
Dizem que é coisa do passado, mas não é!
Jogador de futebol continua sendo visto como um “vagabundo” que ganha a vida chutando uma bola. Apenas ganhou um certo “status” pelo dinheiro que alguns – poucos, bem poucos aqui no Brasil – privilegiados faturam e não, que isso fique bem claro, pela profissão que exercem.
As pessoas adoram uma vitória, um título, enaltecem quem os conseguiu e… esquece.
O ex-presidente da República, Luiz Ignácio “Lula” da Silva, por quem tenho a maior admiração e a quem eu gostaria de agradecer pessoalmente tudo o que ele fez e conseguiu para o Brasil, “esqueceu” uma promessa que ele fez aos jogadores em 2008, quando foi comemorado o cinquentenário da conquista da Copa do Mundo de 1958, na Suécia.
Lula prometeu uma aposentadoria no valor de R$3.500,00 para os jogadores campeões do mundo em 58, 62 e 70.
Até hoje essa promessa do ex-presidente deve estar esquecida em alguma gaveta de algum abastado senador da República eleito por nós.
O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, num momento de euforia também fez em 2007, uma promessa:aos jogadores campeões do mundo: um plano de saúde. Pode parecer brincadeira porque a imagem que a gente tem é a de que qualquer trabalhador tem um plano de saúde por mais pobre que seja.
Tem ex-jogador que se recebesse essa promessa – que deve estar esquecida em alguma gaveta no prédio luxuoso da CBF na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro – agradeceria de joelhos.
Não vou citar nomes, mas vou afirmar que vários ex-jogadores estão no mínimo em situação difícil.
Dos 66 jogadores que conquistaram os três primeiros títulos mundiais da seleção, 13 já morreram. O governo teria uma despesa mensal – se todos os 53 vivos aceitassem a oferta, o que é pouco provável – de R$185.500,00 (cento e oitenta e cinco mil e quinhentos reais) com os que estão vivos, alguns com o Mal de Alzheimer, ou Mal de Parkinson, outros com problemas de locomoção devido as porradas recebidas durante a carreira; seqüelas de enfarto ou de AVC.
Alguém pode perguntar: mas por que esses caras não trabalharam depois que o futebol acabou?
Porque Tostão ou Afonsinho aquele que Gilberto Gil homenageou com um verso na música “prezado amigo, Afonsinho”. são exceções.
Geralmente jogador profissional não tem tempo para estudar e quando tem depois de parar, bate de frente com a falta de preparo e com o preconceito.
Mas alguém pode também perguntar: “mas como é que depois de ganhar tanto dinheiro fácil eles perdem tudo”. É simples de explicar, como já disse a carreira termina em 10 ou 12 anos para a imensa maioria e os anos a serem vividos depois do fim no futebol são geralmente entre 30 e 50 anos. Sem ganhar o mínimo necessário o dinheiro vai embora.
Quando falo em preconceito, falo no geral. É difícil ver um ex-jogador empregado nos clubes que defenderam por 10 ou 12 anos, e mais difícil ainda ver um se transformar dirigente ou em presidente como Roberto Dinamite no Vasco da Gama.
O único mercado para ex-jogador é o de técnico de futebol. Um mercado mínimo para uma imensidão de jogadores que desaparecem no anonimato a cada ano.
É horrível ficar sabendo que um dos nossos ídolos mesmo tendo jogado alguns anos na Europa logo depois da Copa de 62, esteja hoje vivendo sérias dificuldades
Sei que você deve estar pensando, mas o trabalhador que contribuiu durante 40 e tantos anos para o INSS também atravessa na velhice dificuldades imensas para viver com sua mísera aposentadoria.
É um mal de um País ainda em desenvolvimento.
A diferença é que os ex-jogadores quais estou reivindicando fizeram parte de nossas vidas. Fizeram a gente sonhar, fizeram rir ou chorar, nos premiaram com gols inesquecíveis e defesas maravilhosas.
Até fizeram a glória de mandatários, ditadores ou liberais.
É verdade!
Mas se a gente pensar direitinho vamos chegar à conclusão que nós todos: eu, você, todos, já colocamos votando bandidos e salafrários no poder e nuca fomos cobrados por isso.
Seria bom se Lula – com todo o respeito – pudesse dar um empurrãozinho nessa aposentadoria.
Sei que o pedido para o presidente da CBF já seria mais complicado de ser atendido devido as denuncias que está enfrentando.