Arquivo da Categoria Contos do Futebol
31/05/2009 - 15:06

Eles nasceram juntos para o futebol.
Brincavam de serem homens e viviam como meninos.
Dividiam o mesmo quarto embaixo da arquibancada.
Ouviam o jogo, sem vê-lo. Sabiam o que acontecia pelo som da torcida.
Aprenderam juntos a dominar a ansiedade de entrar em campo como os que estavam jogando, provocando aqueles sons que eles sabiam que um dia, seriam provocados por eles.
Um certo dia apareceu alguém com uma varinha de condão e bateu na cabeça deles.
Os dois subiram garotinhos para o time principal.
Estouraram.
O negro mais do que o branco.
O negro era um artista capaz de criar na hora jogadas que maravilhavam os que amam o futebol.
O branco mais calculista, mais realizador, surgia apenas vez por outra brilhando intensamente.
Os dois andavam no fusca do branco.
Os dois sonhavam em ter uma Mercedez, um Porshe, um Jaguar desses que refletiam a luz do Sol ou da Lua, e que sumiam velozes como num passe de mágica.
Não demorou muito. Um foi para a Espanha por uma verdadeira fortuna. O outro para Portugal por uma fortuna menor.
Um é chamado a toda hora para a seleção. O outro só de vez em quando.
O artista, o que provocava risos com seus dribles e suas pedaladas, risos que só Garrincha tinha provocado antes, era apontado pelo mundo como o próximo eleito da FIFA.
O realizador enfrentava um “professor” que como muita gente enfrenta nos colégios, não gostava dele. Foi para a Alemanha. Parecia um destino cruel.
O negro, eleito de Zidane & Cia, foi se perdendo em meio aos imensos elogios.
Dinheiro, mulheres nem sempre amigas, a vida boa e bela, que engana.
O amigo fez coisas na Alemanha que o transformaram no melhor do ano. Aos poucos a beleza do futebol dos tempos de garoto foi ressurgindo de seus pés. A beleza de um futebol seguro, agora maduro, e cada vez mais inteligente.
Os dribles continuavam não sendo tão bonitos e festivos quanto os do amigo, que começava a lhe causar preocupações. As notícias não eram boas. Elas diziam que o talento em forma de gente queria deixar o paraíso das “pesetas” de ouro.
Foi embora pensando no ouro dos ricos piratas russos e acabou nas garras dos ricos piratas russos menos famosos.
O futebol foi minguando. As jogadas se tornando mais difíceis, a ponto do que era unanimidade nacional se transformar em pomo de discórdia.
A vida é engraçada.
Ao mesmo tempo em que o talento em forma de gente ia decaindo, o amigo se transformava numa atração mundial. A sua transferência para a Juventus, da Itália, por uma pequena fortuna, provocou uma questão: se ele é tão bom para o milionário futebol italiano, por que ele não é tão bom para a seleção que precisa como nunca, de um meia?
A destino as vezes parece querer ensinar.
O talento está a procura de suas origens. Pede para voltar e para tentar reencontrar o futebol que um dia o fez mais feliz do que todos.
Talvez até deixar a mansão de muitos quartos em que vive com um cachorro de raça, e retornar para o beliche no quarto acanhado debaixo da arquibancada.
Talvez até a se reacostumar a identificar os sons que vem do estádio.
Sons que já o fizeram sonhar em ser o melhor do mundo.
Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Contos do Futebol
Tags: diego, juventus, robinho, santos
21/03/2009 - 13:58

Fazia frio em Santos naquela noite de 1974.
O gramado da Vila Belmiro ainda era aquele que empapava com a chuva. O campo estava meio enlameado.
O meu amigo José Maria de Aquino (meu parceiro no Prêmio Esso de Jornalismo Esportivo, que ganhamos em 1969, na Edição de Esportes de O Estado de S. Paulo), cobria o jogo pelo Placar, eu pelo jornal O Estado de São Paulo.
Não era bem o jogo que nos tinha levado até Santos.
Um jogo contra a Ponte Preta, como outro qualquer.
Era a despedida de Pelé.
Ele tinha resolvido abandonar o futebol ou como ele me garantiu “antes que o futebol o abandonasse” (como se o futebol algum dia teria sido capaz de tamanha heresia)!
De repente nos vimos Pelé agarrar a bola com as duas mãos, se ajoelhar no meio de campo, abrir os braços, e girar em cima dos joelhos para os quatro lados do estádio.
Pelé começou uma volta olímpica agradecendo ao público, uma corrida acompanhada por dezenas de jornalistas inclusive o Aquino e eu.
Na minha cabeça, enquanto corria tentando acompanhar Pelé até boca do túnel que naquela época era umverdadeiro alçapão, passava um filme quase interminável:
1284 gols,
1000 gols com 29 anos,
11 vezes artilheiro do Campeonato Paulista – sendo que 9 vezes seguidas,
58 gols em 37 jogos no Campeonato Paulista de 1958 – recorde mundial,
8 gols num único jogo, na vitória por 11 a 0 sobre o Botafogo, de Ribeirão Preto, em novembro de 1964,
3 vezes campeão do mundo pela seleção brasileira,
2 vezes campeão do mundo pelo Santos – sendo que na época 1962/63 a final era disputada em dois jogos, uma no país do adversário e outra aqui,
96 gols pela Seleção Brasileira – recorde até hoje,
5 vezes campeão da Copa do Brasil,
62 títulos conquistados em torneios pelo mundo inteiro,
Atleta do Século eleito em 12 de junho de 1980, superando mitos como Mohammad Ali, Jackie Stewart e outros.
Essa foi a única vez que vi um atleta agradecer de joelhos ao público, quando deveria ser o público a ficar de joelhos eternamente grato por Pelé ter nascido aqui.
Seria totalmente impossível relacionar todos os títulos conquistados por Pelé no exterior.
Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Causos do Futebol, Contos do Futebol
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03/03/2009 - 15:03
João Juca Boné não resistiu, quando viu aquela banheira imensa, branquinha, dezenas de perfumes, sabão em pó perfumado, tudo que ele viu nas revistas com mulheres maravilhosas se banhando.
Tomou um banho monumental.
Comeu alguns dos salgadinhos da geladeira, se acomodou e ligou a televisão. Era daquelas que ele via na loja em frente onde “morava” – tela imensa, cores firmes, todos os canais a cabo.
Ficou vendo um filme e adormeceu.
Acordou assustado com op barulho da televisão, já estava escuro na rua.
Levantou, se espreguiçando, planejando ir jantar no restaurante do hotel, quando… deu de cara com um espelho.
Já não era o Messi que estava li.
Era o João Juca Boné, com o boné torto e sujo enfiado na cabeça, as roupas surradas, tênis furado.
Tomou um susto e ficou sem saber o que fazer.
Fugir era a melhor coisa.
Abriu a porta devagar, não havia ninguém no corredor.
Desceu pela escada de serviço e chegou até a garagem.
Quando abriu bem devagar a porta da garagem deu de cara com o guardador:
- O que está fazendo aqui, seu moleque?
João Juca não soube o que responder. O homem o agarrou pelo braço e o empurrando, gritou:
- Passa fora, moleque!
João Juca nem olhou para trás, saiu em disparada enquanto o homem ria sozinho.
No dia seguinte os jornais estamparam manchetes:
“MESSI DESAPARECE SEM PAGAR A CONTA DO HOTEL!”.
E o texto explicava:
“Depois de treinar no Palmeiras, almoçar com os jogadores e se hospedar no hotel, dando esperanças ao presidente Mallieferri de ser jogador do Palmeiras, o jogador argentino desapareceu do hotel, sem pagar a conta.
Um mistério inexplicável, já que o “verdadeiro” Leonel Messi segundo as agências de notícia, nunca deixou Barcelona no dia de ontem.
João Juca Boné assistiu aos jornais da TV falando do “Misterioso Messi” sentado encolhido em frente a loja de eletrodomésticos.
- Onde você andou, rapazinho.
Era o dono do bar onde João Juca pedia comida e limpava o chão:
- Você comeu? Está tudo bem?
João Juca sorriu e respondeu:
- Obrigado, seu Mané. Amanhã eu limpo o chão do bar e a calçada duas vezes para compensar o dia de hoje.
- Ta certo, menino!
- E o senhor vai me dar comida duas vezes!
Seu Mané saiu rindo e falou:
- Amanhã a gente vê isso!
(continua amanhã)
Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Contos do Futebol
Tags: Contos do Futebol
02/03/2009 - 14:46
Bem, foi assim que Eduardo Costacurva desapareceu do futebol.
Uma demissão sumária, que segundo muitos não deixou saudade.
Enquanto isso, Vanderlei Luxemburgo autorizou um rachão.
- Vamos ver o Messi!
E tomou assento no banco junto ao alambrado.
Decidiram que Marcos escolhia um time e Marcão o outro.
Marcos deu mais sorte e escolheu Messi como o primeiro de seu time, o que causou certa inveja nos mais cotados. Mas esse sentimento desapareceu quando Marcos logo gritou:
- Questão de cortesia, é o nosso convidado – e soltou uma imensa gargalhada, logo indo procurar sua posição de atacante.
- Hoje vou enjoar de fazer gol. É só esperar que o Messi vai me colocar umas quinhentas vezes na cara do gol.
A dúvida de que isso fosse realmente acontecer ficou por conta de João Juca Boné. Ele não tinha certeza que ia saber jogar no nível prossional. Era certo que ele era o próprio Messi, mas ele sabia que não era o Messi.
Mas na primeira bola que recebeu pela direita quase no meio de campo, ele saiu driblando um atrás do outro, numa velocidade que arrancou um grito de quem estava assistindo, inclusive do Luxemburgo.
- Meu Deus, se esse cara ficasse com a gente podia mandar preparar a faixa de campeão do Mundial Interclubes.
O rachão terminou com quatro gols de São Marcos e três de Messi.
No vestiário Luxemburgo perguntou a Messi:
- Quer almoçar aqui com a gente?
Messi (João Juca Boné) aceitou na hora.
Fazia tempo que ele não comia tão bem.
Depois do almoço pediu:
- Puedem me arreglar um hotel? E um coche?
- Claro, claro, claro – apressou-se em dizer o presidente Alessandro Malliaferri – vamos no meu carro!
Luxemburgo ainda tentou segurar o argentino oferecendo um quarto na Arademia. Mas Messi agradeceu e preferiu ir com o presidente.
A imprensa acompanhou tudo.
Malliaferri entrou com Messi no hotel, que era um dos mais luxuosos de São Paulo. Depois de registrar o jogador, o presidente perguntou.
- Você quer treinar amanhã no Palmeiras?
- Si, claro- respondeu Messi, agradecendo e se despedindo.
A verdade é que João Juca Boné queria ver como era um hotel de luxo. “Estou vivendo coisas que nuna mais vou viver” pensou “deixa eu aproveitar”. E subiu para o quarto.
Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Contos do Futebol
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27/02/2009 - 15:14
A chegada de Costacurva com Messi no CT do Palmeiras foi gloriosa.
Todo mundo batendo palmas, os setoristas da imprensa assanhadíssimos, Vanderlei Luxemburgo imediatamente abraçou o argentino e o conduziu ao vestiário. Ali já estava num armário um uniforme novinho separado, esperando por Messi.
Quando o presidente do Palmeiras, Alessandro Malliaferri, chegou acompanhado do diretor de futebol, Palmieri Torquato, todo mundo queria uma foto dos três. Um repórter gritou:
- Presidente, o senhor contratou o Messi?
Malliaferri sorriu e não se deu ao trabalho de responder.
Outro repórter perguntou por cima do ombro de Luxemburgo:
- Messi, usted vai jugar no Palmeiras?
João Juca Boné encarnado no Messi, preferiu sair correndo para bater uma bolinha com os jogadores.
De repente João Juca se lembrou que era o João Juca Boné e veio a dúvida: “e agora vou dar vexame com a bola no pé?”.
Primeiro ficou meio afastado, mas logo o Marcos jogou a bola em sua direção. Ela veio com força, João Juca pensou em agarrar, mas quando viu estava amaciando a bola com o pé esquerdo. E ele mais do que surpreso viu ela quietinha junto ao pé. Marcos abriu um sorriso e disse:
- Olha só, que bom seria Messi, você jogar no nosso time!
- Gracias, amigo – respondeu João Juca – yo teria um honor muy de jugar a su lado!
De lado de fora, Malliaferri, acompanhado de Torquato, chegou perto e falou baixinho no ouvido de Eduardo Costacurva:
- Você está demitido!
E possesso acrescentou:
- Assim você aprende a querer “aparecer” mais do que eu! Você deveria ter me chamado primeiro e depois o Torquato aqui. Nunca mais me apareça na minha frente!
(continua amanhã)
Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Contos do Futebol
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26/02/2009 - 14:34
Só aí João Juca teve a certeza de que todos o estavam vendo como se fosse o craque argentino, e aí surgiu mais um medo: se ele falasse em português ia ser desmascarado, e ele não sabia falar espanhol.
- Buenos dias, mira estoy… – e aí parou quando percebeu que estava falando numa língua que nem conhecia. “Vou enlouquecer!” pensou, mas não tinha como voltar atrás.
- … de vacaciones. Puedo me entrenar acá en el Palmeiras? – a fala saiu como se ele tivesse realmente nascido na Argentina.
O porteiro respondeu:
- Um momento, vou chamar o diretor de futebol – e o pobre homem completamente desorientado saiu correndo atrás de alguém que o socorresse.
No meio do caminho encontrou Eduardo Costacurva, um pobre homem que envelhecia terrivelmente a cada dia devido a uma misteriosa doença, orelhas imensas, olheiras maiores ainda, braços compridos pendendo ao longo do corpo como se não tivessem qualquer utilidade. Passava seus dias no Palestra procurando o que fazer. Era diretor social ou coisa parecida.
- Giuseppe, o que está acontecendo?
- O Messi, seu Costacurva, está aí no portão querendo treinar no Palmeiras!
Costacurva com uma bondade quase eclesiástica, sorriu:
- Você está ficando louco, Giuseppe? Messi… Messi jogou ontem pelo Barça e fez 3 gols… lá na Espanha…
- Eu sei, pensa que sou burro? – gritou Giuseppe, e emendou sem tomar fôlego – Venha ver, é só chegar até o portão.
Com a paciência que sempre o caracterizou, Costacurva foi chegando até o portão e… deu de cara com Leonel Messi em carne e osso.
O pobre homem quase caiu para trás.
Mas se recompôs logo. Imediatamente assumiu a direção do problema. Providenciou um carro, explicou ao argentino que o centro de treinamento era ali pertinho e que o time provavelmente ia começar a treinar naquele momento Convidou o craque a entrar no carro e enquanto dava a volta pelo outro lado baixinho avisou com aquele tom de dramaticidade que também fazia parte de seu personalidade:
- Giuseppe, manda alguém chamar a imprensa “urgente”! Messi no Palmeiras!
(continua amanhã)
Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Contos do Futebol
Tags: argentina, messi, palmeiras
25/02/2009 - 14:10

João Juca nunca teve nome.
Era da rua. Ninguém sabia de onde vinha, nem ele.
Um dia alguém acrescentou ao seu nome João Juca – cuja origem também se perdeu no tempo – um…
- Ó, do boné – que João Juca usava sujo, velho, deformado.
14 para 15 anos João Juca Boné era loiro, de olhos azuis, mais claros que o mar das fotografias coloridas que ele encontrava nas revistas jogadas no lixo.
Não sabia ler nem escrever. Vivia para o futebol, sonhava ser um grande jogador. Às vezes tão grande quanto Pelé, que nunca tinha visto jogar.
Morava debaixo de uma marquise, bem em frente a uma loja de eletrodomésticos, que ficava do outro lado da rua. A loja ficava aberta, dia e noite, não fechava nunca, a não ser no Natal e no Ano Novo.
João Juca era valente, precisava ser, defendia sua pobreza e sua honra com um pedaço de pau que mais parecia um taco de beisebol.
Tinha conquistado o respeito do pessoal da loja num dia em que ninguém sabe como, bateu em um folgado com duas vezes o seu tamanho.
Mas geralmente João Juca Boné era da paz. Pedia restos dos pratos feitos do botequim mais próximo, agradecia, e pagava varrendo o bar e a calçada. Do pessoal da loja ganhava caixotes de papelão para forrar o chão onde dormia.
No mais passava as horas vendo os jogos que as televisões da loja mostravam para atrair clientes.
Aquela noite tinha o Barcelona, ao vivo, com Messi e tudo.
João se encolhia num cantinho da vitrine para ser notado o mínimo possível. Às vezes o gerente da noite bebia uma a mais e implicava com ele.
Naquela noite Lionel Messi só não fez chover. Três gols dele e uma vitória por 5 a 2, sobre o Real Madrid, levaram a torcida e João Juca, a loucura.
Sonhando acordado, ele esticou o papelão no chão, botou uns jornais por cima e deitou encolhido, tentando se proteger da umidade. Mas ele não precisava disso, conforme deitou a cabeça começou a pensar “se fosse eu que tivesse feito tudo aquilo”.
- O Messi – pensou em voz alta – foi abençoado por Deus.
O barulho dos carros buzinando o acordou cedo no dia seguinte.
Se sentiu um pouco diferente e ao se olhar vagamente no vidro da loja tomou um susto. Não era ele ali refletido. Por inacreditável que podia parecer a figura que olhava para ele era a do… Messi. Cabelos lisos, negros. Nada a ver com o loiro de olhos azuis da véspera.
João Juca Boné não sabia o que pensar. Estava atordoado. Procurava uma explicação. Tinha medo de falar com alguém e que o internassem num asilo de loucos. Em sua caminhada sem rumo pela cidade a procura de uma explicação para a loucura que estava vivendo, passou em frente ao Palestra Itália.
Um pensamento ainda mais louco passou pela sua cabeça.
Devagar foi caminhando até o portão de entrada do clube na Turiassu.
O porteiro cordial, sorriu:
- Pois não, seu Messi! – e o pobre homem entrou em parafuso. O senhor é o Messi, não é?
João Juca sorriu de alívio, por não ter sido desmascarado.
- Si, soy yo! – e João Juca nem percebeu que tinha respondido em castelhano.
- Messi, meu Deus, Messi o que deseja?
(continua amanhã)
Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Contos do Futebol
Tags: argentina, barcelona, messi
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