Arquivo da Categoria Gênios do Passado
17/03/2009 - 15:59
A Seleção Brasileira, remodelada por João Saldanha, começava a disputar as Eliminatórias de 69, para a Copa do Mundo de 70, no México, e acabava de derrotar a Colômbia, em Bogotá, por 2 a 0, dois gols de Tostão.
A rapaziada estava embarcando para o segundo jogo contra a Venezuela, no estádio Universitário, em Caracas.
Naquele tempo, as pessoas embarcavam caminhando pela pista até a escada do avião, e também a CBF facilitava – como os números de vôos ainda eram pequenos – para jornalistas viajarem no mesmo avião da seleção.
Eu estava na rabeira da fila, conversando com Carlos Alberto Torres, o maior lateral-direito que vi em minha vida.
De repente, quando chegamos quase ao pé da escada, um oficial do exército colombiano, acompanhado de três ou quatro soldados, se aproximou e, colocando a mão no meu peito, disse:
- O senhor não embarca!
Procurando ser o mais educado possível, e naqueles tempos de ditaduras por quase toda a América do Sul era preciso, perguntei:
- Por que? Qual é o problema?
O oficial nem pestanejou:
- O senhor vai ter que nos acompanhar!
Nisso, o Carlos Alberto já estava cegando na porta do avião, entrei em pânico e gritei:
- Carlinhos, Carlinhos – e ele olhou para trás. Estou sendo preso!
Carlos Alberto botou a cabeça para dentro do avião e avisou:
- Pessoal, estão prendendo o Michel!
Com o oficial surpreso, a delegação inteira de jogadores, dirigentes e jornalistas começou a descer do avião. O primeiro a chegar foi João Saldanha, que me explicou baixinho:
- Michel, fica calmo e deixa comigo que eu resolvo.
E, virando-se para o oficial, que ainda me segurava pelo braço, perguntou:
- Por que estão prendendo esse jornalista brasileiro?
- Não estamos prendendo, pedimos que ele nos acompanhasse para averiguação!
Aí, João, polidamente, explicou, no melhor castelhano que conhecia profundamente:
- Então, nós todos vamos junto com ele!
O oficial percebeu que estava diante de um problema sério. João Saldanha estava preparado para a estocada final:
- O senhor já pensou, tenente, vai sair nos jornais, nas rádios e TVs do mundo inteiro que o senhor prendeu Pelé e mais toda a seleção brasileira? O senhor vai ter problemas!
Foi quando o oficial, antevendo o que poderia acontecer, se virou e energicamente começou a repreender um dos soldados:
- Como é que o senhor faz isso comigo? O senhor me disse que esse senhor era o suspeito! E agora, o que eu faço?
E, virando-se para mim, quase continuou no mesmo tom:
- Desculpe, senhor. Por favor, queira prosseguir sua viagem!
Entramos todos no avião às gargalhadas.
João Saldanha era extremamente preparado para as situações mais difíceis.
Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Causos do Futebol, Gênios do Passado
Tags: Carlos Alberto Torres, João Saldanha
08/03/2009 - 19:02
Vi Jorge Valdano no “Bola da Vez” da ESPN Brasil.
Valdano foi campeão do mundo com a Argentina, em 86, no México; depois foi jogador e dirigente do Real Madrid.
Você sabe que eu não gosto em geral dos argentinos, mas como vi meus amigos Paulo Soares, Paulo Calçade, André Kfouri, o grande Sílvio Lancellotti, além de um rapaz que foi repórter da revista Placar e cujo nome me foge a memória, compondo a bancada de entrevistadores fiquei assistindo e… não me arrependi.
Valdano passa a fazer parte da minha seleta seleção de argentinos.
Entre outras coisas Valdano falou que “sem contar Maradona, Romário foi o maior jogador que vi na era mais recente. Ele foi o Maradona da grande área!”.
E aproveitou incitado por André Kfouri, para contar uma história de seus tempos de jogador da seleção argentina:
“Carlos Billardo nosso técnico na conquista da Copa de 86, vivia dizendo que o jogador para ser bom tem que só pensar na bola e acordar com ela nos pés. Um dia num jogo da seleção na Europa, Maradona saiu do quarto controlando uma bolinha de borracha, entrou no elevador sem deixar ela cair, passou pelo hall com todo mundo olhando e entrou pelo restaurante onde todos estavam tomando café. Foi aí que Billardo falou: tá vendo, por isso que o Maradona é o Maradona!”.
Vou aproveitar essa deixa do Valdano para terça-feira contar um “causo” verdadeiro que aconteceu nos meus tempos de rapazinho, morador da rua Almirante Tamandaré, no Flamengo, envolvendo João Carlos, um meia revelado pelo Fluminense e que fez carreira no América.
Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Gênios do Passado
Tags: Jorge Valdano, Romário
04/03/2009 - 15:32
Ainda continuo com o América no Haiti.
Como o América tinha ganho o segundo jogo, ficamos esperando no vestiário o ambiente esfriar para sair do estádio. Só que a gente olhava por uma janelinha no alto da parede do vestiário e grande parte do povo continuava do lado de fora.
Naquela época não era como hoje com o ônibus encostando na porta dos vestiários, nosso ônibus estava praticamente fora do estádio. Atravessamos a pé com a “segurança” de dois Tonton Macute.
O povo, naquela época como hoje, gostava do futebol brasileiro, e os jogadores tinham que parar para atender os torcedores. Não sei bem como é isso, só que lá fora a gente consegue entender e se fazer entender mesmo sem falar o idioma. Eu não podia ajudar a todo mundo, e a chegada até o ônibus, apesar da boa vontade dos dois Tonton em abrir o caminho, foi vagarosa.
Foi quando de repente uma senhora meio fantasmagórica se aproximou de mim e perguntou:
- O senhor conhece o Pelé?
Fiquei olhando para aquela senhora negra, magra, cabelos quase lisos, desalinhados, oleosos, que vestia uma saia arrastando pelo chão, uma blusa de mangas curtas, tudo preto, um olhar meio transtornado, brilhante, se esforçando para sorrir um sorriso quase sem nenhum dente na boca.
Pessoas se aproximando, eu querendo entrar no ônibus, pensei em dizer que não, não conhecia, mas acabei dizendo:
- Sim, sim, conheço o Pelé!
A mulher ficou me olhando, com aqueles olhos que chegam a incomodar, até que perguntou:
- O senhor me faria um favor?
- Depende, minha senhora, depende do que se trata.
- Não, é uma coisa muito simples – e ela se esforçou mais uma vez para sorrir.
- Pois não, minha senhora, então diga logo!
- Bem – e os olhos se fixaram nos meus – é o seguinte: eu aqui em Port-au-Prince sou a feiticeira local. Atendo a todo mundo de graça, inclusive aos jogadores de futebol, e eu gostaria que o senhor me colocasse em contato com a feiticeira que cuida do Pelé.
Quase caí na gargalhada, mas me lembrei a tempo de onde estava e procurando fazer a expressão mais sincera do mundo, respondi:
- Olha, a senhora me desculpa, mas eu não conheço essa tal feiticeira. Nem sei se o Pelé tem uma!
Aí foi a vez dela olhar para mim como se eu fosse o maior imbecil do mundo, e nervosamente falou:
- Mas é claro que tem. Todo mundo que nasce diferente dos outros tem uma feiticeira. Os chefes precisam de uma feiticeira; os grandes atletas têm uma feiticeira; todo mundo importante tem uma feiticeira.
Tentei acabar com a conversa que aquilo estava me deixando nervoso.
- Está bem, minha senhora, vou tentar descobrir. Mas o que devo fazer? Se eu descobrir como é que ela entra em contacto com a senhora?
- O senhor é um bom homem, meu jovem – e ela me fez com aquela mão magra um carinho no rosto – quando o senhor falar com ela o que pedi, ela vai pensar em mim, aí eu me entendo com ela.
Virou as costas, nada mais disse, foi andando sem olhar para trás, com as pessoas abrindo caminho como se dessem passagem a uma rainha.
Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Causos do Futebol, Gênios do Passado
Tags: Haiti, pelé
16/01/2009 - 16:32
O grande Geraldo Blota faleceu ante-ontem aos 83 anos de idade e já deixou uma lacuna na locução esportiva difícil de ser preenchida.
Mais conhecido como GB ele foi o primeiro a colocar um microfone na boca do Pelé no dia 19 de novembro de 1969, no Maracanã quando o maior jogador do mundo marcou seu milésimo gol.
GB se orgulhava muito desse fato tanto quanto de ser irmão de Blota Junior um dos maiores apresentadores da televisão brasileira assim como de ser corintiano fanático. Naquele tempo podia dizer por quem se torcia.
GB vivia com um sorriso no rosto tomara que Deus o tenha perto de Si.
Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Gênios do Passado
Tags: Geraldo Blota, maracanã
06/12/2008 - 19:05

Bebeto entrou para a história do futebol mundial não só por ser um dos 96 – diminuindo os que venceram mais uma vez – jogadores brasileiros a ganhar uma Copa do Mundo, a de 94 nos Estados Unidos, como por ter marcado sua imagem comemorando o gol contra os americanos fingindo ninar seu filho recém nascido.
O gesto foi copiado mundo afora por jogadores também com filhos recém nascidos ou por nascer. Até hoje Robinho celebra seus gols – depois de no início ter copiado Bebeto – chupando o polegar.

Por ser mirrado e por muito tempo ter se afastado do futebol brasileiro indo jogar pelo La Coruña, da Espanha, Bebeto, cujo nome é José Roberto Gama de Oliveira, nascido em Salvador, Bahia, no dia 16 de fevereiro de 1964, custou a ter seu futebol reconhecido e valorizado pelos torcedores.
Mas seu futebol era brilhante, inteligente a ponto de ser um dos poucos “parceiros” respeitado por Romário. Na Copa de 94 eles formaram uma dupla que lembrou as melhores já vistas em seleções brasileiras. Os dois fizeram um total de 8 gols – 5 de Romário que ganhou a Bola de Ouro – e levaram a seleção ao seu quarto título.
Bebeto começou sua carreira no Vitória, de Salvador, em 1981. Dois anos depois se transferiu para o Flamengo onde permaneceu até 1989, e onde disputou 81 jogos, marcando 34 gols. Foi para o Vasco da Gama em 89, onde foi ídolo jogando até 1992 e marcando 28 gols em 53 jogos. Aí seguiu para a Espanha, vendido ao Deportivo La Coruña, onde ficou por 1995, marcando 86 gols em 131 jogos.
Em toda sua carreira que só foi encerrada em 2002, jogando no Al-Ittihad, da Arábia Saudita, Bebeto conquistou muitos títulos: foi campeão carioca pelo Flamengo, em 86; campeão brasileiro e da Copa Ramon de Carranza, ns Espanha, pelo Vasco da Gama, em 89; campeão da Copa da Espanha, super Copa da Espanha e do Troféu Tereza Herrera, em 95; foi campeão Baiano e da Copa do Nordeste pelo Vitória, em 97; em 98 foi campeão do Torneio Rio-São Paulo, pelo Botafogo.
Além da Copa do Mundo de 94, Bebeto conquistou jogando pela seleção brasileira a Copa América de 89; o Campeonato Mundial sub-20 de 1983 e os Jogos Panamericanos de 87.
Em 92 ganhou a Bola de Prata da Revista Placar e foi artilheiro dos campeonatos: Carioca de 88, com 17 gols; e do de 89 com 18 gols; em 89 foi artilheiro da Copa América com 6 gols; e do Brasileirão de 92, com 18 gols.
Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Gênios do Passado
Tags: 94, bebeto, botafogo, brasileira, copa, gênios, mundo, passado, seleção
28/11/2008 - 16:05
Mauro Ramos de Oliveira, um central inacreditavelmente clássico, bicampeão do mundo com a seleção em 58 e 62, acabava de ser demitido como técnico do Santos. E eu, por ter publicado a notícia na revista Placar antes da demissão acontecer, estava sendo ameaçado de levar um tiro por parte de um dirigente santista.
Pelo menos é do que tinham me prevenido vários jogadores do time.
Assim, eu fazia questão de estar na Vila quase todos os dias.
Naquela manhã, cheguei mais cedo do que nunca em Santos. Ia ser apresentado o novo técnico: Jair Rosa Pinto, ao qual naquela época muitos ainda acrescentavam um “da” – Jair “da” Rosa Pinto – que não existia no nome de um dos maiores jogadores que já vi.
Entrei no vestiário e lá estava ele falando pela primeira vez ao grupo. Era um dos meus ídolos. Eu o tinha visto pela primeira vez jogar e ganhar, em 1951, com o Palmeiras, a Copa Rio (que hoje tentam transformar em competição igual ao mundial interclubes).
Antes do jogo final de 1951 jogo, eu fui com meu pai, Albert Laurence – que era jornalista do Jornal dos Sports, no Rio – ao vestiário da Juventus, da Itália. O time da Vecchia Signora era forte, tinha Boniperti – que depois foi presidente do clube – na ponta-direita. O goleiro era Viola, que perguntou ao meu pai:
- Alguém perigoso no time do Palmeiras? Alguém que eu tenha que tomar cuidado?
- Olha, acho que não vai adiantar muito – explicou meu pai –, porque o número 10 chuta uma barbaridade, e se ele acertar o chute não vai adiantar nada eu te avisar.
Viola saiu do papo sorrindo, e fiquei com a impressão que ele não tinha levado o aviso muito a sério. No jogo, Jair, com suas canelas finas, largou uma bomba. Viola se preparou para a defesa. A bola desviou em cima dele, resultado de um efeito inacreditável.
Então, deixei minhas recordações de lado e passei a prestar atenção ao que ele dizia. Foi aí que notei que ele estava mal vestido. Eu estava acostumado a técnico de paletó e gravata ou com o macacão do clube. Jair, enquanto falava, ia enrolando no peito a camisa “regata” (no Rio seria “de meia”) até chegar quase ao pescoço.
Depois do treino, cheguei perto do Afonsinho – o da música e da barba – e disse meio decepcionado:
- Afonso, “po”, o cara é meio desleixado!
- Por que? – perguntou Afonsinho.
- Não sei, o cara enrolou a camisa como um malandro!
- Ora, Michel – respondeu Afonsinho –, deixa de ser preconceituoso. O que interessa é se ele entende de bola!
Jair, o Jajá de Barra Mansa – que nasceu em Quatis, no Estado do Rio, no dia 21 de março de 1921 –, não durou muito como técnico do Santos.
Mas sua carreira como jogador foi brilhante.
Surgiu no Madureira formando um trio de ataque ao lado de Lelé e Isaias que ficou conhecido com “os três Patetas”, mas que jogavam tanto que os três foram contratados pelo Vasco. Foi campeão carioca invicto em 1945, com um time que ficou conhecido como “Expresso da Vitória”.
Em 1947, se transferiu para o Flamengo, onde depois de uma desastrosa derrota para o Vasco, por 5 a 2, foi acusado de ter “facilitado” as coisas, já que o Flamengo chegou a estar ganhando por 2 a 0.
Sua camisa foi queimada em praça pública pela torcida em frente ao estádio da Gávea, e Jair se transferiu para o Palmeiras.
Em 1956, se transferiu para o Santos, onde ajudou na conquista dos campeonatos de 1956, 1958 e 1960 e, principalmente, ajudou Pelé a ser Pelé.
As notícias que tive dele depois de sua passagem como técnico do Santos são de que ele, aos 70 anos, continuava jogando bola.
Jair Rosa Pinto, o Jajá de Barra Mansa, que durante muito tempo só foi conhecido como um dos jogadores que perdeu a Copa de 50, morreu no dia 21 de julho de 2005, aos 84 anos.
Sempre acho que vou ler uma noticiazinha garantindo que Jajá ainda está batendo uma bolinha numa pelada qualquer.
Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Gênios do Passado
Tags: flamengo, gávea, gênios, jajá, madureira, palmeiras, passado, santos, vasco
21/11/2008 - 17:32

Data do nascimento
8 de Outubro de 1928
Local
Campos dos Goitacazes – RJ
Clubes
- Como Jogador:
Americano, de Campos – 1946
Lençoense, de Lençóis Paulista – 1946~1947
Madureira – 1948
Fluminense – 1949~1956
Botafogo – 1957~1958
Real Madrid (ESP) – 1959~1960
Botafogo – 1961~1962
Botafogo – 1963
São Paulo – 1964
Botafogo – 1965
Vera Cruz (MEX) – 1965~1966
São Paulo – 1966
- Como Técnico:
Sporting Cristal (PER) – 1962
Títulos
- Como Jogador:
1950 – Fez o primeiro gol marcado no Maracanã, na inauguração do estádio em amistoso entre as seleções do Rio e de São Paulo, vencido pelos paulistas, por 3 a 1.
1951 – Campeão Carioca pelo Fluminense
1952 – Campeão da Copa Rio pelo Fluminense
1952 – Campeão do Pan-Americano do Chile (primeiro título conquistado no exterior pelo futebol brasileiro)
1955 – Campeão da Taça Osvaldo Cruz pela Seleção
1955 – Campeão da Taça O´Higgins pela Seleção
1957 – Campeão Carioca pelo Botafogo
1957 – Campeão da Taça Osvaldo Cruz pela Seleção
1958 – Campeão do Mundo pela Seleção na Suécia
1961 – Campeão Carioca pelo Botafogo
1962 – Bicampeão Carioca pelo Botafogo
1962 – Bicampeão do Mundo pela Seleção no Chile
1962 – Campeão do Rio-São Paulo pelo Botafogo
1962 – Campeão do Pentagonal do México com o Botafogo
- Como Técnico:
1962 – Campeão Peruano pelo Sporting Cristal
Jogos e Gols
Fluminense (1949~1956): 298 Jogos e 91 Gols
Botafogo (1957~1958, 1961~1962, 1963, 1965): 313 Jogos e 114 Gols
Seleção Brasileira (1954~1962) – 68 Jogos e 20 Gols
Falecimento
12 de maio de 2001, no Rio de Janeiro
Histórico
Didi apareceu para o futebol brasileiro em 1948 formando um trio de ataque de imenso talento com Lelé e Isaias no Madureira, do Rio de Janeiro.
Se destacou tanto que no ano seguinte foi contratado pelo Fluminense, onde sob o comando de Zezé Moreira fez parte de um time que entrou para a história do clube ao lado de Telê Santana que se multiplicava jogando tanto de ponta-direita – onde ganhou o apelido de Fio de Esperança de Nélson Rodrigues – e centro-avante; o goleiro Castilho, que defendeu o Brasil em 4 Copas do Mundo: 50-54-58-62; Pinheiro, um central que jogou a Copa de 54, na Suíça e como Telê e Castilho, passou a técnico no fim de carreira; Carlyle que nasceu com apenas uma orelha, era um centro-avante mineiro que jogou no Atlético e fazia muitos gols; Orlando “Pingo de Ouro”, pingo por ser pequeno, mas de ouro por jogar um futebol maravilhoso e dono de um temperamento terrível; e Rodrigues “Tatu” que logo depois de ser campeão carioca em 51, foi jogar no Palmeiras.
Mas foi no Botafogo e na seleção que Didi atingiu o apogeu de sua carreira como jogador. Foi três vezes campeão carioca e bicampeão mundial.
Didi era uma figura sensacional. Ganhou de Nélson Rodrigues o apelido de Príncipe Etíope por sua elegância tanto dentro quanto fora de campo, onde só se apresentava de terno e gravata impecáveis.
Se separou da mulher Maria Luiza, quando conheceu uma morena lindíssima, Guiomar, uma atriz, que foi o grande amor de sua vida, mas com quem tinha brigas homéricas, a ponto dela certa vez ciumenta ao extremo, passar a tesoura em todos seus ternos e gravatas.
Quando deixou a carreira de jogador Didi foi ser técnico nos Emirados Árabes, onde ganhou um anel de um príncipe, que de tão valioso não mostrava para ninguém.
Jogando bola “inventou” um chute que foi batizado de “Folha Seca” pela mídia da época. Era um chute em que Didi contorcia tanto o corpo para dar o efeito desejado na bola, que acabou sofrendo dores terríveis na coluna vertebral pelo resto da vida.

Mas foi graças a esse chute que o Brasil se classificou para a Copa de 58, na Suécia, e ganhou seu primeiro título mundial. Jogando contra o Peru no Maracanã, Didi bateu uma falta e fez o único gol do jogo.
Em 1970, na Copa do México, Didi viveu um dos maiores dramas de sua carreira. Dirigiu o melhor time que o Peru já formou em sua história no futebol. Deu um imenso trabalho ao grande time do Brasil, mas acabou derrotado por 4 a 2. O time do Peru era tão bom que vários jogadores daquela copa vieram parar no Brasil: Mifflin, no Santos, Gallardo, no Palmeiras, Chale, no Grêmio.
Didi foi chamado de “Mister Foot-ball” em 58, pelo mesmo jornalista francês Gabriel Hanot, que também deu a Pelé o apelido de “Rei do Futebol”, Também foi eleito pela imprensa “o melhor jogador da Copa de 58”.
Didi tinha um talento fenomenal. Fazia lançamentos de 30, 40 metros como se fosse um perito em balística. Quando a bola parava no pé direito de Didi, Garrincha nem olhava para trás. Partia numa velocidade alucinante e via a bola cair bem na sua frente, pronta para ser dominada. Aí, era só partir para cima do adversário, gingar o corpo uma ou duas vezes e ver seu caminho limpo para o gol ou para o centro.
O grande jogador nos grandes jogos se impõe. Na final da Copa de 58 Didi além de ir buscar a bola no fundo do gol de Gilmar, quando a Suécia fez um a zero e com ela embaixo do braço, caminhar calmamente até o meio de campo para dar tempo ao time de se recompor, no reinicio da partida ainda meteu a bola entre as pernas de Gunnar Green considerado o cérebro do time sueco.
Depois da Copa de 58 Didi teve seu passe vendido para o Real Madrid, mas não ficou muito tempo por lá. Desentendeu-se com o grande Di Stéfano, argentino de nascimento, que era o grande ídolo da torcida e achou melhor voltar ao Brasil.
Conquistou o bicampeonato mundial no Chile ao lado de um Garrincha inesquecível e passou a pensar seriamente no que faria depois de ser jogador.
Didi também costumava dizer para quem quisesse ouvi-lo que “Deus tinha cometido um grande erro em deixar os grandes jogadores envelhecerem” e acrescentava – modestamente – “já imaginou eu jogando para sempre ao lado de Pelé? De Zizinho? De Nilton Santos?” e ficava sorrindo como se esse sonho pudesse ser verdade.
Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Gênios do Passado
Tags: 58, 62, botafogo, copa, di, didi, fluminense, garrincha, gênios, madri, passado, paulo, pelé, pereira, real, são, stefano, waldir
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