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terça-feira, 20 de setembro de 2011 Causos do Futebol | 10:00

Causos do Futebol – A Batalha do Monumental de Nuñez!

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Este é o relato fiel do que aconteceu na noite de 26 de março de 1959, alguns meses após a conquista da Copa do Mundo de 1958, no jogo entre Brasil e Uruguai, pelo Campeonato Sul-Americano, realizado em Buenos Aires, por jornalistas que estiveram lá.

“Perto do final do primeiro tempo, o atacante brasileiro Almir “Pernambuquinho” Albuquerque estranhou-se com o zagueiro uruguaio Davoine e o pau quebrou entre os dois times. Ao final das escaramuças, o goleiro Castilho estava com o supercílio cortado; o quarto-zagueiro Orlando Peçanha tinha os lábios sangrando; o zagueiro central Bellini, o goleiro Gilmar, o meia-armador Didi, e os atacantes Almir e Pelé tinham escoriações generalizadas. Pelo lado uruguaio, o capitão e zagueiro William Martinez tinha perdido um dente e levara 3 pontos na cabeça; o atacante Sássia estava com o olho esquerdo sangrando e Roque Fernandez com os ombros e o peito feridos”.

E mais:

“Essa pancadaria durou exatos 50 minutos, e aí o árbitro chileno Carlos Robles expulsou salomonicamente Almir e Orlando do Brasil e Davoine e Gonçalves do Uruguai.

A seleção uruguaia vencia, por 1 a 0, gol de Escalada. No segundo tempo com 9 contra 9, o Brasil virou com 3 gols do atacante do Botafogo, Paulo Valentim.

Hideraldo Luiz Bellini em depoimento a revista Placar em 1980 acrescentou que deu um soco na boca de Sassia que lhe tinha atirado terra nos olhos, e que Didi emendou o soco dado por mim, com uma tesoura-voadora que acertou o jogador uruguaio em cheio no peito. Tudo terminou com o fortíssimo preparador físico do Botafogo, Paulo Amaral, acertando uma pancada em Sassia, que deixou o uruguaio fora de combate”.

Esse foi o segundo jogo entre brasileiros e uruguaios depois da final da Copa do Mundo de 1950. Em 1952, nos Jogos Pan=americanos do México, em 1952, a seleção já havia vencido os uruguaios, por 4 a 2″.

Lamentavelmente na final contra os argentinos o Brasil empatou, 1 a 1 e o título ficou com os dono da casa.

A  seleção brasileira foi essa da foto com da esquerda para a direita en pé: Djalma Santos, Gilmar, Bellini, Décio Esteves, Formiga, Coronel e o massagista Mário Américo; agachados: Garrincha, Didi, Paulo Valentim, Pelé e Chinesinho. No jogo contra o Uruguai Castilho começou no lugar de Gilmar; Almir no lugar de Paulo Valentim, que entrou no segundo tempo e Orlando no de Formiga.

Autor: Michel Laurence Tags:

quinta-feira, 15 de setembro de 2011 Comentário | 16:03

Discutindo a Seleção!

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São duas questões!

1 – por que Lucas, o do São Paulo, é convocado e não joga?

2 – ficou provado, mesmo sendo um jogo feio e ruim (excluindo a “carretilha” de Damião) que Neymar e Ronaldinho Gaucho podem jogar juntos.

Aliás essa segunda constatação prova mais uma vez que João Saldanha tinha razão afirmando que “craque joga em qualquer posição”!

Neymar e Ronaldinho em seus respectivos times jogam na mesma posição: pelo lado esquerdo do ataque entre a linha do meio de campo e a intermediária do adversário, de onde partem para infernizar a vida dos marcadores.

Quando vi a escalação da seleção achei que o Mano Menezes escalando Neymar pelo lado direito do ataque, ia “quebrar a cara”. Neymar pelo lado direito é bem inferior ao Neymar pelo lado esquerdo.

Mas conforme o jogo foi correndo (feio), comecei a notar – e isso pela televisão é difícil – que Neymar aparecia em todos os setores do ataque. E que Ronaldinho fazia o mesmo.

Pensei: “vai chegar a hora em que eles vão trombar!”.

Não aconteceu.

Jogaram limpo o tempo todo.

O jogo não foi bom, mas isso é outra coisa.

Quanto ao Lucas, só Mano pode explicar.

É um mistério!

Ele não quis explicar. Podia ter tirado o Paulinho e colocar o Lucar. Podia ter tirado o Renato Abreu e colocar o Lucas. Não o fez não se sabe bem por que? Será que era para ver o Casemiro com a camisa da seleção? Ou ele queria ver o que acontecia com Oscar entre os titulares?

Sem explicação.

Na minha opinião o Lucar teria dado à seleção uma velocidade que ela não teve em nenhum momento do jogo.

As vezes os técnicos são incompreensíveis.

Ou será que a mesma tese que craque se ajeita em qualquer lugar, que serviu para Ronaldinho e Neymar, não serve para Lucas?

Autor: Michel Laurence Tags:

terça-feira, 13 de setembro de 2011 Causos do Futebol | 16:53

Causos do Futebol – CONHEÇA O NOME DAS POSIÇÕES DE ANTIGAMENTE!

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Brinque de traduzir as posições de antigamente para as de hoje.

E ponha antigamente nisso.

Essa foto é da seleção brasileira da Copa de 1938, na França, quando o Brasil com um time fantástico foi terceiro lugar e Leônidas da Silva, o Diamante Negro, foi artilheiro com 8 gols.
A primeira parte da legenda se refere aos fiascos da seleção nas duas copas anteriores, em 1930, no Uruguai, quando o Brasil foi eliminado de cara no primeiro jogo, pela Iugoslávia, por 2 a 0; e a de 1934, na Itália, quando o Brasil foi eliminado pela Itália.
O interessante, além da louvação do jornalista aos heróis da vitória sobre a Polônia, por 6 a 5, é que os nomes dos jogadores vem acompanhados das denominações das posições que ocupavam no time. Essas denominações das posições são todas em inglês e algumas são repetidas até hoje.
Autor: Michel Laurence Tags:

sexta-feira, 9 de setembro de 2011 Causos do Futebol | 19:02

Causos do Futebol – Os 98 anos de Leônidas da Silva!

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Bem, para que não chegue um desses “amigos” dizendo que “copio” as fontes, vou contar um pouco da história do grande Leônidas da Silva, o Diamante Negro, com um toque de bola tão refinado que só poderia ser comparado a um diamante; o Homem Borracha, um jogador com uma elasticidade tão grande que foi capaz de “inventar a bicicleta”.

Leônidas foi artilheiro da Copa de 38, jogada na França e ganha pelos italianos, com 8 gols.

Só pela seleção Leônidas jogou 37 partidas e fez… acreditem … 37 gols.

Jogou no São Cristovão, no Sírio e Libanês, no Bonsucesso, no Vasco da Gama, no Peñarol, no SC Brasil, no Botafogo e no Flamengo.

Começou a jogar como profissional aos 16 anos e terminou em 1950, com 38 anos.

Jogou de 1942 a 1950, no São Paulo, e em 8 anos ganhou 5 campeonatos paulista.

Bem, mas isso tudo está escrito na história.

Como ele teria completado 98 anos no último dia 6 de setembro, vamos mostrar um pouco da importância que Leônidas da Silva teve como jogador de bola.

Leônidas da Silva e o então Presidente Getúlio Vargas.

Leônidas, quando jogava pelo São Paulo

Leônidas recebendo o título de cidadão honorário de São Paulo

Leônidas, quando comentarista da TV Record

 

Leônidas, com um dos surrados uniformes de treino usados antigamente

 

Leônidas quando foi contratado pelo São Paulo em 1942, sendo recebido por 10000 pessoas na Estação da Luz

 

Leônidas, com a camisa do Flamengo, na capa da revista "Sport Illustrado"

 

Leônidas com a camisa do Vasco da Gama

 

Foto da Copa do Mundo de 1938, da esquerda para a direita: Adílson, Romeu Pelliciari, Leônidas da Silva. Perácio e Carrero

Autor: Michel Laurence Tags:

quinta-feira, 8 de setembro de 2011 Comentário | 13:46

Afinal, qual é o melhor time do campeonato?

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A gente está sempre dizendo que o Campeonato Brasileiro é o mais difícil do mundo. Este ano não há como brincar com essa afirmação.

Não existe no mundo um campeonato em que 8 clubes – eu disse oito clubes e poderia ter dito 10 – ao final do primeiro turno estejam em condições de lutar pelo título.

Na França a cada ano muda muito, mas nunca são mais do que 3 ou 4 clubes; na Itália a mesma coisa e são sempre os mesmos – Juventus, Milan, Internazionale e mais que pode ser a Roma, a Lazio, ou uma zebra qualquer – na Espanha atualmente só existem dois eternos candidatos: o Real e o Barcelona; na Argentina era o Boca e o River, agora é só o Boca, e por aí vai.

Então, me responda: quem é o melhor time do Campeonato Brasileiro entre os 8 primeiros colocados, que são: São Paulo, Botafogo, Corinthians, Vasco, Flamengo, Fluminense, Palmeiras e Internacional. Apenas 9 pontos separam o primeiro colocado do oitavo e ainda faltam 17 rodadas.

Alguém me soprou aqui ao meu lado:

- O Palmeiras está fora, até o Felipão desistiu.

Outro também palpitou:

- Você está esquecendo o Santos, o Peixe vai chegar. Tem o Muricy, o Muricy não pode ser deixado de fora!

Isso é otimismo demais. O Santos está em décimo terceiro a 15 pontos do líder, que hoje é o São Pauo, mas que amanhã pode ser o Corinthians, que enfrenta o Flamengo hoje a noite. Mesmo que o Flamengo vença – ele que já foi o maior candidato ao título – não vai ameaçar o São Paulo.

E aí, alguém tem bola de cristal e arrisca um palpite?

Eu vou arriscar, na minha opinião… não sei! Tem Botafogo, Vasco, São Paulo… e o Corinthians de Tite e de toda a legião fiel correndo por fora.

Mas isso não é palpite, é jogar com 50% das possibilidades. 4 times em 8. Quero ver apontar apenas UM.

Autor: Michel Laurence Tags:

terça-feira, 6 de setembro de 2011 Notícias | 23:51

Mano Menezes está certo!

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Você vai me desculpar, mas o “Causo” de hoje ficou para amanhã, em função do amistoso da seleção.

Acho que o Mano Menezes sabe o que está fazendo.

Não é em função da vitória sobre Gana, claro.

Vou explicar!

Primeiro: algumas pessoas ficam falando como se estivessem duvidando das qualidades do técnico da seleção.

Parece que essas pessoas esquecem que o Mano vem de um aprendizado em “curso intensivo” no duro futebol do interior do Rio Grande do Sul. Foi campeão gaúcho com o Venâncio Aires em 2002. A seguir, em 2005, foi campeão da segundona com o Grêmio, E ainda no Grêmio foi campeão gaúcho em 2006. Em 2007 levou o Grêmio ao bicampeonato gaúcho e a final da Taça Libertadores. Logo depois foi contratado pelo Corinthians onde montou um dos melhores times do clube do Parque São Jorge nos últimos anos. Foi campeão paulista. Venderam meio time e ele montou outra equipe. E aí deixou o Corinthians para dirigir a seleção.

Não é um currículo de se jogar fora.

Segundo: ele está montando dois times. a seleção principal para a Copa do Mundo de 2014 (meu Deus, como ele me pareceu estar perto) e outra para os Jogos Olímpicos de Londres, o ano que vem.

Os resultados não tem sido brilhantes.

Nem poderiam ser.

Mudou tudo, não é mais como era.

Os melhores jogadores vão embora. Os que voltam depois de anos lá fora, chegam com problemas físicos. Vide Ronaldo Fenômeno, Luis Fabiano, Renato que só agora está começando a servir ao Botafogo; Adriano, que está parado em função de um tendão rompido; etc. Isso sem falar no Paulo Henrique Ganso, que desde o início era tido como a peça fundamental para a reforma total na seleção que era exigida pelas mesmas pessoas que agora reclamam, e que infelizmente vem sendo perseguido por sérias contusões uma atrás da outra.

Os adversários subiram e a seleção baixou de qualidade em função de todos esses problemas, inclusive o da renovação.

Mesmo assim o Mano Menezes vem procurando soluções, que é o papel dele.

Aos poucos vão surgindo jogadores que estavam “esquecidos”, tipo Fernandinho, que ontem deu o excelente passe para o belo gol de Leandro Damião

Mas aí vem a crítica: “por que tirou se o cara estava jogando bem?”.

Porque Mano Menezes precisa com urgência ver os jogadores, todos se for possível, e amistosos como esse contra Gana não são feitos na cabeça do treinador, “apenas” para se conseguir uma vitória tranquilizadora. Mas também para “ver” se outro jogador pode ser encaixado nos planos para a Copa.

Ontem Ronaldinho Gaúcho, que muitos, mas muitos mesmo, acreditavam acabado para o futebol, sem jogar nenhuma maravilha, tranquilizou a seleção nos momentos em que era preciso. A bola ficou mais tempo em poder da seleção e as substituições não devem ser analisadas só pelo ângulo se ser melhor ou pior naquela altura do amistoso. Elas têm que ser vistas como testes necessários para se saber se realmente os jogadores chamados tem condições de servir a seleção.

E para que isso seja verdadeiro não basta ver esses jogadores defendendo seus clubes, é preciso vê-los em jogos vestindo a “amarelinha” como Zagalo, tanto gosta de dizer.

Vamos dar tempo ao tempo.

Mano Menezes podem ter certeza, não é um “aventureiro”.

Aprendi isso jantando duas vezes com ele e vendo a maneira como aceitava críticas e elogios sem ao menos mudar o olhar.

Autor: Michel Laurence Tags: ,

quinta-feira, 1 de setembro de 2011 Notícias | 19:34

Os goleadores (não confundir com gladiadores)!

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Vou confessar uma coisa: quando o Mano Menezes chamou o Leandro Damião para a seleção pela primeira vez, imediatamente pensei: coisa de gaúchos!

Não, por favor, não pense que sou contra os gaúchos. Minha mãe nasceu em Porto Alegre. Tenho amigos maravilhosos no Rio Grande do Sul, entre os quais dois que venero até hoje: Divino Fonseca e Ruy Carlos Ostermann. O primeiro foi um dos maiores jornalistas que conheci no tempo da revista Placar; o Ostermann acho que tive a honra de ter sido o primeiro a gravar com ele um comentário para a televisão, a Globo ma época, sabe onde? Na Piazza del Duomo, em Milão, durante um giro da seleção brasileira pela Europa.

Ontem a noite vi boa parte do jogo do Inter contra o Santos. Vi Damião jogar. O Paulo Roberto Falcão disse:

- O Damião é bom, é craque!

Duvidei de um dos meus ídolos. Mas ontem, eu vi, e fiquei sabendo mais uma vez que a gente não pode duvidar de quem conhece, de quem já jogou e muito.

O Damião fez um gol de cabeça na força, derrubando Pará com um simples encontrão.

Vi ele conduzir a bola como é recomendado a ser feito a todo grande camisa 9, sempre com o pé contrário ao zagueiro. Vi ele chutar tanto de direita quanto de esquerda. Vi ele girar em cima do zagueiro para o lado contrário de onde vinha a marcação. Só não fez mais porque a sorte não quis.

Mas ele me deixou a impressão de ser igual a Vavá, César Maluco, Serginho Chulapa, esses caras que “só” sabiam fazer gols.

 

Já o Borges principal autor do milagre “de 3 gols em 11 minutos” é um cara supreendente.

Fica pouco nos lugares onde “marca território” feito um felino raivoso.

Foi artilheiro no Paraná, em 2005; foi ser artilheiro do Vegalta Sendai, do Japão, em 2006; em 2007-2008-2009 foi artilheiro do São Paulo com seus saltos mortais arrepiantes após cada gol; 2010 esteve no Grêmio; e em 2011 foi contratado pelo Santos, onde claro já o goleador do Campeonato Brasileiro.

Borges não tem a força do Damião, mas tem a habilidade que o gaúcho ainda não mostrou.

Depois de ontem passei a ser um defensor de Damião na seleção.

Talvez venha reivindicar a convocação de Borges.

Acho que seria justo.

Assim como Ronaldinho Gaúcho vem provando ser mais do que justa sua convocação.

 

Só quero saber como o Mano vai fazer para colocar Ronaldinho e Neymar no mesmo time.

Ronaldinho joga exatamente na mesma faixa de campo, pela esquerda, onde joga Neymar.

Será que segunda-feira, contra Gana, em Londres, Neymar vai ficar no banco? Ou será que Mano vai deslocar Neymar para direita e “atrapalhar” um pouco as infiltradas de Maicon ou Daniel Alves?

Mas não posso deixar de falar do Botafogo. Que campanha! O Caio está conquistando seu lugar entre os técnicos brasileiros.

E isso com apenas – pelo menos neste momento – um jogador de alto nível: o goleiro Jefferson, que ocupa justamente uma posição crucial para um time ir bem numa competição.

Mas acho que o destino está mancomunado com o Vasco da Gama.

São Januário; reviver o Expresso da Vitória, um técnico herói, jogadores a procura de um final feliz como nos filmes americanos… não sei, mas me parece que o Vasco está em primeiro lugar na Roda da Fortuna.

Autor: Michel Laurence Tags: , , , ,

terça-feira, 30 de agosto de 2011 Causos do Futebol | 14:01

Causos do Futebol – LIÇÕES DA VIDA!

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Um dos maiores jornalistas que conheci em minha vida foi Oldemário Touginhó, durante muitos anos Editor Chefe da Seção de Esportes do Jornal do Brasil e correspondente do Jornal da Tarde, no Rio de Janeiro.

Oldemário talvez tenha sido o maior amigo de Pelé de todos os tempos, foi padrinho de batismo dos filhos do Rei, e mais importante de tudo – uma risada contida – foi ele e José Trajano que me indicaram para Tim Teixeira, Editor Chefe da Edição de Esportes do Jornal da Tarde, que tinha ido ao Rio contratar um repórter.

Sabia de tudo em primeira mão, foi ele quem deu o furo do “casamento de Pelé com Rose Cholbi” que foi manchete do Jornal da Tarde no dia de seu lançamento.

Oldemário Touguinhó era incrivel. Fechava o jornal todas as noites e depois saia para a boemia.

Mais inacreditável: nunca tomou uma gota de alcool. Não fumava. Ria muito e alto, e tinha sempre uma história saborosa para contar.

Não posso dizer que aprendi muito com ele porque não cheguei a trabalhar a seu lado, mas o admirava muito.

Numa noite dessas em que fiquei para o “fechamento” do jornal (fechar o jornal é dar todas as notícias possíveis até o jornal começar a ser imprimido) passou um homem por nós:

- E aí, “seu” Oldemário, tudo bem?

- Tudo e essa perna esquerda?

- Já esteve melhor – e sorriu continuando seu caminho.

Oldemário deixou o homem se afastar e me perguntou:

- Você sabe quem é ele?

- Não, não sei!

- Ele foi um dos maiores pontas-esquerdas do futebol brasileiro.

- É mesmo? Quem foi?

Oldemário me deu o nome – que vou omitir aqui em respeito a família do ex-jogador.

- Sabe, quando ele era jogador certa vez pedi uma entrevista a ele – contou Oldemário.

- Aos berros ele me respondeu que não daria entrevista coisíssima nenhuma! Fiquei chateado, acho que foi a única vez que um jogador me negou uma entrevista. Aínda mais aos berros, desse jeito. Uns jogadores me disseram: não liga, não, ele deve estar com algum problema.

Oldemário continuou:

- Muitos anos depois, eu estava passando aqui pela Rio Branco, quando um cara se aproximou de mim e disse: seu Oldemário, o senhor se lembra de mim?

Eu vi que Oldemário não tinha gosto em contar a história:

- Respondi que sim. E ele: será que o senhor não teria um emprego pra mim, minha família está passando fome, será que o senhor não teria um trabalho pra mim?

Oldemário contou que imediatamente foi com o homem até o Departamento de Pessoal do jornal – naqueles tempos tudo era muito mais fácil – e pediu que dessem um emprego para o pobre homem. Foi empregado como empacotador de jornal.

- Ele, o homem, o ex-ponta-esquerda, é esse senhor que passou por nós.

E é por causa de histórias como essa que acho uma bobagem pessoas reclamarem do salário de alguns jogadores.

Quando a carreira acaba restam muitos anos para viver.

E é bom lembrar que quem ganha salários astronômicos é uma minoria, a grande/imensa maioria ganha muito pouco, quando ganha e quando consegue receber.

Ou será que ninguém aí tem uma história sobre um ex-jogador de bola que morreu pobre, ou que pede esmolas pelas ruas de alguma cidade, ou que seja “eternamente” agradecido por terem lhe arrumado um trebalho onde ganha cerca de 500 reais por mês?

Autor: Michel Laurence Tags:

segunda-feira, 29 de agosto de 2011 Notícias | 18:12

O drible da vaca!

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O nome ninguém sabe explicar.

Ou pelo menos até hoje não apareceu ninguém com uma explicação lógica!

O drible é tão bonito e tão eficaz que a gente não se lembra de questionar o nome.

A beleza está na simplicidade do drible.

Bola de um lado, autor do drible do outro.

Geralmente a bola passa pelo lado “podre” do marcador e o autor do drible pelo outro lado.

Aí, é só encontrar a bola do outro lado e partir para o gol só tendo o goleiro pela frente.

Só tem uma solução para o zagueiro: agarrar o adversário.

Se fizer isso pode impedir o gol de acontecer.

Mas também pode ser expulso.

Isso tudo não importa.

Importa a inteligência do lance.

Tão inesperado que pode ser repetido, como aconteceu domingo, no gol do São Paulo contra o Santos.

Lucas repetiu o lance depois do gol.

E passou de novo.

Só não foi gol de novo, porque nessa segunda vez a bola correu mais do que devia e permitiu que Rafael saísse do gol a tempo.

Me lembro de que nos meus tempos de “pelada” quando alguém levava o “drible da vaca” era ridicularizado pelo menos durante dois ou três dias.

Só dá certo quando você sabe se o marcador que surge pela frente é destro ou canhoto. Edu Dracena é destro. A bola passou pela perna esquerda. Lucas pelo lado direito.

Na segunda vez foi a mesma coisa.

Me lembrei do Pelé certa vez perguntando: “e o cara é canhoto?”.

Perguntei: “Por que?”.

E ele: “Vou passar a bola sempre no pé direito dele!”.

Fora isso só a bomba de Paulo Henrique Ganso – que está voltando e pedindo para “por mais água no feijão!” – O gol de Fernandão, do Palmeiras, matando no peito e batendo de voleio e o frango do Renan Ribeiro, do Atlético Mineiro, que deu a vitória ao Cruzeiro. Acho que por essa vez passa, mas garanto que se acontecer uma segunda “vão mostrar a porta da rua pra ele”!

Autor: Michel Laurence Tags: , , , , , ,

quinta-feira, 25 de agosto de 2011 Notícias | 19:20

Neymar deixou de ser réu!

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Réu confesso ou inocente!

Réu, apenas réu, por jogar bonito.

Por conviver com um feitiço.

Por agradar a bola tanto quanto as meninas.

Por ter marra, sem ser marrento.

Por misturar ser garoto com ser pai.

Como se isso fizesse parte normal de uma vida planejada, assim mesmo.

Como se ele não duvidasse e não deixasse dúvida.

Como um chapéu que vai e que vem.

Diante de um argentino atônito.

Incapaz de uma reação.

Ou capaz de aceitar com nobreza e admiração a arte de um jogador fora do normal.

Eu ia falar de coisas admiráveis como Ricardo Gomes, que sai de uma frustração no São Paulo, para realizar um milagre no Vasco da Gama.

 

Do gol de Dagoberto, que é capaz das maiores “molecagens” a procura do reconhecimento para seu futebol.

Aí aparece Neymar com o padrinho Ganso – que está voltando – e com o filho Davi Luca (nome mais bíblico do que esse sé se fosse Jesus), e traz pra cá, depois volta pra lá.

O que me importa que a FIFA ache os botinudos do futebol uruguaio mais bonitos do que o refinado futebol gingado de um país cinco vezes campeão, e que só perde “sambando com a bola nos pés”, quando a fada madrasta enche os campos de homens de preto, armando armadilhas e quebrando o destino.

 

Acho que o Santos ou a CBF deveria convidar a FIFA para ver Neymar jogando ao lado de Messi, permitindo a Maradona dar um peteleco de canhota, deixando Pelé mais uma vez socar o ar,

Aí, a bola sozinha, como se guiada pelas mãos de um deus imaginário, viria daqui pra lá e de lá pra cá.  

E foi assim que Neymar deixou de ser réu e passou a ser herói.

Autor: Michel Laurence Tags:

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