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13/10/2009 - 07:07

Museus a céu aberto

 

 

 

AlgarveSagres

Museu é um lugar onde são reunidos objetos de arte, históricos, arqueológicos, antropológicos ou de qualquer outra forma “colecionáveis”, os quais são expostos ao público com fins diversos, certo? Parcialmente certo, ou, melhor dizendo, cada vez menos certo.

 

Na realidade os museus vão continuar sendo “também” isso, mas não somente. Há muito os museus (”templo das Musas” do antigo grego) passaram a ser muito mais do que espaços onde se encontram coleções de coisas diversas (animais, obras de arte, objetos “históricos”) para serem também instituições de pesquisa, de ensino, de educação e, há menos tempo, talvez, de lazer.

Mas uma das constantes dos museus – a de serem instituições localizadas num único edifício ou num conjunto de edifícios associados, fechados e longe da luz do dia – está lentamente perdendo sua hegemonia para dar espaço, justamente, às áreas amplas, abertas, nas quais a própria paisagem e o ambiente fazem parte da “coleção” do museu.

No extremo sul de Portugal, a oeste, encontra-se o “Promontorium Sacrum”, faixa de Europa encastelada sobre penhascos que foi citada pela primeira vez nos textos gregos da antiguidade, há mais de 2500 anos. Para os romanos ali estava o ponto onde Hercules realizara um de seus 12 famosos trabalhos, abrindo com os braços uma passagem pelo Mediterrâneo. Para além de Gibraltar ergueram uma pedra cerimonial a qual batizou o local: O Promontório Sagrado, o qual já em tempos de portugueses passou a ser referenciado pela corruptela do nome romano e se tornou Sagres.

Em Sagres – no promontório, na imagem acima - foi erguido um farol, uma fortaleza e uma gigantesca Rosa dos Ventos já no século XV, muito provavelmente na época de Dom Henrique o Navegador, irmão do rei de Portugal e Mestre da Ordem de Cristo. Dom Henrique recebeu a alcunha de “O Navegador” justamente por ser o grande incentivador das navegações portuguesas, as quais gerenciava a partir da cidade de Lagos, próxima ao promontório.

Em torno de Sagres surgiu, inclusive, a história da lendária “Escola de Sagres”, núcleo formado por Dom Henrique reunindo os maiores especialistas em navegação conhecidos à sua época, de todas as etnias, credos e cores. Lenda popularizada e romantizada, mas que jamais se deu tal como nas histórias.

Como, então, colocar dentro de um museu um farol, uma cidade e um promontório, e mais ainda, um mar e um oceano, além da luminosidade, do vento, dos odores, componentes todos que trazem o visitante para uma experiência de instantes que o carregam para a história antiga ou para o século XV, como o Navegador olhando no horizonte seus navios se afastando rumo à África?

Os Museus a Céu Aberto, como vêm sendo chamados, buscam justamente essa dimensão “experiêncial” ampla que somente o contato com o ambiente é capaz de proporcionar.  Nesses lugares edifícios, sítios arqueológicos, paisagens, elementos naturais, populações de animais selvagens e, até mesmo, comunidades locais compõem um todo que somente faz sentido se mantidos íntegros, no conjunto.

Na Europa são dezenas de experiências já, a maioria delas associada ou ao período neolítico ou à Idade Média (o que permite, inclusive, algumas ações de gosto questionável como a de colocar a população local empregada no museu vestida com trajes de época). Há, também, cidades que se tornaram quase inteiramente um conjunto de bens históricos ou arqueológicos, como Évora e Óbidos também em Portugal, exigindo uma mudança na forma de ver esses elementos e buscando integrá-los num mesmo plano, compondo, enfim, um museu a céu aberto não pensado dessa forma desde o início.

No Brasil algumas iniciativas começam a ganhar força, como o conjunto da Serra da Capivara no Piauí, de longe a melhor experiência brasileira (embora com vários problemas e desafios a serem vencidos), mas ainda não temos um projeto que pense desde o início o conjunto de bens, de patrimônios, móveis e imóveis, materiais e imateriais, culturais e naturais, como uma unidade e no qual nós mergulhamos em busca de uma experiência ampla e não apenas de informação.   

Autor: indianasilva - Categoria(s): Arqueologia, História da cultura, Patrimônio histórico, Política ambiental, Política cultural Tags: , , , , ,
15/09/2009 - 06:36

“Os homens fazem a história, só não sabem que a fazem…”

Essa frase de Karl Marx (traduzida de formas diversas) se tornou uma máxima recorrente nos trabalhos de história, e muitas vezes nos textos de “não historiadores”. O sentido dela, buscado por Marx, era o de dar a percepção de que os homens (como “espécie humana”, não como “gênero”), embora sejam os construtores da história, pois ela deriva de suas ações, expectativas, anseios, lutas, limitações, não possuem essa consciência plena, até mesmo porque cada ser humano é uma parte minúscula num universo de desejos e ações de complexidade inimaginável. Ao mesmo tempo a frase de Marx sempre trouxe um ar de “incerteza”, de “indefinição do futuro”, contido no “não saber” que encerra a máxima.

 

Lembro que uma professora minha, de graduação, costumava a dizer, em tom de piada, que seria risível imaginar que Dom Diniz, rei português do começo do século XIV, sabia que no futuro os pinheiros que mandara plantar na cidade de Leiria seriam utilizados para a construção de muitas das naus que foram empregadas nas grandes navegações. E ela o imitava: “Ora, pá, vamos a andar rápido com estes pinheiros pois havemos de navegar. Anda, anda.”

As teorias a respeito da história – o que implica, claro, na relação que estabelecemos com o tempo e nossa capacidade e formas de alteração no decorrer dele – sempre se deparam com a relação estabelecida entre os três tempos que fundamentam o pensamento ocidental: o passado, o presente e o futuro.

Para pensadores alinhados com as idéias de Marx – o que não significa que sejam “marxistas” – essa idéia da história como algo movido pelas lutas, disputas, tensões humanas, mas indefinida em seu futuro imediato, contrasta com a idéia de um “fim da história” algo “milenarista” (escatológico seria o termo correto, feio, mas correto). Isso porque busca-se ao fim a constituição de uma sociedade ideal, ou seja, embora o intervalo de tempo entre a atualidade e a meta seja indefinido, o objetivo está posto, o fim está desenhado.

Muitos já comentaram a respeito da influência da religião judaica no pensamento de Karl Marx, dai uma possivel relação entre a idéia de “fim”, de retorno ao princípio ideal comum - parcialmente - entre o judaísmo e o pensamento de Marx.

Mas, independentemente disso, a própria história nos prega peças, as quais estão continuamente nos obrigando a  buscar explicações mais consolidadas, mais adequadas às realidades que sempre são mais complexas do que imaginamos.

O caso do mesmo Dom Diniz, citado pela minha professora, é exemplar.

De acordo com ela as ações de Dom Diniz estariam completamente descoladas do futuro, o emprego dos pinheiros na construção dos navios que levaram Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral seria apenas uma confluência de fatores, uma casualidade do destino.

Mas, parece que não foi bem assim.

Poucos anos antes de Dom Diniz mandar plantar os pinheirais em Leiria a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, conhecida mais popularmente como Ordem dos Templários, foi processada e extinta pelo Papa, com ação direta e em favor do rei francês Felipe, o Belo.

No processo de dissolução da Ordem, e da prisão de seus principais homens (entre eles o Grão Mestre Jacques De Molay), os Templários – avisados certamente das tensões que corriam nos corredores de Paris – trataram de por a salvo os principais bens, assim como parte significativa de sua documentação.

Muitas lendas foram criadas a respeito desses eventos. Teria a esquadra templária levantado âncoras do porto francês onde estava atracada três dias antes da deflagração da caça aos irmãos da ordem, tendo depois disso desaparecido para sempre. Também a bordo da esquadra estaria o conteúdo de três carroças escoltadas para o porto por cinquenta monges templários, o que deu origem a inúmeros mitos a respeito do “Tesouro Templário”.

De fato mesmo sabemos que muito pouco tempo depois o rei português, Dom Diniz, nomeou o primeiro almirante do reino de Portugal, sem que, até então, houvesse uma esquadra que justificasse tal nomeação. Também é fato que a relação entre os Templários e os monarcas portugueses foi excelente desde a fundação da Ordem e do acolhimento deles em território português pela rainha D. Teresa. É certo, ainda, que Dom Diniz se recusou a entregar os bens da Ordem dos Templários à Santa Sé, obtendo a autorização para criar uma nova ordem em Portugal, a Ordem de Cristo, a qual herdou os bens templários.

Aproximadamente cento e cinquenta anos depois desses eventos Portugal se lançou de modo pioneiro às grandes navegações e elas encabeçadas pela Ordem de Cristo (cujo símbolo, do qual lembramos bem de nossos livros de história por estarem nas velas das naus portuguesas, a cruz vermelha sobre o fundo branco, é uma ligeira adaptação do emblema da Ordem do Templo). Um dos mentores e responsáveis pela empreitada das navegações: Dom Henrique, o Navegador, irmão do rei de Portugal e mestre da Ordem de Cristo,  morador de Lagos, onde fica o promontório de Sagres, famoso pela “mítica escola de navegação” (a qual jamais existiu como “espaço”, como “lugar físico”).

Alguns historiadores defendem que para Portugal confluiu, além de muitos templários, o conjunto de documentos e informações técnicas reunidas pelos cavaleiros da ordem durante toda sua existência navegando no Mediterrâneo, levando peregrinos e tropas para a Terra Santa. Nesse trabalho acumularam profundo conhecimento de astronomia, navegação, matemática, cartografia, produzidos pelos árabes, venezianos, genoveses e outros tantos povos da bacia do Mediterrâneo, além de conhecimento proveniente do oriente distante e trazido através da Palestina, povos com os quais mantiveram contato constante.

Os portugueses, povo que soube assimilar a herança islâmica, teria aproveitado igualmente bem todo esse conjunto de “saberes” trazido na fuga dos templários. Apropriado e operacionalizado pela coroa portuguesa, católica e profundamente alinhada com o espírito cruzadístico de levar a fé católica a todos os recantos do mundo. Talvez em nenhuma outra Coroa o sentido da “cruzada” encarnado pela Ordem do Templo tivesse encontrado mais perfeita acolhida.

Curiosamente, o mesmo rei que acolheu os templários fugitivos, que criou a Ordem de Cristo, que nomeou o primeiro almirante português, que garantiu a manutenção dos bens templários em território português e sob controle da coroa, foi o que mandou plantar os pinheirais em Leiria, tão adequados a construção naval. Imaginava o futuro o rei português e seus próximos? Estavam a projetar o futuro?

É claro, não tinham como saber que efetivamente isso se concretizaria num futuro tão distante, mas dizer que não projetaram nada, que mesmo em sua visão católica de espera do retorno do Messias, não tenham tomado providencias para seguir um rumo especifico, parece também pouco crível.

Então, os homens podem não saber como fazem a história, mas isso, provavelmente, não é sempre.

Autor: indianasilva - Categoria(s): História da cultura, História medieval Tags: , , , , ,
17/08/2009 - 07:00

E se fossemos holandeses?

De tempos em tempos aparece alguém dizendo que uma das pragas de nossa formação histórica é justamente o fato de termos sido colonizados pelos portugueses e não por algum outro povo europeu não latino, como ingleses, alemães ou holandeses.

 

Esse tipo de argumentação tem ficado cada vez mais raro, mas ainda aparece aqui ou acolá. Reflete o que boa parte dos brasileiros aprendeu nas escolas nas últimas décadas, somado ao estado de “perplexidade”, de estagnação, que o país viveu durante anos, sobretudo durante o período da ditadura militar.

O cálculo dos que ensinavam, e de muitos que aprendiam, era o seguinte: os Estados Unidos da América também foram colônias (13 no começo) da Inglaterra, e se tornaram um país sólido, avançado, economicamente forte. Nós também fomos uma colônia, portanto não seria a colonização em si a responsável pelo atraso, mas a matriz, o povo que conduziu a colonização.

Essa argumentação também traz no bojo certo comodismo e dissimulação, pois joga na matriz colonial todas as mazelas pelas quais passamos ao longo de nossa história, inclusive aquelas ocorridas após a independência. Certa feita, num programa do Jô Soares (não me lembro se já era na atual emissora, mas, se não me engano, foi na época do lançamento do livro Terra do fotógrafo Sebastião Salgado), o entrevistador perguntou ao escritor português José Saramago se ele não pensava que parte de nossas deficiências eram de responsabilidade da colonização portuguesa. Saramago respondeu: “Bom, você culparam Portugal pela colonização, depois de independentes culparam a Inglaterra pela dominação no século XIX, depois vieram os americanos e os culparam também. Quando é que vocês vão assumir a responsabilidade pelo seu próprio futuro?”

Ao mesmo tempo, na interpretação de nossa história, surgiu a tese de força de que nossas mazelas nem eram decorrência da colonização em si, nem da nação que nos colonizou, mas da “forma” ou “modelo” de colonização. Lembram da história de “colonização de povoamento” X “colonização de exploração” (sinto arrepios só em citar essa história…)?

Essa linha de interpretação tomava os EUA como modelo ideal de colonização de povoamento – por isso teria “dado certo” – ao passo que nós – modelo de “colonização de exploração” – havíamos nos tornado a pátria das desigualdades e do atraso. Um dos grandes responsáveis pela difusão dessa tese foi o historiador Caio Prado Jr. a partir dos anos de 1940.

Mas, e o sul dos EUA? Escravismo, monocultura, latifúndio… E nossas “MInas Gerais”: exploração mineral, trabalhadores livres em boa medida, propriedades menores. O modelo de “povoamento” X “exploração” também não parece muito funcional.

Mas, mais do que “modelos” o que merece ser questionado é o conceito de “dar certo” ou “dar errado”, de “desenvolvimento” e de “justiça social”.

No meio dessa discussão sempre houve quem lembrasse da ocupação holandesa no nordeste como uma “incrível oportunidade perdida”  de termos tido uma “história ligada a uma nação desenvolvida”, como se fosse nossa chance de passar para o lado no qual os EUA supostamente estariam.

É claro que as argumentações em geral cortam aquilo que lhes é menos favorável. Mas, vamos lembrar um pouco o retrospecto da invasão holandesa.

Os “Países Baixos”, por questões sucessórias, estavam ligados a Espanha, mas se rebelaram, declarando-se independentes. No último quartel do século XVI a Espanha e os Países Baixos se encontravam em franco conflito.

Portugal era parceiro comercial dos holandeses no refino, transporte e distribuição do açúcar na Europa, bem como no financiamento da lavoura e até mesmo no tráfico de escravos africanos. Contudo, após a morte do herdeiro português Dom Sebastião, o jogo político e econômico europeu mudou.

Também por questões dinásticas o herdeiro do trono português era o rei de Espanha, Filipe II, o qual fez valer seus direitos. Em 1580 estava consolidada a chamada “União Ibérica”, com os dois reinos sob o controle do mesmo monarca (situação que se extenderia até 1640). Não seria tolerável que uma colônia pertencente a Portugal tivesse como parceiro comercial  principal inimigo da Espanha. Diante disso se ordenou a interrupção de todo o trato com os Países Baixos, representado nesses negócios pela Companhia das ìndias Ocidentais (a W.I.C.).

Os holandeses decidiram contratacar tomando as regiões produtoras de açúcar: Pernambuco, Bahia, Paraíba. A empreitada toda foi pensada como uma ação ecônomica, da qual, inclusive, se venderam ações na bolsa de Amsterdã.

A invasão – tarefa extremamente custosa – não foi nada fácil e em diversas regiões os holandeses foram expulsos, como da Bahia. Finalmente conseguiram se assentar em Olinda e Recife, controlando a produção da Zona da Mata pernambucana, não sem que os engenhos fossem severamente avariados (o que exigiu mais investimentos para recuperar a capacidade produtiva).

Excetuando os investimentos que foram realizados por ordem do homem forte da W.I.C., João Maurício de Nassau, e a liberação da pratica religiosa (os Países Baixos eram predominantemente compostos de protestantes calvinistas, com grande presença de judeus), pouco se alterou no regime: a escravidão e o tráfico continuaram sendo as bases do trabalho, o açúcar continuou sendo o principal produto, a monocultura extensiva permaneceu como a base da organização espacial e comercial.

Mas houve que visse na ocupação holandesa algo “especial”, como um período áureo da história regional.

Nassau foi diversas vezes acusado de corrupção e enriquecimento ilícito às custas da W.I.C., um dos fatos pelos quais foi retirado do cargo. Quando estourou a Guerra de Restauração, após o fim da União Ibérica e retomada da Independência por Portugal (1640), empreendida em sua maioria por colonos, praticamente sem ajuda do exército português, a resposta holandesa foi violetíssima e as propriedades novamente destruídas (o caos instaurado pelo conflito foi o fermento para o crescimento da confederação de quilombos de Palmares, na Serra da Barriga).

Depois da expulsão do holandeses – após, inclusive, o pagamento de “indenização” por Portugal – a região demorou muito a se reorganizar e retomar sua vida, e os antigos invasores foram desenvolver sua própria cultura do açúcar nas Antilhas, tornando o mercado do produto cada vez mais competitivo e com margens de lucro apertadas.

De qualquer modo os holandeses tiveram a oportunidade de fazer das Antilhas um “Canadá” ou um “EUA”, mas não fizeram. O fato é que cada região teve suas especificidades históricas, sociais, culturais, e como diria Marx “Os homens fazem a história, só não o sabem como”. Os “modelos explicativos” em geral mais empobrecem do que elucidam os problemas.

Mas numa coisa tivemos vantagem inquestionável: Jamais passamos pelo constrangimento de torcer numa copa pelo “Carrossel Holandês”.

Autor: indianasilva - Categoria(s): História Moderna, História da América Latina, História do Brasil Tags: , , , , , , ,
30/07/2009 - 07:04

Onde foi parar o ouro brasileiro?

Onde foram parar as toneladas e mais toneladas de ouro que a Coroa Portuguesa extraiu das Minas Gerais ao longo do século XVIII?

 

Quando era aluno no colégio ouvi a explicação clássica para o assunto, a qual a grande maioria dos alunos ainda ouve: as minas de ouro foram descobertas durante nosso período colonial e, portanto, o ouro extraído foi parar, primeiramente, nos cofres portugueses. Portugal, por sua vez, possuía um profundo desequilíbrio comercial com a Inglaterra – a qual já manufaturava tecidos. Assim, o ouro procedente do Brasil era empregado por Portugal para compensar o desvantajoso comércio entre os dois reinos, sendo que de Portugal para a Inglaterra seguiam quase que somente produtos agrícolas ou derivados, de pouco valor agregado, como o Vinho do Porto.

Isso explicaria porque Portugal se manteve como um reino de pouca importância e majoritariamente agrícola enquanto a Inglaterra teria utilizado o ouro oriundo dessas transações comerciais para “financiar” a sua “Revolução Industrial”.

Faz sentido. É uma explicação que possui lógica e relação causal. Soluciona uma série de problemas: Onde foi para o ouro brasileiro? Porque Portugal não se industrializou? De onde vieram os recursos para a Inglaterra investir em tecnologia? Porque o ouro brasileiro ao invés de ficar em Portugal desapareceu?

Infelizmente, ou felizmente, a história sempre é mais complexa do que parece e as relações de causa e efeito não são automáticas e simples como as de bolas se chocando numa mesa de bilhar.

De alguns anos para cá historiadores britânicos tem ficado relativamente espantados ao ver que essa tese ainda é difundida entre parte dos historiadores brasileiros e em quase todo o sistema de ensino. A contestação dessa tese não é nova, direta ou indiretamente. Autores como Charles Boxer, Kenneth Maxwell e E. P. Thompson – tratando, é claro, de aspectos diversos da história de Portugal e da Inglaterra revelam quadros bastante mais complexos e que desconstróem essa relação causal simplista.

Quando as primeiras minas foram descobertas, na década de 1690, a possibilidade de uma Revolução Industrial ainda era relativamente distante, embora as movimentações no campo na Inglaterra, que levaram a liberação de mão de obra para trabalhar nas fábricas (pequenos proprietários e lavradores livres perdendo suas terras e sustento para terem de vender seu “trabalho”), já havia começado a dar sinais.

O período no qual as minas de ouro mais deram lucro foi justamente o das primeiras décadas, até meados, do século XVIII, quando a Revolução Industrial ainda engatinhava. A segunda metade do século XVIII já foi marcada pelo crescente declínio da extração aurífera, o que culminou com o ensaio de rebelião que ficou conhecido como “Inconfidência Mineira”.

O comércio e a transferência de riquezas, ainda mais de metais preciosos, teria de ser absolutamente veloz a ponto deles serem extraidos, transferidos para Portugal, empenhados nas trocas com a Inglaterra, e chegarem aos capitalistas e ao investimento na produção.

Mas o argumento dos ingleses nem é o da cronologia apertada, ele está assentado na própria economia inglesa e em seu comércio.

Os ingleses também possuíam deficits comerciais com algumas regiões, entre elas o extremo oriente, de onde traziam o tão famoso chá. As contas do reino, para os ingleses, fechavam quase tão negativas quanto as dos portugueses, impedindo que uma acumulação de riquezas – de ouro – restasse nas mãos dos monarcas.

Por outro lado, se seguirmos os estudos de Thompson, a respeito da formação do operariado na Inglaterra, veremos que as matrizes empregadas para alavancar a Revolução Industrial foram outras bem diversas, principalmente no aperto aos pequenos agricultores, a um menor preconceito de parte da nobreza para com os trabalhos manuais, o que lhes possibilitou atuarem como investidores, no sucesso de determinadas lavouras, na existência de redes de transporte mais eficientes e bem como de jazidas de minerais fundamentais para o processo, como o carvão mineral (sobre esse universo carvoeiro e sua importância para a indústria nascente o livro de Emile Zola, Germinal, ainda é um relato visceral e impactante).

Para os portugueses alguns elementos contribuiram negativamente para a manutenção de riquezas e sua inserção na Revolução Industrial: o primeiro ítem é a mentalidade conservadora de boa parte da nobreza portuguesa, a qual via a classe proprietária sem origens nobres com péssimos olhos. Isso afastou a nobreza, a qual possuia recursos para investir, das atividades industriais nascentes. Além do mais a nobreza protuguesa via os trabalhos manuais como degradantes ou aviltantes, nisso inclui-se as tividades dos “industriais”. Em segundo lugar a própria Coroa criou sucessivamente restrições a iniciativa, tentando manter as estruturas que haviam sustentado o sistema colonial (com controles rígidos de comercio e exclusividades). Em terceiro lugar a Coroa portuguesa era extremamente perdulária, gastando horrores para manter um grupo de ociosos. Essa nobreza cortesã (de “viver na corte”) era em boa medida sustentada com os lucros da Coroa. Gastava-se muito com luxos, pompas, circunstâncias, com produtos do Oriente, enquanto as fontes de renda despencavam (entre elas o comércio oriental, perdido há muito tempo).

O dinheiro vazava por muitos ralos e não se ocupavam de criar nenhuma nova fonte de renda (nem em ingressar na economia nascente). O grande erro da Coroa Portuguesa foi o de se aferrar a tradição mais do que seus vizinhos europeus, ainda mais frente a Inglaterra.

As tentativas de modernização do reino, como a empreendida pelo Marquês de Pombal, esbarraram ou na resistência de grupos privilegiados, na corrupção de partes do sistema, ou na insistência em retornar ou manter a antiga situação (como ocorreu com a chamada “Viradeira”, a subida ao trono de D. Maria e a queda do ministro após a morte de D. José I).

Efetivamente algum ouro brasileiro foi para na Inglaterra, mas como estes não o seguraram acabou migrando para outros bolsos. No final, o provável é que o ouro brasileiro tenha se tornado parte da massa circulante que deu fluidez ao sistema comercial entre as nações, o qual ganhava agilidade e volume a cada dia. Vale lembrar que até o final da I Guerra Mundial o padrão empregado era o “ouro”, somente depois passou a ser o dólar, ou seja, até o século XX foi o ouro a dar lastro para a emissão de moedas, procedimento parcialmente responsável na aceleração e  viabilização do capitalismo contemporâneo.

Culpar o famoso tratado dos “Panos e Vinhos” (aquele no qual Portugal vendia vinho para a Inglaterra e comprava tecidos destes) pelo escoamento da riqueza extraida do Brasil é insustentável. E haja vinho e haja pano, pois eram toneladas e toneladas de ouro extraidas todos os anos, sem contar o que saía de Goiás e Mato Grosso, além de diamantes do distrito de Serro Frio e outras pedras e metais preciosos.

O ouro brasileiro foi pesar em muitos bolsos – alguns ingleses -, mas não todo ele. A mentalidade conservadora, a estrutura social portuguesa e os gastos excessivos da Corte certamente foram mais responsáveis pelo vazamento de recursos do que um único tratado comercial.

 

PS: Texto escrito por sugestão de Carlos Alexandre Brasil.

Autor: indianasilva - Categoria(s): História Moderna, História contemporânea, História do Brasil Tags: , , , , , ,
27/07/2009 - 06:31

Os portugueses eram burros?

Há alguns anos um historiador português foi apresentar uma conferência no departamento de história da Universidade de São Paulo e abriu sua fala contando uma piada de brasileiro (as quais são comuns entre nossos amigos lusitanos). Na sequência um professor brasileiro foi comentar a conferência e começou dizendo que, ao contrário do colega, não iria contar uma piada de português. Não contaria pois, como todos sabemos, não existem piadas de português, é tudo verídico.

 

A platéia – obviamente, formada por brasileiros - ovacionou o comentário e fez corar o camarada “da terrinha”. Contudo, piadas a parte, o fato é que nossa sociedade habituou-se a tratar os portugueses como carentes de “imaginação”, sem “inteligência”. Daí a infinidade de piadas e adjetivos pouco elogiosos como “burruga” ou “burruguês”.

Mas a coisa não para por aí. Muitos alunos, quando se sentam para assistir as aulas de história, ainda são acostumados a ouvirem toda sorte de anedota sobre nossos “colonizadores”. Já ví toda sorte de comentário, quando era aluno ou quando era professor: Dom João VI era um preguiçoso, covarde, comedor de frango, burro pacas. Dona Maria, sua mãe, louca de pedra, doente, literalmente insana. Carlota Joaquina, que era espanhola, mas casada com Dom João VI, uma megera, além de ter hábitos e moral questionáveis. Dom Pedro (I para nós brasileiros e IV para os portugueses) um galanteador, uma piada como político. Ouvi também incontáveis vezes que uma das provas da burrice portuguesa é que todo ouro que retiraram do Brasil teria ido parar em cofres ingleses. E daí para diante.

Contráriamente, quanto mais se aprofunda na história de Portugal e da colonização da América, mais se impressiona com a situação diamentralmente oposta. É impossível não se espantar com a inteligência portuguesa e com a incrível plasticidade cultural que possibilitou que um reino minúsculo colonizasse regiões tão díspares quanto a América, África, Índia e extremo oriente (Timor e Macau).

Portugal foi o primeiro reino europeu a se constituir como “nação”, unido, antecipando o que, na Espanha – por exemplo – ocorreria somente séculos depois. E também na França, Itália, Alemanha, as quais somente se unificaram no século XIX.

A tecnologia naval empregada pelos lusitanos era o que havia de mais moderno no século XV e foi amparado nela que chegaram às Índia, às Américas.

Mas isso muitos já ouviram, mesmo que tenham feito questão de esquecer.

Apesar de Portugal ter sido um reino pequeno e com população diminuta sua política era respeitada entre os europeus e os negociadores portugueses tidos como duríssimos e com astúcia de raposas. A diplomacia brasileira, tida como uma das mais competentes do mundo, tem suas raízes justamente na diplomacia portuguesa, a qual, apesar de todas as fragilidades, conseguiu manter a independência do reino (excetuando-se, claro, momentos críticos como o da União Ibérica, 1580-1640, e das invasões napoleônicas no começo do século XIX).

Dom João VI, por dua vez, era tido como uma dos monarcas mais brilhantes de seu tempo, embora tenha herdado um reino de pouca força militar. A transferência da corte para o Rio de Janeiro foi uma solução de mestre, um golpe genial na política expansionista de Napoleão, pois inverteu a lógica portuguesa e tornou o Brasil – fonte da maior parte da renda da coroa – a sede do Império.

De alguns anos para cá me impressionei com um outro elemento genial da política portuguesa e que garantiu as dimensões continentais do território brasileiro. A pergunta sempre retorna: Como um reino tão pequeno conseguiu se apoderar de território tão grande?

Gilberto Freyre e Darcy Ribeiro, sociólogo e antropólogo respectivamente, defenderam que o incentivo – mesmo que velado – a miscigenação garantiu a ocupação do território, enquanto outros reinos buscavam ao máximo evitar qualquer mistura de seus colonos com nativos ou escravos. Mas isso explicaria apenas a densidade demográfica e não a extensão do território.

Comecei a entender melhor a questão quando passei a trabalhar em regiões fronteiriças do Brasil. Em todas elas encontramos fortalezas, cidades fortificadas ou ruinas de antigos fortes. Ao investigar um pouco sobre a história de cada lugar verifica-se que essas ocupações eram verdadeiras “cabeças de ponte”, postos avançados da colonização portuguesa. E entre estes postos avançados e as cidades dignas desse título mais próximas centenas, as vezes milhares de quilômetros restavam tal como eram antes da chegada dos portugueses: ocupados quase que somente pelos povos tradicionais.

Esse conjunto de fortalezas e outras estruturas formaram ao longo dos séculos um cordão, um rosário que forjou as fronteiras brasileiras. Tanto o é que com pequenas diferenças nossos limites territoriais em terra firme são ainda marcados por esses pontos: o forte Príncipe da Beira e Vila Bela da Santíssima Trindade no Mato Grosso, a região do antigo Presídio do Iguatemi, no Mato Grosso do Sul, a área de São Gabriel da Cachoeira no Amazonas, e assim por diante.

Com isso, política deliberada, pensada pelos portugueses, todo território para trás desta linha permaneceu em propriedade lusitana, e depois brasileira. Por isso muitas áreas somente foram colonizadas e plenamente exploradas no século XX, enquanto algumas regiões de fronteira, muito mais distantes, estavam ocupadas desde o século XVII ou XVIII.

O fato é que a disseminação da fama de de “burros” dos portugueses esteve associada a motivos políticos, por disputas entre comerciantes da “terra” (brasileiros) e portugueses desde o século XVIII, e se acentuou após a independência do Brasil. Até aí, tudo bem, faz parte da disputa política, do embate entre grupos. O estranho, e dispensável – além de negativo – é insistir nisso para além das piadas.

Quando isso entra na sala de aula e o professor ensina a piada como se fosse verdade, fato, então temos um problema sério. Pois colonizados por “burros” o que seremos?

Boa parte de nossa plásticidade cultural, de nossa criatividade, resistência, deve-se a matriz lusitana de nossa cultura.

As piadas podem ser deixadas somente para os amigos portugueses.

 

PS: Talvez esteja na net. Recebi recentemente um vídeo de uma aula a respeito de uma tal “”Batalha das Toninhas” da I Guerra Mundial, travada pela marinha brasileira. Nunca vi um professor de história falar tantos absurdos, sempre denegrindo, diminuindo, ridicularizando o povo do qual ele, curiosamente, faz parte. Isso é uma decorrência de como muitos ainda tratam nosso processo de formação histórica. É possível fazer graça e ser divertido sem ridicularizar ou diminuir o outro.

Autor: indianasilva - Categoria(s): História da cultura, História do Brasil, Memória e história Tags: , , , , ,
23/07/2009 - 06:55

Sete Povos das Missões

No filme A Missão do diretor francês Roland Joffé, Robert De Niro faz um caçador de indígenas espanhol, Dom Rodrigo, que após matar seu próprio irmão num duelo para a limpeza de sua honra (o irmão lhe traira com sua noiva) abandona a vida que levara até então e entra para a Companhia de Jesus, a Ordem Jesuítica, como forma de expurgar sua culpa.

 

Um paradoxo curioso, uma vez vez que foram justamente os jesuítas que se dedicaram com maior empenho a catequização dos indígenas nas Américas e encarnaram durante dois séculos e meio o grande poder em oposição aos colonos e bandeirantes na disputa pela “administração” dos povos nativos. Dom Rodrigo de caçador de índios passa a catequizador, num processo absolutamente traumático.

O filme foi bancado com dinheiro proveniente da própria Companhia de Jesus, como parte das ações da mesma a fim de se contrapor a boa parte da literatura que tratou-a como mais uma “destruidora dos povos nativos americanos”. Sem querer se despir da indefensável responsabilidade por “descaracterizar” e promover o esgarçamento dessas sociedades indígenas, os jesuítas procuravam no filme de Joffé se colocar em campo diverso daquele reservado aos bandeirantes, colonos e outras formas de caçadores de indígenas.

A verdade é que, boa parte dos historiadores ao longo do século XX tratou os jesuítas quase como bandeirantes de batina, um equívoco severo. A antiga Companhia de Jesus teve responsabilidade sim na desestruturação das sociedades nativas das Américas, mas certamente eram muito diversos dos “caçadores de escravos”.

Apesar do filme se passar numa floresta tropical, um universo “amazônico”, a história foi claramente inspirada nas chamadas Guerras Guaraníticas, que colocaram em lados contrários jesuítas e indígenas (quase todos guaranís,  daí o nome) e os exércitos de Portugal e Espanha. A tragédia da dizimação das missões jesuíticas, da escravização de boa parte de seus indígenas, da expulsão dos religiosos das Américas (seguida da extinção da ordem pelo Vaticano) em meados do século XVIII teve como cenário a região que hoje conhecemos como Sete Povos das Missões, patrimônio localizado no interior do Rio Grande do Sul.

A região de Sete Povos recebeu indígenas e jesuítas em fuga diante dos ataques de bandeirantes paulistas realizados nas antigas missões, no século XVII, localizadas nas margens dos rios Tibagi e Paranapanema, hoje estado do Paraná. Se deslocaram mais ao sul, na esperança de que a distância do núcleo de onde vinham os caçadores de indígenas, a vila de São Paulo de PIratininga, tornasse o negócio menos atraente e mais perigoso.

O resultado dessa “internação” dos jesuítas e guaranis foi a criação de um verdadeiro “estado indigena religioso”, de magnitude inédita no mundo. As igrejas, das quais restam as ruínas em Sete Povos, construidas em pedra entalhada, cantaria, demonstram o refinamento das artes e ofícios aprendidos pelos guaranis. Música, teatro, escultura, em Sete Povos das Missões os jesuitas chegaram o mais próximo daquilo que imaginavam ser a construção de um “paraíso terrestre”.

Contudo, tal organização, com milhares e milhares de indígenas, não só impediu a continuidade da economia de apresamento dos paulistas, como se tornou algo absolutamente incomodo para as coroas ibéricas. O todo poderoso ministro português de Dom José I, o Marquês de Pombal, tinha calafrios ao ouvir falar em jesuitas. Nutriu por eles ódio mortal por toda a vida e não poupou esforços para acabar com a ordem religiosa.

As coroas temiam que a região das missões se tornasse uma estado rebelde, nem espanhol, nem português, religioso, com gestão autônoma. Essa foi a gota d’água, a sentença de morte para as missões. Em uma situação inusitada – por conta dos séculos de guerras e disputas um com o outro – os exércitos de Portugal e Espanha atacaram conjuntamente as missões. Da resistência indígena surgiram inúmeros mitos, entre eles o de Sepé Tiarajú, lider indíegan que comandou os guaranis até mesmo após a destruição das missões.

Em verdade, boa parte da resistência indígena se deveu ao medo profundo de que o encerramente das missões decretasse a escravização de milhares e milhares deles (temor justificável e plenamente comprovado).

Muitos indígenas conseguiram fugir e se internar em regiões ainda mais distantes, mas os Sete Povos desapareceram como estrutura, como sociedade.

Certa vez, conversando com Alfredo Bosi, lhe perguntei o que significou a expulsão dos jesuítas das Américas, e ele respondeu: Uma perda incomensurável nas artes, nas letras, na ilustração que se configurava com os indígenas.

Bosi tem absoluta razão. Embora a ação religiosa jesuitica tenha desarticulado as sociedades indigenas tais como eram ate então – mas disso não tinham a mesma concepção do que nós, hoje – o esforço empreendido para com os indígenas foi não só para a catequeze, mas para a construção de uma civilização, que, diante do que ocorria no restante do continente com os indígenas, era uma ação transformadora e, talvez por isso dizimada, em grande medida “subversiva” diante dos olhos das coroas ibéricas.

Nos campos do interior do Rio Grande do Sul repousam as ruinas de Sete Povos, um dos episódios mais dramáticos e comoventes da história das Américas, onde sonho e pesadelo se sucederam com intervalo de poucas décadas. Patrimônio histórico protegido, preservado, guarda em suas paredes caidas, tetos destruídos, o testemunho da fúria que se abateu sobre as missões e da resistência digna, ainda que ineficaz, dos guaranis.

Sítio histórico brasileiro, administrado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o IPHAN, Sete Povos das Missões merece ser conhecido por todos, e diante daqueles esqueletos de pedra conduzir a imaginação ao século XVIII, numa reverência as histórias, a grande e as pequenas, das vidas de cada um dos indigenas e religiosos que viveram e morreram ali.  

Autor: indianasilva - Categoria(s): Arqueologia, História Moderna, História da América Latina, História da cultura, História do Brasil, Patrimônio histórico Tags: , , , , , , , , ,
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