Sabe aquele fantasma das histórias em quadrinhos?
Aquele que nunca morre?
Aquele que nas histórias dos gibis tem mais de 400 anos.
Cuja fantasia de máscara preta e roupa meio roxa passa de pai para filho?
Pois é para mim, que vivo há 70 anos, o fantasma das histórias que mexeram com minha imaginação quando garoto, é a Seleção do Uruguai.
Cada vez que a Seleção Brasileira vai jogar contra o Uruguai vem a história de 1950, o Maracanazo dos uruguaios, a derrota na final da Copa do Mundo de 1950 para os uruguaios.
Essa história habitou a minha infância.
Depois voltou quando homem fui cobrir a Copa de 70, no México, pela revista Placar e cruzamos nas semi-finais com o Uruguai. Enfiamos 3 a 1, de virada, sem choro nem vela.
Pensei, bom, agora o fantasma morreu!
Que nada!
O danado ressurge a cada jogo pela Copa América, pelo Sul-Americano, pelo Pan-Americano, e por qualquer outra competição que surgir por aí, 0como essa de amanhã pelas Eliminatórias da Copa do Mundo.
Agora é o Lugano que ressurge com a tal história do fantasma, dizendo que a seleção do Uruguai “sempre foi uma pedra no sapato da seleção brasileira”!
Pelo menos ele poderia ter dito que a pedra é na chuteira.
Logo o Lugano que, se não fosse o ex-presidente do São Paulo, Portugal Gouveia, estaria até hoje por lá defendendo provavelmente o Defensor, ou outro clube qualquer bem menos importante.
Hoje ele está fazendo um belo pé de meia na Turquia – onde também teve a ajuda de um brasileiro ilustre, Zico, que foi técnico do Fenerbach – e poderia ter reconhecimento pelo futebol brasileiro ao invés de ficar me fazer perder a paciência.
Para mim esse fantasma está bem enterrado pelos caças-fantasmas Pelé – que deu no goleiro Mazurkiewicz um dos maiores dribles da história do futebol mundial – Tostão, Jairzinho – que um certo Matosas procura até hoje – Gérson, Rivelino – que fez um golaço em passe de Pelé – e principalmente Clodoaldo que de primeira emendou um lindo passe de Tostão, marcando o gol de empate ainda no primeiro tempo.
Aliás esse lance tem uma história: Gérson vendo que estava sendo quase caçado em campo, inverteu por conta própria, de posição com Clodoaldo. Surpreendeu a seleção do Uruguai e o resto dessa maravilhosa história você já conhece.
É preciso avisar ao Lugano por quem tenho a maior simpatia, que se espera com essa lembrança ganhar o jogo na véspera, nada mais antipático e bobo. Eu acho que nenhum dos jogadores – nem ele – que estarão em campo amanhã viram ou sabem como foi o jogo de 50.