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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012 Causos do Futebol | 13:24

Causos do Futebol – UM DIVINO QUASE ETERNO!

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Meu pai, Albert Laurence – um dos fundadores do jornal Última Hora, com Samuel Wayner e muitos outros grandes jornalistas, como os irmãos Paulo, Augusto e Nelson Rodrigues –, era apaixonado pelo futebol brasileiro. Nas conversas que ele tinha com os amigos e comigo quando já era rapaz, ele vivia afirmando:

- O Brasil só perdeu a Copa de 38 porque os jogadores não tinham total conhecimento da regras.

Ele se referia ao pênalti cometido por Domingos da Guia em Piola, no jogo pelas semifinais, quando o maravilhoso zagueiro segurou o goleador italiano dentro da área, com a bola já fora das quatro linhas.

- Domingos mais se “pendurou” em Piola porque estava perdendo o equilíbrio, e o juiz marcou o pênalti quando a bola já havia saído pela linha de fundo.

Foi com essas histórias que tomei conhecimento do grande Domingos da Guia, que foi apelidado pelos uruguaios, quando defendeu o Nacional, de Montevideu, de “O Divino Mestre”.

Sabe quantos anos tinha o Domingos?

20 anos!

Ser apelidado pelos uruguaios, campeões do mundo em 1930 e bicampeões olímpicos em 1924 e 1928, de Divino Mestre é uma deferência que poucos mereceram na história do futebol mundial.

Muito mais tarde, quando já trabalhava na Rede Globo, fui encarregado de fazer um Globo Repórter sobre os Monstros Sagrados do futebol brasileiro, e entre eles entrevistei Domingos da Guia em seu pequeno e humilde apartamento no subúrbio de Marechal Hermes, no Rio, se não me falha a memória.

Isso deve ter sido em 77 ou 78, e Domingos já era um senhor de 65 anos, que se mantinha orgulhosamente ereto, que encarava as pessoas de frente sem nenhum receio:

- Você não vai me perguntar sobre o pênalti em Piola?

O olhar era meio preguiçoso, como se estivesse pensando: “Esse menino não sabe quantas vezes já expliquei essa história!”.

Perguntei e fiquei sabendo que até aquele dia ele tinha certeza que o juiz havia “roubado” o Brasil e que ele não tinha feito pênalti nenhum.

- Me responsabilizaram pela derrota – suspirou ele, sentado numa imensa poltrona. Me responsabilizaram por cometer uma falta que não fiz.

O que mais me impressionou foi a postura de Domingos, exatamente a mesma dos grandes jogadores de hoje em dia, isso sem a mídia, que, nos tempos em que jogou, praticamente não existia, e também enfrentando um preconceito racial – que não há como negar – terrível nos anos 20 e 30.

Tentei quebrar a resistência e perguntei:

- Seu Domingos, e a “Domingada”?

- O que? – ele respondeu imediatamente – Você pensa que me ofenderam? Ora, nada disso, “eles” reconheceram que fui um grande zagueiro.

Atribui o “eles” à minha classe, os jornalistas.

- “Domingada” era porque, além de defender, eu saía jogando com  a bola nos pés. Acho que fui o primeiro a fazer isso. Falam (a conversa foi em 77/78) que o primeiro zagueiro a atacar foi o Nílton Santos. Ele foi grande e merece.

- Mas, seu Domingos, e a “Domingada”?

- Foi porque perdi uma única vez a bola querendo sair jogando! Não me lembro quem “tropeçou”, tirou sem querer a bola dos meus pés e fez o gol.

E quando olhei para Domingos ele estava com raiva, como se o lance tivesse acontecido no dia anterior.

Nunca mais esqueci aquela figura imponente, assim como já pensei algumas vezes que Domingos da Guia quase se perpetuou em seu filho Ademir da Guia, o segundo e último Divino da história.

Autor: Michel Laurence Tags:

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012 Notícias | 18:13

O “causo” misterioso de Ronaldo Fenômeno!

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Eu estava lá com a Rede Record tentando cobrir a Copa do Mundo de 98, na França.

Digo “tentando” porque a FIFA negou as credenciais que a Record tinha comprado e a gente não podia nem cobrir a seleção brasileira, quanto mais os jogos da Copa.

Foi um inferno!

Só sei que chegou as minhas mãos na produtora alugada pela Record, o boletim com a escalação da seleção na final contra a França, com Edmundo no lugar de Ronaldo. A gente não sabia o que tinha acontecido.

Aí alguns minutos depois chegou outro boleto com Ronaldo escalado.

Todo mundo sabe a história, Ronaldo teve convulsões e desmaiou algumas horas antes do jogo. Foi levado a uma clínica onde foi submetido a uma bateria de exames. Não chegaram a conclusão nenhuma e os médicos permitiram que ele fosse escalado.

Até hoje existem as mais incríveis versões sobre o que teria acontecido com Ronaldo.

Agora 14 anos depois da terrível derrota, surge um médico italiano chamado Bruno Carú afirmando que Ronaldo “ao assistir à Fórmula-1 no dia da final contra a França, interrompeu inclinando a cabeça, o fluxo sanguíneo da carótida e aí sofreu um desmaio com convulsões”, que alguns creditaram a um ataque de epilepsia.

- Nos exames feitos na clínica, Ronaldo tinha cerca de 15 batimentos cardíacos por minuto, o que comprova a minha tese.

Não entendo nada de medicina e nem deveria estar escrevendo sobre isso, mas não resisti. Afinal, esse é um dos grandes mistérios do futebol brasileiro.

Só sei que nunca mais vou inclinar a cabeça para ver televisão! 

PS: por favor, me poupem de comentários do tipo: “se não entende, não deveria estar comentando”, porque me antecipei a vocês.

Autor: Michel Laurence Tags: ,

terça-feira, 31 de janeiro de 2012 Causos do Futebol | 19:16

Causos do Futebol – Dida, Artilheiro até Morrer!

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- Eu me chamo Edvaldo!

- “Edi” o que? – perguntou o “professor” que procurava distribuir a garotada pelos dois times da “peneira”.

- Edvaldo! – respondeu o garoto quase com medo.

- Isso não é nome de jogador de bola! Como é teu apelido em casa?

O garoto ainda assustado falou:

- Dida…!

- Dida é legal! Curtinho, quatro letras, como Didi, Dudu, legal!

E Dida entrou no seu primeiro treino e fez 3 gols.

Edvaldo Alves de Santa Rosa vinha de uma família classe média de Maceió, Alagoas. O pai e os quatro irmãos jogaram bola. Nenhum foi profissional. Dida se destacava. Jogava muito. Começou a ser famoso nas peladas da Praça da Cadeia. A praça estava mais para um terreno baldio bem ao lado do xadrez da cidade. Os primeiros a aplaudirem o futebol de Dida foram os presos, que acompanhavam as peladas dos garotos através da grades e apostavam sempre no time do Dida. As apostas eram com maços de cigarros.

O diálogo com o “professor” foi no América, Dida tinha apenas 15 anos e tinha sido convencido pelos dirigentes a jogar uma única partida pelo clube. Dida não queria, queria estudar, ser médico. Mas os dirigentes acabaram convencendo o rapaz:

- É uma partida só! Só uma! Contra o Barroso, decidindo o campeonato de juvenis.

Dida acabou aceitando, o América venceu, 4 a 1, com 3 gols do menino Edvaldo.

A partir daí estava decidido, Dida ia ser jogador de bola.

O CSA, que divide a torcida com o CRB, ofereceu um bom emprego ao rapaz.

Com 16 anos Dida foi convocado para a seleção alagoana. O presidente do Flamengo na época, 1953, era Gilberto Cardoso, um alagoano, ouviu falar de Dida e mandou um representante para observar o jogador. Foi um jogo entre as seleções de Alagoas e da Paraíba. No primeiro tempo venceu a Paraíba, 3 a 1. No segundo tempo Dida fez 3 gols e a seleção de Alagoas venceu, por 4 a 3. O emissário voltou ao Rio maravilhado. Custou convencer Dida a largar sua terra natal, mas finalmente em abril de 1954 ele chegou para o Flamengo.

Apesar da saudade Dida fazia furor entre os aspirantes. Nos coletivos, ele fazia 3, 4 gols na defesa titular, que formada por seus ídolos, Garcia, Tomires e Pavão; Jadir, Dequinha e Jordan. O problema é que os titulares no ataque eram o paraguaio Benitez e o fantástico Evaristo.

Na decisão do bicampeonato de 54, contra o Vasco, Benitez se machucou e Evaristo andava se queixando de uma dor na perna. Fleitas Solich, um técnico paraguaio de muita história e personalidade, Na manhã da grande decisão, Solich falou com Dida:

- Olha, você vai jogar. Mas não se preocupe, você não tem nenhuma responsabilidade. Vai lá, joga, como se estivesse nos aspirantes.

Tomado de súbita coragem Solich tirou Zagalo que era o titular e fez o parceiro de Dida nos aspirantes, o ponta-esquerda Babá entrar.

Os dois não fizeram gols por causa do grande Barbosa, que pegou tudo, ou quase tudo,, mas conquistaram a torcida. O Flamengo venceu, 2 a 1, com gols de Rubens, o doutor Rubis, e do centro-avante Indio.

No ano seguinte o Flamengo queria o tricampeonato, que seria o segundo de sua história.

Evaristo já estava de malas prontas para a Espanha, vendido ao Barcelona e Dida no segundo-turno, finalmente virou titular do Flamengo, se tornando também o artilheiro do campeonato. A decisão contra o América foi em um “melhor-de-três”. Mesmo assim no primeiro jogo, Evaristo ainda jogou e fez o gol da vitória, por 1 a 0.

No segundo jogo, o América com um timaço, venceu de goleada, 5 a 1.

Aí veio a “negra” e Solich colocou Dida no ataque ao lado de Evaristo.

A história conta que o América só perdeu a decisão porque o lateral Tomires, conhecido pelo apelido de Cangaceiro, quebrou a perna do meia Alarcon, do América. Naquela época não existia substituição, nem quando um jogador quebrava a perna.

Assim o meia Duca fez o primeiro gol do Flamengo e Dida os outros três na conquista do tricampeonato do Flamengo.

Dida foi o senhor absoluto da posição de titular do Flamengo por longos 11 anos.

Entre uma conquista e outro pelo Flamengo, foi campeão do mundo na Copa  da Suécia em 58, quando jogou as duas primeiras partidas e foi substituído por Pelé nas quatro últimas.

Dida com 244 gols foi o maior artilheiro da história do Flamengo por quase 3 décadas, até que apareceu Zico na década de 80, que quebrou todos as marcas do alagoano..

Dida, o homem que gostava de fazer 3 gols por partida, faleceu em 2002.

Autor: Michel Laurence Tags:

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012 Notícias | 17:14

Os número 9!

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Dizem que Alan Kardec tem parceria com os espíritos.

3 jogos, 4 gols – os 4 do Santos feitos até agora – e uma vaguinha entre os artilheiros do Campeonato.

Afirmam que Adriano nunca mais vai jogar bola.

Ele mesmo anunciou isso quando voltou da Itália pela primeira vez. A diferença está em que antes ele não queria, agora não o querem.

Corre por aí que o Fabuloso está furioso.

Primeiro com seus companheiros de ataque que não tem lá demonstrado uma grande boa vontade em lhe passar a bola; depois com os dirigentes do São Paulo que insistem na contratação de Nilmar, que foi afastado pelo técnico do time do Villarreal, da Espanha, quando confirmou que estava negociando com o São Paulo.

 

A comoção sob suspeita a pequena distensão que sofreu ontem.

Fernandão, 1m90, músculos para todos os lados, cara de centro-avante antigo.

Barba por fazer, guerreiro, precisando por comida na mesa de casa, Fernandão entrou ontem no lugar do veloz mas irregular, Maikon Lerite faltando pouco mais de 5 minutos para o jogo acabar, e num centro de Marcos Assunção, se antecipa à zaga da Catanduvense, para fazer de cabeça o gol que salvou o Palmeiras de sua primeira derrota  no Campeonato.

Os 9 vivem de gols.

Adriano, o Imperador, nem aos treinos do Corinthians vai mais. A partir do momento em que o Andrés Sanchez disse que “ele não tinha mais jeito” até o torcedor que era dele, se desinteressou. É inacreditável como ele está trocando a vida que milhões de pais querem para seus filhos, por uma que deve lhe trazer desilusões.

Luis Fabiano precisa de tempo. Tempo que é longo para os meninos que jogam ao seu lado e curto para ele que sofre com contusões normais pelo peso de seus 32 anos.

 

Fernandão precisa de espaço e de crédito. Ele quer exatamente aquilo que Adriano está abandonando.

Apesar da parceria com os espíritos, a tarefa de Alan Kardec parece ser a mais difícil de todos.

Ele precisa arrumar um jeito de jogar ao lado de Neymar.

Mas quem ocupa o lugar no momento é Borges, artilheiro do Campeonato Brasileiro.

 

Borges 22 gols, cambalhotas espetaculares, saltos mortais.

Kardec espiritual, elevando os olhos aos céus depois de cada gol.

Bom menino, procurando agradecer a quem lhe passou a bola.

Vai pelo mundo dos artilheiros quase despercebido.

Se não encontrar outro caminho, seu destino parece ser o de entrar faltando 15 minutos, como aconteceu o ano passado.

Autor: Michel Laurence Tags: , , ,

terça-feira, 24 de janeiro de 2012 Causos do Futebol | 14:01

Causos do Futebol – O DIA EM QUE O SANTOS “VENDEU” O TIME INTEIRO…

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…menos Pelé!

Foi logo em um dos primeiros números da revista Placar.

Cheguei na redação de Placar ali no antigo prédio da Abril, na marginal do rio Tietê, e avisei:

- Tenho uma matéria legal sobre o Santos (não me lembro o que era)!

- Guarda para a semana que vem – respondeu o chefe da redação, Woyle Guimarães (um dos maiores com quem trabalhei).

Como “guarda para a semana que vem”? E se alguém publicar o mesmo assunto antes da gente?

- Por que? – me arrisquei em perguntar.

- Porque já temos uma matéria muito legal sobre o Santos para a revista desta semana! – respondeu o Woyle.

- De quem é? – perguntei novamente com cuidado.

- Não posso dizer, é segredo, só posso falar que é muito legal e vai fazer um barulho danado.

Fiquei entre angustiado e curioso. Angustiado porque, desde 1967 na Edição de Esportes de O Estado de São Paulo, estava acostumado a ser o autor das matérias quentes do Santos; curioso (e furioso) por uma matéria tão legal e importante ter passado por mim sem que ao menos suspeitasse do que era.

Tive que esperar até o domingo, quando a gente “fechava” a revista que ia às bancas na terça-feira, para que o segredo fosse revelado,

E lá estava na capa: “Nosso repórter comprou meio time do Santos!”.

O jornalista Georges Bourdokan

O autor dessa maravilhosa façanha foi o jornalista Georges Bourdokan.

Ele fala armênio e se fantasiou de sheik árabe para negociar com o vice-presidente do Santos na época, o aposentado do Exército general Osman.

Era tempo de dificuldade financeira no Santos, principalmente devido ao chamado “Elefante Branco”, que era o apelido do Parque Balneário comprado pelo clube, na esquina da avenida Ana Costa com a praia do Gonzaga (acho que é isso), que hoje abriga o hotel Sheraton (ou será que o hotel já não está mais lá?).

Era tempo também do início da fortuna dos países árabes com o petróleo que rareava no mundo e abundava no Oriente Médio.

O diálogo entre Bourdokan e o general Osman foi mais ou menos esse.

- Quanto o senhor quer pelo Carlos Alberto? (o Torres, capitão do Tri).

E o presidente do Santos estipulou um preço.

- E pelo Lima? ( o “Coringa” que jogava em todas).

- “Tanto”, respondeu o presidente.

E assim foi até chegar a Pelé.

- Não, esse não vendo – disse o general.

- Como assim, “não vende”? – reclamou Bourdokan.

- Esse não tem preço – afirmou o vice-presidente.

- Tá bom, ta bom, mas ainda vamos voltar a esse assunto. Agora, quanto o senhor quer por todo o time titular do Santos, menos o Pelé? – foi o cheque mate de Bourdokan.

O pobre do vice-presidente, que nem suspeitava da farsa, pensou, pensou e finalmente deu o preço. 600.000 dólares, um grande dinheiro na época.

Bourdokan se levantou e disse:

- Está bem, vou comunicar aos meus sócios que o senhor não vende o Pelé e que quer essa quantia pelos outros titulares! – cumprimentou o vice-presidente, que com seus assessores já alcançava a porta do gabinete quando ouviu a pergunta:

- E quando terei notícias suas novamente? – perguntava o general Osman!

Bourdokan vacilou um pouco, mas conseguiu responder contendo o riso:

- Terça-feira, presidente. Terça-feira!

O dia em que Placar estaria nas bancas.

PS - Georges Bourdokan é um dos maiores jornalistas que conheci na minha vida.

Autor: Michel Laurence Tags: , , ,

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012 Comentário | 15:03

Vida de boleiro!

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Juan revelado no São Paulo, vai para o Flamengo. Arrebenta, todo mundo diz no Rio, que é jogador para resolver o problema da lateral esquerda na seleção.
Um ano depois, Juan já não é unanimidade, continua um bom jogador, mas já não está nas graças da mídia e principalmente na da torcida.
Com o passar do tempo Juan vai se transformando em um problema para o Flamengo. O jogador se julga no direito de ganhar igual ou mais do que as grandes estrelas do time.
Passa a ter atrito com a diretoria do clube.
Passa a ter visível má vontade com o clube.
Consegue se libertar do Flamengo e se transfere para o São Paulo.
Chega no São Paulo dizendo que está feliz porque voltou para a sua “segunda” casa  (a primeira é a de sua família).
Não é querido pela torcida.
O time não está bem e ele não consegue – assim como Júnior César que revezou com ele até ser cedido ao Flamengo – se firmar.
O São Paulo contrata Cortez, do Botafogo, e Juan se sente ameaçado.
Juan demonstra querer sair do São Paulo.
O Santos tem interesse em sua contratação.
São Paulo e Santos acertam os detalhes para a transferência.
Juan faz uma proposta financeira (R$250.000,00 por mês, mais luvas e 3 anos de contrato assinado) absurda segundo os dirigentes santistas que se desinteressam pela contratação.
O São Paulo se diz constrangido e critica Juan.
Juan diz que quer ir para o exterior.
O representante de Juan diz que recebeu uma consulta dos dirigentes do Vasco.
Mas Juan comprou recentemente um apartamento na zona oeste, em São Paulo e quer ficar por aqui.
Onde irá jogar Juan, que já foi a solução para a lateral-esquerda da seleção?

Autor: Michel Laurence Tags:

terça-feira, 17 de janeiro de 2012 Causos do Futebol | 18:52

Causos do Futebol – A Excursão da Morte!

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Este causo real foi contado pelo jornalista Lenivaldo Aragão, no número 505, da revista PLACAR, de 28 de dezembro de 1979,

Tudo começou na madrugada do dia 2 de janeiro de 1943.

A Segunda Guerra Mundial está em seu pior momento.

O Brasil aderiu aos Aliados contra as forças do Eixo, e submarinos alemães rondam ameaçadoramente a costa brasileira.

Com as luzes apagadas, o vapor Pará, do Lloyd Brasileiro, zarpa do porto de Recife.

O vapor viaja em comboio protegido por dois navios da Marinha de Guerra.

Seus passageiros, temendo um ataque, trocam os camarotes pelo convés. Dormem em grupos, armados de facas e foices, com os salva-vidas à mão. Se os alemães atacarem vão encontrar resistência.

Os passageiros são os jogadores do Santa Cruz, de Recife, que saem em excursão pelo Norte do País para amealhar alguns trocados. O clube está em dificuldade financeira.

Dois dias depois o vapor atraca no porto de Natal, capital do Rio Grande do Norte.

Uma hora depois o time já está em campo no antigo estádio Juvenal Lamartine, onde derrota a seleção potiguar, por 6 a 0.

Os jornais no dia seguinte falam da Guerra, da grande vitória do Santa Cruz, mas principalmente elogiam a coragem dos jogadores que viajam em plena guerra, mesmo sabendo que uns 5 ou 6 dias antes, um submarino alemão tinha posto a pique o navio Araranguá, da Companhia Costeira de Navegação, no litoral de Sergipe.

O time viaja para Fortaleza, onde é recebido com grande festa e fica sabendo pelos jornais que Adolf Hitler pede que os italianos desocupem a Sicília.

 

Submarino alemão

No dia 10 de janeiro o Santa Cruz é recebido em Belém do Pará e ganha de 7 a 2 do Tranviário.

Mais uma vitória, por 3 a 2 contra o Tuna Luso, dois empates – 2 a 2 com a seleção Paraense e 4 a 4 com o Paysandu – e a primeira derrota, para o Remo, por 5 a 3.

E num vapor gaiola, o time sobe o Amazonas, rumo a Manaus, rebocando uma alvarenga carregada de alimentos para o Acre. A 10 milhas por dia, a gaiola leva duas semanas para chegar a Manaus. No início da viagem tudo bem, mas sem o que fazer a bordo, e com a demora da viagem, os jogadores desciam para a casa das máquinas do vapor, onde tomavam verdadeiros pileques com alguns membros da tripulação.

Na Guerra os Aliados somam vitórias.

Os jogadores desembarcam em Manaus cansados e com saudade de casa, e no primeiro jogo perdem para o Olímpico, por 3 a 2. Mas no segundo jogo o time reage e derrota o Nacional, por 6 a 1. Mas é justamente depois desse jogo que uma terrível disenteria ataca o chefe da delegação, o jornalista Aristófanes da Trindade e os jogadores Pinhegas, Guaberinha, França, King, Edésio e Papeira.

Prontamente medicados os jogadores se recuperam mas recebem uma recomendação médica de comer muita verdura e frutas, tomar apenas água mineral, e evitar ovos e crustáceos.

Na despedida de Manaus, o Santa Cruz vence o Rio Negro, por 5 a 1.

Entusiasmados os dirigentes pensam em alcançar pelo rio Amazonas, o Peru, para mais alguns jogos, mas o CND proíbe o batismo internacional do clube devido a Guerra que está cada vez mais próxima do fim e por isso mesmo, terrível. O Itamaraty recomenda que os clubes brasileiros não deixem o território nacional.

 

2ª Guerra Mundial

Agora, a bordo do Fortaleza, um vapor que liga Quito, no Peru, à capital do Pará, o Santa Cruz desce o Amazonas em direção à Belém. Só que agora, o time está desfalcado: Cidinho, Pelado e Osmar ficaram em Manaus, contratados por times amazonenses. O plano é ao chegar em Belém, pegar um Ita e descer o mais rápido possível para Recife.

Mas, no caminho, em Santarém, começam as complicações.

Numa madrugada, King e Papeira têm uma violenta recaída da disenteria, e a médica à bordo diagnostica: os dois contraíram a terrível “terçã maligna”, uma febre da família do tifo. Desobedecendo as ordens da médica, Papeira jogara descalço, tomara banho frio e tinha bebido alguns tragos a mais. King, bom de garfo, tinha se excedido num jantar com fígado e ovos, duas coisas proibidíssimas pela médica.

Na chegada a Belém, no dia 28 de fevereiro, a má sorte continua perseguindo os pernambucanos, A 1º de março, o Governo decreta a paralisação do tráfego marítimo… O Santa é obrigado a ir arranjando jogos para pagar a alimentação e o hospital dos dois jogadores. A hospedagem não é problema, os jogadores ficam alojados na garagem náutica do Clube do Remo.

No dia seguinte, 2 de março, o chefe de polícia de Belém aparece na concentração do Santa com um telegrama de Manaus solicitando a prisão do jogador Pedrinho, que segundo o relato teria “feito mal a uma menor de 17 anos”.

Pedrinho jurou que nem namorada tinha em Manaus e logo foi descoberto que tudo era uma “armação” de um clube que estava interessado no futebol de Pedrinho.Tudo caiu no esquecimento.

Enquanto na Guerra no norte da África, as tropas inglesas e americanas fechavam o cerco em torno do general alemão, Rommel, apelidado de “a Raposa do Deserto”, em Belém, o Santa derrotava o Remo, por 4 a 2.

Dois dias depois a fatídica excursão ganha seu primeiro mártir: na madrugada do dia 4 de março, a febre terçã mata o jogador King.

De luto, no dia 7 de março, domingo de Carnaval, jogadores do Santa e do Paysandu entram em campo de luto e antes do fim da partida recebem outra terrível notícia: Papeira também tinha falecido devido a terrível febre.

Abatidos e emocionados os dirigentes tentam promover a volta por avião, mas descobrem que não tem o dinheiro suficiente para a compra das passagens e por isso o time continua jogando recebendo como pagamento 50 por cento da renda.

Finalmente, reaberto o tráfego marítimo, os dirigente do Santa Cruz conseguem passagens num navio para Recife. A caminho do navio o time recebe uma contra-ordem e tem que voltar porque a carga da embarcação é inflamável.

Até foi tentado arrumar o barco a vela para chegar até São Luis do Maranhão. Mas ia ficar muito caro porque o time teria que pagar a alimentação dos jogadores e da tripulação, além do preço do frete do barco.

No dia 28 de março finalmente, o time embarca rumo a Recife, com uma parada prevista de 4 dias em São Luis. Para arrumar algum dinheiro os jogadores trocam as passagens de primeira para as de terceira classe e são obrigados a viajar na companhia de 35 ladrões que a polícia do Pará está mandando de volta para o Maranhão. Todas as precauções são tomadas para que ninguém seja roubado, mas nem precisava, antes do fim da viagem jogadores e ladrões já eram bons amigos.

Mas antes que tudo terminasse mais um contra-tempo: o navio ficou retido e sóm poderia continuar a viagem erm comboio.

O jeito é jogar com o faturamento distribuído entre os jogadores. No jogo contra o Moto Clube, o cozinheiro do navio entrou na ponta-esquerda, porque com Edésio e Capuco machucados não tinha onze jogadores para ser escalados. Ainda bem que o tal cozinheiro tinha jogado nos juvenis do Vasco e não fez feio.

Mas continuam as loucuras. O comandante comunica que o navio irá partir logo depois de outro jogo em São Luis, de madrugada, com destino à Fortaleza. No início da viagem desaba um temporal e sem visibilidade, o navio começa a andar em ziguezague. O comandante resolve voltar ao porto de São Luis, inclusive porque o radar acusava a presença de submarinos alemães.

Desesperados os jogadores resolvem ir de trem para Teresina que descarrila duas vezes. Sem vítimas, graças a Deus.

Mais jogos dessa vez em Teresina, e o time completa 28 partidas na excursão que já dura perto de 4 meses.

A viagem até Recife foi completada de ônibus, não sem que o ônibus fosse parado pela polícia!

Mas quando viram que era o time do Santa deixaram seguir.

Quase meia noite, do dia 2 de maio, quando o Santa entra em Recife. Quatro meses de excursão, jogadores exaustos, nervosos, emocionalmente abatidos. O filho de Guaberinha de 6 anos, custa a reconhecer o pai.

A mala de Papeira foi entregue a família.

A de King caiu ao mar no desembarque em São Luís.

PS – relutei muito tempo em contar essa história levantada pelo Lenivaldo, mas acho que é importante as novas gerações saber como era difícil o futebol naquele tempo e que o trabalho de Lenivaldo Aragão foi da maior importância.

Autor: Michel Laurence Tags:

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012 Notícias | 19:28

A aula do Barcelona!

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Vejo o Barcelona jogar vez por outra depois daquela exibição na final contra o Santos, como via antes porque vivo do futebol e gosto do futebol.

Acho que qualquer sistema depende dos jogadores. O Barcelona tem jogadores para jogar do jeito que joga, assim como a Holanda tinha Cruyff, Neeskens, Rep, Rensenbrink, van Hanegem, Krol e Jansen em 74 para revolucionar o futebol.

Só não creio que o segredo esteja na base dos clubes, na formação dos jogadores nas categorias inferiores.

Se fosse assim a Holanda teria uma seleção no mesmo nível da de 74 até os dias de hoje. O que não acontece.

Não acredito que o Barcelona, quando essa geração de Messi, Xavi e Iniesta acabar, tenha uma outra no mesmo nível para continuar as glórias conseguidas pela atual. Assim como o Santos de Pelé, Coutinho, Zito, Mengálvio, Pepe, Dorval, e Lima nunca mais foi alcançado mesmo com uma escolinha produzindo alguns craques de primeira linha como Robinho, Diego, Wesley, Neymar e André. Foram 32 anos de espera para o Santos até que surgissem esses nomes para relembrar o passado.

 

Antes da Segunda Guerra Mundial, a seleção da Áustria era conhecida como o “Wunderteam” – o Time Maravilhoso -; e a da Hungria em 54, espantou o mundo com Puskás, Grosics, Czibor e Hidegkuti, ganhando da então invicta Inglaterra, em Wembley, por 6 a 3.

Dizer que é a base que vai dar continuidade ao sucesso de um grande time, é improvável. O Barcelona pode formar grandes jogadores e nunca ter o mesmo resultado que está conseguindo agora.

Cada jogador é um jogador. Garrincha nunca mais foi igualado, nem vai ser.

Pode surgir um com imensas qualidades, mas será certamente diferente do Mané.

E aí está o segredo da combinação para dar certo. É preciso que tudo se encaixe e que tudo esteja no momento certo, no time certo.

O Cruzeiro de Tostão, Dirceu Lopes e Zé Carlos nunca mais.

O Flamengo de Zico, Adílio e Andrade nunca mais.

 

O Inter de Falcão, Paulo César Carpegiani e Figueroa – que é chileno – nunca mais.

Não estou querendo tirar o valor de Pep Guardiola ou Rinus Michels, que montou a Laranja Mecânica, tanto que vou citar o Flamengo do paraguaio Fleitas Solich, que conquistou o tricampeonato carioca de 53, 54, e 55 destroçando o sistema WM do Fluminense de Zezé Moreira, simplesmente invertendo o jogo da esquerda para a direita, e da direita para esquerda.

A Argentina que forma tantos craques quanto o Brasil, tem uma geração maravilhosa jogando na Europa, mas não consegue nem chegar aos pés do time que conquistou a Copa de 86, no México, porque aquela seleção tinha Maradona e em torno dele uma série de jogadores de alta qualidade. Isso foi há 25 anos!

É evidente que ter uma base formando bons jogadores – que saibam qual o papel que devem desempenhar quando passarem para o time titular – ajuda (até em poupar dinheiro com contratações nem sempre agradáveis), mas o destino tem que favorecer o time com um super-astro, que é o caso de Messi, no Barcelona – e que na seleção da Argentina não consegue brilhar com tanta intensidade, porque o jogo da Argentina é mais lento do que o do Barcelona e Messi precisa da rapidez para que seu talento seja inigualável.   

Autor: Michel Laurence Tags: , ,

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012 Comentário | 16:14

Um xará que joga bola!

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Um grande amigo (Amalfi) me liga:

- Michel, você viu que tem um cara no Flamengo com o teu nome?

- Como é que é, Amalfi? Você bebeu?

Aí, o Amalfi, que trabalhou comigo na Rede Record, me explica que “o número 5 do time de juiniores do Flamengo se chama Lorran”!

- Eu vi, Amalfi, eu vi o garoto jogar! Ele joga muito, mas é muito nervoso, quer briga a toda hora! E Lorran não é meu nome!

- É, mas você viu o primeiro nome dele?

- Não – respondo.

Michel Lorran em ação pelo Fla na Copa SP

- Pois é – continua o bom Amalfi -, o garoto se chama Michel, igualzinho ao teu! Michel Lorran te lembra alguma coisa?

Comecei a rir e consegui dizer:

- Amigo, só pode ser coincidência, mais nada!

Mas lá no fundo de minha cabeça começou a se assanhar o “bichinho” da curiosidade:

- Você acha que alguém achou meu nome bonito e colocou no filho?

- Você andou por lá, Michel? – perguntou as gargalhadas o grande Amalfi.

- Deixa de grossura, cara. Vou consultar o Google e ver se tem alguma informação sobre o garoto. Um grande abraço, Amalfi, e obrigado.

Desliguei e corri para o Google, e aí estão a foto e as informações sobre o Michel Lorran.

Nome Completo: Michel Lorran Rodrigues Mota

Data de Nascimento: 10 de Janeiro de 1993 (19 anos)

Local de Nascimento: Barra do Garças – MT

Posição: Volante

1° Jogo: 27 de março de 2011 (Flamengo 3×3 Madureira)

(Tambem já jogou pelo Fluminense)

Autor: Michel Laurence Tags: , , , , ,

terça-feira, 10 de janeiro de 2012 Causos do Futebol | 14:32

Causos do Futebol – O MADUREIRA FEZ HISTÓRIA!

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Guevara recebendo a bola do empresário José da Gama.

Foi em 1966, alguns meses antes da Copa da Inglaterra.
O América, do Rio, me convidou para acompanhar o time numa excursão ao exterior (naquele tempo era obrigatório o clube que fosse excursionar convidar um jornalista para acompanhar a delegação).
Foi uma experiência incrível que durou cerca de 3 meses, aprendi muito. Vi que jogador de time mediano como era o América, ganhava bem pouco – o bicho de vitória era de 20 dólares, 10 pelo empate – e sofria muito com a distância da família.
Um dos jogadores do América era o meio campo Farah, que no ano anterior como jogador do Madureira, tinha participado de uma excursão histórica e pouco conhecida.
Em 1965 o mundo vivia a incerteza de uma guerra nuclear, a chamada “Guerra Fria” com a ex-União Soviética ameaçando os Estados Unidos colocando seus foguetes em Cuba.
Fidel Castro liderava ao lado de Ernesto “Che” Guevara o início de uma revolução que transformaria por completo a história de Cuba.

Farah cumprimenta o capitao de Cuba.

“Che” Guevara em 1965, depois da vitória, tinha feito uma viagem ao Brasil, onde foi recepcionado pelo então presidente Jânio Quadros, o que contrariou os militares brasileiros e provavelmente foi uma das causas da queda do ex-presidente.
Quando de repente, furando o bloqueio a Cuba, imposto pelos Estados Unidos, desembarcou em Havana o Madureira, ninguém acreditou nas notícias que divulgavam a história.
O feito foi obra do primeiro empresário que o futebol brasileiro teve conhecimento: José da Gama, um português que viveu muito mais no Brasil do que em Portugal e que era famoso por organizar e facilitar excursões e jogos para quase todos os clubes brasileiros.
E “Che” devolveu as gentilezas recebidas no Brasil, visitando o Madureira e oferecendo a delegação caixas de charutos – os melhores do mundo – e de rum – um dos melhores do mundo.
As fotos que ilustram esse “causo” são do arquivo particular de Farah, que também esclareceu que em uma das paradas do clube depois de Cuba, as caixas de rum desapareceram misteriosamente.
Fonte consultada – revista TRIP, n° 189, de junho de 2010.

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