para o segundo tempo “cim sono”,

Com sono parecia estar o time do Bragantino contra o Santos, a não ser na hora dos zagueiros se revezarem nas porradas em Neymar. Acho até que o Braga estava “anestesiado” pela lerdesa do time do Santos.

O Santos ao inverso do Barcelona toca a bola numa lentidão que deixa “qualquer adversário menos avisado, completamente anestesiado”! Claro quando esse adversário não é op próprio Barcelona.

Aí, com um adversário sonolento e apenas ligado em impedir o Neymar de jogar, surgem Arouca = que não consigo entender não ter uma oportunidade na seleção – eme Ganso fazendo uma jogada maravilhosa para deixar o Alan Kardec na cara do gol.

Não sei se o Muricy reparou (deve ter reparado, ele enxerga muito mais do que eu), mas o Bragantino esteve a ponto de empatar e até de virar o jogo. Anestesiado errou duas bolas por milímetros que baterem nas traves.

Mais duas coisas: o Santos parece cansado, a maratona está fazendo efeito; e o Neymar não vai agüentar. Vai acabar estourado, é pancada demais, umas verdadeiras e outras que não sei definir se encenadas ou não. Só sei que mesmo com apenas 20 anos, vai chegar o momento em que os tornozelos e os joelhos não vão agüentar. E aí a seleção pode perder sua maior esperança de recuperação.

Autor: Michel Laurence Tags:

terça-feira, 20 de março de 2012 Causos do Futebol | 11:33

Causos do Futebol – O TÚMULO DE MANÉ!

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O rapaz da portaria entrou esbaforido pela redação do Jornal do Brasil, no Rio.

- Seu Michel, tem um homem querendo falar com o senhor!

- Quem é?

- Não consigo me lembrar, mas acho que conheço de algum lugar!

- Então – respondi – manda entrar!

Quando a porta se abriu parecia que Deus tinha ido nos visitar.

Todo mundo na redação curioso para saber quem era o homem que queria falar comigo, foi ficando de pé. O primeiro foi João Saldanha que interrompeu o que escrevia; depois foi Sandro Moreira que parou uma história que contava; logo a seguir o grande colunista político Villas-Bôas Corrêa, que adora futebol; e o nosso pessoal do esporte que naquela época em 1983, era comandado pelo meu grande amigo João Areosa. O Fernando Calazans, esse comentarista da ESPN-Brasil e colunista de O Globo, mesmo ainda se recuperando de um terrível acidente de automóvel, ficou emocionado.

Nílton Santos tem esse poder. Talvez pela gentileza, talvez pela educação, mas certamente pela sua vida e personalidade. O que ele inspira sempre é respeito. Saldanha abraçou, Sandro deu um tapinha em seu rosto, Villas-Bôas sorriu.

- E aí, o que você quer com o Laurence? – Saldanha nunca me chamou de Michel por ter trabalhado anos ao lado de meu pai Albert Laurence.

- Eu quero ver se ele vai comigo até Pau Grande! – respondeu Nílton.

- Claro que vou – me apressei em falar – mas o que está acontecendo?

- Parece que o túmulo do meu compadre Mané está abandonado – explicou a Enciclopédia, apelido que foi dado a Nilton Santos pelo meu pai. Nílton sempre cuidou do Garrincha.

- Como abandonado? – perguntei – Tem gente para cuidar do cemitério!

- Sim, mas a prefeitura não tem grana e precisamos dar um jeito!

- Mas, Nílton, dar um jeito em que?

- No túmulo! O cemitério lá fica na encosta de um morro, quando chove a água vem descendo o morro levando tudo. Parece que a lage do túmulo foi deslocada pela força da água e o túmulo ficou semi-aberto – explicou detalhadamente o grande Nílton Santos.

O pessoal em volta começou a dar sinais de revolta.

- Mas… para que você precisa de mim?

- Bem, é que eu indo lá sozinho é uma coisa, mas indo com um repórter do Jornal do Brasil é outra! O prefeito vai ficar preocupado e autorizar a obra.

Fiquei olhando e me perguntando onde aquela instituição tinha arrumado tanta modéstia. Imagina, ele não tinha a mínima noção do que representa.

Areosa autorizou um carro do jornal, para dar mais imponência a empreitada e lá fomos nós.

A obra foi bem feita, o túmulo está lá, direitinho até hoje.

Autor: Michel Laurence Tags:

segunda-feira, 19 de março de 2012 Notícias | 10:50

Árbitros? Que árbitros?

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Só vamos lembrar que as arbitragens estão cada vez mais fracas e exageradas em tudo, até na hora de apitar o início e o fim do jogo. São gestos que nos lembram as imagens dos grandes heróis da antiguidade. Poses de guerreiros e não de árbitros, que deveriam ter por obrigação a justiça e a correção. Antigamente quando uma arbitragem era correta costumava-se dizer que “de tão boa passou despercebida”!

Hoje não há como não notar uma arbitragem. A exibição dos cartões amarelo e vermelho transformam o árbitro numa estátua grega, a mão que exibe o cartão lá no alto, peito estufado, barriga pra dentro. O exibidor só falta ficar na ponta dos pés, como um grande bailarino, um Mikhail Baryshnikov. Isso quando não saem perseguindo pelo campo ou obrigando o jogador a se aproximar, humilhando-o publicamente, para exibir autoritariamente o tal cartão.

Coisa de gente que não sabe impor respeito pela qualidade e sim pela força!

A fraqueza do Santos!

Já que falamos de estátuas gregas, o calcanhar de Aquiles do Santos que tinha sido exposto na tragédia contra o Barcelona, está cada vez mais evidente: os dois centrais são lentos, muito lentos.

Uma das máximas mais conhecidas do futebol é a de que “nas vitórias ou nas derrotas os onze ganham ou perdem”.

No caso do Santos a máxima também é válida, mas com uma ressalva: grande parte dos fracassos se deve aos dois zagueiros de área que ficam muito expostos à velocidade dos atacantes. Contra o Barcelona a velocidade de Messi, Iniesta e Xavi foi cruel; ontem contra o São Paulo, a velocidade e a beleza do futebol de Lucas e Luís Fabiano foi absurda.

O tricolor só não fez meia dúzia de gols, porque de tão fácil que estava, alguns jogadores foram afobados demais.

Adriano, que só se entende estar ali para dar o primeiro combate, não fez o seu papel e aí foi um tal de ver os dois zagueiros do Santos em situações cada vez mais parecidas com comédia de pastelão.

E a solução para o problema nãos está nos dois reservas, que sofrem do mesmo mal.

Talvez fosse bom para que as críticas não começam a destruir o que já foi construído que o Santos se lembrasse de outra máxima do futebol: “as vitórias começam por uma grande defesa”.

Fellype Gabriel do Botafogo, da Portuguesa…

Esse Fellype (com épsilon e dois “eles”) já chamou a atenção quando defendeu a Portuguesa dois anos atrás. Foi para o Japão ganhar dinheiro. Voltou e fez os 3 gols da vitória do Botafogo sobre o Vasco, por 3 a 1.

Loco Abreu que já não está mais nas graças da torcida do Fogão e que ontem não jogou, que se cuide.

Autor: Michel Laurence Tags: , , , , , ,

quinta-feira, 15 de março de 2012 Notícias | 15:56

O “Capita” à frente da CBF?

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Um movimento está neste momento sendo formado no Rio de Janeiro, com o nome de FUTEBOL EM PRIMEIRO LUGAR, lançando a candidatura de Carlos Alberto Torres, o capitão da seleção tricampeã no México, em 1970, para presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

O movimento se baseia no sucesso de grandes jogadores da Europa como o francês Michel Platini, atual presidente Uefa e candidato em potencial à substituição do atual presidente da Fifa, Joseph Blater, e como o alemão Franz Beckenbauer, que foi presidente do Bayern de Munique.

O grupo formado por empresários, vários ex-jogadores e com o apoio de jogadores atuais está estudando em reunião na casa de Carlos Alberto Torres, no Rio, um meio legal para tornar possível a eleição de Carlos Alberto, em substituição a José Maria Marin, recém-empossado após a renúncia de Ricardo Teixeira.

Carlos Alberto Torres tem trânsito em gerência esportiva na ECA (European Club Association), além de ser palestrante da SoccerEx, maior convenção de negócios relacionados ao futebol no mundo.

Autor: Michel Laurence Tags: , , ,

terça-feira, 13 de março de 2012 Causos do Futebol | 18:36

Causos do Futebol – Naqueles Tempos…

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O Grandes Momentos do Esporte vai ao ar amanhã pela última vez.

Já não é mais o Grandes dos tempos em que Roberto Muylaert era o presidente da TV Cultura.

Mas mesmo assim ainda era um orgulho trabalhar em um programa que está no ar há 28 anos, e que ocupou minha imaginação nos últimos 21 anos de minha carreira. Trabalhei na Cultura pela primeira vez de 92 a 94, quando criamos o Cartão Verde, e reformulamos o Grandes Momentos do Esporte.

Foi pensando nisso que comecei a rever certas passagens da minha vida, principalmente os tempos em que ainda mocinho jogava bola com grandes nomes.

 

No destaque, da esquerda para a direita: Ademir Menezes, Simões e Orlando "Pingo de Ouro"

Nessa foto do elenco do Fluminense de 1948 ai abaixo, tive a honra de jogar anos mais tarde, com três jogadores maravilhosos: Ademir Menezes, Simões e Orlando “Pingo de Ouro”, os três por acaso sentados um ao lado do outro.

Nesse time de nome Olympico, bancado pelo Banco Nacional, também jogava um grande amigo meu: Breno Mello, um gaúcho que foi o galã do filme Orfeu do Carnaval, ganhador da Palma de Ouro, no Festival de Cannes, na França.

Breno, que jogou no Rener, de Porto Alegre; no Fluminense; no Santos; no Boca Juniors, e no Novo Hamburgo, do Rio Grande do Sul, passava pelo Largo do Machado, no Rio, quando impressionou o diretor do filme, o francês Marcel Camus que o seguiu. Breno parou e perguntou:

- Por que o senhor está me seguindo?

Arrumaram alguém que falava francês para que o diálogo fosse possível.

O filme foi um sucesso mundial, Breno deveria ter usufruído do sucesso e ir para a França, mas ele acreditava no “destino” e só iria se fosse chamado. Foi chamado, mas acabou não indo e continuou jogando no

Fluminense e nas folgas no Olympico.

Um dia Orlando “Pingo de Ouro” que era o “dono” do time, aceitou um convite para que o time fosse jogar em Mendes, uma cidade do Estado do

Rio, contra um time chamado “Frigorífico”.

Foi uma festa quando o time chegou em ônibus alugado, com craques como o próprio Orlando, Drumond e Cané – um ponta direita que pouco depois

foi jogar na Itália – que eram do Olaria. Campo lotado, sem alambrado, com apenas uma cerquinha separando o campo dos torcedores.

Lá pelas tantas, jogo nervoso, o Frigorífico era bom, Orlando vai bater um lateral. Quando ele levanta a bola acima da cabeça, um torcedor dá um tapa na bola. Orlando riu. Pegou a bola e foi bater.

Novo tapa. Na terceira vez Orlando não pensou duas vezes, deu um tapa no torcedor que chegou a estalar.

O campo foi invadido e a briga generalizada.

Apanhamos de tudo quanto foi jeito. Breno então levou um soco no rosto e o sangue jorrou do nariz.

No meio da confusão ele me gritou:

- E agora? Como é que vou fazer o papel de galã com esse nariz quebrado?

Graças a Deus um delegado apareceu dando tiros para o alto e acabou com a briga.

Entramos no ônibus e Breno insistia:

- E agora, quem vai querer um galã de nariz quebrado?

Primeiro foi um silêncio, até que Orlando começou a rir e aí todo mundo caiu na gargalhada.

Breno foi galã o resto de sua vida, até morrer sòzinho em Porto Alegre, aos 76 anos, numa rua chamada Tristeza.

Autor: Michel Laurence Tags:

segunda-feira, 12 de março de 2012 Notícias | 14:03

Pela porta dos fundos!

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Para não ter que responder a inúmeros processos, Ricardo Teixeira abdica da presidência da Confederação Brasileira de Futebol, e provavelmente sob a alegação de fazer tratamento de saúde, viaja para os Estados Unidos, onde já comprou casa e montou uma empresa.

O futebol se livrar de Teixeira é bom.

A Justiça provavelmente não conseguir que ele responda pelos atos suspeitos denunciados pelo Ministério Público e pela Polícia Federal, é ruim!

Atinge a imagem do País justamente em um momento de dúvida sobre a realização da Copa do Mundo e depois da grosseria do secretário da FIFA, o francês Jérôme Valcke, que afirmou ser necessário “um ponta-pé na bunda” do Brasil para que as obras prometidas fossem concluídas a tempo da realização da Copa do Mundo.

Não sei dizer se José Maria Marin será capaz de conduzir a CBF e a Copa do Mundo em 2014. Me lembro vagamente de Marin ter sido presidente da Federação Paulista de Futebol.

A imagem dele embolsando uma medalha em uma competição juvenil, não é um bom cartão de visita, mas é preciso deixar o tempo passar para poder julgar.

O País precisa de uma trégua para o futebol ser reconstruído.

Autor: Michel Laurence Tags: ,

quinta-feira, 8 de março de 2012 Notícias | 19:07

Será, finalmente, o começo do fim?

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Ricardo Teixeira, presidente da CBF desde 1989, se afastou do cargo ao pedir uma licença médica de 30 dias (afirmam que será de 60 dias).

Ao que parece as últimas denúncias finalmente deixaram Teixeira abalado.

Ele garante que vai voltar.

Tomara que seja apenas uma “ameaça”.

A última cartada de Ricardo Teixeira para se manter no cargo foi convidar Ronaldo Fenômeno e Bebeto para assessorarem os trabalhos para a Copa do Mundo do Brasil, em 2014,

Os dois deram mão forte ao presidente da CBF, mas ao que parece não foi o bastante.

Autor: Michel Laurence Tags:

terça-feira, 6 de março de 2012 Causos do Futebol | 17:49

Causos do Futebol – A Torre de Babel do Futebol!

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Os argentinos sempre estiveram envolvidos nas grandes histórias do futebol mundial.

Foi um jogo dos argentinos pela Copa do Mundo de 1966, contra a Inglaterra, que provocou o surgimento primeiro do cartão amarelo e logo a seguir o vermelho.

A Argentina tinha um timaço com o goleiro Roma, o zagueiro Perfumo – que depois jogaria no Cruzeiro, o médio Rattin, o meia Ortega, o camisa 9, Artime – que depois jogaria no Palmeiras, e o ponta esquerda Oscar Mas, era candidata ao título.

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Seleção argentina brigando com o árbitro alemão Rudolf Kreitlein

A Inglaterra, como dona da casa e inventora do futebol, era mais do que favorita, ainda mais com o apoio da rainha Elizabeth II, assistindo a final no próprio estádio de Wembley, que seria demolido e reconstruído anos mais tarde.

O jogo entre essas duas seleções praticamente decidiu um dos finalistas. E foi também o primeiro erro cometido pela arbitragem a favorecer enormemente os ingleses.

O árbitro do jogo foi o alemão Rudolf Kreitlein, que logo de tacada foi distribuindo advertências aos jogadores argentinos, que não entendiam absolutamente nada do que o alemão falava.

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Mais uma foto do jogo com o árbitro ao fundo

Aos 37 minutos do primeiro tempo acabou expulsando o argentino Rattin, que era o capitão da seleção argentina. Rattin sem entender direito o que estava acontecendo ou tirando partido da confusão armada pelo árbitro, permaneceu em campo até que Kreitlein lhe indicou por gestos o caminho do vestiário.

Rattin saiu caminhando lentamente pela lateral do campo encarando a torcida revoltada com a atitude do argentino, e quando chegou na primeira bandeirinha de escanteio que era uma miniatura da bandeira da Inglaterra, enxugou as mãos nela.

Aí, a revolta foi geral. Mas Rattin continuou caminhando até sumir pela porta do vestiário.

A Inglaterra acabou vencendo com um gol do artilheiro Geoff Hurst, aos 33 minutos do segundo tempo.

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Técnico da seleção da Inglaterra, Alf Ramsay, impedindo a troca de camisas entre os jogadores

E foi graças a essa confusão toda, que os dirigentes da FIFA perceberam que tinham que tomar uma providência em função das dificuldades de compreensão entre árbitros e jogadores.

A solução encontrada, que dura até hoje, foi a invenção dos cartões: o amarelo para advertir e o vermelho para a expulsão. O árbitro não precisava mais falar por exemplo, o norueguês para se fazer entender pelos jogadores da seleção da Noruega.

Os cartões foram usados pela primeira vez na Copa do Mundo de 1970, no México.

Antes que esqueça: o segundo grave erro cometido a favor da seleção da Inglaterra – que tinha um timaço com o goleiro Banks, o zagueiro Moore, o meio campo Bobby Charlton e o atacante Hurst – foi na final contra a Alemanha, em um chute de Hurst, que bateu no travessão e quicou fora do gol, que o árbitro Gottfried Dienst, da Suiça, deu como legítimo e permitiu que a Inglaterra conquistasse o título na prorrogação.

Autor: Michel Laurence Tags:

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