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Arquivo da Categoria Causos do Futebol

terça-feira, 2 de agosto de 2011 Causos do Futebol | 16:09

Causos do Futebol – NOS TEMPOS DAS INVASÕES DE CAMPO!

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Coelho Netto

Invadir o campo na hora em que o time está perdendo e “não pode perder” já foi moda no futebol brasileiro.

Já contei aqui a famosa invasão de Castor de Andrade com sua Mauser, prateada, com coronha em madrepérola, brilhando sob as luzes ainda pálidas dos refletores do Maracanã. Ele pulou do fosso onde ficavam os jogadores reservas, o técnico, e os auxiliares, para impedir a cobrança de um pênalti contra seu querido Bangu.

Teve também a do venerado e venerando Nílton Santos, já como técnico ou diretor do Botafogo – não me lembro direito – correndo atrás do árbitro Armando Marques, que tentando se refugiar no túnel da arbitragem, escorregou nos degraus e levou além de um tapa, um tombo feio.

Mas a primeira invasão que se tem notícia aconteceu em 1916, num jogo

Fla x Flu em Álvaro Chaves, o estádio do Fluminense, nas Laranjeiras, no Rio.

O Fluminense perdia por 3 a 2, quando o juiz marcou um pênalti contra o Tricolor. Riemer bateu para fora. Alguns minutos depois novo pênalti contra o Fluminense. Aí quem bateu foi Sydnei. O lendário goleiro Marcos Carneiro de Mendonça defendeu. O árbitro alegando uma irregularidade por parte de um jogador do Fluminense, mandou bater novamente.

Aí aconteceu o seguinte: Coelho Neto, deputado federal, fundador da Academia Brasileira de Letras, diretor da Escola Dramática Municipal e professor de História do Teatro e Literatura Dramática, pulou a cerca da arquibancada social e brandindo sua “terrível” bengala de junco, invadiu o campo ameaçadoramente. No que foi seguido pela torcida.

O jogo foi suspenso diante da importância do “invasor”, que passou para a história não só como político e escritor de renome, mas também por ser o primeiro a invadir um campo para “melar” uma decisão. E conseguiu, o jogo foi anulado pela Liga Metropolitana e jogado novamente em campo neutro, com a vitória do Fluminense, por 3 a 1.

Autor: Michel Laurence Tags:

terça-feira, 26 de julho de 2011 Causos do Futebol | 13:47

Causos do Futebol – O PRIMEIRO JOGO DA SELEÇÃO BRASILEIRA

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O primeiro jogo na história da seleção brasileira só aconteceu graças a um pedido da Federação Argentina.

Em 1914, a AFA – Associação de Futebol da Argentina – solicitou a FIFA que um time inglês fosse até Buenos Aires para jogar e divulgar as regras do futebol.

O time escolhido pela FIFA foi o Exeter City, um time da Terceira Divisão inglesa, que topou a “aventura”.
Aventura porque só para chegar ao porto de Santos, atravessando a linha do Equador passando do hemisfério Norte para o do Sul, o Trópico de Capricórnio, e o Oceano Atlântico o transatlântico com o time inglês, levou 18 dias.

Foi uma novidade.

Logo os ingleses que quase foram presos por tomar banho de mar em local proibido, receberam o convite para dois amistosos em São Paulo, contra dois combinados paulistas. O Exeter venceu os dois, por 3 a 0 e 5 a 3.

A vontade de dar o troco nas derrotas surgiu com o grande desafio: um amistoso contra a seleção brasileira, no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1914.

O jogo foi organizado pela FBS – Federação Brasileira de Sports – que convocou jogadores do Rio e de São Paulo. Entre os convocados estavam o lendário goleiro Marcos Carneiro de Mendonça, o da fita roxa prendendo o calção; e Arthur Friedenreich, o El Tigre, que afirmam ter feito mais de mil gols. Como naquela época ainda não existia a figura do treinador, quem comandou o time foi o médio Rubens Sales.

O palco escolhidos para o jogo foi o estádio da Laranjeiras, do Fluminense, com a “incrível” capacidade para 6 mil espectadores. Mas a propaganda em torno do jogo foi tão grande que estima-se em 10 mil torcedores o público que lotou as arquibancadas e as laterais dfo campo.

Segundo os relatos da época afirmam que o nível técnico foi o mais alto daqueles tempos.

O primeiro e histórico gol foi do Brasil, marcado por Osvaldo Gomes, um meia talentoso, ainda no primeiro tempo.
Fried não marcou gols, mas segundo ainda o relatório escrito pelo próprio delegado da FBS, o El Tigre perdeu dois dentes numa disputa de bola.

Já naqueles tempos “o jogo era pra homem”!

O segundo gol da seleção foi de Osman “no finzinho da partida”!

Quando o árbitro inglês, Harry Robinson, apitou o fim do jogo, a torcida empolgada invadiu o gramado e carregou os jogadores nos ombros.

Só para lembrar a seleção brasileira formou com: Marcos de Mendonça; Píndaro e Nery; Lagreca, Rubens Sales e Rolando; Abelardo, Osvaldo Gomes, Friedenreich, Osman e Formiga.

O Exeter foi com: Lorant; Jack Forth e Strettle; Rigny, Lagan e Hardin; Hold, Whittaker, Hunter, Lovett e Goodwin.

ATENÇÃO!
Este “causo” é da autoria do meu ex-desafeto CLÁUDIO ROBERTO. Isso mesmo!

Foi ele quem me mandou via email o relato e as fotos que ilustram o causo.

É um registro histórico da maior importância.

Agradeço muito ao CLÁUDIO e a partir de hoje estão restabelecidas as nossas relações.

Espero que todos os meus comentaristas entendam, inclusive o sr. Montanha.

Um grande abraço a todos e ao CLÁUDIO ROBERTO em particular.

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Autor: Michel Laurence Tags: ,

terça-feira, 19 de julho de 2011 Causos do Futebol | 13:20

Causos do Futebol – “A SEGUNDA PELE”

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Dario, Dadá maravilha

Será que ainda tem gente que leva a sério esse negócio de “Manto Sagrado”, “Segunda Pele” etc?

Tirando Rogério Ceni, do São Paulo, e Marcos, do Palmeiras, acho que vai ser difícil encontrar um que esteja há mais de 5 anos no mesmo clube.

Mas já teve tempo em que as coisas não eram assim. O jogador gostava do clube, e o clube, do jogador.

Por exemplo, Kafunga que foi goleiro do Atlético Mineiro e depois comentarista famoso em Minas Gerais, jogou 20 anos no Galo, de 1935 a 1955. E era adorado.

Outros grandes exemplos de longa permanência num mesmo clube:

O goleiro Castilho no Fluminense, de 1946 a 1964;

Neco, atacante do Corinthians, de 1914 a 1932;

Pelé, no Santos, de 1956 a 1974;

Pepe, no Santos, de 1953 a 1968;

Carlitos, ponta-direita do Internacional de Porto Alegre, de 1938 a 1951;

Ademir da Guia e Dudu

Wílson Piazza, médio do Cruzeiro, de 1963 a 1978;

Ademir da Guia, o Divino, jogou de 1962 a 1977 no Palmeiras;

Barbosa, o goleiro que sofreu mais do que a pena máxima permitida pela legislação brasileira por ter perdido a final da Copa de 50, jogou no Vasco da Gama de 1945 a 1962.

Mas o recordista foi sem dúvida Nílton Santos, que defendeu o Botafogo de Futebol e Regatas, entre seus tempos de juvenil e profissional, de 1940 a 1964.

Com exceção de Pelé, todos os demais citados aqui tiveram que continuar trabalhando para se sustentar quando o futebol acabou. É evidente que Pelé também continuou trabalhando – porque precisava – mesmo tendo arrecadado na carreira de jogador de bola um pouco mais do que os demais citados, e mesmo sendo o maior jogador do mundo em todos os tempos.

Do outro lado da escala temos os que nunca ficaram por muito tempo num mesmo clube.

Por exemplo, Cláudio Adão (que vi surgir no Santos e que era fantástico) jogou em 22 clubes nos seus 23 anos de carreira, com 591 gols marcados.

Vladimir

Outro: Dario, o Dadá Maravilha, o Helicóptero, o Beija-flor, o que “parava no ar”, vestiu a camisa de 16 clubes entre 67 e 86 e marcou 549 gols.

Também existiram aqueles que desde o momento em que vestiram uma camisa de clube pela primeira vez, nunca mais conseguiram se desvincular dela, mesmo mudando de clubes.

Um desses é Zico, cujo nome acompanha para a eternidade o do clube Flamengo. É “Zico do Flamengo”.

Garrincha do Botafogo é outro;

Neto, do Corinthians, jogou em 15 clubes, mas ficou para sempre como o “Xodó da Fiel”;

Vladimi,r do Corinthians, a gente nem se lembra se ele jogou em outro clube. Afirmam que ele defendeu o Santo André! Não me lembro;

E finalmente Marcelinho, que começou no Flamengo e teve que deixar de ser “Marcelinho Carioca” devido à paixão que despertou na imensa torcida do Corinthians e passou a ser primeiro só Marcelinho  e logo depois a Marcelinho Paulista.

Autor: Michel Laurence Tags:

terça-feira, 12 de julho de 2011 Causos do Futebol | 13:24

Causos do Futebol – UM HERÓI ARGENTINO!

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Armando Renganeschi

Eu estava no comecinho de minha carreira na Última Hora, do Rio.

Era setorista do Flamengo substituindo Álvaro Queiroz, dono de um belíssimo texto e que tinha passado para o time da redação.

Logo nos primeiros dias, o clube anunciou que tinha contratado Armando Renganeschi como técnico!

- O Flamengo está se afundando cada vez mais – resmungou um repórter do Jornal do Brasil – Quem será Armando Renganeschi?

Aristóbulo Mesquita, que era uma espécie de secretário da direção – o que hoje equivaleria a assessor de imprensa –, anunciou:

- Ele é argentino, foi jogador do São Paulo, zagueiro e é mais conhecido no interior do Estado de São Paulo, onde já dirigiu vários times e foi campeão da segunda divisão outras tantas vezes.

- Grande coisa – voltou a resmungar o repórter do Jornal do Brasil.

No dia seguinte, Renganeschi foi apresentado. Simpático, aspecto de bom homem, começava apenas a envelhecer e, com um sotaque “portunhol”, foi logo pedindo para o pessoal da imprensa:

-  Sei que vocês não me conhecem, tudo bem! Apenas vou pedir que me deem um tempo para trabalhar. Li nos jornais que vocês estão pessimistas com minha contratação, mas me deem um tempinho.

E logo acrescentou com um sorriso:

- Se for mal, serei o primeiro a pedir demissão!

- Claro – resmungou o repórter do Jornal do Brasil. Não vai ser eu quem vai pedir demissão no lugar dele!

Pesquisa naquele tempo não era a febre que é hoje em dia. Tentei levantar o passado de Renganeschi no arquivo da Última Hora e consegui muito pouco. Quem saiu com uma bela reportagem foi o Jornal do Brasil.

- O homem é herói no São Paulo – garantia o repórter “resmungão”.

- Ele decidiu com um gol o Campeonato Paulista de 1946. A final foi entre São Paulo e Palmeiras, e ainda no primeiro tempo Renganeschi se machucou. Não tinha substituição e ele foi “fazer número” na ponta-esquerda. Li o relato do jogo na Gazeta Esportiva. Um tal de Thomaz Mazzoni escreveu que, aos 25 minutos do segundo tempo, Bauer – é o grande Bauer, o Monstro do Maracanã – cruzou, a bola passou pelo goleiro Oberdã e ia saindo pela linha de fundo quando Renganeschi surgiu “manquitolando” e tocou para o fundo do gol.

Pensei: “Esse  cara não deve ser fácil. Argentino com raça é fogo”!

O time do Flamengo na época era um timaço: Valdomiro; Murilo, Ditão (irmão de Ditão do Corinmthians), Jaime e Paulo Henrique; Carlinhos e Fefeu; Neves, João Daniel, Silva e Rodrigues, foi uma das formações usadas por “seu Renga” – como passou a ser conhecido logo depois das primeiras vitórias – para a conquista do Campeonato Carioca de 65.

No ano seguinte, já não teve tanta sorte. Perdeu a final para o Bangu naquela briga memorável de Almir Pernambuquinho e foi embora sem se despedir de ninguém. Como deve ter ido embora dos muitos times que dirigiu.

Quando vim para São Paulo, em 1967, reencontrei Armando Renganeschi, se não me falha a memória, dirigindo o XV de Piracicaba.

Quando entrei no vestiário do XV depois da derrota para o São Paulo, ouvi aquela voz com um “portunhol” arrastado:

- Ei, Laurence, o que você está fazendo “perdido” por aqui? – olhei de onde vinha a voz e lá estava seu Renga, sorriso estampado no rosto, explicando:

- Me deram “um tempinho” aqui. Não para ser campeão, mas para fazer o XV voltar a ser o “Nho Quim”!

Seu Renga, o herói de 46 e de 65, morreu em 1985.

O time do São Paulo campeão paulista de 1946: Gijo (é o goleiro), Piolin (é o primeiro em pé) e Renganeschi (quarto em pé); Rui (o segundo em pé), Bauer (o terceiro) e Noronha; Luisinho, Dom Sastre, Leônidas da Silva, o Diamante Negro, Remo e Teixeirinha

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O time do Flamengo campeão carioca de 1985 em pé: Murilo, Valdomiro, Jaime, Ditão, Carlinhos e Paulo Henrique: agachados: Neves, João Daniel, Silva, Fefeu e Rodrigues.

Autor: Michel Laurence Tags:

terça-feira, 5 de julho de 2011 Causos do Futebol | 13:48

Causos do Futebol – PROFISSÃO? TÉCNICO DE FUTEBOL!

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Da esquerda pra direita: Gentil, Paulo Borges, Parada, Araras, Roberto Pinto e Canhoto.

Tudo começou numa bela tarde de… 1896, quando alguém, durante uma partida rispidamente disputada, ficou revoltado com um jogador que fez nada menos do que 6 gols sem nem mesmo correr atrás da bola.

O cara ficava ali, perto do “goalkeeper”,  só esperando a bola sobrar e, com um toque, empurrar para dentro do gol vazio.

Naquela tempo valia, só que o belo futebol estava se transformando em quem tinha o melhor “chupa sangue”.

O homem revoltado se reuniu com seus colegas da FIFA – que foi fundada em 1863 – e explicou:

- Temos que criar uma lei que impeça esses caras que só ficam se aproveitando do esforço dos outros para fazer os gols.

Foi assim que criaram a primeira “lei do impedimento”, em que para a jogada valer tinha que ter 3 jogadores, além do goleiro, entre o que estava com a bola e a linha de fundo. Depois diminuíram para dois adversários e, em 1925, para apenas um, além do goleiro. Regra que existe até hoje.

Ficou mais difícil fazer gol, e começou a febre de importar técnicos.

No Brasil não existia técnico de futebol. Era uma confusão danada, todos correndo atrás da mesma bola.

Geralmente, quem organizava e mandava no time era o “capitão”, um cargo na época respeitadíssimo. O primeiro foi John Hamilton, um inglês, que veio dirigir o Paulistano em 1909. Foi ele que organizou o primeiro sistema tático no Brasil: 1 goleiro, 2 zagueiros, 3 médios e 5 atacantes. Tudo por causa da tal lei do impedimento.

Gentil Cardoso e Garrincha

Depois do inglês veio uma enxurrada de técnicos estrangeiros: Dori Krushner; o húngaro Bela Gutman, que muitos afirmam ter sido o verdadeiro responsável pela evolução do futebol brasileiro, tanto dentro das quatro linhas como fora delas; Mandi; o uruguaio Ondino Viera… E muitos outros, até chegar aos tempos do milongueiro Filpo Nunes, fundador da Academia do Palmeiras. Os aventureiros vingavam no futebol brasileiro.

Os brasileiros viram que o emprego era bom e começaram a surgir, geralmente ex-jogadores. Ademar Pimenta foi o primeiro técnico realmente brasileiro, tanto que foi nomeado para dirigir a seleção a partir de 36. E, se você quer saber, já foi sendo xingado de burro pelos torcedores.

Já na Europa, depois de treinar no navio que transportou a seleção até a França, Pimenta insistia em barrar o Divino Mestre, Domingos da Guia, para testar Nariz e Jaú, de olho na Copa de 1938. Ele também criou a mania de despistar os adversários fazendo os jogadores treinarem fora de suas verdadeiras posições. Goleiro na ponta-esquerda etc. Tudo para que não descobrissem a tática do time; além de embarcar os jogadores em caminhões de verduras para que ninguém soubesse onde a seleção iria treinar.

O folclore em torno dos treinadores começou a partir daí.

Flávio Costa foi o todo poderoso até perder a Copa de 50, para o Uruguai, dentro do Maracanã. Dizem que ele até batia em jogadores e que uma de suas vítimas era Ipojucã, que acabou saindo do Rio e vindo para a Portuguesa para fugir do treinador.

Gentil e seu megafone.

Aí vieram os irmãos Moreira, Aimoré e Zezé; Osvaldo Brandão; Pirilo; Feola; Lula; Martim Francisco – inventor do 4-2-4; e com eles o fantástico Gentil Cardoso, criador do “deu zebra”.

Gentil era um negro baixinho, gordinho, poliglota, genial, criador de frases famosas como essa do “deu zebra” – porque a zebra não existe no jogo do bicho, e o seu “pequeno” Bangu tinha derrotado o poderoso Vasco da Gama. Ou “me dêm o Ademir Menezes e faço o Fluminense campeão”! Deram Ademir Menezes e o Fluminense foi campeão carioca de 1946. Gentil, como prêmio, foi demitido antes mesmo de entrar no vestiário. Naquela época, “negro não era bem visto no tricolor das Laranjeiras”!

Outra frase maravilhosa ele criou quando chegou perto de um jogador novato que insistia em chutar a bola para o alto, e, com seu  famoso megafone em riste, gritou:
“Meu filho, a bola é feita de que?

De couro!

O couro vem de onde?

Da vaca!

A vaca gosta do que?

Da grama!

Então, meu filho, faz a bola correr pela grama”!

Certa vez, participava de uma animada roda de baralho com os jogadores, quando um diretor entrou pela sala. Rapidamente Gentil rasgou as cartas que tinha na mão e deu a bronca:

- Eu já disse mil vezes que não quero jogo aqui!

Quando o diretor se retirou impressionado, os jogadores partiram para cima de Gentil. que imediatamente tirou um baralho novinho do bolso e o jogo continuou.

Uma outra vez, foi contratado pelo Santa Cruz a peso de ouro, e Gentil pesava muito. Empolgado com a dinheirama, Gentil bateu no ombro do presidente e disse:

- Se eu não der o título ao Santa Cruz, rasgo o meu diploma!

O presidente tirou o imenso charuto da boca, deu um sorriso e afirmou:

- Se por esse dinheiro todo o senhor não der o título ao Santa Cruz, pode ter certeza que quem vai rasgar seu diploma sou eu!

Mesmo vivendo o futebol como ele tem que ser vivido, Gentil era um profundo conhecedor de como motivar jogadores e armar times que surpreendiam os adversários. Foi ele quem começou a época áurea do Bangu formando um time com Paulo Borges, Cabralzinho, Parada, Bianchini, o goleiro Ubirajara, Mario Tito, Luís Alberto, Jaime, Ocimar e Fidelis, que foi vice-campeão em 65 e depois campeão carioca em 66 dirigido por Alfredo Gonzalez.

Autor: Michel Laurence Tags:

terça-feira, 28 de junho de 2011 Causos do Futebol | 17:25

Causos do Futebol – Artilheiros de Ontem e Hoje!

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Eu sempre fui fascinado em saber quantos gols tinha feito fulano, quantos tinha cicrano.

Todo mundo sabe que Pelé é o maior de todos: fez 1091 em 1114 jogos pelo Santos; e 1263 em toda sua longa carreira de 21 anos jogando bola. E sabe que ele alcançou os 1000 gols no dia 19 de novembro de 1969, com apenas 29 anos. E que ele, como Atleta do Século, tem recordes em quase todos os fundamentos do futebol, tipo ser artilheiro do Campeonato Paulista por 10 anos seguidos; ter marcado 58 gols no Campeonato Paulista de  1958, com 20 clubes participantes. Se Pelé jogou todas as 38 partidas, fez uma média de 1 e meio gol por jogo. Inacreditável.

Mas eu, há até bem pouco tempo, não sabia que Friedenreich, que jogou da década de 10 até a de 30, teria feito apenas 54 gols a menos do que Pelé. Lamentavelmente, esses dados não são oficiais porque, na Revolução de 1932, Fried doou os documentos para serem vendidos e angariar fundos para o movimento. Os documentos foram perdidos por quem os comprou ou por quem se encarregou de vender.

Agora, tenho dados oficiais sobre outros artilheiros fantásticos.

Por exemplo: Zico, o Galinho de Quintino, fez 797 gols em 1086 jogos, uma média de 0,73 por partida.

Zico no Flamengo

Roberto Dinamite fez 744 gols em 1201 jogos, sendo que 698 deles pelo Vasco da Gama, uma média de 0,61 gol por jogo. Esses foram os números que puderam ser computados.

Ademir Menezes, o Queixada, foi artilheiro da Copa de 1950, no Maracanã, com 9 gols. Jogou 429 partidas pelo Vasco da Gama e marcou 301 gols, uma média de 0,70 por jogo.

Pelé, Pepe e Coutinho

Coutinho, o maior parceiro de Pelé, criador da famosa “tabelinha” com o Rei, jogou por 12 anos com a camisa do Santos, marcou 370 gols em 457 jogos. Com a extraordinária média de 0,80 gol por jogo. Se não fossem as contusões sofridas nos joelhos e o excesso de peso que Coutinho não conseguia combater, teria uma carreira ainda mais brilhante.

Mazzola no Milan

José Macia, o Pepe, jogou por 15 anos com a camisa do Santos. É o maior ponta-artilheiro do mundo em todos os tempos, marcando 405 gols em 750 jogos. Nenhum ponta no mundo conseguiu marcar tantos gols quanto Pepe, que é o segundo – segundo ele, o primeiro, já que Pelé é de outra galáxia – maior artilheiro da história do Santos. Sua média é de 0,54 gol por jogo.

Vou citar Ademir da Guia, por quem tenho a maior admiração e por ser o maior mito do Palmeiras em toda sua história. O Divino, apelido que herdou do pai, o fantástico Domingos da Guia, não era um artilheiro, tanto assim que marcou “apenas” 153 gols em 866 jogos. Mas a elegância dava a sensação a quem o via jogar de que ele levitava em campo.

Para concluir o que não chega bem a ser um causo, já que são dados que fazem parte da história do nosso futebol, a facilidade em fazer gols sempre atraiu os dirigentes do futebol europeu. A venda de jogadores para o exterior vem desde a Copa do Mundo de 1934, quando o Brasil, apesar de ter feito uma apresentação muito abaixo do esperado, cedeu ao futebol italiano um ponta-esquerda chamado Rato e alguns outros jogadores. Rato foi titular e campeão do mundo em 38 defendendo a Itália.

Na minha memória, dois outros jogadores foram embora na década de 50: Dino da Costa e Vinicius, ambos do Botafogo, sendo que Vinicius que era ponta-esquerda e lá virou artilheiro, centroavante, como se dizia na época, com a camisa 9 e tudo. Dino da Costa jogou por alguns anos na Roma e depois sumiu. Garantem que foi seminarista e padre no Vaticano.

Logo depois, foram embora alguns outros grandes artilheiros, como Valdo, do Fluminense, que foi para o Sevilla e vive lá até hoje; Evaristo, do Flamengo para o Barcelona; Canário, do América para o Real Madrid; Válter Machado, do Vasco da Gama para o Valencia, da Espanha, acabando como vítima fatal de um acidente de automóvel; e o grande Mazzola, que era do Palmeiras, campeão do mundo em 51, e que jogou muitos e muitos anos na Itália, defendendo clubes importantes como a Juventus, o Napoli e o Milan, com seu verdadeiro nome José João Altafini. No Brasil, Mazzola, que ganhou dos jogadores do Palmeiras o apelido devido à semelhança com o Mazzola da seleção italiana nas Copas de 34 e 38 e que morreu num acidente aéreo com todo o time do Torino, fez 77 gols defendendo o Palmeiras em 106 jogos, com uma média de 0,74 gol por partida.

Autor: Michel Laurence Tags: , , , , , , ,

terça-feira, 21 de junho de 2011 Causos do Futebol | 18:30

Causos do Futebol – Uma Questão de Camisas

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Sempre achei esse negócio de camisas de futebol muito importante.

Durante muito tempo achava a camisa da Sampdoria, da Itália, amais bonita do mundo inteiro.

Depois achei a do Olympique de Marseille com aquele escudo que é um M entrelaçado no O em azul em cima do uniforme todo branco também muito bonita.

Um pouquinho mais velho passei para a camisa da Fiorentina, aquele roxo que ninguém usava.

Com 14 para 15 anos, adorei a camisa do América, do Rio. Aquele vermelho berrante era muito bonito sobre a grama do Maracanã.

Atualmente gosto da camisa do clube Rio Branco, de Campos dos Goytacazes, que foi o primeiro clube de futebol da cidade de Campos. A camisa é preto e rosa. Bonita de doer!

Um dia, logo que cheguei a São Paulo, fui fazer uma reportagem acho que foi com o Flamarion, um volante bom de bola, que surgia no Guarani.

Enquanto esperava o treino acabar comecei a conversar com um diretor do clube.

Perguntei:

- Quem foi que deu o nome de Brinco de Ouro da Princesa ao estádio do Guarani?

- Segundo a história – respondeu o dirigente – foi um jornalista aqui de Campinas, que na apresentação da maquete comparou o estádio a um “brinco”, e como Campinas tem o apelido de Princesa D’Oeste…

- Já que a gente está conversando numa boa – interrompi – por que vocês não trocam a cor da camisa do Guarani ou se não desenham uma camisa com o verde e detalhes em branco?

O homem coçou a cabeça, olhou pra mim e perguntou:

- Por que você está propondo isso?

- Porque a camisa do Guarani é igual a do Palmeiras… igual a do Goiás….

Nem cheguei a terminar a frase:

- E por que você não vai propor ao Palmeiras trocar a cor da camisa?

Autor: Michel Laurence Tags:

terça-feira, 14 de junho de 2011 Causos do Futebol | 13:11

Causos do Futebol – O Divino “Delinquente”

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Silva com a camisa do Racing/ARG

O título não é meu.

É de Nélson Rodrigues, que vez por outra aparecia com meu pai lá em casa para tomar uma cervejinha e falar da coisa que os dois mais adoravam na vida: o futebol. Eu ficava atrás da porta da sala semi-aberta, ouvindo as conversas dos dois, falando de Didi, João Saldanha, Mário Filho – fundador do Jornal dos Sports, escritor de um livro intenso e famoso, “O Negro no Futebol”, e irmão mais velho de Nélson.

Mas, voltando ao título, é de uma das crônicas de Nélson Rodrigues falando sobre um dos meus personagens prediletos do futebol: Almir Pernambuquinho.

O título da coluna do Nélson Rodrigues se referia a briga que Almir armou no Sul-Americano de 1959, na Argentina, contra o Uruguai, em que ele, Didi e toda a seleção enfrentaram os uruguaios no pau e acabaram de vez com a fama de que brasileiro tinha medo de briga.

Didi deu uma “voadora” em dois uruguaios cuja foto correu os jornais e revistas do mundo; e Almir encarou o time adversário depois de “dividir” – se aquilo que ele fez pode se chamar de “disputa de bola” – com o goleiro.

Eu era “setorista” da Última Hora, do Rio, cobrindo o Flamengo, quando, numa tarde quase no final do treino, Silvan “O Batuta”, que era ao lado de Almir o grande ídolo da torcida, começou a gritar comigo dizendo que  tinha “inventado uma mentira sobre ele”.

O Flamengo estava prestes a disputar o título do Campeonato Carioca. Arquibancada cheia.

Meio atônito, fiquei sem saber o que fazer, eu nem tinha escrito sobre o Silva. E ele ali gritando bravo. Senti que eu já era um candidato a levar porrada da torcida que começava a se manifestar.

-Enfia a mão nesse desgraçado – gritou um torcedor na arquibancada.

Achei que o Silva tinha lido a notícia em outro jornal e tentei argumentar, mas ele virou as costas para mim e foi caminhando ainda vociferando em direção à entrada dos vestiários que ficam (acho que até hoje) embaixo da pequena arquibancada.

Fui atrás dele. Não com o intuito de brigar, mas de esclarecer o caso, afinal eu sabia que não tinha escrito nada sobre o Silva que pudesse deixá-lo revoltado daquele jeito.

Era proibido entrar nos vestiários, mas nem me dei conta. Vi o Almir sentado num dos bancos, mas só depois me lembrei desse fato.

Flamengo de 1965, em pé, da esquerda para a direita: Murilo, Jaime, Marco Aurélio, Ditão, Carlinhos e Paulo Henrique. Agachados: Paulo Choco, Fefeu, Almir, Silva e Rodrigues

Sentei ao lado do Silva e perguntei:

- Onde você viu a tal da notícia?

- Aqui, ó – e ele puxou a Última Hora de dentro do armário dele.

Tremi! Será que alguém tinha escrito alguma coisa do Silva e não tinha me falado!

- Onde está a notícia? – perguntei.

Silva abriu o jornal e apontou para a página de dentro:

- Aí, ó! Taí!

Minha reportagem sobre o Flamengo tinha saído na contra-capa do jornal.

Olhei, sorri, e expliquei:

- Silva, olha aqui, está escrito: “da Redação de São Paulo”! Não fui eu, isso veio da sucursal de São Paulo. A minha reportagem é essa aqui! – e mostrei a contracapa com o noticiário do dia anterior.

Silva ficou olhando, e senti que ele não sabia o que fazer. No outro banco, Almir ria – e era difícil o Almir rir – enquanto o Silva dizia:

- Michel, me desculpa, fiquei tão bravo que nem vi isso aí!

- Tudo bem, mas agora vamos lá fora e você vai dizer para o povo que se enganou, que não escrevi nada contra você!

Silva ficou me olhando, enquanto Almir ria baixinho para não irritar o companheiro:

- Não posso fazer isso! Vai pegar mal para mim! – Silva estava sem graça.

- E eu, como é que fico? – perguntei!

- Sossega, leão! – ouvi o Almir dizer.

Foi quando realmente percebi que ele tinha assistido a tudo e fiquei preocupado que tivesse ficado zangado comigo. Foi quando ele me  tranqüilizou:

- Sossega, leão, ninguém vai encostar a mão em você. Pode ficar sossegado!

Essa foi a primeira vez que ele me chamou de leão!

Não sei se a torcida do Flamengo, que ficou sem saber da conversa no vestiário, me perdoou. Também não tinha o que perdoar.

Só sei que o Flamengo foi campeão.

Autor: Michel Laurence Tags:

terça-feira, 7 de junho de 2011 Causos do Futebol | 12:57

Causos do Futebol – Uma história de Vicente Matheus!

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Vicente Matheus

Apesar do folclore que sempre reinou em torno do ex-presidente do Corinthians Vicente Matheus, ele era um homem extremamente esperto e sabia como poucos tirar proveito das pessoas que o achavam simplesmente um “ignorante”.

Ninguém consegue se manter por tantos anos no poder de um dos maiores clubes do Brasil – “o segundo cargo mais importante do País, depois da presidência da República” como ele mesmo costumava definir a presidência do Corinthians – sendo apenas engraçado ou folclórico.

Dono de simples pedreiras, Matheus construiu uma verdadeira fortuna e tinha (ou talvez tenha até hoje, não sei) um escritório imponente numa daquelas ruas do centro velho de São Paulo, onde reinaram os barões do café e onde o Jóquei Clube de São Paulo mantém sua sede até hoje.

Se não fosse muito esperto, não teria conseguido, em 1971, derrotar e tirar da presidência do Corinthians o político Wadih Helu (que lamentavelmente faleceu hoje, aos 89 anos), várias vezes eleito para senador por São Paulo e de quem Matheus foi diretor de futebol. Orientou a campanha do quase desconhecido Martinez e o substituiu, dois anos depois, na presidência do clube.

Marlene Matheus e Vicente Matheus

Matheus foi candidato por oito vezes à presidência do Corinthians e venceu as oito vezes. Quando não pôde mais ser reeleito, lançou sua mulher, Marlene Matheus, como candidata. E venceu.

Wadih Helu, ex-presidente do Corinthians

Um dia, numa dessas campanhas para se reeleger, Matheus (que era espanhol de nascimento, naturalizado brasileiro) estava fazendo um discurso dentro dos jardins do Parque São Jorgequando notou que um de seus mais ferrenhos inimigos políticos dentro clube, Waldemar Pìres, balançava a cabeça como se estivesse concordando com tudo o dizia.

De repente, Matheus interrompeu o discurso e perguntou:

- Você está de acordo comigo, Waldemar?

- De pleno acordo – respondeu Waldemar!

No que Matheus, encerrando o discurso, explicou em voz alta:

- Meu Deus, então, devo estar dizendo uma grande besteira!

Autor: Michel Laurence Tags:

quarta-feira, 1 de junho de 2011 Causos do Futebol | 10:37

Causos do Futebol – Los “queridos” Hermanos!

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Tudo começou quando um senhor argentino, o general Júlio Roca, bem intencionado, resolveu criar o que veio a se chamar  Copa Roca, em sua própria homenagem.

Era o ano de 1914, e as relações políticas entre Brasil e Argentina, como sempre, não eram as melhores. O tal general Roca achou, com a aprovação do ministro de relações exteriores do Brasil, Lauro Muller, que um bom joguinho de bola apaziguaria os ânimos, já que os jornais argentinos, como o La Mañana,  falavam até em invasão do território brasileiro.

Dito e feito. O primeiro jogo oficial entre Brasil e Argentina aconteceu no dia 27 de setembro de 1914, pela Copa Roca. O Brasil venceu, 1 a 0, gol de Rubens Salles, no campo “deles”.

Argentinos nos primórdios da rivalidade com o Brasil

A idéia de paz com um jogo de futebol deu e não deu certo. Deu certo porque os argentinos pararam com a história de invadir o Brasil. Mas não deu certo porque a rivalidade política se transferiu para dentro de um campo de futebol.

Desse primeiro jogo em diante foram poucas as partidas entre as duas seleções que não terminaram em pancadaria.

E olha que nesse primeiro jogo o lateral direito brasileiro Lagreca cometeu uma falta em Izaguirre, o ponta da Argentina. Ficou aquela eletricidade no ar, mas bastou Lagreca ajudar o argentino a se levantar e lhe dar um abraço para que a paz voltasse a reinar.

Inclusive, depois do jogo rolou uma seresta entre jogadores dos dois times e torcedores, no próprio campo do Gimnasia y Esgrima, regada a um bom vinho.

A primeira grande briga de que se tem notícia aconteceu num dia de Natal, imaginem, em 1925, na decisão do Campeonato Sul-Americano, na Argentina. O Brasil vencia, 2 a 0, gols de Nilo e Friedenreich, quando o pau quebrou. A torcida invadiu o campo, e os argentinos acabaram empatando e se sagrando campeões.

Atletas de clubes brasileiros nos "bons tempos" do cássico continental

No dia seguinte aconteceu uma passeata na avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, pedindo o fim dos confrontos entre Brasil e Argentina.

Os encontros “esportivos” continuaram, sempre com uma briguinha aqui, outra ali. Uma das mais dramáticas aconteceu no Sul-Americano de 1946, na Argentina.

Para criar um clima bem pesado, os jogadores da seleção argentina desfilaram em volta do campo com o jogador Battagliero numa cadeira de rodas exibindo a perna engessada. Battagliero havia fraturado a perna no jogo anterior, num choque com o grande Ademir Menezes.

Nesse jogo decisivo, decidindo o título, o zagueiro Salomon entrou com tudo numa bola dividida com Jair Rosa Pinto. O brasileiro, com medo do pior, se protegeu e “apenas” calçou a bola, segundo relato dos jornais brasileiros, e o argentino teve fratura exposta.

A partir daí, o que se viu foi um verdadeiro massacre, com jogadores, torcedores e policiais agredindo os brasileiros.

A salvação dos jogadores brasileiros foi que Zezé Procópio, um vigoroso médio volante, prevenido, sempre jogava com uma navalha enfiada na meia.

O brilho da lâmina cortando o ar intimidou um pouco os argentinos. Deu tempo para que os craques brasileiros chegassem ao vestiário. Só o Chico, ponta-esquerda do Vasco da Gama, titular na Copa do Mundo de 50, que, apavorado, resolveu correr dos argentinos pelo campo e foi o último a chegar à porta do vestiário dos brasileiros, que … estava fechada.

Chico apanhou muito até ser puxado para dentro do vestiário.

Mas o caso não terminou por aí. A polícia argentina invadiu o vestiário do Brasil e, com ameaças, praticamente obrigou os jogadores a voltar e continuar a partida.

O Brasil, prudentemente, acabou perdendo.

Não é a toa que Brasil e Argentina, em futebol, nunca serão “hermanos” de verdade.

Autor: Michel Laurence Tags: , ,

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