Muller e a paixão pela bola!
Trabalhei com Muller, aquele do São Paulo campeão mundial contra o Milan, em 93. Aquele do gol da bola batendo em seu calcanhar (ou terá sido no bumbum?). Aquele que na conquista do Mundial de 92, deu aquela “entortada” no zagueiro Kulman, um holandês do Barcelona e serviu para Raí fazer um gol de barriga. Aquele que fez parte do ataque que ganhou o apelido de “Os Menudos do Morumbi”, e que iniciaram o ciclo do São Paulo campeão.
Trabalhei com ele na Bandeirantes.
Ele de comentarista e eu tentando voltar a ser jornalista depois de quase 3 anos sem trabalhar devido a uma operação na coluna.
Ele tinha o poder de entrar e sair sem se fazer notar.
Quando estava dentro ninguém podia deixar de notar sua presença.
Igualzinho a quando ele jogava bola. Surgia do nada, fazia o gol, e desaparecia sem ser notado.
Me lembro perfeitamente da primeira vez que o vi jogar no São Paulo. O Zé Maria de Aquino me avisou:
- Você vai ver, ele joga uma barbaridade.
E jogou.
Veloz como poucos. Goleador como menos ainda.
Na redação raramente falava de futebol.
Sorria ao telefone.
Aí se transformava em comentarista, ele, Marcelinho Carioca e Neto.
Sérios, quase disputando quem fazia o melhor comentário, com a mesma raça de quando dividiam uma bola.
Não sei se estou exagerando minha admiração.
Só sei que o Muller sempre teve a noção exata de onde estava a falha, ou de onde tinha surgido o lampejo de craque.
Quando foi para a Sportv, foi a mesma coisa.
Surpreendia, brilhava, e ficava quieto.
Era disciplinado.
Não sei o que houve na vida de Muller.
Me recordo que ele foi tentar ser técnico.
Comandar é mais difícil do que criar. Ou menos atraente.
Só sei que fiquei surpreso quando li que ele está mal de vida.
Morando de favor na casa do Pavão, ex-lateral do São Paulo. Bem menos talentoso do que ele, mas provavelmente por causa disso, bem mais precavido.
Só torço para que ele saia dessa, como saia da área sem ser notado, ou da redação depois de ter feito um gol de placa.














