Porque Rivaldo?

Porque a história manda.
Talvez na cabeça de quem não é são-paulino essa história de contratar Rivaldo ao 37 anos, pode parecer um absurdo.
Mas para quem conhece a tradição do clube essa contratação tem muita coerência.
Em 1943 o São Paulo precisava ser campeão e para conseguir foi buscar no Independiente, da Argentina, Antonio Sastre, e deu em troca um outro grande jogador: Ieso Amalfi, que seria famoso na França.

Dom Sastre como era chamado pelos torcedores do São Paulo, e de DeSastre por quem não era, chegou para o São Paulo com 32 anos e desacreditado.
Foi um sucesso inacreditável. Não só ganhou o título de campeão paulista em 43, como repetiu o feito em 45 e 46 e detém até hoje o título de maior número de gols em uma só partida, 6 na goleada de 9 a 0 sobre a Portuguesa Santista.
O grande Osvaldo Brandão maravilhado com o futebol de Sastre chegou ao exagero de declarar:
- Sastre ensinou aos brasileiros a jogar futebol!

Sem conquistar um título de 1953, e precisando de um meia de personalidade, o São Paulo em 1957 resolveu ir buscar Thomaz Soares da Silva, o Zizinho, que defendia o Bangu.
A contratação foi vista com desconfiança, Zizinho estava com 35 anos, mas foi com Zizinho que a tradição começou a se formar. O São Paulo foi campeão paulista nesse mesmo ano quando Zizinho formou ao lado de Canhoteiro uma das maiores alas esquerdas do futebol brasileiro de todos os tempos.
Mestre Ziza ainda jogou mais um ano pelo São Paulo e quase foi convocado para a Copa de 58, na Suécia.

A crise em 1970 era grande no São Paulo. A construção e o acabamento do Morumbi consumiam as economias do clube e a torcida já estava revoltada pela falta de um título paulista desde 1957.
Em 1969 conseguiu tirar do Botafogo, Gérson, o Canhotinha de Ouro, um dos maiores meias do futebol brasileiro em todos os tempos e campeão do mundo no México. Logo em 1970 o São Paulo foi campeão paulista e no ano seguinte com o reforço de um jogador uruguaio maravilhoso, Pedro Rocha, chegou ao bi.

Em 1992, querendo fazer o clube conhecido no mundo inteiro, o São Paulo contratou Toninho Cerezo, já com quase 37 anos, e foi bicampeão mundial interclubes.
Sem ser campeão paulista desde 2005, os dirigentes do São Paulo, acho que principalmente o presidente Juvenal Juvêncio, se lembrou da tradição e está trazendo Rivaldo, um dos jogadores mais inteligentes que o futebol mundial já conheceu.
Dá para entender, mas resta saber se a tradição vai prevalecer.








Você que vive falando que Ronaldinho Gaúcho gosta de balada, que perdeu o interesse pelo futebol, pode ir reformulando esse seu pensamento.

Fico com a sensação de “fim de feira”, quando se negocia o preço da laranja que já teve seu preço abaixado.