
Vejo o Barcelona jogar vez por outra depois daquela exibição na final contra o Santos, como via antes porque vivo do futebol e gosto do futebol.
Acho que qualquer sistema depende dos jogadores. O Barcelona tem jogadores para jogar do jeito que joga, assim como a Holanda tinha Cruyff, Neeskens, Rep, Rensenbrink, van Hanegem, Krol e Jansen em 74 para revolucionar o futebol.
Só não creio que o segredo esteja na base dos clubes, na formação dos jogadores nas categorias inferiores.
Se fosse assim a Holanda teria uma seleção no mesmo nível da de 74 até os dias de hoje. O que não acontece.
Não acredito que o Barcelona, quando essa geração de Messi, Xavi e Iniesta acabar, tenha uma outra no mesmo nível para continuar as glórias conseguidas pela atual. Assim como o Santos de Pelé, Coutinho, Zito, Mengálvio, Pepe, Dorval, e Lima nunca mais foi alcançado mesmo com uma escolinha produzindo alguns craques de primeira linha como Robinho, Diego, Wesley, Neymar e André. Foram 32 anos de espera para o Santos até que surgissem esses nomes para relembrar o passado.

Antes da Segunda Guerra Mundial, a seleção da Áustria era conhecida como o “Wunderteam” – o Time Maravilhoso -; e a da Hungria em 54, espantou o mundo com Puskás, Grosics, Czibor e Hidegkuti, ganhando da então invicta Inglaterra, em Wembley, por 6 a 3.
Dizer que é a base que vai dar continuidade ao sucesso de um grande time, é improvável. O Barcelona pode formar grandes jogadores e nunca ter o mesmo resultado que está conseguindo agora.
Cada jogador é um jogador. Garrincha nunca mais foi igualado, nem vai ser.
Pode surgir um com imensas qualidades, mas será certamente diferente do Mané.
E aí está o segredo da combinação para dar certo. É preciso que tudo se encaixe e que tudo esteja no momento certo, no time certo.
O Cruzeiro de Tostão, Dirceu Lopes e Zé Carlos nunca mais.
O Flamengo de Zico, Adílio e Andrade nunca mais.

O Inter de Falcão, Paulo César Carpegiani e Figueroa – que é chileno – nunca mais.
Não estou querendo tirar o valor de Pep Guardiola ou Rinus Michels, que montou a Laranja Mecânica, tanto que vou citar o Flamengo do paraguaio Fleitas Solich, que conquistou o tricampeonato carioca de 53, 54, e 55 destroçando o sistema WM do Fluminense de Zezé Moreira, simplesmente invertendo o jogo da esquerda para a direita, e da direita para esquerda.
A Argentina que forma tantos craques quanto o Brasil, tem uma geração maravilhosa jogando na Europa, mas não consegue nem chegar aos pés do time que conquistou a Copa de 86, no México, porque aquela seleção tinha Maradona e em torno dele uma série de jogadores de alta qualidade. Isso foi há 25 anos!
É evidente que ter uma base formando bons jogadores – que saibam qual o papel que devem desempenhar quando passarem para o time titular – ajuda (até em poupar dinheiro com contratações nem sempre agradáveis), mas o destino tem que favorecer o time com um super-astro, que é o caso de Messi, no Barcelona – e que na seleção da Argentina não consegue brilhar com tanta intensidade, porque o jogo da Argentina é mais lento do que o do Barcelona e Messi precisa da rapidez para que seu talento seja inigualável.