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07/11/2009 - 21:28

De vez em quando a gente sorri!

dorival

Graças a Deus já sorri muito em minha longa carreira.

Chorei também, disfarçadamente, mas chorei, de alegria e de tristeza. Mais de alegria do que de tristeza.

Sorri vendo o Flamengo campeão em 1966.

O América em 60.

Com o Santos de Pelé, Zito e Gilmar.

Com o Botafogo de Mané, Nilton Santos e Didi.

Com o Corinthians de Sócrates.

Com o Flamengo de Zico.

O Inter de Paulo Roberto Falcão, Paulo César Carpegianni, Figueroa e Manga.

Com o Cruzeiro de Tostão, Dirceu Lopes e Raul.

Com o Atlético do Rei, Rei, Reinaldo.

Com a seleção Tricampeã e daí para frente com dezenas de títulos que não eram importantes e depois ficaram.

Sorri hoje com o Roberto, o Dinamite.

Não sei o que vai ser daqui para frente.

Não tenho a mínima noção. Nem importa.

Porque para mim o que importa é que uma certa vez, há muitos anos atrás, vi o Roberto fechar um parque de diversão na Lagoa Rodrigo de Freitas e fazer felizes dezenas de crianças carentes.

Hoje, acho que uns 40 anos depois, ele fez milhões de vascaínos felizes.

Com trabalho, lisura, e amor.

Como é bom sorrir quando a gente vê o bem vencer.

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Notícias Tags: ,
06/11/2009 - 13:40

Depois dizem que Milagres não acontecem!

fredEntão me expliquem o que aconteceu no Fluminense para de uma hora para outra o time se transformar de saco de pancada, de lanterna do Brasileirão, em vencedor?

Não, não, por favor, não me venham dizer que foi a competência do Cuca!

Muito menos de que o Fred voltou a ser o Fred de cinco ou seis anos atrás.

Ninguém viaja para o futuro assim … como NÃO volta no tempo!

Se as explicações forem essas pergunto: “o que eles estavam fazendo antes, quando perdiam de todo mundo?”.

O Conca “incorporou” o Maradona (só para mudar um pouco de religião!)?

O Diguinho é o novo Zito?

Gum é o novo Domingos da Guia?

Rafael um novo Castilho?

Não, meus amigos, acho que o Nelson Rodrigues tinha razão: “tem hora que o Sobrenatural de Almeida entra em campo!”.

Afinal, por que vocês querem explicação para tudo?

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Comentário Tags:
04/11/2009 - 16:13

Um futebol ridículo!

torcida-do-flamengo1A Nota Oficial do Departamento de Futebol do Flamengo reclamando quanto a arbitragem do jogo de sábado, contra o Santos, e assinada pelo Vice-Presidente de Futebol, Marcos Braz, publicada pelo iG, é simplesmente ridícula… e perigosa.

Estranho o fato de pessoas como o presidente (licenciado), Márcio Braga, permitir que tal documento seja divulgado pela mídia.

As reclamações são numeradas.

Na primeira, o vice-presidente “ratifica” a opinião expressa depois do jogo considerando “absurda” (essa não entendi) e “escandalosa” a arbitragem.

Na segunda, o vice-presidente muda de assunto e diz ter “estranhado” a punição imposta aos atletas do Barueri, que foram impedidos de jogar contra o São Paulo.

O terceiro tópico diz que “a diretoria do Flamengo está atenta aos comportamentos pouco habituais de árbitros e dirigentes na reta final do Campeonato Brasileiro”.

O item 4 é terrível: “ao afirmarmos que o árbitro não poderia sair impune do Maracanã, direcionamos nossos reclamos – explica do senhor Braz – às autoridades desportivas e não a torcida”.

O parágrafo 5 é de uma indecência maior ainda: “O Flamengo estimula sua torcida para atuar ordeira e pacificamente com o 12º jogador, e repudia antecipadamente, qualquer atitude violenta contra árbitros e dirigentes”.

 

Cobri o Flamengo lá pelos idos de 65/66. Acompanhei como jornalista uma excursão dos juvenis promovidos ao time profissional da qual faziam parte Fio (que depois virou o Maravilha de Jorge Benjor); Itamar e Mário Braga, que fizeram sucesso no Bahia; Tinteiro, um lateral-esquerdo; Juarez, grande meia que também brilhou no Bahia; e que foi comandada pelo técnico Flávio Costa.

Aprendi muitas coisas com esse senhor que vivia amargurado por ter perdido a Copa de 50, mas dono de uma personalidade tão forte, que conseguia superar o que chamavam de “desgraça” e continuar sua vida orientando jovens como a garotada que citei.

Garanto a vocês que naqueles tempos os dirigentes do Flamengo, como o Flávio Soares de Moura, não incentivavam seus torcedores a bater em juiz e dirigentes dos clubes adversários.

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Comentário Tags:
03/11/2009 - 13:48

Causos do Futebol – O DIA EM QUE O “BATUTA” PERDEU A CALMA!

Silva Batuta

Silva Batuta

Eu era jovem, começando carreira no jornal Última Hora, do Rio.

Tudo era maravilhoso.

Entrava no Flamengo sem precisar mostrar minha carteirinha de jornalista. O porteiro já me conhecia.

Passava na lanchonete comia um misto quente que eu achava delicioso.

Passava pelo portão da grade que separava a área social da dos profissionais da bola, sentava na beira do campo e sentia o olhar dos torcedores me seguindo.

Cesar Maluco

Cesar Maluco

Nesse dia cheguei quando os jogadores já estavam batendo bola no gramado. Tinha um bom relacionamento com eles. Principalmente com César, que ainda não era o “Maluco” do Palmeiras, mas já era o recordista de gols marcados no campeonato juvenil; com Almir, o Pernambuquinho, valente que só ele e jogador de um futebol refinado; com Paulo Henrique, o lateral esquerdo; com Osvaldo Ponte Aérea (depois dos jogos pegava a ponte-aérea para São Paulo, onde morava a mulher dele, daí o apelido) e com Silva, o Batuta, que dividia com Almir a idolatria dos torcedores.

Almir Pernambuquinho (Meio)

Nelsinho (Esquerda), Almir Pernambuquinho (Meio), e Silva, Ataque do Flamengo em 1966

Eu mal tinha sentado a beira do campo quando vi o Silva vir em minha direção. Pelo jeito vi que não era uma atitude amiga.

E não foi. Ele explodiu:

- Pô, meu, você está querendo me complicar?

 Sem entender o que ele estava reclamando, perguntei:

- O que foi?

E ele aos berros:

- Pô, rapaz, o que você escreveu no jornal!

Por sorte eu sempre ia aos treinos com a Última Hora embaixo do braço.

- O que eu escrevi? Nem falei de você – argumentei.

Nisso a arquibancada lotada de torcedores começou a se manifestar. Era véspera de clássico contra o Vasco. Começaram a me xingar e pela primeira vez eu tinha que enfrentar uma situação complicada. O ambiente fervia. Eu não sabia muito bem como agir, só sabia que eu não tinha escrito nada que pudesse ter deixado o Silva tão irritado.

- Nunca mais falo com você! – foram as últimas palavras que gritou antes de entrar no vestiário.

Levantei e entrei (o que era proibido, eu nem notei e também ninguém me impediu) atrás dele. O Batuta estava sentado no banco tomando água. Abri o jornal e disse:

- Oh, cara, aqui está o que escrevi! Me mostra o que te deixou com raiva!

- Não, não é aí – gritou – é na página de dentro!

Eu ainda nem tinha lido a página de dentro. Fiquei preocupado. Será que tinham escrito alguma coisa sem me avisar?

Abri o jornal devagar e procurei. Silva já tinha levantado e estava se preparando para voltar ao campo. Encontrei e perguntei:

- É isso aqui?

- Claro – ele respondeu ainda mais irritado – não fiz nada disso. Não fui ao Corinthians para pedir para voltar? Fui pedir uns documentos, mais nada. Isso pega mal prá mim. Sacanagem!

- Silva – falei tranquilamente – olha aqui. Essa reportagem veio de São Paulo. Olha aqui, está escrito: São Paulo. Não tenho nada a ver com isso!

Ele ficou me olhando sem saber o que falar:

- Olha, cara, me desculpa! Eu não vi que era de lá! Me desculpa, sinceramente.

Aí foi minha vez de reclamar:

- Tudo bem, aceito suas desculpas, mas você vai ter que pedir essas desculpas lá fora, na frente dos torcedores!

Ouvi uma risadinha no fundo do vestiário. Olhei, era o Almir que tinha ouvido tudo enquanto se preparava para entrar em campo. Silva ainda acabrunhado, explicava:

- Cara, não posso fazer isso. E minha moral?

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Causos do Futebol, Sem categoria Tags:
02/11/2009 - 15:23

As 10 mais dessa reta final!

Os 10 fatos mais evidentes deste final de campeonato:

1) Quem mais fraquejou – Corinthians e Internacional que foram os dois grandes que mais venderam jogadores na ”janela” do meio do ano, e conseqüentemente mais enfraqueceram seus elencos e estão pagando por isso;

2) Quem mais se destacou – os 3 clubes do Rio: o Flamengo do técnico Andrade que passou de time intermediário a candidato sério ao título; o Fluminense que apesar de ainda estar ameaçado pelo descenso, está numa recuperação fantástica com uma série de 6 jogos invictos; e o Botafogo que desde a contratação do técnico Estevam Soares saiu da lanterna do campeonato e marcha em buscar da classificação para a Sul-Americana;

3) Quem superou as expectativas – o Avaí do técnico Silas e o Goiás do assustador mas eficientes Hélio dos Anjos;

Sucesso

Sucesso

4) Quem mais decepcionou – o Santos. Um clube que pertence a um homem só mais uma vez provou que não pode dar certo o tempo todo, mesmo pertencendo a um homem rico. O Santos arrasta na esteira de seu fracasso o técnico Wanderlei Luxemburgo que talvez tenha passado o pior  ano de sua carreira: demitido do Palmeiras e fracasso no Santos;

5) O que mais ficou evidente – que é preciso encontrar uma solução para o futebol brasileiro. Racionalmente tem-se no Campeonato Brasileiro 3 clubes de São Paulo; 1 clube no Rio atualmente; 2 clubes no Rio Grande do Sul e 2 clubes em Minas que sustentam os outros 12 – isso porque no Rio o Vasco está na segunda divisão. Quem não acreditar nesse raciocínio é só olhar quem ocupa as 6 primeiras colocações do Brasileirão, e quais foram os clubes com as maiores rendas. Não existe saída se não houver uma mudança radical em torcidas numerosas como a do Fortaleza ou a do Remo, por exemplo, que abandonam os times a partir do momento em que eles ocupam uma posição ruim;

6) O que provocou maior admiração – Ronaldo, o Fenômeno, que apesar de estar sempre acima do peso, levou o Corinthians a conquistas inesquecíveis, superando seguidamente problemas físicos com uma coragem e um talento como há muito tempo não se via no futebol brasileiro. Louvor também a Adriano que até bem pouco tempo carregou quase que sozinho o time do Flamengo nas costas;

Maravilha do futebol brasileiro

Maravilha do futebol brasileiro

7) O maior vexame – O recente episódio da “mala branca”. Ao que parece ela realmente aconteceu inclusive pelo fato dos dois jogadores do Barueri supostamente envolvidos que foram afastados do time pela diretoria. Tem gente que argumenta dizendo que pagamento para vencer é normal. Se alguém receber para perder e isso for comprovado, aí sim tem que haver punição. Eu sou contra. Sei que existe, mas sou contra;

8) As maiores revelações – como técnico: Silas, do Avaí, que conseguiu montar um time incrível num clube antecipadamente cotado para cair e o manter até agora numa posição honrosa no campeonato. Como jogador: Taison, do Internacional, que apesar de um comportamento bastante irregular durante a temporada, é sem dúvida o “garoto” mais talentoso do futebol brasileiro;

Fracasso

Fracasso

9) O problema eterno – as arbitragens, que nunca conseguem ter  um padrão unificado e aplicado por todos em qualquer quadrante do território nacional. Os analistas das arbitragens (geralmente ex-árbitros) tendem a desculpar e criar “regras” que podem ser aplicadas de diversas formas durante um jogo. Pergunta: “bola na mão é pênalti ou não é pênalti?”. Respostas: se o chute for em direção ao gol e for desviado involuntariamente é pênalti; se não for em direção ao gol, não é. A toda hora juiz NÃO apita pênalti em bola que em direção ao gol bate na mão do jogador; e também apita pênalti quando a bola bate na mão do jogador mesmo NÃO estando em direção ao gol. Pergunta: “o goleiro pode ou não se mexer na cobrança de um pênalti?”. Os árbitros mandam voltar a cobrança ou não conforme o local do jogo, o beneficiado, e o andar da contagem – invasão da área, que também é proibida , só é assinalada se convier ao árbitro. E vai por aí a fora, ajeitando resultados sem que se possa garantir que houve má fé. Nem vou falar em IMPEDIMENTO que se não o “Tira-Teima” da Globo vai para a cucuia; e muito menos na ENCENAÇÃO de lances de falta seja dentro ou fora da área. Para cada lance existe uma interpretação, por mais estapafúrdia que seja. A tudo isso por favor, acrescente quem nunca chutou uma bola – e não argumentem que para julgar não é preciso ter sido um craque do violento esporte bretão – e dá um parecer categórico sobre tudo e todos;

E 10) A beleza de ter um Campeonato Nacional – que chega a cinco rodadas do final com cinco ou seis reais candidatos ao título. Procurem um similar em qualquer canto do mundo. É o contra-senso das coisas erradas que dão certo, mas que só acontecem num país tropical abençoado por Deus.

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Notícias Tags:
30/10/2009 - 16:01

O Título do Corinthians!

torcida_corinthiansTenho um amigo corintiano desses de dar raiva.
Ele foi se chegando como quem não quer nada e perguntou:
- O que você vai escrever sobre a decisão?
Olhei com pena para o meu pobre amigo:
- Que decisão? Ta louco? Faltam seis rodadas.
Aí ele apoiou as duas mãos espalmadas na minha mesa e explodiu:
- Amigo, tá doente? Corinthians e Palmeiras, domingo, meu! Acorda!
- Sim, mas não decide nada m- insisti.
- Para nós o título é decidido domingo. Se a gente ganhar vamos para casa com a faixa de campeão e tudo. Se depois “os porcos” forem campeões para nós não vale nada.
Como é bom ser torcedor!

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Comentário Tags:
29/10/2009 - 13:59

As arbitragens que assustam!

Eu não queria voltar a falar das arbitragens.
Fica parecendo que quero colocar nos ombros dos moços de preto, laranja, amarelo, vermelho, lilás, azul turquesa, a culpa de tudo o que acontece de ruim no futebol brasileiro.
Mas tem coisas que assustam: o pênalti a favor do Botafogo foi um escândalo.
O gol do Atlético Paranaense contra o Santos foi outro escândalo.
Os erros a favor do Botafogo até se “justificam”. Os cariocas devem ficar sem o Fluminense. É quase certo que o o time das Laranjeiras vai cair para a segunda divisão. Se cair mais um, vai haver semana sem futebol no Rio, pelo menos da primeira divisão.
Já imaginou o Engenhou às moscas? São Januário com shows de rock? O Maraca que vai entrar em reforma.
O Mengão fora da Libertadores.
Não vai dar.
O futebol, pobre do jeito que é, vai perder ainda mais dinheiro.
Agora o erro grosseiro do árbitro Francisco Assis de Almeida Filho no jogo entre Atlético Paranaense e Santos, na Arena da Baixada, não tem “justificativa”.
Na cobrança do escanteio, o zagueiro do Atlético, Manuel, jogou para dentro do gol o goleiro Felipe, do Santos, que tentou salvar o gol rebatendo a bola para dentro da área. E Bruno Costa marca.
Sei lá, mas no meu tempo era proibido “chargear” – o termo usado era esse mesmo – o goleiro dentro da pequena área, quando ele estivesse com os dois pés fora do chão. Diziam também que, dentro da pequena área, o goleiro não podia ser atacado, mesmo que estivesse tão firme quanto uma rocha, com os dois pés plantados no chão.
Acho que com esse tipo de gol, agora válido, vai ficar fácil. É só escalar na hora da cobrança de um escanteio, de uma falta, ou de um melé (esse termo também é maravilhoso) um zagueiro ou um atacante para entrar com o goleiro adversário para dentro do gol e pronto, o gol fica bem mais fácil.
Disseram também que no jogo do Botafogo contra o Náutico, o time pernambucano teve dois gols “anulados” – e mal anulados.
Depois querem que a gente não fale mal.
É terrível ver as pessoas acreditarem cada vez menos na honestidade do futebol e dos homens que o dirigem.

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Sem categoria Tags:
28/10/2009 - 15:12

Agora é vencer… ou morrer!

adriano_flamengo2Teve um filme famoso que se chamava “Matar ou Morrer”, com Gary Cooper no papel principal. Foi o primeiro filme de mocinho e bandido a dar sentimentos aos mocinhos e aos bandidos.

Eu acho que a fase que o Brasileirão alcançou é exatamente a mesma, claro que sem os exageros que dei no título e na explicação.

Mas agora, nessa rodada que começa hoje a noite, não tem mais conversa. Quem quiser ser campeão tem que vencer, seja onde for.

O Flamengo que encara o Barueri, na Arena do Barueri, vai ter que lembrar que já enfrentou o pequeno estádio da rua Bariri, onde enfrentou o Olaria inúmeras vezes e com um grau de dificuldade semelhante ao que terá pela frente hoje. É evidente que no Rio o Flamengo tem sempre um grande fator a seu favor: a imensa torcida. Mas aqui em São Paulo, o Flamengo também tem uma grande torcida.

GaryCooperHighNoon

Gary Cooper em Matar ou Morrer.

Mas é bom tomar cuidado com o time do Barueri. Quase ninguém o conhece, mas é só olhar o retrospecto do time no campeonato para ver do que é capaz.

O São Paulo recebe o Internacional. Aí, meu amigo, é “pau puro”. Os dois são grandes candidatos ao título e o São Paulo, se realmente tem a segunda maior torcida do Estado e a terceira maior do País, tem que fazer valer essa força. Do contrário o Inter, que agora é dirigido pelo meu amigo Mário Sérgio Pontes de Paiva, vai levar uma vantagem que o Ricardo Gomes tem também mas em menor escala: o de conhecer perfeitamente o adversário. Mário mora aqui em São Paulo e viu antes de ir dirigir o Inter, o São Paulo jogar quase durante todo o campeonato.

É isso, amanhã vai ser a vez do Palmeiras.

Hoje o único candidato que pode se dar ao luxo de jogar com certa tranqüilidade é o Cruzeiro que pega o Santo André. Mas é bom lembrar que esse mesmo Santo André deu um passeio no Palmeiras no meio da semana passada.

Olha o título do filme famoso outra vez: é Matar… ou Morrer!

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Comentário Tags:
28/10/2009 - 15:07

Respondendo a Carlos Coelho!

Como toda história que vem de longe a do GOL OLÍMPICO também tem várias origens.

Conheço duas.

A primeira que data de 1924 e que me parece a mais provável, é a que num jogo entre Argentina e Uruguai, no dia 2 de outubro daquele ano, em Buenos Aires, o atacante Onzari fez um gol para a Argentina na cobrança de um escanteio direto para o gol.

Como o Uruguai tinha conquistado o título no futebol dos Jogos Olímpicos de Paris naquele mesmo ano, os argentinos ironizaram chamando o gol de Onzari de “Gol Olímpico”.

A outra história envolve o Vasco da Gama que enfrentou em 1928 – ano dos Jogos Olímpicos de Roma – o Montevideo Wanderers, do Uruguai, na inauguração das arquibancadas de São Januário. Em 28 a seleção uruguaia conquistou o bicampeonato olímpico no futebol.

Santana deu a vitória ao Vasco com um gol direto de escanteio. Aí, foi a vez dos brasileiros ironizarem os uruguaios batizando o gol de Santana de “Gol Olímpico”.

Mas dessa história do “Gol Olímpico” sobra o fato da potência do futebol uruguaio naqueles tempos, já que em 1930, a Celeste Olímpica ganhou a primeira Copa do Mundo de Futebol, disputada no Uruguai.

Foram três títulos mundiais seguidos: 1924-28 e 30.

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Recados Tags:
27/10/2009 - 14:10

Causos do Futebol – DOIS COMUNISTAS QUE SE ODIAVAM!

Joao Saldanha

Joao Saldanha

Em 1983 trabalhei no Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro, com dois dos maiores jornalistas esportivos do Brasil: João Saldanha (com quem já havia trabalhado logo no início da minha carreira no jornal Ultima Hora, do Rio) e Sandro Moreyra, que foi talvez o maior historiador de Mané Garrincha e pai da repórter Sandra Moreyra, da Rede Globo.

Os dois tinham pertencido ao Partido Comunista nos tempos de Prestes e da clandestinidade.

Os dois de uma coragem como raramente vi.

Sandro Moreyra

Sandro Moreyra

João inclusive contava “ter participado da Grande Marcha, ao lado de Mao Tse-Tung (Mao Zedong – segundo a pronúncia chinesa) fundador da República Popular da China”.

Sandro Moreyra mais discreto preferia contar seu amor pelo Botafogo, e “causos” do Mané (ele divulgou histórias verdadeiras e inventou dezenas de outras).

Depois de algum tempo notei que os dois não se falavam. Estranhei afinal os dois tinham histórias paralelas de respeito. E os dois eram torcedores do Botafogo.

Mas os dois eram monstros sagrados e eu no máximo tinha que ter orgulho de trabalhar ao lado deles, mas sem o direito de me meter em seus problemas.

O tempo passou, saí do Jornal do Brasil e voltei para a Globo.

Acho que tudo aconteceu numa Copa América, em Assunção, no Paraguai, aí por volta de 1985.

Por coincidência várias equipes da mídia brasileira ficaram hospedadas num hotel que ao invés de quartos alugava casas que orlavam os dois lados de uma bela alameda.

A noite a gente se reunia na alameda, conversava, trocava idéias, tomava umas cervejinhas de onde saiam idéias maravilhosas. João Saldanha estava hospedado no hotel e participava das reuniões. Numa dessas cervejadas sem que ele soubesse ou depois de ele ter ido dormir, lancei a idéia de convidar Sandro Moreyra – sem que o João soubesse – para um churrasco e tentar reaproximar os dois.

Foi um evento.

No dia seguinte começamos a divulgar o dia do churrasco e fomos convidando várias pessoas entre elas o Sandro, que aceitou sem desconfiar de nada.

Combinamos que teríamos que distrair o Saldanha e fazer entrar o Sandro sem que um não soubesse da presença do outro.

Temeroso que pudesse acontecer alguma coisa, resolvi esperar a chegada do Sandro na porta do hotel e contei o que havíamos planejado.

Acho que ele não me deu uma porrada em respeito ao meu pai, que foi jornalista fundador da Última Hora e seu amigo. Brigou, gritou e virou as costas para ir embora.

Pedi para que ficasse. Apelei para os sentimentos dele, a amizade que sempre uniu os dois, as aventuras da mocidade, etc. Depois de muita conversa ele admitiu entrar, mas avisou:

- Se “ele” (um não fala o nome do outro) fizer qualquer grosseria, eu vou “engrossar” mais do que ele.

Temi. Eu conhecia João, sabia que ele tinha pavio curto e que era imprevisível. E também tinha visto o Sandro resolver uma parada com uma autoridade incrível.

Fomos andando pela alameda e avistamos João Saldanha no meio de uma roda. Sandro ficou ao meu lado, João percebeu a situação e deve ter tomado a decisão mais por instinto do que por raciocínio.

Davi um cinegrafista forte como o diabo e meu amigo, tinha sido avisado: “qualquer coisa você pula em cima do João e o arrasta para longe!”.

Só Deus sabe o que podia acontecer.

Os dois tinham fama de andar armados.

João olhou para o velho amigo, avançou uns passos, os dois se abraçaram e pela primeira vez depois de muitos anos começaram a conversar.

Autor: Michel Laurence - Categoria(s): Causos do Futebol Tags:
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