Desculpem!
Eu queria escrever sobre as expulsões de Lucas e Neymar, mas não dá.
Tenho horror a demagogia, mas diante do que aconteceu no Rio, não dá.
Amanhã será outro dia.
Amanhã talvez os pais me desculpem.
Eu queria escrever sobre as expulsões de Lucas e Neymar, mas não dá.
Tenho horror a demagogia, mas diante do que aconteceu no Rio, não dá.
Amanhã será outro dia.
Amanhã talvez os pais me desculpem.
Veja amanhã, no “Grandes Momentos do Esporte” da TV Cultura, a carreira de um dos maiores jogadores brasileiros de todos os tempos: Zizinho, o Mestre Ziza!
Amanhã às 15:00 na TV Cultura!
Você sonha?
Eu muito raramente.
Mas quando sonho, sonho colorido.
Nos meus sonhos o Maracanã sempre aparece com muitas bandeiras.
Não só as rubro-negras do Flamengo e as de uma estrela branca num fundo negro.
Tem bandeira de todas as cores.
Sei que estão erradas e quando misturam o rosa e cinza do Rio Branco de Campos dos Goytacazes com o roxo e a flor de liz da Fiorentina chego a discutir.
Adoro o azul celeste das iniciais OM que formam o escudo do Olympique de Marseille. É bonito prá danar.
Meu amigo Neto de vez em quando aparece dizendo que chora quando sonha com o escudo do Corinthians.
O Rivelino quer briga quando fica sabendo que querem mexer naqueles remos sagrados, sob o pretexto de que o clube não tem mais barcos singrando as águas do Tietê.
Quando acordo e vejo a fronha do meu travesseiro úmida, sei que sonhei com os lances mais bonitos que já vi:
Certa vez vi Dequinha subir e matar no peito do pé um tiro de meta batido de bico por Pinheiro. Quando ele tocou o gramado, a bola desceu com ele quietinha, sem se atrever a mexer.
Outra vez vi Gilmar dos Santos Neves bater numa trave do lado direito do gol, tomar impulso e voar para mandar uma bola que veio rente ao travessão e a trave do lado esquerdo, para escanteio.

Vi Didi lançar de 40 metros, para Garrincha em desabalada carreira pela ponta-direita. A bola roçou nos cabelos de Mané e caiu na sua frente. Garrincha nem teve que ajeitar.
Vi Nílton Santos olhar para frente, enxergar o infinito, partir com ela dominada como se fosse o dono da bola e… do campo. Quando pisquei a bola já estava no fundo da rede de Osni, que tentava limpar a bunda suja de lama.
Juro que vi Coutinho sorrir antes de tocar uma bola tão… mas tão de vagarinho para o fundo do gol, que tenho certeza que o goleiro está engatinhando atrás dela até hoje.
Vi Telé ajeitar o corpo, ficar na horizontal, no ar, deitado, como se a lei da gravidade tivesse por um instante deixado de existir e pegar de voleio uma bola vinda da esquerda. Entrou na gaveta.

Não sei se sonhei, ou se foi realidade, mas Armando Renganeschi machucado, fazendo número na ponta-esquerda, seguiu manquitolando um anjo que lhe garantiu: “a bola vai cair aqui!”. Renga marcou de cabeça o gol que deu o título de campeão paulista de 1946, ao São Paulo.
Vi, e juro que é a pura realidade, Pelé atravessar o Maracanã inteiro sem tocar o chão. a bola gingando de um pé para o outro. Quando
Castilho saiu não tinha Pelé, só tinha bola de couro marrom no funda rede. Aí um jovem locutor gritou:
- Esse gol merece uma placa!”.
Joelmir Beting tinha acabado de parir o GOL DE PLACA para a eternidade.
A gente entende quem ganha salário mínimo ficar endividado!
A gente entende quem vive de salário ficar endividado!
A gente sabe que o País tem a grande maioria de sua população abaixo da linha da pobreza.
Tudo muito claro e terrível.
Aí a gente abre a Internet e lá está: A VILA BELMIRO FOI PENHORADA PELA JUSTIÇA!
Como? Por quê?
Bem, como explica a notícia: PELO EX-PRESIDENTE DO SANTOS, MARCELO TEIXEIRA que cobra um dívida do clube na Justiça!
Como, meu senhor? Falta de ética? Não, ele está certo e amparado pela lei.
Agora se a gente seguir pela linha de raciocínio que inclui a ÉTICA pode-se achar que o ex-presidente está cobrando dele mesmo!
A dívida é de R$17 milhões.
Esse montante foi conseguido em um banco graças a um fiador. Um fiador que é uma das empresas do ex-presidente, no tempo em que o ex era presidente.
Mas não faça um mau julgamento.
O atual presidente Luis Álvaro Ribeiro, não está honrando as prestações do empréstimo.
A Vila, com toda sua história, com todas suas glórias, com todo seu passado e presente, foi dada como garantia de pagamento da dívida.
Aí, da dívida para cá (o ex-presidente ficou por longos 10 anos no cargo – segundo ele porque “ninguém queria assumir o abacaxi!”) – foram vendidos dezenas de jogadores de qualidade: Renato, Alex, Robinho, Diego, Paulo Almeida, Leo, Elano, William, André, Wesley e mais “ene” nomes que não me lembro.
Me lembro que foi citado que apenas Robinho por vendido por 48 milhões de reais ou coisa parecida. Me lembro também que disseram que os dirigentes não são responsabilizados pelas dívidas ou lucros – não me lembro de um clube sequer que tenha declarado ter lucro em alguma temporada.
Aí o que acontece?
Um ex-presidente sai e tem claro sua prestação de contas rejeitada pelo novo conselho que entrou com o presidente que o sucedeu!
Não sei quando isso vai acabar.
Me lembro que eu era apenas um rapaz latino-americano e que já lia nas páginas de O Globo, ou do Jornal do Brasil e principalmente na Última Hora do Samuel Wayner, que os clubes brasileiros precisavam ter datas para fazer famosas excursões pelo mundo e ganhar os abençoados dólares que sanariam dívidas.
Nunca sanaram, até uma mala cheia de dólares foi “perdida” dentro de um avião a 6 mil metros no qual retornava de uma dessas excursões o grande time do Santos com Pelé e companhia.
Tomara que nenhuma empreiteira resolva construir um shopping no lugar da linda e carismática Vila Belmiro.
Chocante!
Acho que essa é a palavra certa: CHOCANTE!
Técnicos caem como FOLHAS MORTAS caídas de uma mangueira.
Lá se foi o do Flamengo, que era gênio até alguns dias atrás.
E não existe substituto.
O nome que a torcida escolheu – Vanderlei Luxemburgo – se nega a deixar o Atlético Mineiro.
Outro que caiu quase despercebido foi o técnico do Goiás.

Caiu hoje, ou ontem a noite, ninguém prestou atenção.
Tenho restrições pessoais a ele, que nunca externei e nem vou!
Mas acho chocante.
Até outro dia era cotado para assumir os maiores clubes do País.
Até a seleção brasileira.
Ficou uma porção de tempo desempregado.
Assumiu o Goiás um clube estruturado.
E é demitido sem ninguém tomar conhecimento.

Último lugar.
E uma briga homérica é o que sobra de sua passagem pelo clube.
O futebol brasileiro é cruel e brinca com o ego de quem o tem grande.
Cabelos brancos não são mais respeitados.
Por ninguém.
Sinceramente, não sei onde foi.
Não sei que times são esses.
Mas que a briga é boa, não tenha dúvida.
É só dar uma olhada!
Depois tem gente, como eu, que diz que nosso futebol é violento.

Desde que comecei a trabalhar como jornalista, há mais de quarenta anos, na redação do Correio da Manhã sempre segui a linha de que nessa profissão o importante é ser neutro e equilibrado. Mas na minha vida de jornalista, a maior parte do tempo vivendo na área de esportes, uma paixão provinciana sempre me atrapalhou na hora dessa tal de isenção. Nascido e criado no mais cativante balneário do litoral brasileiro é difícil ficar neutro e não reconhecer que, se não em tudo, pelo menos em dois aspectos Santos é sem igual no mundo. A beleza e a grandeza dos jardins da praia e, principalmente, com o seu time de futebol. Para um santista “neutro e equilibrado” como eu, o mais irritante é ouvir que o Santos só é grande por causa do Pelé. Não sou muito de citar Nélson Rodrigues, mas que a unanimidade é burra isso também é fato. O mundo inteiro pode concordar com essa tal tese de grandeza do clube graças ao Rei, na verdade, e isso qualquer santista sabe, é que o Pelé só foi tão grande porque jogou no Santos.
Fui educado por um pai que, ao me ensinar geografia pela primeira vez na minha vida, me mostrou um mapa mundi muito simples. O globo dividido em apenas duas regiões: Santos e o resto – e fazendo parte do resto estavam São Vicente, Guarujá e tudo que é cidade que não fosse a nossa. Esse mesmo pai, o Tonicão, um médico romântico, me ensinou também que a Vila Belmiro era o quintal da nossa casa, onde eu comecei a me divertir a partir dos cinco anos. Ali, criança vi o Santos se tornar um time campeão, bi logo de saída em 55 e 56. Ali, naquele parque de diversões vi Pelé, pouco mais menino do que eu, já com quinze anos encantar a cidade disputando um simples campeonato infantil da cidade. Ali, naquele palco que o Armando Nogueira tão belamente chamou de Palácio do Rei, eu vibrei centenas de vezes com o mais fantástico time que o mundo já viu – em especial, o Santos do final dos anos 50 e do começo dos anos 60.
E, falando nisso, é que hoje pareço voltar à minha infância e adolescência. O Santos que hoje encanta o Brasil e já é falado pelo mundo me lembra, mas me lembra muito mesmo, aquele impecável time de Pelé, Coutinho, Pagão, Lima, Pepe, Zito e tantos gênios. Semelhança maior é que tanto aquele quanto este foram os dois únicos times da história a contar com tantas goleadas com números incontáveis, a ponto de enlouquecer a torcida, como um amigo também jornalista e nada equilibrado como eu, se virar no fim do jogo hoje e, do alto de seu alegre fanatismo, brincar: “foi mal, só três, caiu a nossa média de gols no campeonato”.
Saindo da Vila, que fica no canal dois (Santos é uma cidade dividida por canais e é por eles que as pessoas se localizam), peguei o carro e fui visitar minha mãe, uma carioca mais do que naturalizada santista. No caminho, distraído passei pela Praça Independência, reduto das grandes festas nas conquistas na baixada. E a Praça era toda do povo. Bandeiras, carros parados e buzinando sem parar, pessoas enlouquecidas, uma festa em preto e branco. Depois de um certo tempo, segui adiante. Pela praia, o carnaval continuava. No canal cinco, outro ponto de encontro da torcida, mais loucura.
Para mim, o hino do Santos é O Leão do Mar, aquele que fala “agora quem dá bola é o
Santos”, mas o povo por aqui insiste em cantar um outro hino, o oficial, do qual não gosto muito, mas que tem uma verso ao qual me dobro “nascer, viver e no Santos morrer é um orgulho que nem todos podem ter”.
Também dá orgulho ver quando todo o país se encanta com a beleza do futebol do nosso time. Um orgulho que eu já senti mais de uma vez.
É mais ou menos por aí. Aqui é o único lugar do mundo que o raio cai de novo no mesmo lugar. E olha que já caiu três vezes.
Assim, como jornalista neutro e equilibrado, mas como torcedor louco e apaixonado, tenho o seguinte a contar: o mundo pode estar muito encantado com o Messi, mas eu sou mais o Neymar.
***
Texto escrito pelo competentíssimo jornalista Toninho Neves e que achei interessante publicar aqui nesse humilde blog!
Eu não tinha visto.
Sabia que o Diego era capaz, mas fiquei espantado.
Saiu aqui na primeira página do IG, “um gol de Diego foi escolhido pela torcida do Werder Bremen, da Alemanha, como o mais bonito da história do clube”.
Se você não viu, veja o gol que realmente é fantástico!
Agora, não sei se você reparou em alguns detalhes que valem ser registrados:
1 – o segundo tempo tinha terminado e o tempo adicionado já tinha estourado;
2 – dois companheiros de Diego já levantam os braços comemorando um gol que ainda não foi feito.
Algo genial que realmente tem que entrar para a história do Werder Bremen.
Não importa quem o Dunga vai convocar.
Não importa se você é carioca, paulista, baiano ou cearense.
Você escala como quiser.
Só que tem o seguinte: não somos o Dunga para nos dar ao luxo de convocar 23, vamos chamar apenas os que a gente acha que deveriam ser os titulares.
Apenas 11, OK?
O objetivo é ver o que vocês pensam, se a seleção de Dunga é a que o povo quer ou não.
Então vamos lá!
Sou o primeiro a palpitar:
Júlio César (da Inter); Maicon (da Inter), Lúcio (da Inter), Miranda (do São Paulo) e Gilberto (Cruzeiro); Gilberto Silva (Fenerbahce), Kaká (Real Madrid), Kleberson (Flamengo) e Paulo Henrique Ganso (Santos); Luis Fabiano (Sevilha) e Robinho (Santos).
A minha está parecida com a do Dunga.
Na reserva – Ronaldinho Gaúcho e Neymar. Desculpem não resisti.