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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012 Causos do Futebol | 17:12

Causos do Futebol – O “Contrato de Gaveta”!

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O Brasil é o centro que abastece de jogadores os clubes do mundo inteiro há muito tempo.

Sempre surgiram por aqui grandes garotos jogando bola.

E continua surgindo.

Agora mesmo São Paulo e Internacional de Porto Alegre disputam na Justiça o direito de ter Oscar, um meia de grande talento, vestindo a camisa do clube.

O Santos bancou Neymar desde seus 11 ou 12 anos, pagando salário e apartamento para a família do garoto em Santos.

Tudo isso para que nenhum aventureiro atravessasse o futuro do garoto no clube.

Os cuidados que os clubes tem hoje com suas descobertas e revelações foram em consequência de que antigamente não era assim.

Gérson, Canhotinha de Ouro

Gérson,o que ficou conhecido como O Canhotinha de Ouro, campeão do mundo em 1970, no México, surgiu no Flamengo, no final da década de 50, vindo de Niterói. Um dia Flávio Costa, que foi o técnico da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1950, preocupado com os estragos que Garrincha fazia nas defesas cariocas, pegou o garoto

Gérson nos juvenis e o colocou em campo para dar o primeiro combate a Garrincha e proteger o grande Jordan. Garrincha deu um tremendo “baile” nos dois, a ponto de Gérson cair exausto na linha de fundo, junto a bandeirinha de escanteio, de tanto correr atrás do Mané.

Em consequência João Saldanha foi lá em Niterói e facilmente convenceu o garoto Gérson a trocar o Flamengo pelo Botafogo.

Foi um negócio da China, de graça, com o Flamengo tentando de todos os jeitos ter de volta o garoto gênio da bola.

No Botafogo apareceu um garoto esguio, rápido, ágil, que jogava um futebol maravilhoso: seu nome? Nei, pai do Dinei que defendeu o Corinthians por muitos anos.

Outro caso famoso aconteceu numa noite escura. Dirigentes do Corinthians foram até General Severiano, e convenceram Nei à custa de uma provável polpuda quantia, a se mudar para São Paulo. Um golpe que nem toda a malandragem de João Saldanha poderia prever. Nei defendeu o Corinthians por vários anos

Paulo César Caju

Outro que foi seduzido pelo grande Botafogo dos anos 50 e 60 foi Paulo César Caju, que era morador da favela do Pinto, na Gávea, e surgiu no futebol de salão do Flamengo. Paulo César foi adotado pelo ex-lateral direito e técnico do Botafogo, Marinho. Não custou muito para que Paulo César se transferisse para General Severiano e se transformasse em um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos.

Foi assim que surgiu o famigerado “contrato de gaveta”, que é assinado pelo pai ou mãe da promessa, que só era usado para defender os direitos dos clubes sobre seu jovens jogadores.

Hoje a Lei Pelé protege os clubes que são eficientes em revelar garotos bons de bola.

As fugas e os “roubos” só acontecem atualmente se o clube cometer algum erro jurídico, que é o que São Paulo e Internacional estão discutindo.

Autor: Michel Laurence Tags:

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012 Comentário | 18:55

Déspotas não deixam sucessores!

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Tem gente “lambendo os beiços” com a iminente queda de Ricardo Teixeira!

E não só entre os candidatos a assumir o posto de presidente da CBF.

Aí, um amigo me perguntou:

- Quem você acha que pode assumir? Ser honesto primeiro e competente depois?

Sinceramente?

Não sei!

O continuísmo provoca essas coisas.

Pessoas, como Ricardo Teixeira, que se perpetuam em cargos, quando saem ou são finalmente afastadas, deixam “um vazio” atrás delas!

Na política acontece a mesma coisa. Quando a ditadura terminou no Brasil ninguém estava qualificado para assumir o Governo. Não existiam  lideranças, o que não era “permitido” por quem mandava. Durante alguns anos ficou um barco sem rumo, a ponto de ser eleito um candidato jovem e pessoalmente atraente. Deu no que deu!

Até gostaria de chegar e anunciar:

- Este é meu candidato à presidência da CBF!

Mas os “déspotas” não deixam sucessores!

O próprio Ricardo Teixeira quando assumiu a presidência da CBF, saiu das sombras! Nunca tinha feito nada, a não ser estar casado com a filha de João Havelange. Um parentesco distante que logo se transformou em um distanciamento progressivo entre os dois.

Acho que o sucessor provavelmente vai ser indicado pela presidenta Dilma Rousseff. Mas eu preferiria que houvesse uma eleição democrática, que o novo presidente da CBF fosse escolhido pelo povo, pela importância que o cargo tem.

Sei que é quase impossível: eleição custa caro!

Mas pelo menos que seja feita uma pesquisa junto a dirigentes do futebol, a políticos, a jornalistas de todas as áreas, e que seja indicado uma pessoa realmente  capaz de reconduzir o futebol brasileiro à posição que conquistou graças a pessoas que saíram do povo e que tinham e têm o dom de saber jogar futebol como ninguém.

Autor: Michel Laurence Tags:

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012 Causos do Futebol | 21:55

Causos do Futebol – A História do Cartão Verde!

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Vitor Birner, Xico Sá, Sócrates e Vladir Lemos

Tudo começou em 1993.

O presidente da TV Cultura e da Fundação Padre Anchieta era o jornalista e escritor Roberto Muylaert.

Uma sorte.

Um dia ele chamou o Laercio Roma, que era o diretor do Departamento de Esportes, e eu que tinha sido contratado para reformular o Grandes Momentos do Esporte. Nessa reunião Muylaert comunicou que a gente ia criar o Cartão Verde. Um nome que o grande Armando Nogueira trazia no bolso do colete. Armando tinha acabado de deixar a direção do jornalismo da Rede Globo, que tinha criado, e vagava de vez em quando da TV Bandeirantes para a SporTV e vive-versa.

Os dois, Muylaert e Armando, se encontraram num vôo da Ponte Aérea e surgiu a ideia de um programa de debates esportivos um pouco mais sério e bem humorado.

Outra sorte.

Começamos a trabalhar. O cenário criado para o programa era revolucionário para a época, com vários monitores com imagens passando aos poucos de uma tela para outra dando a sensação de continuidade e movimento. As paredes eram de tijolos imensos de cimento cinza, a mesa para três pessoas, era em formato de triângulo, com um grande cartão verde dando a sensação de escorregar por ela.

Mais uma sorte.

Os 3 lugares na estreia no dia 3 de março de 1993, foram ocupados por Armando Nogueira e José Trajano comentando, e Luís Alberto Volpe apresentando (pouco tempo depois a apresentação passou a ser de Flávio Prado). O convidado que nos obrigou a mais uma cadeira na mesa, foi Carlos Alberto Parreira, que preparava a seleção para a Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, onde a seleção foi campeã pela quarta vez.

Muito prestígio e muita sorte.

Em 1994, em função do sucesso do Cartão, Roberto Muylaert resolveu mandar uma equipe aos Estados Unidos para “cobrir” a Copa. Gustavo

 Assumpção, que era editor de esportes na época, que festejou seus 50 anos sábado passado, foi um dos enviados na equipe chefiada por Laercio Roma, que tinha José Trajano como comentarista, o grande Helvídio Mattos como repórter, Flavio Prado era o apresentador e trabalhava na rádio Jovem Pan e na TV Cultura, e eu que era o chefe de esportes.

Uma equipe fantástica de muita sorte (me tirando fora, que a modéstia me impede).

José Trajano

Para compor a mesa do Cartão que ia ao vivo primeiro de São Francisco e depois na final de Los Angeles, tinha uma série de convidados entre os quais o insubstituível Lucas Mendes que tinha sido meu companheiro na Globo, o grande Ruy Carlos Ostermann, e o maravilhoso Sicupira, goleador que foi ídolo no Botafogo do Rio, e no de Ribeirão Preto; que jogou um ano – 1972 – no Corinthians e se projetou no Atlético Paranaense, onde é ídolo até hoje.

Só tinha campeões e muita, mas muita sorte.

No dia da final o programa ia entrar ao vivo logo depois de terminado o jogo entre Brasil e Itália.

Olha a sorte aí novamente.

A gente trabalhando feito doidos para editar as matérias que iriam no Cartão, quando Roberto Baggio bateu o pênalti por cima do gol de Taffarel.

Foi uma sorte incrível.

Grande parte da equipe estava no estádio.

Faltavam poucos minutos para o programa entrar no ar aqui no Brasil e ninguém tinha chegado.

 

Armando Nogueira

Alguém gritou:

- Michel, senta lá!

- Você está louco? Olha do jeito que estou!

Nesse instante apareceu Lucas Mendes. E eu gritei:

- Lucas senta aí que você vai apresentar até o Flávio chegar.

- Você está louco! – foi a reação dele.

Eu já estava dizendo para o Gustavo:

- Anda, leva as fitas para o “switcher” (sala de onde se dirige o programa) e “calça” (que é colocar a fita para ser exibida) a abertura na máquina.

Gustavo saiu correndo com todas as fitas dentro de uma caixa enorme.

- Flávio Prado chegou – alguém anunciou.

De relance vi a cara de alívio do Lucas. Vi também o Trajano sentando.

O Sicupira chegou todo suado.

O Ruy entrou devagarzinho, achando que o programa já estava no ar.

Uma sorte fantástica.

Faltavam segundos para o programa entrar no ar, quando o Gustavo tropeçou e as fitas se espalharam pelo chão.

Ele agarrou a primeira que viu e a colocou na máquina.

Era a fita com o clipe de abertura do programa.

Que sorte! Ou tal qual Maradona “foi a mão de Deus”!

O Cartão Verde foi batizado com a sorte e sempre será um programa que vai misturar competência, talento e principalmente sorte.

Parabéns, Gustavo, feliz aniversário. Que sorte foi aquela?

Esse “causo” é dedicado em memória a Sócrates de quem começo a ter uma saudade insuportável.

Autor: Michel Laurence Tags:

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012 Comentário | 18:17

Visitante ilustre,

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é assim mesmo, todo mundo quer tirar foto com ele.

Na primeira foto, ele, o grande Sakai-san, com seu cultivado “bigodão”, poeta de mão cheia, famoso, e  eu, almoçando no Ponto Chic, onde foi inventado o sanduíche Baurú. Está escrito na toalhinha na mesa. Foi um alvoroço danado. Sakai quase ficou sem almoçar de tantos autógrafos que teve de distribuir.

Na outra foto, um “pentelho” que não sossegou enquanto não tirou uma foto com o grande Sakai-san.

Até o grande Tin-Tin, quando soube da presença do Sakai-san, apareceu no Ponto Chic para dar um abraço no ilustre poeta.

Sakai-san prometeu voltar o ano que vem, ou este ano mesmo se meu grande editor, José Luiz Tahan, da Editora Realejo, conseguir lançar meu esperado e aclamado livro.

Foi divertido!

Autor: Michel Laurence Tags:

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012 Causos do Futebol | 13:24

Causos do Futebol – UM DIVINO QUASE ETERNO!

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Meu pai, Albert Laurence – um dos fundadores do jornal Última Hora, com Samuel Wayner e muitos outros grandes jornalistas, como os irmãos Paulo, Augusto e Nelson Rodrigues –, era apaixonado pelo futebol brasileiro. Nas conversas que ele tinha com os amigos e comigo quando já era rapaz, ele vivia afirmando:

- O Brasil só perdeu a Copa de 38 porque os jogadores não tinham total conhecimento da regras.

Ele se referia ao pênalti cometido por Domingos da Guia em Piola, no jogo pelas semifinais, quando o maravilhoso zagueiro segurou o goleador italiano dentro da área, com a bola já fora das quatro linhas.

- Domingos mais se “pendurou” em Piola porque estava perdendo o equilíbrio, e o juiz marcou o pênalti quando a bola já havia saído pela linha de fundo.

Foi com essas histórias que tomei conhecimento do grande Domingos da Guia, que foi apelidado pelos uruguaios, quando defendeu o Nacional, de Montevideu, de “O Divino Mestre”.

Sabe quantos anos tinha o Domingos?

20 anos!

Ser apelidado pelos uruguaios, campeões do mundo em 1930 e bicampeões olímpicos em 1924 e 1928, de Divino Mestre é uma deferência que poucos mereceram na história do futebol mundial.

Muito mais tarde, quando já trabalhava na Rede Globo, fui encarregado de fazer um Globo Repórter sobre os Monstros Sagrados do futebol brasileiro, e entre eles entrevistei Domingos da Guia em seu pequeno e humilde apartamento no subúrbio de Marechal Hermes, no Rio, se não me falha a memória.

Isso deve ter sido em 77 ou 78, e Domingos já era um senhor de 65 anos, que se mantinha orgulhosamente ereto, que encarava as pessoas de frente sem nenhum receio:

- Você não vai me perguntar sobre o pênalti em Piola?

O olhar era meio preguiçoso, como se estivesse pensando: “Esse menino não sabe quantas vezes já expliquei essa história!”.

Perguntei e fiquei sabendo que até aquele dia ele tinha certeza que o juiz havia “roubado” o Brasil e que ele não tinha feito pênalti nenhum.

- Me responsabilizaram pela derrota – suspirou ele, sentado numa imensa poltrona. Me responsabilizaram por cometer uma falta que não fiz.

O que mais me impressionou foi a postura de Domingos, exatamente a mesma dos grandes jogadores de hoje em dia, isso sem a mídia, que, nos tempos em que jogou, praticamente não existia, e também enfrentando um preconceito racial – que não há como negar – terrível nos anos 20 e 30.

Tentei quebrar a resistência e perguntei:

- Seu Domingos, e a “Domingada”?

- O que? – ele respondeu imediatamente – Você pensa que me ofenderam? Ora, nada disso, “eles” reconheceram que fui um grande zagueiro.

Atribui o “eles” à minha classe, os jornalistas.

- “Domingada” era porque, além de defender, eu saía jogando com  a bola nos pés. Acho que fui o primeiro a fazer isso. Falam (a conversa foi em 77/78) que o primeiro zagueiro a atacar foi o Nílton Santos. Ele foi grande e merece.

- Mas, seu Domingos, e a “Domingada”?

- Foi porque perdi uma única vez a bola querendo sair jogando! Não me lembro quem “tropeçou”, tirou sem querer a bola dos meus pés e fez o gol.

E quando olhei para Domingos ele estava com raiva, como se o lance tivesse acontecido no dia anterior.

Nunca mais esqueci aquela figura imponente, assim como já pensei algumas vezes que Domingos da Guia quase se perpetuou em seu filho Ademir da Guia, o segundo e último Divino da história.

Autor: Michel Laurence Tags:

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012 Notícias | 18:13

O “causo” misterioso de Ronaldo Fenômeno!

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Eu estava lá com a Rede Record tentando cobrir a Copa do Mundo de 98, na França.

Digo “tentando” porque a FIFA negou as credenciais que a Record tinha comprado e a gente não podia nem cobrir a seleção brasileira, quanto mais os jogos da Copa.

Foi um inferno!

Só sei que chegou as minhas mãos na produtora alugada pela Record, o boletim com a escalação da seleção na final contra a França, com Edmundo no lugar de Ronaldo. A gente não sabia o que tinha acontecido.

Aí alguns minutos depois chegou outro boleto com Ronaldo escalado.

Todo mundo sabe a história, Ronaldo teve convulsões e desmaiou algumas horas antes do jogo. Foi levado a uma clínica onde foi submetido a uma bateria de exames. Não chegaram a conclusão nenhuma e os médicos permitiram que ele fosse escalado.

Até hoje existem as mais incríveis versões sobre o que teria acontecido com Ronaldo.

Agora 14 anos depois da terrível derrota, surge um médico italiano chamado Bruno Carú afirmando que Ronaldo “ao assistir à Fórmula-1 no dia da final contra a França, interrompeu inclinando a cabeça, o fluxo sanguíneo da carótida e aí sofreu um desmaio com convulsões”, que alguns creditaram a um ataque de epilepsia.

- Nos exames feitos na clínica, Ronaldo tinha cerca de 15 batimentos cardíacos por minuto, o que comprova a minha tese.

Não entendo nada de medicina e nem deveria estar escrevendo sobre isso, mas não resisti. Afinal, esse é um dos grandes mistérios do futebol brasileiro.

Só sei que nunca mais vou inclinar a cabeça para ver televisão! 

PS: por favor, me poupem de comentários do tipo: “se não entende, não deveria estar comentando”, porque me antecipei a vocês.

Autor: Michel Laurence Tags: ,

terça-feira, 31 de janeiro de 2012 Causos do Futebol | 19:16

Causos do Futebol – Dida, Artilheiro até Morrer!

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- Eu me chamo Edvaldo!

- “Edi” o que? – perguntou o “professor” que procurava distribuir a garotada pelos dois times da “peneira”.

- Edvaldo! – respondeu o garoto quase com medo.

- Isso não é nome de jogador de bola! Como é teu apelido em casa?

O garoto ainda assustado falou:

- Dida…!

- Dida é legal! Curtinho, quatro letras, como Didi, Dudu, legal!

E Dida entrou no seu primeiro treino e fez 3 gols.

Edvaldo Alves de Santa Rosa vinha de uma família classe média de Maceió, Alagoas. O pai e os quatro irmãos jogaram bola. Nenhum foi profissional. Dida se destacava. Jogava muito. Começou a ser famoso nas peladas da Praça da Cadeia. A praça estava mais para um terreno baldio bem ao lado do xadrez da cidade. Os primeiros a aplaudirem o futebol de Dida foram os presos, que acompanhavam as peladas dos garotos através da grades e apostavam sempre no time do Dida. As apostas eram com maços de cigarros.

O diálogo com o “professor” foi no América, Dida tinha apenas 15 anos e tinha sido convencido pelos dirigentes a jogar uma única partida pelo clube. Dida não queria, queria estudar, ser médico. Mas os dirigentes acabaram convencendo o rapaz:

- É uma partida só! Só uma! Contra o Barroso, decidindo o campeonato de juvenis.

Dida acabou aceitando, o América venceu, 4 a 1, com 3 gols do menino Edvaldo.

A partir daí estava decidido, Dida ia ser jogador de bola.

O CSA, que divide a torcida com o CRB, ofereceu um bom emprego ao rapaz.

Com 16 anos Dida foi convocado para a seleção alagoana. O presidente do Flamengo na época, 1953, era Gilberto Cardoso, um alagoano, ouviu falar de Dida e mandou um representante para observar o jogador. Foi um jogo entre as seleções de Alagoas e da Paraíba. No primeiro tempo venceu a Paraíba, 3 a 1. No segundo tempo Dida fez 3 gols e a seleção de Alagoas venceu, por 4 a 3. O emissário voltou ao Rio maravilhado. Custou convencer Dida a largar sua terra natal, mas finalmente em abril de 1954 ele chegou para o Flamengo.

Apesar da saudade Dida fazia furor entre os aspirantes. Nos coletivos, ele fazia 3, 4 gols na defesa titular, que formada por seus ídolos, Garcia, Tomires e Pavão; Jadir, Dequinha e Jordan. O problema é que os titulares no ataque eram o paraguaio Benitez e o fantástico Evaristo.

Na decisão do bicampeonato de 54, contra o Vasco, Benitez se machucou e Evaristo andava se queixando de uma dor na perna. Fleitas Solich, um técnico paraguaio de muita história e personalidade, Na manhã da grande decisão, Solich falou com Dida:

- Olha, você vai jogar. Mas não se preocupe, você não tem nenhuma responsabilidade. Vai lá, joga, como se estivesse nos aspirantes.

Tomado de súbita coragem Solich tirou Zagalo que era o titular e fez o parceiro de Dida nos aspirantes, o ponta-esquerda Babá entrar.

Os dois não fizeram gols por causa do grande Barbosa, que pegou tudo, ou quase tudo,, mas conquistaram a torcida. O Flamengo venceu, 2 a 1, com gols de Rubens, o doutor Rubis, e do centro-avante Indio.

No ano seguinte o Flamengo queria o tricampeonato, que seria o segundo de sua história.

Evaristo já estava de malas prontas para a Espanha, vendido ao Barcelona e Dida no segundo-turno, finalmente virou titular do Flamengo, se tornando também o artilheiro do campeonato. A decisão contra o América foi em um “melhor-de-três”. Mesmo assim no primeiro jogo, Evaristo ainda jogou e fez o gol da vitória, por 1 a 0.

No segundo jogo, o América com um timaço, venceu de goleada, 5 a 1.

Aí veio a “negra” e Solich colocou Dida no ataque ao lado de Evaristo.

A história conta que o América só perdeu a decisão porque o lateral Tomires, conhecido pelo apelido de Cangaceiro, quebrou a perna do meia Alarcon, do América. Naquela época não existia substituição, nem quando um jogador quebrava a perna.

Assim o meia Duca fez o primeiro gol do Flamengo e Dida os outros três na conquista do tricampeonato do Flamengo.

Dida foi o senhor absoluto da posição de titular do Flamengo por longos 11 anos.

Entre uma conquista e outro pelo Flamengo, foi campeão do mundo na Copa  da Suécia em 58, quando jogou as duas primeiras partidas e foi substituído por Pelé nas quatro últimas.

Dida com 244 gols foi o maior artilheiro da história do Flamengo por quase 3 décadas, até que apareceu Zico na década de 80, que quebrou todos as marcas do alagoano..

Dida, o homem que gostava de fazer 3 gols por partida, faleceu em 2002.

Autor: Michel Laurence Tags:

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012 Notícias | 17:14

Os número 9!

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Dizem que Alan Kardec tem parceria com os espíritos.

3 jogos, 4 gols – os 4 do Santos feitos até agora – e uma vaguinha entre os artilheiros do Campeonato.

Afirmam que Adriano nunca mais vai jogar bola.

Ele mesmo anunciou isso quando voltou da Itália pela primeira vez. A diferença está em que antes ele não queria, agora não o querem.

Corre por aí que o Fabuloso está furioso.

Primeiro com seus companheiros de ataque que não tem lá demonstrado uma grande boa vontade em lhe passar a bola; depois com os dirigentes do São Paulo que insistem na contratação de Nilmar, que foi afastado pelo técnico do time do Villarreal, da Espanha, quando confirmou que estava negociando com o São Paulo.

 

A comoção sob suspeita a pequena distensão que sofreu ontem.

Fernandão, 1m90, músculos para todos os lados, cara de centro-avante antigo.

Barba por fazer, guerreiro, precisando por comida na mesa de casa, Fernandão entrou ontem no lugar do veloz mas irregular, Maikon Lerite faltando pouco mais de 5 minutos para o jogo acabar, e num centro de Marcos Assunção, se antecipa à zaga da Catanduvense, para fazer de cabeça o gol que salvou o Palmeiras de sua primeira derrota  no Campeonato.

Os 9 vivem de gols.

Adriano, o Imperador, nem aos treinos do Corinthians vai mais. A partir do momento em que o Andrés Sanchez disse que “ele não tinha mais jeito” até o torcedor que era dele, se desinteressou. É inacreditável como ele está trocando a vida que milhões de pais querem para seus filhos, por uma que deve lhe trazer desilusões.

Luis Fabiano precisa de tempo. Tempo que é longo para os meninos que jogam ao seu lado e curto para ele que sofre com contusões normais pelo peso de seus 32 anos.

 

Fernandão precisa de espaço e de crédito. Ele quer exatamente aquilo que Adriano está abandonando.

Apesar da parceria com os espíritos, a tarefa de Alan Kardec parece ser a mais difícil de todos.

Ele precisa arrumar um jeito de jogar ao lado de Neymar.

Mas quem ocupa o lugar no momento é Borges, artilheiro do Campeonato Brasileiro.

 

Borges 22 gols, cambalhotas espetaculares, saltos mortais.

Kardec espiritual, elevando os olhos aos céus depois de cada gol.

Bom menino, procurando agradecer a quem lhe passou a bola.

Vai pelo mundo dos artilheiros quase despercebido.

Se não encontrar outro caminho, seu destino parece ser o de entrar faltando 15 minutos, como aconteceu o ano passado.

Autor: Michel Laurence Tags: , , ,

terça-feira, 24 de janeiro de 2012 Causos do Futebol | 14:01

Causos do Futebol – O DIA EM QUE O SANTOS “VENDEU” O TIME INTEIRO…

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…menos Pelé!

Foi logo em um dos primeiros números da revista Placar.

Cheguei na redação de Placar ali no antigo prédio da Abril, na marginal do rio Tietê, e avisei:

- Tenho uma matéria legal sobre o Santos (não me lembro o que era)!

- Guarda para a semana que vem – respondeu o chefe da redação, Woyle Guimarães (um dos maiores com quem trabalhei).

Como “guarda para a semana que vem”? E se alguém publicar o mesmo assunto antes da gente?

- Por que? – me arrisquei em perguntar.

- Porque já temos uma matéria muito legal sobre o Santos para a revista desta semana! – respondeu o Woyle.

- De quem é? – perguntei novamente com cuidado.

- Não posso dizer, é segredo, só posso falar que é muito legal e vai fazer um barulho danado.

Fiquei entre angustiado e curioso. Angustiado porque, desde 1967 na Edição de Esportes de O Estado de São Paulo, estava acostumado a ser o autor das matérias quentes do Santos; curioso (e furioso) por uma matéria tão legal e importante ter passado por mim sem que ao menos suspeitasse do que era.

Tive que esperar até o domingo, quando a gente “fechava” a revista que ia às bancas na terça-feira, para que o segredo fosse revelado,

E lá estava na capa: “Nosso repórter comprou meio time do Santos!”.

O jornalista Georges Bourdokan

O autor dessa maravilhosa façanha foi o jornalista Georges Bourdokan.

Ele fala armênio e se fantasiou de sheik árabe para negociar com o vice-presidente do Santos na época, o aposentado do Exército general Osman.

Era tempo de dificuldade financeira no Santos, principalmente devido ao chamado “Elefante Branco”, que era o apelido do Parque Balneário comprado pelo clube, na esquina da avenida Ana Costa com a praia do Gonzaga (acho que é isso), que hoje abriga o hotel Sheraton (ou será que o hotel já não está mais lá?).

Era tempo também do início da fortuna dos países árabes com o petróleo que rareava no mundo e abundava no Oriente Médio.

O diálogo entre Bourdokan e o general Osman foi mais ou menos esse.

- Quanto o senhor quer pelo Carlos Alberto? (o Torres, capitão do Tri).

E o presidente do Santos estipulou um preço.

- E pelo Lima? ( o “Coringa” que jogava em todas).

- “Tanto”, respondeu o presidente.

E assim foi até chegar a Pelé.

- Não, esse não vendo – disse o general.

- Como assim, “não vende”? – reclamou Bourdokan.

- Esse não tem preço – afirmou o vice-presidente.

- Tá bom, ta bom, mas ainda vamos voltar a esse assunto. Agora, quanto o senhor quer por todo o time titular do Santos, menos o Pelé? – foi o cheque mate de Bourdokan.

O pobre do vice-presidente, que nem suspeitava da farsa, pensou, pensou e finalmente deu o preço. 600.000 dólares, um grande dinheiro na época.

Bourdokan se levantou e disse:

- Está bem, vou comunicar aos meus sócios que o senhor não vende o Pelé e que quer essa quantia pelos outros titulares! – cumprimentou o vice-presidente, que com seus assessores já alcançava a porta do gabinete quando ouviu a pergunta:

- E quando terei notícias suas novamente? – perguntava o general Osman!

Bourdokan vacilou um pouco, mas conseguiu responder contendo o riso:

- Terça-feira, presidente. Terça-feira!

O dia em que Placar estaria nas bancas.

PS - Georges Bourdokan é um dos maiores jornalistas que conheci na minha vida.

Autor: Michel Laurence Tags: , , ,

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012 Comentário | 15:03

Vida de boleiro!

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Juan revelado no São Paulo, vai para o Flamengo. Arrebenta, todo mundo diz no Rio, que é jogador para resolver o problema da lateral esquerda na seleção.
Um ano depois, Juan já não é unanimidade, continua um bom jogador, mas já não está nas graças da mídia e principalmente na da torcida.
Com o passar do tempo Juan vai se transformando em um problema para o Flamengo. O jogador se julga no direito de ganhar igual ou mais do que as grandes estrelas do time.
Passa a ter atrito com a diretoria do clube.
Passa a ter visível má vontade com o clube.
Consegue se libertar do Flamengo e se transfere para o São Paulo.
Chega no São Paulo dizendo que está feliz porque voltou para a sua “segunda” casa  (a primeira é a de sua família).
Não é querido pela torcida.
O time não está bem e ele não consegue – assim como Júnior César que revezou com ele até ser cedido ao Flamengo – se firmar.
O São Paulo contrata Cortez, do Botafogo, e Juan se sente ameaçado.
Juan demonstra querer sair do São Paulo.
O Santos tem interesse em sua contratação.
São Paulo e Santos acertam os detalhes para a transferência.
Juan faz uma proposta financeira (R$250.000,00 por mês, mais luvas e 3 anos de contrato assinado) absurda segundo os dirigentes santistas que se desinteressam pela contratação.
O São Paulo se diz constrangido e critica Juan.
Juan diz que quer ir para o exterior.
O representante de Juan diz que recebeu uma consulta dos dirigentes do Vasco.
Mas Juan comprou recentemente um apartamento na zona oeste, em São Paulo e quer ficar por aqui.
Onde irá jogar Juan, que já foi a solução para a lateral-esquerda da seleção?

Autor: Michel Laurence Tags:

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