
- Armando Nogueira e seu filho Manduca
Armando Nogueira foi um dos maiores e melhores jornalistas que conheci em minha carreira.
Trabalhei com ele por muitos anos no esporte da Rede Globo de Televisão.
Era a ternura em pessoa quando falava de um lindo gol.
Era duro quando a pessoa não correspondia a sua expectativa.
Mas era uma aula eterna.
Era o mestre das frases e palavras quando pegava um lápis e em plena era dos computadores começava a corrigir textos seus e de outros. Escurecia as palavras que não gostava, acima delas escrevia as que gostava. Geralmente saia uma obra irretocável.

E quando a obra era concluída olhava de soslaio para o amigo ou o jornalista iniciante e sorria.
“Pelé se não tivesse nascido homem teria nascido bola”!
Era amigo de seus amigos.
Amigo cúmplice.
Confiava, dizia coisas que surpreendiam.
Aprendi muito com ele na Globo, mas foi na TV Cultura, com Roberto Muylaert, que vi ali lado a lado, com a criação do programa Cartão Verde, que existe até hoje, o quanto ele tinha de conhecimento armazenada. Ele vinha a São Paulo somente para ver como andava o planejamento do Cartão. Não precisava, afinal ele criou tudo o que existe de jornalismo na Rede Globo, inclusive o Jornal Nacional
Sonhava talvez, não sei, tentar reviver a primeira Mesa Redonda de futebol que ele chefiou durante muitos anos na TV Rio.
Adorava o Botafogo e a lateral-esquerda, acima da ponta-direita de Garrincha e do número 10 de Pelé, por causa de seu amigo Nilton Santos. Jogava ali, com a camisa 6, enquanto seu filho e um dos maiores amigos da minha vida, Armando Augusto, o Manduca, ocupava para orgulho do pai, a 10 com uma canhota refinada.
A última vez em que conversamos quando liguei para festejar seus 80 anos,
me confidenciou:
“Teu pai, Albert, mostrou a todos nós que era possível escrever sobre futebol com a beleza que o jogo merece”!

Essa frase simples demonstrou toda a grandeza que Armando Nogueira era capaz de carregar. Afinal, eu sabia que ele e meu pai nunca tinham sido grandes amigos. Mas mesmo assim, quando cheguei para trabalhar na Globo, ele me aceitou sem nunca tocar no assunto.
Olha, esse mundo do futebol vai sentir falta dos textos e ensinamentos brilhantes de Armando Nogueira, mas eu vou sentir sua ausência!