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sexta-feira, 25 de maio de 2012 Notícias | 18:45

Um crime contra Ganso!

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Não sei se é verdade, mas saiu nos jornais, na TV e na Internet e ninguém desmentiu. Então sou forçado a acreditar que Paulo Henrique Ganso tomou injeção no joelho para poder jogar.

A injeção é para o jogador não sentir dor.

Foi o que fizeram com Mané Garrincha.

Sei, alguém vai dizer:
- Ora, Michel, os tempos são outros. Garrincha era no tempo em que se amarrava “cachorro com linguiça”. Hoje a medicina está muito mais avançada.

Claro, concordo, Garrincha foi entre as décadas de 50 e 60. Cinquenta anos atrás. A medicina evoluiu.

Mas injeção para que alguém não sinta dor é a mesma coisa de 50 anos atrás.

O cara não sente dor e joga como se não tivesse nada. A contusão, por mais que me convençam e por mais que eu não tenha tido uma confirmação, só vai piorando.

Tudo está mal explicado nesse caso.

O médico do Santos garantiu que Ganso só ia passar por uma atroscopia para “retirar uma sujeirinha do joelho”. Uma limpeza.

Não dá para entender como na reta final de uma Copa Libertadores da América resolvem fazer uma atroscopia para apenas “uma limpeza” num dos melhores jogadores do Santos.

Um jogador que certamente vai fazer falta.

Se a cirurgia é “tão sem importância”, porque não deixaram para fazer depois da Libertadores.

Acho que o Santos está na obrigação de xplicar melhor essa incrível história.

Incrível para os dias de hoje…  Se ela acontecesse nos tempos de Mané Garrincha, haveria uma chiadeira danada, como aconteceu quando a imprensa em geral tomou conhecimento das infiltrações e dos joelhos inchados pelo sangue pisado, que Garrincha suportou em sua carreira.

O DINHEIRO DE ROBERTO CARLOS
Ao que parece Roberto Carlos, o lateral-esquerdo campeão do mundo em 2002, está sendo processado e perdeu uma causa no valor de R$360 mil para uma ex-funcionária.

A Justiça bloqueou as contas bancárias de Roberto Carlos. E encontrou… R$7,00 e uns quebrados.
É de rolar de rir.

Roberto é um dos maiores jogadores do mundo dos últimos 20 anos, só no Real Madrid jogou por 10 ou mais anos, e só tem míseros 7 reais em suas contas nos bancos. É de rolar de rir.

Autor: Michel Laurence Tags:

terça-feira, 22 de maio de 2012 Causos do Futebol | 19:36

Causos do Futebol – Um Senhor Chamado Albert

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Meu pai, Albert Laurence

Outro dia, não me lembro quem – e peço desculpa – me pediu para que eu contasse quem foi meu pai.

Como ele teve quase que sua existência inteira ligada ao futebol, acho que cabe aqui entre os nossos “causos”.

Meu pai, Albert Albin Laurence que (por modéstia ou por achar sem nenhuma importância) abandonou o pomposo sobrenome de “de Melchior”, nasceu em 1905, em Marselha, que dizem ser o mais antigo porto do mundo, e que disputa com Paris o título de cidade mais importante da França (acho que há um certo exagero nisso, mas posso garantir que existe uma imensa rivalidade entre os habitantes das duas cidades – os de Paris dizem que os marselheses “são casca grossa” e os de Marselha retrucam que os parisienses “são” como diria “mais atraídos por homens do que por mulheres” – coisas de rivalidades milenares – tomara que nenhum parisiense leia isso).

Desde o colégio o jovem Albert foi atraído pelo jornalismo; Aos 16 anos já comandava a seção de esportes do maior jornal de Marselha (enquanto seu irmão Emile ia para a cidade de Nice comandar o esporte do jornal Nice Matin) e chegou a ser chefe de redação do “Paris-Soir” o maior jornal da França na época.

Fora o jornalismo a paixão dele foi o futebol. Chegou a ser um bom meia armador num time amador em que o goleiro era o filósofo Albert Camus.

Segundo minha mãe, Renée Marie Louise Laurence cujo apelido era “Doudouce” (mais do que doce) e nascida no Brasil, meu pai falava sete (7) línguas depois de ter aprendido no peito e na raça o português.

Numa dessas coincidências da vida, a Copa do Mundo de 1938 foi na França e a cidade de Marselha foi a sede da seleção brasileira, que jogou 3 partidas no agora conhecido Estádio Vélodrome.

Mário Filho

Foi assim que meu pai travou conhecimento com jogadores maravilhosos como Leônidas da Silva, o Diamante Negro, que foi artilheiro da Copa com 8 gols; Romeu Peliciari – ídolo no Fluminense e no Palmeiras; Elba de Pádua Lima, o Tim, que foi apelidado de “El Peon” quando jogou no Boca Júniors; Domingos da Guia, que foi chamado de o Divino Mestre pelos uruguaios quando defendeu o Nacional, e pai de Ademir da Guia, o Divino; Perácio, que tinha um chute tão forte que os goleiros tinham medo dele; Hércules; e muitos outros. O Brasil ficou com o terceiro lugar, derrotando a Polônia, em um jogo memorável, que terminou 6 a 5 – se não me falha a memória.

Meu pai ficou marcado por aquele futebol jogado na base do talento, tão marcado que quando depois da Segunda Guerra Mundial resolveu mudar de país, escolheu o Brasil, primeiro por causa da nacionalidade da minha mãe e depois para poder viver na terra do futebol “encantado” como gostava de definir.

Sem saber falar uma palavra de português (minha mãe também não sabia porque com apenas 2 anos foi para a França com os pais que eram franceses) desembarcou no Rio de Janeiro em 1947 (nós – minha mãe, minha irmã a atriz Jacqueline Laurence, e meu irmão Phelippe falecido precocemente – viemos um ano depois) e começou a ganhar a vida dando aula de francês. Depois procurou o dono do Jornal dos Sports, o grande jornalista Mário Filho, e o convenceu a deixar que escrevesse uma coluna sobre futebol internacional, que acabou sendo conhecida por esse mesmo nome Futebol Internacional. Para escrever a coluna primeiro escrevia em francês e depois com um dicionário ia traduzindo palavra por palavra, entregava a um companheiro no jornal que tratava de dar uma corrigida e um sentido ao escrito.

Samuel Wainer

Em 1953 foi contratado pelo grande Samuel Wainer e fundou o jornal Última Hora, que revolucionou a imprensa brasileira. Ele chefiou o Esporte da Última Hora até sua morte em 1963 e revelou grandes jornalistas como Teixeira Heizer, autor de livros importantes e membro do Conselho da ABI – Associação Brasileira de Imprensa; Aparício Pires, que foi chefe da Última Hora e também do esporte do jornal O Globo; e ajudou o maravilhoso Jacintho de Thormes (cujo verdadeiro nome era Maneco Muller) a deixar o colunismo social e passar para o esporte; e foi também meu pai quem lançou João Saldanha como colunista esportivo, depois de João ser campeão como técnico do Botafogo em 1957. Nélson Rodrigues foi um dos grandes amigos do meu pai, os dois tinham discussões intermináveis quando Nélson ia lá em casa tomar “uma” cerveja.

Meu pai segundo o inesquecível Armando Nogueira foi quem mostrou em primeiro lugar que o texto bem trabalhado cabia no futebol.

Foi amigo do grande Nílton Santos; do fantástico Telê Santana e de uma centena de jogadores que passaram a ser respeitados pela profissão que exerciam.

Para mim foi um homem que me ensinou a viver, as vezes com amor outras com rudeza, por quem eu tenho até hoje uma imensa admiração e apenas uma frustração; ele não me viu jornalista.

Um dia entrou pela sala lá de casa vindo do jornal e me disse:

- Esse cara que você está chamando de “neguinho desengonçado” vai ser o maior jogador do mundo (Pelé tinha acabado de fazer 3 gols contra um time chamado AIK da Suécia, que um combinado Vasco e Santos tinha derrotado no Maracanã, por 5 a 2).

Autor: Michel Laurence Tags:

segunda-feira, 21 de maio de 2012 Notícias | 18:06

Oswaldo impôs respeito na raça!

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Se entendi direito acho que o Oswaldo de Oliveira tentou dar uma “sacudidela” na história do Botafogo.

Além da bela homenagem ao grande Nílton Santos, ele soltou os cachorros para cima da arbitragem.

O que ele fez não tem explicação.

Hoje ele disse que foi destratado pela arbitragem em comparação com a atenção dada pela mesma ao técnico do São Paulo.

Não sei se alguém tinha percebido tal coisa.

Acho que ele quis fazer como se estivesse dirigindo o Corinthians ou o Flamengo.

Mostrar que o Botafogo vem bancando o “bonzinho” esses anos todos, mas que ISSO ACABOU ONTEM.

O que ele fez seria o que o técnico do Flamengo, do Palmeiras, do Fluminense, faria.

Revolta! Indignação!

E o mais incrível, na hora de uma grande vitória.

Acho que o Oswaldo vinha se incomodando com isso desde a hora em que assumiu o Botafogo.

Tenho a impressão que ele atribui ao fato do Botafogo se comportar menor do que os três outros grandes do Rio, faz com que ele seja prejudicado moralmente e fisicamente quando dos jogos contra outros grandes.

Ontem ele começou a dar um basta nesse tipo de tratamento.

Se for isso, eu dou os parabéns a ele. Eu tenho a impressão que o Botafogo vem sendo tratado inclusive pela imprensa, como um candidato a um “novo América”, que foi sumindo, sumindo, até sumir e ser olhado hoje com misericórdia.

Oswaldo não quer sumir e não quer que o Botafogo que no tempo dele – como no meu – já entrava em campo com 1 ou 2 a 0 a seu favor, continue sumindo.

É evidente que o Botafogo precisa de reforços e que faça entender a alguns jogadores que a dedicação ao clube está acima das ambições pessoais e que essas só serão alcançadas se todos “remarem” para o mesmo lado.

Autor: Michel Laurence Tags: , ,

sexta-feira, 18 de maio de 2012 Comentário | 19:35

Times “Caseiros”​!

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Foi um vexame?
Não, não foi!
O Fluminense perder de 1 a 0 para o Boca dentro de La Bombonera, não
pode ser considerado vexame!
O Santos perder de 1 a 0 para o Velez Sarsfield… PODE ser
considerado um vexame, pelas circunstâncias em que foi.
Perder uma partida de futebol é… normal!
Até a “supostamente invencíve!” seleção da Hungria perdeu para uma
fraquíssima Alemanha a final da Copa de 1954, na Suiça. Transformaram
até em filme, aliás um ótimo filme chamado “O Milagre de Berna”.
Mas do jeito que foi, a derrota do Santos foi no mínimo… prteocupante.
Por que?
Porque foi exatamente do mesmo jeito que o Santos perdeu para o Barcelona.
Seus dois maiores craques, aqueles dois que são a grande esperança de
vitória na Copa do Mundo de 2014, Paulo Henrique Ganso e Neymar
pareciam… “hipnotizados”.
Os dois mal tocaram o pé na bola.
Os dois nunca tiveram a iniciativa em nenhum momento.
O menino Peruzzi, que “ameaçou” quebrar Neymar, em momento nenhum se
intimidou diante do brasileiro.
A desculpa que se ouviu antes dos jogos era “o importante é fazer um gol lá!”.
Estranho, muito estranho!
Não o “fazer um gol lá”!
Que realmente é importante.
Mas estranho, muito estranho é o fato de “ninguém falar em vitória”.
Ora, um time com pretensões vai para vencer.
Agora, terrível é ouvir depois das derrotas que “em casa a gente tira
a diferença”!
Como se isso fosse uma verdade absoluta.
É evidente que jogando em casa os “times da casa” passam a ser favoritos.
Mas quem pode garantir como certa a vitória em casa… isso sem falar
que o empate favorece os visitantes.
Estou começando a achar, principalmente me referindo ao Santos, que o
time é “caseiro”, aquele que só joga só a proteção de seu estádio e
sua torcida.
… mas se a gente parar e pensar, tomara que isso seja verdade e se
confirme em 2014, quando a Copa será em “CASA”!

Autor: Michel Laurence Tags:

terça-feira, 15 de maio de 2012 Recados | 14:49

Almoço com amigos

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Da esquerda para a direita: Oscar Roberto Godoy, Rogério Michelletti, eu e Ailton Amalfi

 

 

Autor: Michel Laurence Tags:

Causos do Futebol | 14:44

Causos do Futebol – O Chute de Jajá de Barra Mansa

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Jair Rosa Pinto

Jair Rosa Pinto foi um verdadeiro fenômeno.

Só não foi mais cultuado porque formou na maravilhosa seleção brasileira que lamentavelmente perdeu a final da Copa de 50, para a do Uruguai.

Em 1938, com apenas 17 anos, Jair chegou ao Madureira com esse apelido porque nasceu em Quatis, em 1921, na época um distrito da cidade de Barra Mansa, no Estado do Rio.

No Madureira Jair formou um trio de ataque infernal ao lado de Lelé e Isaias. Os 3 se destacaram tanto que ganharam o apelido de “Os Três Patetas” e foram comprados de uma vez só, os três juntos, pelo Vasco da Gama, em 1943.

Jair jogava tanto que o apelido de Jajá foi se perdendo através dos anos e substituído com todo o respeito por Jair da Rosa Pinto. Levou mais alguns anos para que Jair convencesse as pessoas que o nome certo era “apenas” Jair Rosa Pinto.

O que impressionava mais ainda no futebol de Jair é que ele tinha umas canelas “fininhas” quase sem musculatura e um chute de uma força inacreditável.

Em 1949, depois do jogar dois anos pelo Flamengo, Jair Rosa Pinto se transferiu para o Palmeiras e em 1951 disputou a Copa Rio, conhecida na FIFA como Torneio Internacional dos Campeões.

A Copa Rio só foi criada pela então CBD (Confederação Brasileira de Desportos), hoje CBF, para tentar amenizar a dor dos brasileiros pela perda da Copa do Mundo de 1950 e reconquistar o público que tinha praticamente abandonado os estádios.

Taça Rio

Ao Vasco, campeão carioca, e ao Palmeiras, campeão paulista, se juntaram a Juventus, da Itália, que herdou a vaga depois do Milan campeão italiano da temporada 50/51, recusar o convite e participar de outro torneio na Europa; o Áustria Viena, campeão austríaco; o Nacional, campeão uruguaio; o Nice, campeão francês; o Sporting, campeão português e o Estrela Vermelha, campeão da Iugoslávia.

Meu pai, o jornalista Albert Laurence, conhecido na Europa, ajudou a CBD nos convites aos clubes europeus.

Eu com 12 anos e meu irmão Philippe, com 9, acompanhávamos felizes o nosso pai nos jogos do Maracanã.

Foi assim que conheci Ieso Amalfi, um jogador brasileiro que defendia o Nice, e que deu a esse clube o único título de campeão da França de sua história, e onde é venerado até hoje. Ieso é dono de uma história quase inacreditável que já contei aqui nos Causos do Futebol.

E foi assim também que no vestiário da Juventus, que tinha como grande astro o atacante Boniperti, que anos mais tarde seria presidente do clube italiano, que ouvi o goleiro Viola falando com meu pai, contar a seguinte história (me desculpem mas achei que seria bom contar alguns detalhes dessa grande conquista do Palmeira).

- Bem que o senhor me avisou, mas eu não acreditei muito, porque achei a sua informação “mirabolante” demais – foi dizendo o goleiro da Juventus, depois da finalíssima contra o Palmeiras no Maracanã (a final entre os dois clubes foi jogada em duas partidas, uma no Pacaembu, 1 a 0 para Palmeiras e outra no Maracanã, que terminou com um empate, 2 a 2 e deu o título ao Palmeiras).

- Mas o chute desse Jair é inacreditável – continuou contando o goleiro. Ele bateu uma falta em São Paulo que só o senhor vendo. Era de longe, uns 5 ou 6 metros fora da área. Achei que não ia precisar de barreira. Ele tomou pouca distância e deu uma pancada na bola com uma força incrível. A bola veio em minha direção, espalmei as duas mãos para segurar. Não sei o que aconteceu! Só sei que quando ela chegou em cima de mim, desviou, raspou na minha mão esquerda e ia entrando quando o meu zagueiro Manenti, tirou de dentro do gol. Eu nunca vi nada igual, efeito como aquele, nunca vi, bem que o senhor me avisou – e o goleiro saiu de lado fazendo uma careta.

Meu pai sorriu, deu um tapinha no ombro do goleiro e comentou:

- Se tiver oportunidade, você ainda vai ver muitas outras coisas inacreditáveis.   

Autor: Michel Laurence Tags:

terça-feira, 8 de maio de 2012 Causos do Futebol | 19:39

Causos do Futebol – Os Selvagens Estão Chegando!

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Foi em maio de 1956.

O futebol brasileiro tentava se recuperar da eliminação na Copa do Mundo da Suiça, em 1954, e fazia uma excursão pelo chamado na época “Velho Mundo”.

O primeiro jogo foi em Londres, no estádio de Wembley. A seleção inglesa ainda carregava a fama de ser imbatível em Wembley e o jogo contra o Brasil era encarado pelos jornais com muita curiosidade. As seleções da América do Sul eram praticamente desconhecidas e encaradas com um certo romantismo.

Os jornais divulgavam histórias mirabolantes como a de uma tribo de índios no Amazonas, que encolhia a cabeça dos inimigos mortos em combate e “enfeitavam” a entrada de suas palhoças com elas.

A seleção ficou hospedada em um dos melhores hotéis de Londres, frequentado pela sociedade e cheio de tradições.

Na véspera do jogo o hall do hotel estava lotado, curiosos elegantemente vestidos, os ingleses queriam ver de perto os jogadores brasileiros, principalmente os negros, que ainda eram praticamente desconhecidos na Europa.

Foi quando no alto de uma imensa escada toda em mármore de Carrara, surgiu Sabará, um ponta-direita negro revelado pela Ponte Preta, e titular do Vasco da Gama…trajando um calção azul, uma toalha no pescoço, sem camisa, calçando tamancos com sola de madeira, a procura do restaurante para tomar o café da manhã.

Foi um escândalo.

A foto de Sabará, “seminu” segundo os jornalistas, saiu em quase todos os jornais da Europa, com textos chamando os brasileiros de “selvagens” que teriam invadido Londres.

Stanley Matthews

O jogo foi terrível para a seleção brasileira, os ingleses venceram, por 4 a 2, com o “centro-avante” Taylor marcando duas vezes e o arqueiro Gilmar, salvando a seleção de um vexame ainda maior defendendo dois pênaltis. Foi nesse jogo também que os brasileiros tomaram conhecimento de um ponta-direita chamado Stanley Matthews, que na época tinha 40 anos, dando o maior sufoco no grande Nilton Santos.

Matthews quando encerrou a carreira aos 47 anos, recebeu das mãos da rainha Elizabeth II, o título de “sir”.

Mas foi também a partir daí que o Brasil começou a formar a seleção que seria bicampeã do mundo em 58 e 62.

Autor: Michel Laurence Tags:

segunda-feira, 7 de maio de 2012 Notícias | 17:22

Leonardo Da Vinci X Zé das Couves

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Hoje o futebol permite montar um time de “operários” e vencer.

Basta ter atletas, atletas dedicados e com salários em dia.

Um time de “operários” corre em todas as bolas, impede o adversário de jogar, tromba, agarra, faz “rodízio” de faltas, e é até capaz de deixar uma bola bater em sua canela e entrar.

Um time de “operários” com um técnico inteligente, que põe em campo um time bem arrumadinho, é até capaz de vencer e… enganar o torcedor que depois de algumas vitórias pensa, sonha, almeja, que finalmente o clube de sua paixão tem um time capaz de ser campeão.

 

Mas chega na hora do “vamos ver”… falta alguma coisa.

Foi o que se viu ontem, tanto no Rio como em São Paulo.

O Botafogo que vem desde muito tempo montando times medianos, só tem o Renatinho com uma boa dose de talento. Loco Abreu só vez por outra se arrisca a mostrar que sabe jogar, mas ele próprio parece não acreditar que o time seja capaz de vencer. Não estou citando o goleiro Jeferson como um dos raros talentos do Botafogo, porque lamentavelmente ele “só” pode evitar gols.

Não estou dizendo que a direção do Botafogo esteja errada. Errado seria montar um grande time e não poder pagar. Mas a humildade e o pensar pequeno, às vezes não são boas companhias, e a limitação faz a diferença.

Quando o adversário é um Fluminense, com dinheiro de um patrocinador disposto a gastar, e ter entre seus astros um jogador do quilate de um Fred, ou de um Rafael Sóbis – que parece ter renascido – aí não há Renato ou Jeferson que salvem o time de “operários”. Vai faltar como faltou “companhia” aos dois, já que o Maicosuel não passa de uma “eterna promessa”.

A mesma coisa aconteceu em relação ao Guarani.

 

Durante boa parte do primeiro tempo de ontem, o Guarani deu a sensação que poderia atrapalhar a vida do Santos. Dominou, seus jogadores correram até próximo a exaustão, mas não adiantou. Sempre faltou alguma coisa. E essa coisa parece se resumir na palavra talento, que no Guarani existe apenas com Fabinho. É pouco!

Infalivelmente vai acontecer o momento em que o número de talentosos prevalece. A bola veio em direção a quem está com sede de recuperar o prestígio perdido devido a várias contusões, e Ganso acertou um chute de canhota cheio de efeito, que foi se afastando das mãos de Emerson.

E aí… bem aí… Neymar.

Que homenageia os companheiros do passado a cada recorde que consegue quebrar. Até onde irá isso? Não se sabe!

E é por causa do talento, uma simples palavra, que Leonardo da Vinci passou para a história e o Zé das Couves só foi lembrado por mim.

Autor: Michel Laurence Tags: , , , , ,

quinta-feira, 3 de maio de 2012 Causos do Futebol | 19:07

Causos do Futebol – SOU AMIGO DE UM REI!

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Quem me conhece acaba sempre perguntando como fiquei amigo do Pelé!

Bem, como a história não é muito longa vou contar aqui.

Cheguei a São Paulo contratado pelo Jornal da Tarde em 1967.

Primeiro ano do último tricampeonato paulista do Santos.

No jornal havia um grande fotógrafo chamado Domício Pinheiro que tinha no início de sua carreira, trabalhado com meu pai Albert Laurence, na Última Hora do Rio.

Um dia descemos juntos para Santos encarregados de entrevistar Pelé. Domício naquele seu jeito de falar aos tropeções e bem rapidinho, me disse:

- Vou te dar um presente!

Fiquei curioso, mas ele não falou mais nada. Chegamos à Vila e entramos no vestiário (naquele tempo podia). Pelé estava sentado no banco de madeira (acho que é o mesmo que existe até hoje, apesar de hoje o vestiário ser bem mais moderno) e Domício achando que eu não conhecia o Rei me apresentou:

- Rei, esse é filho de um grande jornalista lá do Rio e ele quer fazer o teu álbum de fotografias!

Tomei um susto. Eu não queria nada, só de estar ali com Pelé já era muito. Pelé sabia que Domício era insistente e respondeu:

- Tá bem, tá bem, mas vamos combinar o dia para vocês irem lá em casa. Vamos conversar de novo semana que vem!

- Não precisa – assegurou Domício – você marca e a gente vem!

- Não, não, é melhor eu me preparar. Voltem a semana que vem.

A gente concordou e nos afastamos um, pouco. Aproveitei para perguntar:

- Domício, que álbum é esse?

- É um álbum com fotografias do Pelé desde criança.

E sorriu:

- Se a gente fizer, você está consagrado para o resto de sua carreira! Não falei que ia te dar um presente?

Bom essa história do álbum de Pelé rolou por dias, semanas e por meses, e nada do Pelé marcar a data.

Um dia descemos de novo a Santos e Domício incansável mais uma vez perguntou:

- E aí, Rei, e o nosso álbum?

Para meu espanto Pelé respondeu:

- Pode vir sexta-feira, minha mulher topou que levasse vocês lá em casa!

Nunca nenhum repórter tinha até aquela data, entrado no apartamento de Pelé que ficava num prédio nobre, no Canal 5. Minhas pernas tremeram. Domício me puxou pelo braço e segredou:

- Não fala para ninguém, para ninguém, nem mesmo lá no jornal.

- Mas, o pessoal tem que saber para ajeitar as coisas.

- Quando a gente tiver feito, aí a gente avisa!

 Na sexta-feira depois do treino, Pelé nos levou a seu apartamento no último andar de um prédio com elevador particular. Entramos e Pelé sorrindo anunciou:

- Olha, me desculpa, mas não tem álbum nenhum! Nunca teve. Não sei como surgiu essa história, mas nunca tive álbum nenhum! Imagina a gente era muito pobre, não tinha dinheiro para fotos.

Domício ficou indignado!

- Como não tem alb…. – e interrompi ele com um gesto:

- Não faz mal, não faz mal, vamos mostrar o Pelé com a esposa e a Kelly Cristina (que naquela época tinha 2 anos).

Rose, a ex-senhora Cholbi Nascimento, e a filha Kelly apareceram e Pelé ao poucos foi trazendo alguns dos troféus de seu tesouro. Kelly vestiu a camisa 10 do Santos, que arrastava pelo chão, pegou a espada de Cavalheiro da França e cutuquei Domício que, ainda aborrecido com a história do álbum, custou a perceber que Pelé estava nos dando uma reportagem muito mais importante do que a do álbum.

Kelly com o 10 as costas e segurando a espada foi capa da Edição de Esportes do Estado de São Paulo no domingo, com direito a uma reportagem nas duas páginas centrais e capa do Jornal da Tarde na segunda-feira.

Nessa mesma segunda-feira desci para Santos, encontrei Pelé no vestiário e perguntei:

- E aí, Pelé, você viu a reportagem?

Ele sorriu e respondeu:

- Levo você na minha casa, faço a Rose se arrumar toda, mostro a minha filha Kelly, levo meus troféus e você acha que não vou ver o que escreveu?

Pensei que ele estava zangado e falei todo sem jeito:

- Você não gostou?

- Claro que gostei, estava lindo! – e sorriu.

Desse dia em diante parece que selamos um trato de confiança mútua, que nunca se rompeu.

Foi assim que me tornei amigo de um Rei!

(Engraçado, a história ficou mais longa do que eu imaginava)

Autor: Michel Laurence Tags:

segunda-feira, 30 de abril de 2012 Notícias | 18:32

Com a alegria nos pés!

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Não me lembro direito se alguém escreveu algo parecido; ou se alguém falou na TV?

Só sei que olhando o jogo de ontem, essa frase me veio a cabeça.

Já vi cara ter vontade de jogar.

Já vi um ser “A Alegria do Povo”!

Mas nunca vi nada igual a Neymar!

É impressionante porque ele entra em todos os jogos e… joga.

Não é só estar em campo.

Ele entra e resolve os problemas do time.

Não estou dizendo isso por ele ter feito 3 gols ontem.

Estou falando porque ao longo desses últimos 3 anos, ele entra e joga todo jogo, o tempo todo.

Seja contra quem for, do jeito que for, em que campo for (a exceção dos 3 mil e 600 metros de La Paz).

E essa alegria se expressa através de dribles, de ousadia, de irreverência, de lances que nunca são iguais aos de um jogo anterior, nunca se repetem e sempre se renovam.

Na época em que renovou um contrato milionário com o Santos cheguei a pensar: “pronto, agora ele se aquieta!”.

Mas não, a alegria que jorra de seus pés é incontrolável.

Todo encontro dele com abola é festejado.

Todo lance merece um carinho inimaginável.

Todo drible – após o terceiro – passa a ser humilhante.

Acho que o Pelé passou a ser uma unanimidade nacional porque o Brasil com ele ganhou a Copa de 1958. A primeira. A inesquecível, de uma seleção que a partir daquele feito passou a ser constituída por heróis. Intocáveis. Admirados e aquele rapaz de 18 anos incompletos, passou a ser o ídolo de todas as torcidas. Até dos mais reticentes, que iam aos estádios para ver Pelé.

Não sei o mesmo vai acontecer com Neymar caso ele venha com a seleção a ganhar a medalha de ouro (a primeira) dos Jogos Olímpicos de Londres, daqui três meses.

Só sei que já coloquei o número 3 muitas vezes nesse meu relato.

Não sei o que pode significar, mas sei que o público, até o do São Paulo ontem, ameaça bater palmas para o Neymar, o que tem a ousadia de jogar com alegria nos pés.

Autor: Michel Laurence Tags: , ,

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