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sábado, 31 de maio de 2008 Sem categoria | 19:06

GARRINCHA VIVE!

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Quando começa a discussão se driblar é deboche ou não, sempre surge o nome de Garrincha.
– Garrincha driblava o mesmo marcador quinhentas vezes.
Só que “seo” Mané nunca debochou de ninguém.
Ele podia esperar o goleiro se levantar depois de o ter driblado e driblar o pobre coitado de novo, mas nunca fez isso com a intenção de diminuir ninguém.
Pelé garantiu que Garrincha era imarcável.
– Ninguém conseguia tirar a bola dele. Nós, quando a gente estava na seleção, tentávamos barrar seu drible de arranque, nunca, nem eu nem ninguém conseguiu. Se ele conseguisse fazer a bola passar, aí… adeus.
O meu amigo Kiko mandou uma crônica da época em que a seleção derrotou a Fiorentina, em Firenza, por 4 a 0, pouco antes da Copa de 58. Foi nesse jogo que Garrincha driblou meia dúzia de italianos, driblou o goleiro, parou a bola em cima da linha do gol e esperou que o goleiro se levantasse para driblá-lo novamente.
Leiam e fiquem sabendo que ninguém deu uma porrada em Garrincha por achar que ele estava debochando. Se nenhum italiano deu, é porque nenhum achou que “seo” Mané estava debochando.

Há 50 anos

Mazola acaba com a Fiorentina
O atacante Mazola foi o maior destaque da seleção brasileira, que goleou a Fiorentina por 4 a 0 no estádio Comunale, em Florença. O avante palmeirense marcou dois gols e comandou o time do técnico Vicente Feola na fácil vitória.
A partida, que inaugurou o sistema de iluminação do campo florentino, marcou ainda a despedida do atacante brasileiro Julinho Botelho da equipe italiana, vice-campeã nacional na temporada 57/58. Julinho volta amanhã mesmo ao Brasil.
O avançado, por sinal, foi muito bem marcado por Nílton Santos, que praticamente anulou suas ações no amistoso.
Personagem central do enfrentamento, Mazola foi ovacionado de pé pelos mais de 62 mil torcedores que viam o prélio quando foi substituído, já na etapa final, por Moacir.
Seus gols foram anotados ainda no primeiro tempo. Aos 14min, recebeu esplêndido passe de Didi e fuzilou o goleiro Sarti. Nove minutos depois, após rebote, Mazola se livrou de dois rivais e, batendo na bola com categoria, fez outro gol.
A goleada teve outro momento de futebol-arte com Garrincha, que anotou o quarto tento, aos 30min do período derradeiro, após driblar três adversários e o goleiro.
Pepe, com sua especialidade (um canhão de pé esquerdo), tinha feito o terceiro gol aos 36min da etapa inicial.
O domínio do escrete foi tão amplo que os próprios simpatizantes da Fiorentina passaram a aplaudir e torcer pelos nossos. Há 50 anos

Mazola acaba com a Fiorentina
O atacante Mazola foi o maior destaque da seleção brasileira, que goleou a Fiorentina por 4 a 0 no estádio Comunale, em Florença. O avante palmeirense marcou dois gols e comandou o time do técnico Vicente Feola na fácil vitória.
A partida, que inaugurou o sistema de iluminação do campo florentino, marcou ainda a despedida do atacante brasileiro Julinho Botelho da equipe italiana, vice-campeã nacional na temporada 57/58. Julinho volta amanhã mesmo ao Brasil.
O avançado, por sinal, foi muito bem marcado por Nílton Santos, que praticamente anulou suas ações no amistoso.
Personagem central do enfrentamento, Mazola foi ovacionado de pé pelos mais de 62 mil torcedores que viam o prélio quando foi substituído, já na etapa final, por Moacir.
Seus gols foram anotados ainda no primeiro tempo. Aos 14min, recebeu esplêndido passe de Didi e fuzilou o goleiro Sarti. Nove minutos depois, após rebote, Mazola se livrou de dois rivais e, batendo na bola com categoria, fez outro gol.
A goleada teve outro momento de futebol-arte com Garrincha, que anotou o quarto tento, aos 30min do período derradeiro, após driblar três adversários e o goleiro.
Pepe, com sua especialidade (um canhão de pé esquerdo), tinha feito o terceiro gol aos 36min da etapa inicial.
O domínio do escrete foi tão amplo que os próprios simpatizantes da Fiorentina passaram a aplaudir e torcer pelos nossos.

Autor: Michel Laurence Tags:

sexta-feira, 30 de maio de 2008 Sem categoria | 20:46

DUNGA COMEÇOU A CAIR!

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Ao começar hoje uma guerra surda com Kaká, o técnico da Seleção Brasileira iniciou sua caminhada para o fim de seu reinado.
Se a gente se recordar direitinho, essa é a segunda vez que o atacante, eleito o melhor do mundo, dá um jeito de recusar sua mais que provável convocação. Mais do que isso, Kaká se colocou a favor do Milan na questão de servir à seleção olímpica.
A cirurgia feita semana passada poderia (ou não?) ser adiada para outra época? Poderia passar para depois das Olimpíadas?
Até agora, Kaká não tinha dado mostras de que a contusão no joelho o estava impedindo de jogar. Ao contrário, defendeu o Milan com o ardor, a coragem e o talento de sempre.
Não sei, mas, pelo discurso de hoje, parece que se abriu um imenso abismo entre ele e Dunga. O técnico está mais do que aborrecido, parece profundamente magoado. Veja só:
– No futebol, nada é surpresa. Ele passou por uma cirurgia e não pode se expor. Sobre a Olimpíada, quem paga o salário dele é o Milan, que usou a legislação da FIFA para não liberar o atleta. Nos temos que aceitar isso.
Tudo muito sensato, mas infinitamente impessoal.
Acho que, depois do caso Ronaldinho Gaúcho, o técnico partir para um rompimento com Kaká pode, além de tornar a seleção brasileira bem mais fraca, deixar seu cargo bem ameaçado se o time desandar a dar vexames.

Autor: Michel Laurence Tags:

Sem categoria | 20:41

DESCULPEM O ATRASO!

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Não escrevi ontem e hoje estou atrasado, tudo porque tive uma agradável tarefa: ajudar a entrevistar Pelé.
O maior jogador do mundo em todos os tempos está afiadíssimo, a ponto de falar palavrões durante a entrevista dada ao repórter Helvídio Mattos, que irá ao ar na ESPN Brasil em comemoração aos 50 anos da conquista da Copa de 58, na Suécia, quando o Rei tinha apenas 17 anos.
Não sou cronista social – isso me faz lembrar do grande Ibrahim Sued e do maravilhoso Jacintho de Thormes -, mas prometo que conto tudo amanhã.

Autor: Michel Laurence Tags:

quarta-feira, 28 de maio de 2008 Sem categoria | 15:01

Técnicos na berlinda!

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Renato Gaúcho – dando uma de Hamlet: “Marcar ou não marcar individualmente o Riquelme?”.

António Lopes – ter ou não um sistema armado para anular e virar o jogo contra o Sport!

Nelsinho Batista – fingir ter esquecido que seu Sport venceu o jogo de ida, por 2 a 0 e esperar que o time do Vasco cometa algum erro em São Januário.

Cuca – humildade + humildade + humildade = a vencer pelo menos uma vez de vez em quando.

Mano Menezes – acreditar piamente que os quatro ou cinco desfalques não vão fazer falta hoje a noite, porque o Morumbi será tomado por 80 mil fanáticos corinthianos.

Não é fácil responder as perguntas nesses momentos de decisão.

Renato Gaúcho sabe que tem que anular o Riquelme e até já escalou o Maurício para essa ingrata missão. Mas Renato sabe também que o Maurício vai sumir do jogo e que devido a “pegada” dele pode até ser expulso, ainda mais o jogo sendo em Buenos Aires.

O António Lopes teria bolado um esquema para anular o Sport, em São Januário, onde tem que descontar os dois gols que os pernambucanos tem de vantagem. Acho que ele está com meio caminho andado: ele conseguiu convencer seus jogadores que com o tal esquema, o Vasco vai ganhar o jogo e descontar a diferença.

Nelsinho sabe que essa é a oportunidade de provar o quanto a direção do Corinthians esteve errada em dispensá-lo em sua recente passagem pelo Parque São Jorge, e o mais importante: levar o Sport ao feito colossal de disputar uma final de Copa do Brasil.

Cuca também disfarça mas tenta acabar com o tabu e a crença quase generalizada de que o Botafogo joga bem, joga bem… masd na hora da decisão a vaca vai para o brejo.

E Mano Menezes busca sua afirmação como técnico “top” (essa definição está na moda) e com isso levar o Corinthians a uma recuperação total.

Boa sorte a todos, que todos vençam até…. perdendo.

Autor: Michel Laurence Tags:

terça-feira, 27 de maio de 2008 Sem categoria | 15:46

Leão disse “chega!”

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Desde o início do ano o presidente do Santos, Marcelo Teixeira, avisou que não tinha condições financeiras para montar um bom time e disputar um Paulistão e uma Libertadores com condições de ser campeão.

Foi por isso que, depois de uma longa conversa, Vanderlei Luxemburgo teria deixado a direção técnica do Peixe.

Emerson Leão assumiu na esperança de receber alguns reforços ou, como fez em 2002, descobrir alguns garotos bons de bola nas divisões de base.

Nem uma coisa, nem outra.

Até que, com a pobreza que tinha nas mãos, fez um trabalho louvável. No Paulistão, chegou quase a ponto de ficar com uma das quatro vagas para a disputa do título, e, na Libertadores, quase classificou o time para as semifinais, não fosse um gol mal anulado no jogo contra o América, no jogo de ida, na cidade do México.

Só que agora Leão parece ter percebido que o Santos vai voltar aos tempos em que não disputava nada depois da “Era Pelé”. E… jogou o boné.

Foi embora. Acho que, com toda sinceridade, para alegria de Marcelo Teixeira.

O Santos e a cidade de Santos não merecem.

Autor: Michel Laurence Tags:

Sem categoria | 15:45

A História de um Técnico – Parte Final

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Tive um grande amigo durante minha carreira no jornalismo – e muitos outros, graças a Deus – mas esse que estou falando foi Hedyl Valle Jr., um dos maiores jornalistas que conheci. A amizade começou na Edição de Esportes de O Estado de São Paulo, em 67, depois fomos juntos para inaugurar o Placar, onde cobrimos – com José Maria de Aquino, Tim Teixeira, Sílvio Lancellotti, Lemyr Martins, e Sebastião Marinho – a Copa do Mundo de 70, onde o Brasil conquistou seu terceiro título.

Mas foi quando a gente ainda estava na Edição de Esportes que travamos um conhecimento maior com João Avellino. Era a final da segunda divisão do futebol paulista acho que em 68: Bragantino e Votuporanguense. Avellino era o técnico da Votuporanga e Hedyl estava encarregado da cobertura.

No primeiro jogo da final, disputado no Pacaembu, o Bragantino vencia, 2 a 1, no primeiro tempo. Desci com o Hedyl para o vestiário da Votuporanguense para ver o que o João Avellino ia arrumar.

Entramos no vestiário justamente na hora em que Avellino fazia sua preleção:

- Liminha (que logo depois foi jogador do Flamengo por muito tempo) gruda no número 10. Não deixa ele jogar. Cardosinho (que também foi para o Flamengo com Liminha) vai mais, temos que dar uma força no ataque…

Hedyl e eu sentamos na mesa de massagens e ficamos ouvindo o técnico. Ao lado do Hedyl uma meia laranja estava dando sopa, que ele pegou imediatamente e começou a chupar.

Notei que ficou um certo suspense no vestiário, não por parte de Avellino que continuava a dar suas instruções, mas principalmente por alguns jogadores que estavam visivelmente nervosos. Os massagistas e o roupeiro também olhavam na nossa direção espantados.

Eu achei que tudo era devido a nossa presença no vestiário – o que mesmo naquela época não era muito comum – e o Hedyl concentrado em chupar sua metade de laranja não reparou em nada.

Quando o time pegou o corredor para voltar para o segundo tempo, alguns jogadores passaram pela gente mal disfarçando um sorriso. Eu estranhei um pouco e o Hedyl nem notou.

Subimos para a tribuna da imprensa e o Hedyl começou a falar pelos cotovelos, logo ele que geralmente era caladão, reservado:

- Michel, você não achou que o Avellino errou naquela instrução…

- Michel, olha, a defesa da Votuporanga…

- Michel, o tal do Liminha joga pra burro…

Cumprimentava gente que ele já tinha cumprimentado, quase entrou na narração de Fiory Giugliotti, pedia Guaraná em voz alta, enfim parecia tomado, a ponto de eu dizer:

- Hedyl, cuidado, você ta estranho…

- Que nada, tô ótimo, o jogo tá é boooommm…

A Votuporanga virou e saímos do Pacaembu com uma matéria bem melhor do que a que Hedyl tinha planejado. Só que dentro do carro do jornal, uma Kombi do velho Lula, toda furada no piso, Hedyl continuou falando sem parar.

Fui para casa.

No dia seguinte encontrei um Hedyl abatido.

- Michel, que laranja foi aquela? Não preguei o olho a noite inteira e pior, minha mulher, está uma arara comigo, achando que me droguei.

Nunca tivemos coragem de perguntar ao João Avellino se ele sabia que o doping estava nas laranjas.

Autor: Michel Laurence Tags:

segunda-feira, 26 de maio de 2008 Sem categoria | 18:09

Gás? Que gás?

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Você se lembra do gás no vestiário do São Paulo, no intervalo do jogo contra o Palmeiras, pelo Paulistão, lá em Ribeirão Preto? Os jogadores chorando, todos sentados pelos corredores que levam ao vestiário ou no meio de campo.

Pois é, saiu o laudo que diz, tchan, tchan, tchan, que pela quantidade que havia, o gás não poderia ter sido lançado de fora para dentro, isso porque seria necessário um botijão do tamanho de um extintor, que certamente não passaria pela fiscalização da polícia na entrada do estádio.

E agora?

Como a perícia vai continuar investigando, vamos aguardar os acontecimentos.

Autor: Michel Laurence Tags:

Sem categoria | 18:09

Pobres vencedores!

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Os que ganham estão pagando caro.

As primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro denunciam que os principais clubes do futebol brasileiro, os que venceram campeonatos estaduais, ou os que disputam ou disputaram a Libertadores e a Copa do Brasil, são ao que mais estão perdendo.

O Palmeiras, campeão paulista, ainda não se ajeitou e ainda por cima tem desentendimentos entre seus jogadores.

O Santos que chegou até as quartas-de-final da Libertadores, levou um tremendo chocolate do Cruzeiro, parece um bando perdido e desordenado.

O Fluminense, o único representando brasileiro nas semi-finais da Libertadores perde de todo mundo, inclusive do Sport, que muitos acham um time fraco.

O São Paulo que briga em todas as frentes, nunca mais foi o São Paulo de outros tempos e até empatou em pleno Morumbi, com a geralmente inofensiva Portuguesa de Desportos.

E até o Flamengo glória dos cariocas apaixonados e deslumbrados por estarem novamente com seus times figurando entre os principais do Brasil depois de um longo e tenebroso inverno, não tem feito o que vinha fazendo. Derrotou o Internacional, 2 a 1, e só não sofreu o empate porque Leonardo Moura salvou em cima da linha.

O Vasco está pobre e magro.

O Corinthians desarvorado e licenciado da Primeira, luta desesperadamente em sem brilho nenhum na Segunda Divisão.

Finalmente, o Botafogo é mais inconstante do que dinheiro no bolso da chamada classe média. Tem época em que está tudo bem e em outras até o Cuca perde o rumo.

Enfim, acho que era hora da CBF ajeitar mais uma vez o calendário do futebol brasileiro, talvez passando a Copa do Brasil para depois e a Sul-americana durante os campeonatos regionais, é apenas um palpite.

Se não, o Boca vai continuar fazendo a festa a cada ano.

Autor: Michel Laurence Tags:

Sem categoria | 16:48

A História de um Técnico – Parte II

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Joao Avellino era baixinho, moreno, andava sempre com um chapeuzinho de aba curta e se vestia com distinção. Falava bonito, sabia escolher as palavras para impressionar as pessoas, e sempre tinha um dito jocoso que geralmente provocava gargalhadas.
Entre as muitas andanças de João Avellino certa vez ele foi contratado para dirigir o Remo, de Belém, do Pará.
Chegando lá e já no seu primeiro dia como treinador oficial, ele sentou nas arquibancadas do estádio do Remo (lá os principais clubes da cidade vivem em guerra e naquela época tanto o Remo quanto o Paysandu tinham seus estádios, pequenos, mas deles) e ficou observando o time treinar.
De cara viu que o goleiro Rogerinho (nome fictício) era bom, mas muito baixinho. Bola rasteira ou a meia altura era dele, mas pelo alto era a maior complicação. Notou também que o campo tinha uma qualidade: um gramado maravilhoso.
No dia seguinte João Avallino – que tinha o apelido de 71, até hoje não se sabe bem por que. Uns afirmavam que era seu número quando passou uma temporada preso. Outros garantem que era o número da casa onde morava quando criança – reuniu o pessoal da comissão técnica e alguns funcionários do clube:
– Seguinte, quero que algumas obras sejam feitas no campo. Primeiro aterrar as duas traves, aumentando a altura do piso e enterrando um pouco as traves.
– Para que, seu Avellino? – perguntou Ranulfo, administrador do estádio.
– Bem, o nosso goleiro é baixo, assim vamos facilitar as coisas para ele.
– Mas, seu Avellino, o juiz e os bandeiras vão notar, que o gol está baixinho – argumentou Ranulfo.
– Eles podem até notar, mas você já viu juiz entrar em campo com fita métrica? – retrucou Avellino. E depois você acha que ele vai mandar cancelar o jogo com o estádio lotado?
O pessoal em volta caiu na gargalhada.
– Mas não seria melhor contratar um outro goleiro um pouco mais alto? – insistiu Ranulfo já antevendo a trabalheira que ia ter pela frente.
– Não vejo inconveniente – disse Avellino – desde que você encontre um bom goleiro com mais de 1,85 m e que possamos registrar na Federação a tempo.
Ranulfo se deu por vencido. Aí, Avellino continuou.
– E quero também o campo todo esburacado!
– Que isso, seu Avellino? – quase gritou Ranulfo. O campo é um dos nossos maiores orgulhos.
– Pois é, mas me diga uma coisa, quem tem o melhor time, o Remo ou o Flamengo? Ou o Corinthians? Ou o Botafogo de Garrincha e Nilson Santos? Ou o Santos de Pelé?
– Certamente esses times que o senhor citou – resmungou Ranulfo.
– Pois é – sorriu Avellino – então quem vai ter mais dificuldade num campo ruim são os times que têm jogadores acostumados a campos bons, não é? Não vamos facilitar nada para ninguém.
E terminou o discurso sobre “suas táticas revolucionárias” pedindo:
– E, por favor, nos dias de jogo vamos encharcar o campo de manhã bem cedinho. Obrigado a todos.

(continua amanhã)

Autor: Michel Laurence Tags:

domingo, 25 de maio de 2008 Sem categoria | 14:34

GUGA

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Escrever algumas linhas é a maneira que encontro para homenagear esse cara de Floripa que me deu tantas alegrias.

Acho que fui um dos primeiros a escrever que Guga tinha me “obrigado”, assim como Ayrton Senna, a acordar cedo aos domingos. E, com que alegria, eu marcava o relógio para a hora em que fosse o jogo. E, olha, pode ter certeza que gosto de dormir.

Acho que nunca mais vamos ter um ídolo igual a Guga. Simples, brincalhão, simpático, inteligente, gostando de mulher e, claro, jogando um bolão.


Guga se despede da torcida e ergue seu último troféu: um pedaço da quadra central de Roland Garros (foto: AP)

Vi a despedida dele, e garanto que nunca tinha visto nada igual. A quadra central de Roland Garros, o templo que ele fez o brasileiro conhecer, onde também fez os franceses o conhecerem e se transformarem em seus “suporteurs” – torcedores -, como eles dizem por lá, lotada. Centenas de brasileiros, é verdade, mas também milhares de franceses e acho que de gente do mundo inteiro, para um jogo que era pela primeira rodada do torneio e que não significava nada. Nada além de uma fantástica despedida de um ídolo.

Os franceses têm o coração grande para com as pessoas que amam, e isso ficou mais uma vez provado. Eles só pararam de aplaudir o perdedor da partida – ou terá sido o vencedor? – porque Guga, que não segurava mais as lágrimas, se retirou.

Durante o jogo, fez de tudo, jogadas maravilhosas, brincadeiras em voz alta com a pequena e linda fã que, do alto da arquibancada, gritava seu nome sem parar enquanto se aninhava no colo de seu pai, o técnico Larri Passos. Risadas com o adversário, o francês Paul-Henry Mathieu, agradecimentos, dezenas de agradecimentos ao público e lágrimas tão sinceras que emocionaram o apresentador da quadra, o público e quem viu de casa pelo mundo afora.

As lágrimas provavelmente vão regar e fazer brotar do pó de tijolo de Roland Garros mais um fantástico jogador.

Quem tiver a sorte de esperar o tempo passar vai ter essa visão.

Os agradecimentos… Bem, faça como você quiser, porque os nossos serão eternos.

Autor: Michel Laurence Tags:

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