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terça-feira, 24 de janeiro de 2012 Causos do Futebol | 14:01

Causos do Futebol – O DIA EM QUE O SANTOS “VENDEU” O TIME INTEIRO…

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…menos Pelé!

Foi logo em um dos primeiros números da revista Placar.

Cheguei na redação de Placar ali no antigo prédio da Abril, na marginal do rio Tietê, e avisei:

- Tenho uma matéria legal sobre o Santos (não me lembro o que era)!

- Guarda para a semana que vem – respondeu o chefe da redação, Woyle Guimarães (um dos maiores com quem trabalhei).

Como “guarda para a semana que vem”? E se alguém publicar o mesmo assunto antes da gente?

- Por que? – me arrisquei em perguntar.

- Porque já temos uma matéria muito legal sobre o Santos para a revista desta semana! – respondeu o Woyle.

- De quem é? – perguntei novamente com cuidado.

- Não posso dizer, é segredo, só posso falar que é muito legal e vai fazer um barulho danado.

Fiquei entre angustiado e curioso. Angustiado porque, desde 1967 na Edição de Esportes de O Estado de São Paulo, estava acostumado a ser o autor das matérias quentes do Santos; curioso (e furioso) por uma matéria tão legal e importante ter passado por mim sem que ao menos suspeitasse do que era.

Tive que esperar até o domingo, quando a gente “fechava” a revista que ia às bancas na terça-feira, para que o segredo fosse revelado,

E lá estava na capa: “Nosso repórter comprou meio time do Santos!”.

O jornalista Georges Bourdokan

O autor dessa maravilhosa façanha foi o jornalista Georges Bourdokan.

Ele fala armênio e se fantasiou de sheik árabe para negociar com o vice-presidente do Santos na época, o aposentado do Exército general Osman.

Era tempo de dificuldade financeira no Santos, principalmente devido ao chamado “Elefante Branco”, que era o apelido do Parque Balneário comprado pelo clube, na esquina da avenida Ana Costa com a praia do Gonzaga (acho que é isso), que hoje abriga o hotel Sheraton (ou será que o hotel já não está mais lá?).

Era tempo também do início da fortuna dos países árabes com o petróleo que rareava no mundo e abundava no Oriente Médio.

O diálogo entre Bourdokan e o general Osman foi mais ou menos esse.

- Quanto o senhor quer pelo Carlos Alberto? (o Torres, capitão do Tri).

E o presidente do Santos estipulou um preço.

- E pelo Lima? ( o “Coringa” que jogava em todas).

- “Tanto”, respondeu o presidente.

E assim foi até chegar a Pelé.

- Não, esse não vendo – disse o general.

- Como assim, “não vende”? – reclamou Bourdokan.

- Esse não tem preço – afirmou o vice-presidente.

- Tá bom, ta bom, mas ainda vamos voltar a esse assunto. Agora, quanto o senhor quer por todo o time titular do Santos, menos o Pelé? – foi o cheque mate de Bourdokan.

O pobre do vice-presidente, que nem suspeitava da farsa, pensou, pensou e finalmente deu o preço. 600.000 dólares, um grande dinheiro na época.

Bourdokan se levantou e disse:

- Está bem, vou comunicar aos meus sócios que o senhor não vende o Pelé e que quer essa quantia pelos outros titulares! – cumprimentou o vice-presidente, que com seus assessores já alcançava a porta do gabinete quando ouviu a pergunta:

- E quando terei notícias suas novamente? – perguntava o general Osman!

Bourdokan vacilou um pouco, mas conseguiu responder contendo o riso:

- Terça-feira, presidente. Terça-feira!

O dia em que Placar estaria nas bancas.

PS - Georges Bourdokan é um dos maiores jornalistas que conheci na minha vida.

Autor: Michel Laurence Tags: , , ,

27 comentários | Comentar

  1. 7 Alexandre Giesbrecht 24/01/2012 14:33

    Outra matéria que faz parte da minha infância (na coleção do meu pai, claro). Tenho essa revista até hoje. E, curiosamente, assim como a matéria do Santa Cruz, eu a reli há não muito tempo. Primeiro, em um dos especiais dos 35 anos de Placar, publicados em 2005, quando havia um resumo da matéria. Depois, uns dois ou três anos atrás, quando li essa revista de cabo a rabo sei lá por quê. É uma grande matéria, realmente, um belo furo.

    Responder
    • michel laurence 24/01/2012 18:34

      Alexandre, o teu filho deve agora estar bem maior!

      Para você ver como a história do Placar é rica.
      Semana que vem vou publicar uma minha, mas só um trechinho.
      AGUARDE, É UMA DAS QUE MAIS GOSTO!
      Não, não fica roendo as unhas, é um péssimo exemplo para teu filho.
      ahahahahhahahahahaha

      Um grande abraço e obrigado por escrever.

  2. 6 emilio 24/01/2012 16:34

    Michel causo do tempo que o futebol era pura arte no Brasil e os dirigentes ” amadores’.

    Hoje é difícil comprar 01 jogador de time grande , tamanha a dimensão dos valores. O Balneário representou quase 02 décadas de atrasos na vida do Clube.
    Faltou ” foco” nos dirigentes da época e os prejuízos foram incalculáveis.

    Mas voltando aos dias atuais quem parece seguir rumo a Vila é o craque Alex Silva! Não é reforço, vai pra ser titular.
    Fica faltando mais um zagueiro de peso- Poderia ser o Alex, ex-Santos. Ou outro com mesmo potencial.

    Aí daria pra sonhar com a ida a mais um Mundial no final desse ano do Centenário, abraço.

    Responder
    • michel laurence 24/01/2012 18:38

      Emílio,

      O Parque Balneário não deu certo, como os clubes ficaram vazios, porque os condominhos viraram verdadeiros clubes e balneários.
      Além do mais, muita gente meteu a mão no dinheiro que o time trazia do exterior, mas como isso não pode ser provado é melhor ficar quieto.

      Um grande abraço e obrigado por escrever.

    • NUNO PORTO DE SANTOS 24/01/2012 16:42

      Prezado Emilio: Com TODO o respeito, acho que estamos no fundo do poço. Alex Silva é regorço? Só se for para os adversários… Esse moço NUNCA jogou NADA em lugar nenhum, amigo. O maior mal do Muricy é não dar chance aos jogadores sem nome. Com ele, só joga medalhão. Aliás, é mais um que não está me convencedo mais… E, por amor ao debate, pergunto, o “Pirulito” vai jogar no lugar de quem?

  3. 5 Rudinei Tavares 24/01/2012 17:11

    Esse Georges Bourdokan com toda educação foi um palhaço…
    Desde de quando “JORNALISTAS” tem o direito de criar a informação?
    Jornalista informa… só isso, ele distribui uma informação que não estava ao alcance de todos, isso ai pra mim é palhaçada, ele inventou isso.

    Depois ainda ficam bravos quando decidem que para ser jornalista não precisa de diploma, para fazer isso ai não precisa mesmo…

    Infelizmente temos muitos pseudos “JORNALISTAS”, hoje que como não tem capacidade ou força de vontade de ir atras da informação faz isso, inventa a informação…

    Vão se catar com essa palhaçada, se houvesse comissão de ética na profissão de jornalismo, esses caras deveriam perder o direito de exercer a a profissão.

    Responder
    • michel laurence 24/01/2012 18:30

      Meu Deus, Rudinei, quanto rancor, quanta bobagem nessas suas palavras.
      Jornalista é assim mesmo, apenas prova o que fazem questão de esconder.
      Você está com urticária?
      Coça, coça até sangrar.

      Um abraço e obrigado por escrever.

  4. 4 willians 24/01/2012 21:46

    brincadeira de mau gosto…

    Responder
  5. 3 sylvio beato 24/01/2012 23:33

    Pôxa Michel, como perdi os últimos debates!!!
    O problema é que fui buscar a Luiza lá no Canadá e ela já tinha voltado para Campina Grande hahahahahah.
    Tem nada não dia 19.2.12 estou indo, novamente , para a Paraíba e quem sabe a encontro lá e talvez com o Alfredão, que sumiu do Blog.
    Brincadeira à parte o problema foi com meu PC que travou e acabei ficando fora de foco com os assuntos Laurencianos.Perdi até a chance de entrar, como penetra, na noitada do vinho!!!!!!
    Mas o que interessa é que nossos regionais ja começaram e a bola tá rolando !!!!! .

    Responder
    • Claudio Roberto 24/01/2012 23:39

      Tá certo que ocê num foi nu Canadá buscar a tal Luiza. Cê tava é venu u que a Luzia perdeu atrais da horta. kkkkkkkkkkkkkkkkkk

  6. 2 Paulo Dionísio 25/01/2012 5:27

    E teve alguma repercussão Michel? Dos jogadores, torcedores e de outras revistas? Ah, e do presidente também né hahaha.
    Boa quarta pra você Michel.

    PS: Ri nessa parte:

    “Bourdokan vacilou um pouco, mas conseguiu responder contendo o riso”

    Responder
    • michel laurence 26/01/2012 15:00

      Olha, Dionísio,
      nessa época era tudo tão corrido na revista que sinceramente não me lembro. Mas deve ter sido uma boa repercussão, afinal a revista estava começando e as vendas nas bancas subiam. Acho que a Abril estava mais preocupada em arrumar anunciantes, que não confiavam muito no éxito do Placar.
      Na Copa de 70 aí a revista deslanchou e está aí até hoje, graças a dezenas de profissionais super-competentes como Georges Bourdokan, que passaram por ela.
      Agora, sinceramente não entendi como alguns dos nossos amigos não gostaram da reportagem.

      Um grande abraço e obrigado.

  7. 1 emilio 25/01/2012 9:21

    NUNO PORTO DE SANTOS , desculpe mas numa defesa que tomou mais de 60 gols no último Brasileiro.

    Que em todos os jogos não resiste aos primeiros 20 minutos. Tem dois grossos na zaga:- Dracena e Durval, não tem velocidade, não sabem sair jogando, nem ” matar” a bola é praia deles. Um goleiro que nem sair do gol sabe:- Rafael.

    Alex Silva está tão acima desses caras que acho que até no gol se sai melhor!

    PS- Quanto ao Muricy tambem estou decepcionado , pisou feio na bola. Com um Mundial pela frente, vencendo na Vila por 3×0 toma 04 gols com falhas incríveis de Dracena, Rafael e Durval e dá a vitória ao Flamengo.
    Tendo 01 semestre pra se preparar e vai atrás de Ibson- Henrique ” caríssimos” pois não deram retorno, e , mantem os tres “grossos” pro Mundial. Desabou no meu conceito, estou contigo, abraço.

    Responder
    • michel laurence 26/01/2012 15:02

      Emílio, acho que você está com a cachorra.

      Um abração.

    • Sakai-san 25/01/2012 9:32

      Pois é a zaga do Santos com a dupla alex e alex ia ser o máximo.
      já pensou?
      mas o Rafael, começou como mão de couve, porque era melhorzinho do que o mão de alface, mas depois foi se firmando.
      não é aquela brastemp mas é um bom goleiro mano, principalmente nos chutes de meia distância. precisa mesmo melhorar nas saídas do gol.

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