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sexta-feira, 7 de dezembro de 2007 Sem categoria | 14:16

Hoje como se fosse ontem 2

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Você que leu a história da primeira capa da Revista Placar deve ter percebido que Pelé não apareceu segurando a Jules Rimet como Bellini e Mauro o fizeram em 58 e 62, com a taça acima da cabeça.

Gesto alias copiado por todos os demais vencedores das Copas do Mundo.

Na primeira tentativa no Retiro dos Padres as fotos não saíram boas; as feitas no Chile foram simplesmente lamentáveis.

Na terceira tentativa chegamos eu e o fotógrafo Sebastião Marinho novamente na concentração da seleção e novamente tentei convencer o Pelé a posar com a taça erguida como Bellini e Mauro Ramos de Oliveira tinham feito.

Pelé sacudiu a cabeça, olhou sério e disse:

— Olha, esse negócio não está dando certo. Acho até que está dando um certo azar. Não vou mais levantar a droga dessa taça.

Entrei em pânico:

— Pô, Negão, e aí? Vou ficar mal pra burro! O pessoal está esperando essa foto para fechar a capa da revista!

— Eu poso com a taça, Michel, mas segurando ela aqui!

E Pelé fez a pose com a taça na altura do coração. Marinho mandou ver, Pelé sorriu e as fotos saíram lindas.

Era sábio ou supersticioso ao extremo o maior jogador de futebol de todos os tempos?

Autor: Michel Laurence Tags:

Sem categoria | 14:15

Frases “quase” eternas 2

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“Pelas barbas do profeta” (o incomparável Sílvio Luis num momento
bíblico)

“Marcelinho Pé de Anjo” (Luís Alfredo dando asas a sua verve
poética)

“Pimba na gorduchinha” (Osmar Santos, o que foi copiado e nunca
igualado pelos novos narradores do rádio)

“Lá vai ele” (não me lembro se o “e” do “ele” referindo-se
a um certo camisa 10 do Santos, era pronunciado com
letra maiúscula pelo fantástico Mário Morais)

Autor: Michel Laurence Tags:

Sem categoria | 14:15

Um Romário “quase” perfeito

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Eu não seria capaz de explicar, apenas tenho uma leve suspeita do que pode ter acontecido.

Até ontem Romário, a quem sempre dediquei uma boa dose de admiração não só pelo futebol esplêndido como também por me lembrar dos meus “parceiros” de futebol na minha longíncua juventude, era considerado um “bandido” pela maioria.

E essa maioria tinha uma certa razão. Afinal, as atitudes de Romário nem sempre podiam ser consideradas como as de um cavaleiro.

Mas de um tempinho para cá Romário tem sido digamos “prestigiado” pela alta cúpula da CBF. Compareceu de terno e gravata à cerimônia da FIFA indicando o Brasil como país-sede da Copa de 2014 e estava elegantérrimo na recente premiação dos melhores do ano, inclusive sendo homenageado pela conquista de seu milésimo gol. Uma homenagem justíssima diga-se de passagem.

Agora o que intriga e aí vai a minha leve suspeita, foi a
reação raivosa do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, quando
lhe perguntaram por que Pelé não estava presente na cerimônia
da sede da FIFA, em Zurique.

— Não sei onde está o Pelé — esbravejou Teixeira, cenho
franzido, pronto para uma suposta discussão de mesa de
botequim.

Por que será a raiva?

Será que Pelé não faria mais parte dos interesses da CBF? E Romário passaria a fazer?

Não sei, esse tipo de “jogo político” nunca fez parte de minha preferência em futebol.
Prefiro a bola rolando!


Romário agora ataca de terno e gravata (foto Gazeta Press)

Autor: Michel Laurence Tags:

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007 Sem categoria | 12:47

Valdir Joaquim de Moraes nelas!

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Eu não gosto!

Mas já que o futebol feminino pegou no breu vamos levar a sério. As moças fizeram bonito: campeãs pan-americanas e vice-campeãs mundiais. Então como elas mesmo reclamam, o futebol feminino no Brasil tem que ser levado a sério, organizado e como no masculino representar apossibilidade de uma tábua de salvamento para as menos favorecidas na vida.

A Marta joga muito, algumas outras levam um certo jeito, mas o que mais salta vista é a dificuldade das goleiras. Bola alta para elas é um drama. Para todas sem exceção, até para a excelente goleira da Alemanha. (Aliás como será que elas se dirigem ao trio de arbitragem? “Seu juiz” ou “Dona juíza”?)

Mas voltando às goleiras seria bom então, a CBF contratar um especialista como Valdir Joaquim de Moraes para ensinar e treinar as moças que vão vestir a camisa número 1 da seleção. Afinal foi a partir do Valdir e de seus ensinamentos que os goleiros brasileiros tão criticados em outros tempos e tão elogiados nos dias de hoje, passaram a ser exportados e hoje jogam nos maiores times da Europa.

Eu sou do tempo em que a gente babava de humilhação vendo os goleiros uruguaios e principalmente argentinos fechando o gol. É só uma lembrança. Seu Valdir pode ensinar segredos da profissão que só ele conhece.

Autor: Michel Laurence Tags:

Sem categoria | 12:46

Hoje como se fosse ontem

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Eu tinha acabado de ser contratado pela revista Placar. Início do ano de 1970. Na primeira reunião de pauta ficou decidido que a capa da revista número 1 seria Pelé erguendo a Taça Jules Rimet. Afinal, se a seleção, que tinha passado feito um furacão pelas eliminatórias — seis jogos, seis vitórias — fosse tri o Brasil ficaria com a posse definitiva do troféu.

Pela minha facilidade com Pelé ficou também decidido que eu faria a entrevista. Lá fui eu para o Retiro dos Padres, no Rio, onde a seleção, ainda sob comando de João Saldanha, estava concentrada. A entrevista deu certo, mas as fotografias não foram do agrado de Woyle Guimarães, editor-chefe da revista na época. As fotos de Pelé erguendo uma réplica da Jules Rimet não ficaram legais.

Só que logo a seguir a seleção foi dispensada e Pelé viajou com o Santos para Santiago do Chile, onde ia disputar um torneio internacional. Fui para Santiago, onde tinha que encontrar um fotógrafo chileno contratado pela revista. Pelé pacientemente posou com a réplica da Taça e eu fui encontrar com uma moça que facilitaria meu trabalho, inclusive com uma credencial para os jogos do Santos.

No fim do dia ela me explicou que uma família brasileira exilada no Chile (é preciso lembrar que em setenta o Brasil vivia a ditadura militar sob o “governo” do general Emílio Garrastazu Médici) me convidava para um jantar. Eu aceitei, mas é óbvio que estava muito mais preocupado com o trabalho para a revista do que com qualquer outra coisa. No fim do jantar, quando a gente já estava se despedindo, o chefe da família me perguntou se “eu podia levar uma bolsa para o filho dele em São Paulo”. Respondi que sim, desde que não fosse uma mala muito grande.

— Não, é uma maletinha de mão — explicou o homem.

Ficou combinado que ele deixaria a maleta na portaria do hotel.

Continuei meu trabalho, numa das sessões de fotos colocamos o Pelé sobre a marquise do hotel. Parou o trânsito, um engarrafamento monstro se formou nas ruas em volta do hotel. O Santos, à noite, foi campeão e eu no dia seguinte voltei para o Brasil carregando vários rolos de filmes e a maleta que o porteiro do hotel me entregou gentilmente.

Eu tinha que fazer baldeação em Montevidéu. A diferença de horário entre um vôo e outro era de duas horas. Fui para o bar do aeroporto de Carrasco onde se formava um pequeno tumulto. Muitos jovens gritavam loucamente, principalmente as mocinhas, pedindo autógrafos.

Passei de lado pela confusão, peguei uma mesa e pedi uma cerveja. A uruguaia é boa! O tumulto foi se acalmando e quando olhei para o lado achei o cara muito parecido com o rei Roberto Carlos. Aliás, ele se levantou veio até minha mesa e pediu uma caneta emprestada. Aí, quando ele falou “bicho” tive certeza que era o ROBERTO CARLOS em pessoa.

Começamos a conversar, embarcamos conversando e o RC7 se juntou a nós dentro do avião. Roberto Carlos queria saber tudo a respeito da minha profissão. Imagine! Eu sentado ao lado de Roberto Carlos e ele querendo saber da minha vida.

De repente o comandante do avião anunciou pelo alto-falante que estávamos entrando em território brasileiro e que íamos descer em Porto Alegre para fazer alfândega. Gelei! A maleta! O que será que tinha dentro da maldita maleta? Já me imaginei sendo preso, ninguém acreditando na minha história, principalmente pela minha ingenuidade.

Descemos do avião, chegamos na alfândega e eu me imaginava com a maior cara de terrorista, o medo estampado no rosto. Eu já estava pensando em largar a maleta como se não estivesse comigo. Aí, veio o chefe da alfândega que gritou:

— Ei, Roberto, quanta honra! Quais são suas malas?

Roberto Carlos apontou toda a sua imensa bagagem, se virou pra mim e perguntou:

— Bicho, quais são as suas?

Apontei e o chefe, com um giz, fez um xis em todas as malas.
Até hoje não sei o que tinha na maleta.

Só sei que o filho — se realmente era o filho — do homem veio buscar a maleta as “três horas da madrugada”!

Obrigado, Roberto, 37 anos depois, muito obrigado, Roberto!

Autor: Michel Laurence Tags:

Sem categoria | 12:45

Frases “quase” eternas

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“O cara fez uma lambança”
José Trajano lembrando de seus tempos de criança no Rio de Janeiro e sendo copiado pelo Brasil inteiro

“Ribeirão Preto e… branco”
Juca Kfouri nos tempos em que o Corinthians arrancava brados eufóricos de sua torcida

“Os caras estão começando a gostar do jogo”
Mário Sérgio Pontes de Paiva se queixando que se tivesse registrado a frase em cartório estaria milionário

“A gente só sabe se um jogador é realmente craque quando ele joga pelo time que a gente torce”
Cleber Machado num momento de reflexão

Autor: Michel Laurence Tags:

Sem categoria | 12:44

Um futebol “quase” rico

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Podem acreditar:

vi Osvaldo de Oliveira vibrando feito um louco com um gol de seu time lá no Japão; vi um gol lindíssimo — o de Rodrigão — completamente impedido, talvez cego pela beleza do lance, ser validado pelo árbitro Vagner Tardelli e outro do mesmo Palmeiras legalíssimo ser anulado pelo bandeirinha por impedimento; ouvi alguém dizer que Flamengo tinha exercido seu direito ao conseguir fazer o Tribunal de Justiça Desportiva voltar atrás e liberar o Maracanã para sua torcida no jogo contra o Atlético Paranaense. Esquisito, não é?

Vi o Ronaldo Fenômeno jogando bola. Fazia tempo. Também já parou, machucado… de novo.

Vi mais um estádio cair e causar a morte de simples torcedores. Rapidamente assim de cabeça lembro da Vila Belmiro caindo nos tempos de Pelé; do Morumbi nos tempos das vacas magras; do Maracanã nos tempos de lotar as arquibancadas; de São Januário já nos tempos quase eternos de Eurico Miranda e vários outros.

Mas o da Fonte Nova, foi demais. Abriu-se uma cratera na arquibancada. Imagine, o cimento cedeu sob os pés dos pobres espectadores. Pelo buraco caíram sete torcedores que morreram no local. Aí vem a SINAENCO — o Sindicato de Arquitetos e Engenheiros da Bahia — e diz que avisou em relatório depois de uma vistoria, que o estádio não tinha a menor condição. Pronto, a SINAENCO fez o seu papel. Avisou, se foram tomadas as providências é com outro departamento. Aí vem o governador do estado e numa declaração bombástica, daquelas de deixar todo mundo perplexo, sem tempo para raciocinar, que vai implodir a Fonte Nova.

Que loucura, que País é esse?

Autor: Michel Laurence Tags:

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